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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Estudo promissor melhora tratamento para certos tipos de câncer de mama

 


Cientistas constataram que a descoberta precoce de uma mutação genética nos tumores pode facilitar a adaptação da terapia

30/09/2022 - 11H43 (ATUALIZADO EM 30/09/2022 - 13H00)

Tratamentos podem ser adaptados a partir de uma mutação genética dos tumores

REPRODUÇÃO

Um estudo publicado nesta sexta-feira (30) mostrou que é possível frear a progressão de certos tipos de câncer de mama com a descoberta precoce da mutação genética no centro dos tumores e, a partir disso, adaptar o tratamento.

O relatório, publicado no Lancet Oncology, uma das principais revistas sobre o câncer, é o primeiro do tipo "a mostrar um benefício clínico significativo depois de, anteriormente, direcionar a mutação bESR1", resumem os autores.

Em um câncer de mama, as células do tumor evoluem com o tempo e, dependendo de certas mutações, podem se tornar resistentes aos tratamentos utilizados.

Os autores desse estudo, organizado em dezenas de hospitais franceses pelo oncologista François Clément Bidard, avaliaram que é importante detectar a mutação bESR1 a tempo e agir em conformidade.

Para detectar essa mutação, utilizaram uma técnica que vem sendo promissora nos últimos anos dentro dos estudos de câncer: a "biópsia líquida".

Diferentemente da biópsia clássica, uma operação potencialmente complexa e com consequências para a paciente, o objetivo é estudar o conteúdo dos tumores sem precisar extrair tecido da própria mama.

Em seu lugar, basta uma simples coleta de sangue. O sangue das pacientes contém uma pequena parte do DNA vindo das células cancerígenas. Isso torna cada vez mais fácil isolar e estudar a doença.

Formaram-se dois grupos de aproximadamente 80 pacientes com essa mutação. Uma parte seguiu recebendo o tratamento original, já a outra mudou para o medicamento fulvestrant.

No segundo grupo, a progressão do câncer foi interrompida por uma duração média maior, por vários meses.

 

Além da mutação única do bESR1, os autores consideram que o uso da biópsia líquida e a rápida troca de tratamento poderia servir de modelo para futuras estratégias terapêuticas.

 

No entanto, esse estudo tem várias limitações. Em primeiro lugar, não avalia se essa mudança de tratamento realmente melhora a sobrevivência da paciente. Por outro lado, a pesquisa só examina um tipo específico de câncer de mama, no qual o tumor é receptivo ao estrogênio.

 

Essa condição é a que permite o funcionamento dos tratamentos hormonais utilizados no estudo. Isso não inclui, por exemplo, os chamados cânceres "triplo negativos", que são os mais mortais porque são os mais difíceis de tratar.

 

https://noticias.r7.com/saude/estudo-promissor-melhora-tratamento-para-certos-tipos-de-cancer-de-mama-30092022

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Maior análise do DNA do câncer já feita revela segredos da doença

 

Estudo completo do genoma do câncer ajuda a catalogar, identificar e tratar a doença com mais facilidade do que nunca (Imagem: National Cancer Institute/Unsplash)Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 26 de Abril de 2022 às 10h16

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Cambridge University Hospitals, no Reino Unido, liderada pela pesquisadora-chefe Serena Nik-Ziainal, analisou os dados de DNA anônimos do Projeto 100.000 Genomas, que junta dados de pacientes de câncer e outras doenças raras, para mapear o genoma dos tumores de cerca de 12 mil britânicos.

A quantidade de dados, inédita até o momento, permitiu a descoberta de novos padrões genéticos da doença, o que revela causas ainda pouco compreendidas pela ciência. O diagnóstico e o tratamento de câncer poderá ser melhorado a partir do estudo, de acordo com os pesquisadores. A publicação foi feita no periódico científico Science.

O que revela o DNA do câncer

O câncer nada mais é do que uma corruptela das células saudáveis do nosso corpo, geradas por mutações de DNA que modificam as células até o ponto de crescerem e se multiplicarem desenfreadamente. A maioria delas é categorizada com base na localização do câncer no corpo e no tipo de célula envolvida — agora, a nova pesquisa vem trazer novos dados importantes a essa catalogação.

Apesar de ser novidade, esse sequenciamento completo do genoma do câncer já está disponível no National Health Service (NHS), o sistema público de saúde britânico, apenas para um número pequeno de tumores, no entanto, o que inclui alguns de sangue. Foram analisadas milhares de alterações genéticas em cada tumor estudado, detectando combinações específicas de alterações genéticas — as assinaturas mutacionais — que podem ser a chave para o desenvolvimento de todas as categorias da doença.

Segundo Serena, o estudo é uma espécie de escavação arqueológica do câncer: os padrões ou impressões no campo da doença — como pegadas de dinossauros, de acordo com ela — revelam o que está acontecendo de errado. Sendo que o câncer de cada pessoa difere, saber que é possível personalizar o relatório da doença significa que estamos um passo mais perto de personalizar o tratamento para elas, completa a pesquisadora-chefe.

Alguns padrões conhecidos do câncer foram confirmados pela pesquisa, e 58 novos foram descobertos: essas assinaturas dão pistas sobre a possibilidade dos pacientes terem sido expostos a causas ambientas de câncer, como o tabagismo, por exemplo. Outras fornecem mais dados sobre anomalias genéticas que podem ser tratadas com medicamentos específicos, um "calcanhar de Aquiles" de cânceres mais específicos.

Uma ferramenta computadorizada — chamada FitMS — também foi criada para auxiliar médicos e cientistas a verificar assinaturas mutacionais nos pacientes de câncer e, potencialmente, melhorar o tratamento individual da doença em cada um deles. Um exemplo já concreto dos benefícios do estudo é caso de Aubrey, uma garotinha de dois anos de Bedfordshire, Reino Unido, diagnosticada com a doença aos 16 meses.

O sequenciamento do genoma do câncer ajudou os médicos a identificar o tipo da doença presente na garota, um rabdomiossarcoma, ocorrência rara que afeta os músculos ligados à estrutura óssea. O banco de dados ajudou os médicos a identificar que o câncer de Aubrey não foi herdado geneticamente, o que livra a família de preocupações acerca da doença afetar outro de seus membros, por exemplo. Os cientistas esperam ajudar cada vez mais pacientes com mapeamentos mutacionais como este.

Fonte: Science

https://canaltech.com.br/saude/maior-analise-do-dna-do-cancer-ja-feita-revela-segredos-da-doenca-214762/