quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por que, afinal, sentimos tanta culpa?

O sentimento de culpa, mais comum entre as mulheres e que ronda a maioria das nossas ações, pode ser domado

Camila de Lira, iG São Paulo 15/07/2010 12:31

Um estudo aponta que as mulheres sentem mais culpa do que os homens .

Você não foi na ioga hoje? Comeu demais no jantar? Teve que ficar até mais tarde no trabalho e não teve tempo para os filhos? As situações são diferentes, mas o sentimento que ronda a cabeça da maioria das mulheres é o mesmo: a culpa.

De acordo com o médico e escritor Moacyr Scliar, autor do livro “Enigma da Culpa” (Editora Objetiva), em que analisa aspectos históricos, religiosos e psicanalíticos da culpa, o sentimento “resulta da consciência de uma transgressão ou de um conflito inconsciente”. Segundo Scliar, existe um fator que aumenta a pressão e dificulta a liberação da culpa: a sociedade e o peso que ela dá às coisas. “Os códigos de conduta são muito rígidos. Padrões demasiado exigentes, seja no trabalho, nas relações pessoais, isso gera muitas frustrações. A pessoa não atinge aquilo acha que os outros esperam dela e sente-se automaticamente culpada”, diz.

Para a colunista Regina Navarro Lins, psicóloga e autora de “A Cama na Varanda” (Ed. Rocco), somos frutos de uma cultura judaico-cristã em que o sofrimento é uma virtude. “A sociedade é toda baseada em culpa e pecado”, diz. De acordo com Navarro, existe uma construção da culpa desde a consolidação do catolicismo. Scliar concorda e completa: “O Jeová, do Antigo Testamento, é um Deus que vigia constantemente os humanos, e que não hesita em acusá-los e puni-los. Cristo procura absolver os pecados da humanidade, mas o cristianismo não acabou com a culpa, sobretudo em termos morais”, completa.

A culpa da mulher

No começo deste ano, pesquisadores da Universidade do País Basco, na Espanha, divulgaram um estudo sobre o sentimento de culpa. Eles questionaram 250 pessoas, de ambos os sexos, e chegaram à conclusão de que as mulheres sentem mais culpa do que os homens, principalmente as que estão na faixa dos 40 e 50 anos. Os altos índices de culpa feminina, segundo os pesquisadores, são causados por práticas educacionais que exigem mais das mulheres do que dos homens, repressão na infância e por danos causados em terceiros.

No campo dos desejos e relacionamentos, a psicóloga Regina Navarro cita a repressão sexual como a principal causadora da culpa. Ela explica que, durante muito tempo, vendeu-se que a marca da feminilidade era não ter prazer no sexo. “Esse discurso foi tão forte que ainda ecoa hoje quando as mulheres se sentem culpadas por transar no primeiro encontro, por exemplo”, explica.

A psicóloga Ceres Alves Araújo explica que a pessoa geralmente sente culpa quando percebe (ou acha) que fez algo errado, algo que pode desagradar alguém. Para ela, a culpa sentida na maternidade, por exemplo, é uma das mais comuns. Mas alerta que algumas mães exageram e sentem uma culpa descabida, como, por exemplo, a sentida quando é preciso voltar ao trabalho depois do término da licença maternidade. “Algumas mulheres se sentem mais culpadas ainda quando percebem que têm prazer em trabalhar”, diz. O sentimento vem de uma imagem pré-concebida de que a mãe precisa estar presente o tempo todo na vida do filho. “A criança consegue sobreviver longe da mãe, necessita de pessoas cuidando dela, claro, mas nem sempre precisa ser a mãe. Aliás, é bom para criança perceber que a mãe vai e volta”, diz.

Sete ações para atenuar a culpa, segundo Moacyr Scliar

1. Não negar a culpa

2. Aprender a diferenciar a culpa real da culpa neurótica, originária do inconsciente

3. Aceitar, sem se envergonhar ou se culpar, as fantasias sexuais e desejos proibidos

4. Aprender a conviver com a criança que temos dentro de nós, que controla muitos de nossos pensamentos e atos

5. Reconhecer que, muitas vezes, traz-se do passado uma raiva que se transforma em crônica e destrutiva ruminação

6. Não deixar que a culpa nos torne manipuláveis – pelo cônjuge, pelos filhos, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pelo chefe, por líderes políticos, por quem quer que seja. A manipulação através da culpa é um processo que, invariavelmente, conduzirá ao desastre psicológico

7. Tudo isto pode ser resumido em uma única palavra: compreensão. “O “homem é o único ser capaz de sentir culpa”, disse o filósofo Martin Buber, acrescentando: “mas é também o único ser capaz de iluminar a sua culpa.” A culpa iluminada, a culpa compreendida, é a culpa domada. Para compreender sua culpa, a pessoa pode necessitar da ajuda de familiares, de amigos, de colegas - e também de um terapeuta.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mulheres que enfrentam a doença contam como encaram o espelho e encontram autoestima

Fernanda Aranda, iG São Paulo

Enfeitadas por lenços, batom, sombra e muita coragem, elas são a imagem real da doença que faz 50 mil vítimas por ano no Brasil. E todo dia travam uma luta diária para não serem resumidas ao tumor que já carregaram – algumas ainda carregam – no corpo. Caso se rendessem aos estereótipos, contam todas, seriam enxergadas só como pacientes carecas, sem peito, inchadas e tristes. “Sou muito mais que o meu problema de saúde”, ensina com propriedade seu segredo Aparecida de Fátima Teixeira, 51 anos.

Além de Cida, Helena, Elen, Aída, Aparecida, Tatiane, Rosimeire, Cristina, Daniele esbanjam um reflexo muito mais belo do que o imaginado para o câncer de mama. Por isso, o Delas convidou estas mulheres a contarem como encararam o espelho depois da doença.

Das mais variadas maneiras, elas disseram que, sim, encontraram beleza no câncer de mama. O bate-papo com as pacientes – de 25 a 74 anos- foi na última sexta-feira, no Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), onde elas foram convidadas para participar de oficinas de autoestima e acabaram as próprias dando “aula” sobre o amor próprio.

Tudo sempre foi muito precoce na vida de Elen Renildes da Silva. Aos 15 anos de idade, ela engravidou do primeiro filho. Seis anos depois, veio o segundo. A operadora de caixa ainda estava se acostumando com a ideia da dupla maternidade, quando descobriu a gravidez de sua primeira menina.

Aos 30 anos, Elen cruzou com mais um desafio precoce e, com um esforço sobrenatural, acreditou imediatamente que não seria o câncer de mama que faria com que ela não tivesse “mais toda a vida pela frente”. “Receber o diagnóstico foi mais fácil do que enfrentar o tratamento. A cada sessão de quimioterapia, meu cabelo ia embora junto. Os fios caíam levando pedaços de mim.”

O ponto de virada foi encarar o tratamento por um outro ângulo. Um dia olhou no espelho e disse a si própria que a quimio é o que a salvaria, uma aliada. "Assumi isso, chamei uma vizinha para ajudar e decidi raspar a cabeça inteira.”

Se os filhos já estavam cheios de dúvidas sobre o que estava acontecendo ficaram ainda mais instigados com o novo visual da mãe, sempre composto por lenços coloridos, batom vermelho e lápis nos olhos para deixar ainda mais marcante o rosto, agora nu. Apesar da vaidade mais aguçada pós doença, Elen conta que nada foi tão responsável por sua autoestima alcançar níveis máximos como uma conversa da filha caçula com uma amiguinha da escola. A pequena estava explicando a colega tudo sobre a doença e finalizou: “Se a sua mãe tiver câncer de mama, não se preocupe. A minha ficou ainda mais bonita careca.”

O vento batia nos novos cabelos de Cristina Profetti, 42 anos. Todos que a encontram dizem que a cabeleira ficou ainda mais bonita depois de ter nascido após as incontáveis sessões de quimioterapia. Ela, de fato, se sente mais bonita e completa e talvez o segredo esteja na forma como sempre encarou a doença.

“Eu sempre olhei para frente. Há cinco anos quando o médico disse que era 99% de risco de eu ter câncer de mama, a minha primeira pergunta foi: “ok, qual é o próximo passo”. Um passo a frente tronou-se a filosofia de Cristina. Percebeu que a quimioterapia iria fazer com que os cabelos caíssem e antes mesmo disso acontecer já saiu por São Paulo atrás de perucas. “Fazia quimio na quinta-feira e no sábado estava dançando, em festas e planejando o próximo passeio.”
A única preocupação era com os filhos, adolescentes. “Se eles sofressem, daí sim a culpa poderia me derrubar.” Não foi o caso. Danilo, hoje 20 anos, assumiu o posto de cuidador da mãe. Camila, agora com 17, virou parceira inseparável - vai às consultas, baladas e está nas sessões de fotografia. “Minha mãe nunca deixou espaço para o desânimo. Os médicos diziam que o fôlego estava comprometido e logo depois lá estava ela arrasando no videoquê. Nunca deixou ninguém vê-la sem peruca, mas em casa, à noite, adorava meu cafuné na sua careca.”

De Angola para o Brasil em busca da cura

Helena Fernandes Trindade dos Santos, 29 anos, estava em Angola, país natal, quando recebeu a notícia de que o câncer de mama era sim uma doença que fazia parte do universo das mulheres jovens. E diante daquele quadro raro, foi mais dolorido saber que era preciso viajar, deixar a família e o namorado de 10 anos, para encontrar tratamento não disponível em sua cidade.
“Cogitei Ásia e Estados Unidos. Mas me disseram que São Paulo, no Brasil, seria o melhor local para achar a cura.” Malas prontas carregadas de esperança, quase perdidas quando descobriu os valores cobrados nos hospiatais. “Liguei para a minha família e me despedi. Pensei que fosse morrer já que não podia pagar para me tratar.”

Foi então que ela descobriu o Hospital das Clínicas e há três meses começou a rotina médica gratuita. Já perdeu os cabelos, mas os cinco lenços comprados nas ruas paulistanas fazem com que ela fique mais estilosa. “Meus familiares falam comigo pela webcan e nem acreditam o quanto estou bonita. Eu também me sinto assim.” A confiança só balança quando ela pensa na possibilidade de ter filhos. “Sempre quis ser mãe e agora posso não experimentar a maternidade”.

Os amigos duvidam. Quem conhece Helena sabe que ela viajou o mundo, com a “experiência de quem nunca havia viajado” para encontrar tratamento. “Imagina do que ela não é capaz por um filho”, dizem. Por isso, não é de se espantar que o segredo de sua autoestima seja uma palavra: “Autoconfiança”.

O reencontro com os filhos

“Eu agradeço ao câncer de mama”, diz Rosimeire de Souza Ribeiro, 46 anos, causando espanto em quem escuta a frase no início da conversa e não depois da explicação sobre como a doença mudou a sua vida. Rosimeire ainda não venceu a doença. Desde novembro do ano passado luta contra o tumor. Perdeu os cabelos e a cirurgia de reconstrução da mama, peça chave para melhorar a autoestima segundo diversas pesquisas, não pode ser feita por causa de uma rejeição ao material usado na prótese. Mas ela, otimista recém descoberta, resolveu enxergar a doença por outro prisma. “E encontrei muitas vantagens”.

A workholic inveterada, que ficava de segunda a sexta-feira no trabalho, longe dos filhos, dos amigos e da família, agora deu lugar a uma mãe dedicada, que faz almoços aos sábados para “um batalhão” e não deixa nenhuma lição de casa passar sem ser corrigida. “O câncer me fez pensar que eu não podia continuar sendo apenas uma técnica de informática dedicada. Sou mulher, mãe e amiga e agora eu estou reencontrando com todas essas Rosimeires.”

Os filhos, de 11 e 13 anos, foram os que mais colaboraram com essa mudança de postura. E no início não expressaram isso de maneira tão cordial. “Mãe porque você resolveu me cobrar estudo se nunca antes ligou para isso”, dizia o mais velho. Bater de frente com os novos desafios do reencontro com a maternidade fizeram o medo do câncer ficar em segundo plano. “E aos poucos eles foram descobrindo como é bom ser filho e eu como é bom ser mãe.”

Aparecida Teixeira, 52 anos, desde 2006 luta contra o câncer de mama. Mas o segredo para não se intimidar com a resistência do tumor, que primeiro apareceu na mama esquerda, depois na direita e agora já foi diagnosticado na cabeça, é a conjugação do verbo ao falar da doença. “Só falo dela no passado. Desde o primeiro dia, sempre falei do problema como se ele tivesse acontecido a muitos anos atrás.”

No passado, presente ou futuro , Aparecida nunca fez drama com o diagnóstico. “Eu perdi o chão, fiquei desesperada e com um pavor que só me fazia chorar. Enquanto isso, a minha mãe estava uma serenidade que só”, conta a filha Tatiane de 32 anos. “Ela nem bem tinha aberto os olhos após a primeira cirurgia, a anestesia ainda estava fazendo efeito e ela me pediu batom e blush”, conta a filha. “A minha estratégia era ficar sempre bonita, assim os médicos achariam que eu estava saudável e me dariam alta”, conta Aparecida.

A maquiagem não é seu único segredo de beleza. “Tenho outras táticas também. Quando começo a pensar no câncer, desvio o pensamento para outras coisas, tipo a novela ou música. A vida é muito bela para a gente só ficar martelando na doença”, diz.

“Eu queria trocar de lugar com ela. Pedi a Deus para passar a dor, o medo e o sofrimento da minha filha para mim”, repete Neusa Santos, 52 anos, mãe de Daniele, que descobriu o câncer de mama aos 24. “Nunca poderia imaginar que aquela dor que eu sentia era um tumor. Pensei que fosse uma inflamação . Os médicos também acharam isso e só se convenceram com a biópsia”, conta a jovem.

Perder os cabelos com tão pouca idade não foi fácil e Daniela, já apaixonada pelas maquiagens, descobriu que os acessórios, brincos, lenços e boinas podem ser aliados. Mas se puder definir o que de fato a ajuda encarar as muitas sessões de quimioterapia é ter percebido o quanto pode contar com Dona Neusa. “Eu tenho muitos amigos, mas o câncer mostrou o quanto a minha mãe é meu porto seguro. Eu sei que ela sofre junto comigo e eu, que sempre fui tão reservada, agora ganhei a chance de me abrir mais com ela.”

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

HUMILDADE DO VICE-PRESIDENTE JOSÉ ALENCAR

ESTE HOMEM, A CADA DIA DÁ-NOS UMA NOVA LIÇÃO!

"A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome".

Na semana passada, o vice-presidente da República, José Alencar, de 77 anos, deu início a mais uma batalha contra o câncer. É o 11º tratamento ao qual se submete.

*Desde quando o senhor sabe que, do ponto de vista médico, sua doença é incurável?

JA - Os médicos chegaram a essa conclusão há uns dois anos e logo me contaram. E não poderia ser diferente, pois sempre pedi para estar plenamente informado. A informação me tranquiliza. Ela me dá armas para lutar.
Sinto a obrigação de ser absolutamente transparente quando me refiro à doença em público. Ninguém tem nada a ver com o câncer do José Alencar, mas com o câncer do vice-presidente, sim. Um homem público com cargo eletivo não se pertence.

*O senhor costuma usar o futebol como metáfora para explicar a sua luta contra a doença. Certa vez, disse que estava ganhando de 1 a 0. De outra, que estava empatado. E, agora, qual é o placar?

JA - Olha, depois de todas as cirurgias pelas quais passei nos últimos anos, agora me sinto debilitado para viver o momento mais prazeroso de uma partida: vibrar quando faço um gol. Não tenho mais forças para subir no alambrado e festejar.

*Como a doença alterou a sua rotina?

JA - Mineiro costuma avaliar uma determinada situação dizendo que "o trem está bom ou ruim". O trem está ficando feio para o meu lado. Minha vida começou a mudar nos últimos meses. Ando cansado. O tratamento que eu fiz nos Estados Unidos me deu essa canseira. Ando um pouco e já me canso.
Outro fato que mudou drasticamente minha rotina foi a colostomia (desvio do intestino para uma saída aberta na lateral da barriga, onde são colocadas bolsas plásticas), herança da última cirurgia, em julho. Faço o máximo de esforço para trabalhar normalmente. O trabalho me dá a sensação de cumprir com meu dever.
Mas, às vezes, preciso de ajuda. Tenho a minha mulher, Mariza e a Jaciara (enfermeira da Presidência da República) para me auxiliarem com a colostomia.
Quando, por algum motivo, elas não podem me acompanhar, recorro a outros dois enfermeiros, o Márcio e o Dirceu. Sou atendido por eles no próprio gabinete. Se estou em uma reunião, por exemplo, digo que vou ao banheiro, chamo um deles e o que tem de ser feito é feito e pronto. Sem drama nenhum.

*O senhor não passa por momentos de angústia?

JA - Você deveria me perguntar se eu sei o que é angústia. Eu lhe responderia o seguinte: desconheço esse sentimento. Nunca tive isso. Desde pequeno sou assim, e não é a doença que vai mudar isso.

*O agravamento da doença lhe trouxe algum tipo de reflexão?

JA - A doença me ensinou a ser mais humilde. Especialmente, depois da colostomia.
A todo momento, peço a Deus para me conceder a graça da humildade. E Ele tem sido generoso comigo. Eu precisava disso em minha vida. Sempre fui um atrevido. Se não o fosse, não teria construído o que construí e não teria entrado na política.

*É penoso para o senhor praticar a humildade?

JA - Não, porque a humildade se desenvolve naturalmente no sofrimento. Sou obrigado a me adaptar a uma realidade em que dependo de outras pessoas para executar tarefas básicas. Pouco adianta eu ficar nervoso com determinadas limitações. Uma das lições da humildade foi perceber que existem pessoas muito mais elevadas do que eu, como os profissionais de saúde que cuidam de mim.
Isso vale tanto para os médicos Paulo Hoff, Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi quanto para os enfermeiros e auxiliares de enfermagem anônimos que me assistem.
Cheguei à conclusão de que o que eu faço profissionalmente tem menos importância do que o que eles fazem. Isso porque meu trabalho quase não tem efeito direto sobre o próximo. Pensando bem, o sofrimento é enriquecedor.

*Essa sua consideração não seria uma forma de se preparar para a morte?

JA - Provavelmente, sim. Quando eu era menino, tinha uma professora que repetia a seguinte oração:
"Livrai-nos da morte repentina".
O que significa isso?
Significa que a morte consciente é melhor do que a repentina. Ela nos dá a oportunidade de refletir.

*O senhor tem medo da morte?

JA - Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor.
Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.

*Se recebesse a notícia de que foi curado, o que faria primeiro?

JA - Abraçaria minha esposa, Mariza e diria:
"Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".


O Girassol está sempre voltado para o lado do Sol, ainda que ele esteja escondido atrás de uma nuvem, procura sempre a Luz para continuar sempre belo e vivo.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Michael Douglas fala sobre a luta contra o câncer

Andei sumido porque estive hospitalizado com pneumonia por um tempo. Graças a Deus a saúde voltou.

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2010/12/01/michael-douglas-fala-sobre-a-luta-contra-o-cancer/

LOS ANGELES - O ator Michael Douglas afirmou à imprensa americana que o câncer o apresentou a uma "pequena perspectiva sobre a mortalidade". Michael Douglas - que teve um câncer na garganta diagnosticado em agosto - falou sobre a doença em uma entrevista à revista Hollywood Reporter.

"O nível de quimioterapia, combinado com as radiações, era máximo", disse o astro. "É incrível ver como eles têm quase que tentar matar você para depois te trazer de volta", disse o ator, 66 anos, que foi entrevistado ao lado da mulher, a também atriz Catherine Zeta-Jones.

Ele disse ainda que o tratamento é um "inferno". "Realmente agora está na curva ascendente", garantiu Zeta-Jones, 41 anos.

"Não pensei em termos de vida ou morte, vi o câncer como uma doença que tinha que combater. Não submergi no fundo da minha alma para ver o que podia ver", disse Douglas. "Mas com certeza isto dá uma pequena perspectiva sobre a mortalidade", completou.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Presidente Lugo do Paraguai e Vice Presidente do Brasil internados.

Presidente Lugo internado de novo em São Paulo
30/11/2010
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/11/30/presidente-lugo-internado-de-novo-em-sao-paulo.jhtm

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, viajou nesta terça-feira para São Paulo e se encontra internado no Hospital Sírio Libanês, onde foi submetido a exames clínicos em função de seu câncer linfático.

O chefe de Estado também foi internado para realizar sua quinta e última sessão de quimioterapia, informou Alfredo Boccia, médico pessoal de Lugo.

Os primeiros exames realizados hoje não detectaram outros tumores, segundo dr. Boccia, enfatizando, no entanto, que não se pode falar que o presidente tenha curado totalmente seu câncer linfático. Segundo ele, Lugo deverá ser submetido a um tratamento que poderá durar um longo período.

Lugo tem previsto voltar para seu país nesta quarta-feira, quando retomará normalmente suas atividades oficiais.

Alencar passa por hemodiálise e permanece na UTI

Vice-presidente da República apresentou piora da função renal em meio à recuperação da cirurgia realizada dia 27
iG São Paulo 30/11/2010 18:29

Boletim médico divulgado às 18h05 desta terça-feira pelo Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, informa que o vice-presidente José Alencar passou por hemodiálise após apresentar, desde a véspera, piora da função renal. A hemodiálise foi feita hoje e transcorreu bem, segundo o hospital.

Alencar segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Cardiológica do Sírio, recuperando-se de cirurgia no intestino realizada no último dia 27. As equipes que o acompanham são coordenadas pelos médicos Raul Cutait, Ademar Lopes, Paulo Hoff, Roberto Kalil Filho e Paulo Ayroza Galvão.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quando o câncer entra em cena

Especialistas comentam sobre os efeitos de famosas partilharem a batalha contra suas doenças
Fernanda Aranda, iG São Paulo

A técnica de enfermagem Solange Gomes de Oliveira, 54 anos, nunca foi do tipo que chora em novela. Mas fica emocionada só de falar das atrizes Drica Moraes, Márcia Cabrita, Patrícia Pillar. Também “tem o coração tocado” pelas apresentadoras Hebe Camargo e Ana Maria Braga. Ela resume estas sensações em duas palavras: “Identificação e admiração”.

A conexão entre a mulher de vida anônima, que mora no Rio de Janeiro, e as famosas de todo País acontece por causa do câncer, doença em ascensão e segunda causa de morte nacional. Há 11 anos, Solange convive com o diagnóstico do tumor maligno nas mamas. Para ela, acompanhar pelo noticiário uma batalha semelhante travada por estas e outras pessoas de vida pública traz a ideia de que elas façam parte da mesma turma.

“Nunca fico feliz quando vejo alguém famoso com câncer. Não é isso”, explica. “Mas quando leio que elas voltaram para o trabalho, tiveram filhos, estão felizes e tocando a vida, passeando de lenço ou de peruca pela rua, é uma fonte de energia para continuar a minha luta e ajudar na luta de outras pessoas”, explica Solange, que ainda trata as sequelas do câncer, mas já está recuperada e começa agora um trabalho para levar informações para outras pacientes.
“Ao mesmo tempo, sou capaz de sentir a dor e o medo destas mulheres famosas quando vejo que algum tratamento não deu certo ou que existiu algum tipo de recaída”, complementa.

“Musas”

Partilhar um problema de saúde tão peculiar – que traz para perto a sensação de morte e solidão – funciona como uma via de mão dupla de benefícios, tanto para anônimas quanto para famosas. Para as primeiras, fica mais fácil compreender que o câncer é uma doença democrática, que pode acontecer com qualquer um. Além disso, explica Cristina Volker, presidente da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia e pesquisadora da área há 25 anos, também há a criação de referenciais positivos de superação da doença, o que pode resultar em maior confiança e adesão ao tratamento, dois pontos chaves na recuperação.

Já para as pessoas públicas, dividir medos e anseios depois de detectado o tumor tem como consequência benéfica o desencadeamento de uma rede de apoio e conforto. A gratificação em ser inspiração para uma atitude positiva também conta pontos a favor na interação com o público.

Para a atriz Márcia Cabrita, 46 anos e em tratamento para um câncer de ovário, é muito positivo ler os comentários deixados no blog mantido por ela chamado Força na Peruca.

“Saber que de alguma forma a leitura faz bem para as pessoas é gratificante, me anima”, disse em entrevista ao Delas.

Márcia utiliza o humor – característica sua que ganhou fama nacional com o seriado Sai de Baixo, no papel de Neide – para falar da doença, superação e das pedras no caminho que o diagnóstico impôs.

“Este é meu estilo, faz parte da minha personalidade. Não falo do tratamento porque não sou médica e não saberia escrever sobre isso. Falo sobre mim. Escrevo quando tenho vontade e não sinto nenhum tipo de pressão para estar sempre bem ou por ser esta referência”, explicou.

Cotidiano

Na avaliação da Associação Brasileira de Apoio ao Paciente com Câncer (Abrapac) – entidade da qual a técnica de enfermagem Solange faz parte – quando os famosos enfrentam enredos reais da doença criam uma conexão com os outros pacientes. Aquela sensação ruim trazida pela dúvida “poxa, por que comigo?” é de certa forma amenizada. A rotina pesada de exames, sequelas e privações é comum a grande parte dos 489.270 casos de câncer registrados anualmente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), inclusive de atores, atrizes e personalidades.

Notícias sobre os famosos

Drica Moraes, atriz de 42 anos, por exemplo, contou ao programa Fantástico, da Globo, que ficou 120 dias internada em um hospital por causa da leucemia. “Era uma clausura, o toque com o outro era proibido (ela tinha acabado de começar a namorar e seu filho adotivo tinha um ano)", falou ao programa. "Fiquei dois meses sem poder escovar os dentes. Foi uma fase difícil, em que você chora muito. Eu tinha raiva. Chegava e jogava coisas na parede”, completou.

Drica não foi a única. O símbolo do bom-humor e do alto astral, Hebe Camargo, também partilhou as dificuldades do seu câncer. “Fiz quimioterapia, fiquei careca, comprei peruca”, disse à Revista Quem. A apresentadora do SBT teve câncer de peritônio, uma membrana do intestino, tumor raro, segundo os médicos, mas que exige tratamento padrão, semelhante ao de outros cânceres.

A perda dos cabelos, um dos sinais mais clássicos do tratamento quimioterápico, também foi vivida por Dilma Roussef, presidente eleita do País. Ela desfilou de peruca durante o ano de 2009, pouco depois de anunciar que tinha linfoma, um outro tipo de câncer.

Em outros anos, Patrícia Pillar, Ana Maria Braga, Glória Perez, o vice-presidente José Alencar, o sambista Neguinho da Beija Flor, são outros exemplos que, sem máscaras, mostraram suas carecas e o enfrentamento de seus cânceres.

Além da doença

Mas o grande ponto de virada é que todas estas pessoas, de certa forma ,conseguiram representar mais do que o câncer, avalia a psicóloga Cristina. Eles até são lembrados por isso (doença), mas não só por isso.

Esta é de fato uma preocupação de Márcia Cabrita, que é avessa a dar entrevistas sobre sua doença. Sua conversa com o Delas teve apenas alguns segundos de duração. A técnica de enfermagem Solange entende a cautela. Segundo ela, "seria ótimo que todas os atores que tivessem um câncer diagnosticado fossem ao público e falassem sobre o problema, para conscientizar e alertar a população”, diz. Mas a plateia aplaude muito mais quando estas personagens da vida real retocam o batom e entram em cena para outro papel, que não é mais o de doente.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A culpa do câncer

Buscar vilões ou falhas pessoais que justifiquem a doença pode ser um processo dolorido e prejudicial como o próprio tumor
Lívia Machado, iG São Paulo 08/09/2010 12:00

Tomar uma bebida muito gelada, dormir de cabelos molhados e andar descalço são as negligências pessoais mais comuns para justificar o aparecimento de uma gripe ou resfriado, ao primeiro sinal de coriza e indisposição.

Entender as causas e os porquês do surgimento de qualquer doença tende a ser um processo natural de todo ser humano. No caso do câncer, entretanto, a busca pelo vilão – seja ele um fator natural ou pessoal – pode resultar, principalmente em mulheres, em um potencial fator de culpa, tão prejudicial ao tratamento quanto o próprio tumor.

A medicina evolui rápido e os tratamentos para combater o câncer acompanham tal movimento. Se por um lado a lista dos fatores de prevenção pode ajudar a manter a doença mais distante, por outro, face à comprovação do tumor, essas mesmas recomendações podem adquirir um coeficiente negativo bastante elevado.

No caso do câncer de mama, os especialistas revelam que a obesidade é o fator de autopunição mais recorrente. Achar que o câncer foi provocado exclusivamente pelo sobrepeso ou pela alimentação desregulada não é uma suposição rara entre as mulheres.

“O viés desse pensamento é associar o câncer a um organismo não saudável. Nesse raciocínio, todos os obesos, hipertensos e diabéticos terão câncer. É impossível fazer tal afirmação. O câncer é uma doença celular, começa no pontinho de uma célula, mas não necessariamente representa saúde debilitada”, afirma Elza Mourão, psicooncologista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo.

O conceito de culpa, segundo Elza, está fundamentado na educação. Em culturas mais severas e repressoras, esse sentimento é potencializado e ainda mais prejudicial. Ele aparece para reforçar a idéia do que não foi feito corretamente ou dentro da moral do que é certo ou errado.

“Para o câncer não aparecer, o que é estipulado fazer? Não há regras ou ações individuais que sejam capazes de inibir a doença. Os fatores de prevenção ajudam, mas não blindam o organismo. É por isso que muitas pacientes jovens, que praticam atividade física e tem uma vida ativa, também têm dificuldade em lidar com o problema. E não há razões objetivas para justificar os casos precoces.”

Durante o banho, em um exame de rotina, recomendado pelos ginecologistas, Roberta Rocha Nascimento da Costa, 29 anos, sentiu um nódulo na mama. O método caseiro a fez procurar um especialista em Santos, cidade onde mora, mas nada foi diagnosticado. Seis meses depois, o Natal. Ainda com receio da doença e sentindo que o nódulo crescia, Roberta procurou o Hospital A. Camargo, em São Paulo. A época não era propícia para dúvidas e incertezas, mas no final de dezembro de 2008, após uma biópsia, o câncer de mama foi confirmado.

Ao ouvir da médica que o tumor era composto por uma grande taxa hormonal, Roberta logo fez a associação com o uso de anticoncepcional. Nos primeiros minutos da consulta, pensou que poderia ter evitado, utilizado outro método contraceptivo para escapar do dignóstico antes dos 30 anos. A busca por justificativas pessoais que pudessem dar mais clareza a doença, porém, no caso da psicóloga, durou pouco.

“Senti necessidade de entender, questionei minhas atitudes, mas após uma conversa com a médica, ficou claro que em nada adiantaria tentar achar possíveis erros ou ações que pudessem estar relacionadas ao câncer.”

Roberta revela que sua oncologista a orientou a não procurar nenhuma informação na internet na idéia de saciar a ansiedade e dar uma "cara" à doença. “Minha médica deixou claro que o fatalismo que existe na web em nada ajuda a encarar o problema. Deu liberdade para que todas as minhas dúvidas fossem tratadas diretamente com ela. Esse respaldo foi importantíssimo para que eu colocasse foco na cura e não nas causas da doença. Hoje, tenho plena convicção de que isso foi fundamental para o meu enfrentamento e recuperação.”

Vilões invisíveis

O universo da culpa sentimento é amplo e espaçoso. Sempre cabe mais um. Relacionar o câncer de mama às negligências pessoais e físicas é uma das possibilidades. Algumas pessoas, porém, transferem o sentimento para terceiros ou para determinadas fases da vida. “Não é incomum associar a perda do marido, estresse elevado no trabalho ou uma traição ao câncer. Já tive pacientes que encararam o câncer como uma espécie de castigo para excessos cometidos ou falta de cuidados com os filhos e familiares.”

Para a psicóloga, esse processo é mais recorrente em mulheres. “Os homens raramente querem encontrar um motivo para o surgimento da doença. Em geral, eles estão surpresos, principalmente por que não sentiam nada, o tumor apareceu subitamente.”

No câncer, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito imediata, ele é multifatorial.
Deixar de ticar os itens da lista de prevenção diariamente não resulta na sentença da doença. “O conhecimento afasta os riscos, mas não elimina as chances do desenvolvimento de algum tumor”, avalia Maria Del Pillar Estevez Diz, oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

Na visão da médica, definir um vilão para o quadro satisfaz a ansiedade de achar a identidade do câncer. Ela garante, porém, que é uma maneira muito simplista de olhar para a questão. “É uma chance, apenas. Os vilões não são garantidos.”

O tamanho da culpa pode inviabilizar o tratamento ou até mesmo, gerar o sentimento de desmerecimento. “Em pacientes fumantes, que descobrem o câncer de pulmão, essa matemática pode ser bastante cruel. Se a autopunição for muito elevada, gera a idéia de que ele é o único responsável pela doença, e, por isso, não merece cuidados médicos.”

A lógica perversa da mente nos casos de doenças graves exige um aporte psicológico ao longo do tratamento. A oncologia abriu espaço para uma sub-especialidade, a psicooncologia. O papel da área é trabalhar não apenas o sofrimento inicial e os dilemas irracionais que o câncer pode arrebatar. Mas além dos terapeutas, o diálogo aberto com os oncologistas também ajuda a pontuar a doença, eliminando os excessos.

“O começo é avassalador, mas é preciso que o acompanhamento seja contínuo pelos profissionais da área. Para uma mulher, após uma mastectomia, é muito complicado acreditar que está integra novamente, apta a voltar para a sociedade. Trabalhamos a superação e o enfrentamento do paciente", endossa Elza Mourão.