quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Luta contra o câncer ganha força com novo tratamento revolucionário

Resultados surpreendentes foram alcançados através de técnica de terapia celular
Jornal do BrasilRafael Gonzaga

Uma nova forma de tratamento do câncer tem atingido resultados surpreendentes, levando a quadros de remissão total. A implantação da técnica, chamada de terapia celular, surge a partir de investimentos de 9,9 bilhões de dólares da indústria farmacêutica Novartis, em associação com laboratórios de universidades e hospitais norte-americanos. As investigações em terapias genéticas estavam sendo realizadas em fase experimental na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Lá, 25 crianças e 5 adultos conseguiram atingir a remissão total na luta contra um tipo de câncer chamado leucemia linfoblástica aguda, tipo comum em crianças e com certa resistência a tratamentos convencionais como quimioterapia.

O tratamento da doença atualmente estaria restrito aos procedimentos cirúrgicos, à quimioterapia e à radioterapia. A terapia celular surge como uma possível alternativa no tratamento sem precisar envolver bisturis ou procedimentos agressivos, lidando apenas com reengenharia genética.

O biomédico Martin Bonamino, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (Inca), explica que a terapia celular consiste na utilização de células retiradas do próprio indivíduo ou de doadores para realizar uma função determinada. De acordo com ele, existem algumas terapias realizadas utilizando essa lógica. Uma das vertentes seria justamente a utilização de células para eliminação de tumores. “Em geral, as células utilizadas são do sistema imunológico do próprio paciente, tendo antes passado por uma manipulação em laboratório que envolve a modificação genética destas células. No caso da terapia celular do câncer, uma vez devolvidas ao pacientes, estas células imunológicas reconhecem e eliminam as células do tumor”, explica.

A associação entre a Novartis e a Universidade da Pensilvânia pretende tornar o tratamento acessível ao maior número de pessoas possível. A técnica experimental se chama Chimeric Antigen Receptor T-Cell (CART). O CART usa uma tecnologia que extrai as células de defesa (células T) do paciente e modifica estas células fazendo com que elas ataquem as células cancerosas.

A diretora médica da Novartis Oncologia no Brasil, Elaine Rahal, conta que o grande investimento realizado nessa nova terapia está na modalidade de produção.  Rahal explica que essa terapia não funciona no modelo de produção tradicional de medicamentos: nesse caso, cada paciente manda seus linfócitos, que serão modificados para que o paciente possa receber de volta. “Nós retiramos células de defesa do sangue do paciente e modificamos esse linfócito com o componente viral, de modo que ele possa reconhecer a célula cancerígena como inimiga. Esse linfócito, depois de fabricado, é reproduzido para depois ser administrado na veia do paciente. Não existe medicamento tradicional, é uma célula do paciente modificada. É um processo complexo, diferente.

Foi preciso adquirir uma fábrica nova, capacitar cientistas, produção”, explica.
Bonamino explica que os pacientes tratados com sucesso através da terapia celular, neste caso conhecida como imunoterapia do câncer por envolver células do sistema imunológico, não haviam obtido sucesso nos tratamentos disponíveis. Uma das vantagens do tratamento, de acordo com o biomédico, seria também o fato de que os efeitos colaterais da terapia celular parecem ser menos severos do que os demais utilizados no combate ao câncer. “Isto indica que temos uma nova arma no combate ao câncer e que esta terapia pode passar a ser testada agora em pacientes ainda não exaustivamente tratados”, acredita.

Rahal lembra que há muitas décadas a medicina procura utilizar o sistema imunológico para combater diversas doenças, mas que isso só começou a ter algum sucesso depois que o homem começou a dominar o genoma. “Uma vez dominadas as técnicas de manipulação de genomas viral e humana foi possível começar a desenvolver essas modificações”, conta.

Esse investimento na terapia celular poderá transformar a Novartis em uma fornecedora de serviços médicos – e não somente uma fabricante de produtos. E o universo do câncer envolve grandes quantias de dinheiro: de acordo com a IMS Health, somente em 2013 os gastos mundiais com medicamentos oncológicos atingiram a cifra de 91 bilhões de dólares, valor que representa três vezes mais do que o valor atingido dez anos antes.

Outra coisa que Bonamino garante é a relevância dos resultados apresentados e que o desafio agora é gerar resultados semelhantes em outros tipos de câncer, especialmente os sólidos como os de mama, próstata e pulmão. “Este tipo de terapia resultou em taxas de resposta para algumas leucemias mais elevadas que qualquer outro fármaco lançado no mercado nos últimos anos”, conta.

A Novartis prevê que até 2016 já terão finalizado os ensaios clínicos e, após apresentação oficial ao órgão regulador dos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), poderão disponibilizar um tratamento individualizado para cada paciente.

Elaine Rahal afirma ainda que a eficácia do tratamento já foi comprovada e que a previsão do tratamento estar disponível representa o tempo em que a Novartis acredita já ter todas as etapas requeridas pelas autoridades reguladoras. “A cura está sendo efetiva, mas existe o FDA nos EUA, o EMEA na Europa e as próprias agências brasileiras de regulação que exigem uma série de estudos e etapas até que eles possam concluir que a terapia é eficaz e segura para ser trabalhada de maneira comercial”, explica.

Brasil acompanha avanços em técnica inovadora
No cenário nacional, o Hospital Albert Einstein já estaria se equipando com um laboratório de terapia celular para que profissionais treinados nessa tecnologia pudessem futuramente replicar o tratamento pelo país.

A hematologista e hemoterapeuta Andrea Kondo, médica do Hospital Israelita Albert Einstein, conta que o laboratório do hospital atua já há 30 anos na manipulação da medula óssea, uma das terapias envolvidas no conceito de terapia celular, em um método chamado aférese. “Nós temos um laboratório onde é feita a coleta das células-tronco, chamadas hematopoiéticas, que estão dentro da medula óssea. Existem duas formas de isso ser feito: coletando diretamente do osso ou coletando pela aférese. Essa última é feita utilizando uma máquina onde a gente punciona as veias do paciente e em seguida o sangue dele é aspirado. A máquina separa as células-tronco e devolve o restante das demais células para o paciente”, explica.

Kondo afirma que os estudos na Pensilvânia tem tido bons resultados e que o Brasil está acompanhando isso em fase inicial. “O Hospital entendeu que era o momento de avançar nesse tipo de técnica, mas ainda estamos em um estágio embrionário. Precisamos desenvolver ainda a estrutura, já temos contato com centros internacionais para onde vamos enviar profissionais que serão capacitados e treinados nessa técnica. Mas é preciso ainda que ela seja autorizada. Como é uma célula manipulada, é preciso ter certeza de que não traz riscos ao paciente”, lembra.

Sobre o futuro do tratamento, a hematologista afirma que a terapia celular foi uma boa alternativa para pacientes que não tinham outras opções terapêuticas. Kondo acredita que a técnica vai passar a ser uma alternativa de tratamento bastante promissora, mas afirma ainda ser meio precoce afirmar que ela irá substituir os tratamentos convencionais. “Ela pode até chegar a ser a primeira linha de tratamento, mas vai demorar alguns anos ainda para que isso aconteça. O que entendemos é que, no momento, ela provavelmente vai ser uma terapia coadjuvante, ajudando em casos onde não está se conseguindo essa remissão completa. Se vai substituir ou não, só no futuro os resultados de estudos vão responder essa pergunta”, diz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Bernardinho revela tumor maligno e pedido de demissão em 2013


Do UOL, em São Paulo
O escândalo de corrupção envolvendo os chefes da Confederação Brasileira de Vôlei tem afetado o técnico da seleção masculina, Bernardo Rezende. Dono de seis medalhas olímpicas, Bernardinho fez uma revelação forte nesta semana: em entrevista à revista Veja, ele admitiu que retirou, há três meses, um tumor maligno no rim.

"Extirpei o tumor e estou aparentemente bem. A cirurgia completou três meses. Fico ruminando essa história, porque há um ano e dez meses não tinha problema de saúde. Mas a irresponsabilidade vai te maltratando e maltratando. O médico do Hospital Sírio-Libanês que me atendeu disse assim: "O que tirei do seu corpo é uma metáfora do que deve ser extraído do país". A sensação que tenho hoje é essa mesmo: tudo o que está acontecendo com o vôlei é uma pequena célula doente de um organismo. Pode haver mais", disse o técnico.

Bernardinho também admitiu que chegou a pedir demissão em 2013, quando soube de problemas de corrupção. Ficou no cargo, mas triste com a situação. E ainda disse, pela primeira vez, que se arrepende da briga com os jogadores pela premiação no Pan de 2007, no Rio de Janeiro: "Achei que não era correto e defendi a instituição, imaginando que realmente não houvesse como atender. Hoje eu peço desculpas publicamente porque fui enganado. Havia dinheiro, sim".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Maioria de mulheres com câncer de mama faz radioterapia por tempo excessivo


Radioterapia é usada para tratamento precoce de câncer de mama: três semanas bastam, aponta estudo
AFP 10/12/201418h17
Em Washington
 
Dois terços das mulheres com câncer precoce de mama são tratadas com radioterapia por mais tempo que o necessário, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (10) em um jornal especializado em medicina nos Estados Unidos.

A grande maioria das mulheres submetida nos Estados Unidos à retirada de um tumor para preservar a mama recebeu radioterapia de seis a sete semanas, segundo o Jornal da Associação Médica Americana (JAMA).

Mas testes clínicos e recomendações de várias associações médicas dos Estados Unidos indicam que três semanas bastam, usando a técnica denominada radioterapia hipofracionada.

O procedimento consiste em administrar doses mais elevadas de radiação por sessão durante duas vezes menos tempo. Este tratamento é eficaz para tratar o câncer de mama, além de ser mais prático e barato.

"A radioterapia hipofracionada não costuma ser usada em mulheres com câncer precoce de mama, mesmo sendo de melhor qualidade e mais barato", explicou Justin Bekelman, professor de radiologia de câncer e principal autor do estudo.

"Clinicamente, isto equivale a uma radioterapia mais longa para um câncer de mama com efeitos colaterais similares", destacou.

A radioterapia diária entre cinco e sete semanas para mulheres operadas de um tumor em estágio inicial foi o tratamento privilegiado durante décadas nos Estados Unidos.

Os autores determinaram que, em 2013, 34,5% das mulheres com mais de 50 anos receberam radioterapias hipofracionadas contra 10,8% em 2008. Mas entre as mulheres jovens e aquelas com tumores mais avançados, só 21,1% se beneficiaram deste tratamento no ano passado.

Os cientistas determinaram que este tipo de radioterapia reduz os custos totais dos cuidados com seguro de saúde.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Publicada lei que garante detecção precoce do câncer de próstata pelo SUS

Foi publicada hoje (26) no Diário Oficial da União a Lei 13.045, que garante a detecção precoce do câncer de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a publicação, as unidades de saúde da rede pública são obrigadas a fazer exames de detecção precoce do câncer de próstata sempre que, a critério médico, o procedimento for considerado necessário. 

A lei prevê a sensibilização de profissionais de saúde por meio da capacitação e da reciclagem em relação aos novos avanços nos campos da prevenção e da detecção precoce da doença.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre homens – seguido pelo câncer de pele não melanoma. Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total.

Ainda segundo o Inca, a doença é considerada um câncer da terceira idade, já que aproximadamente três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. Na fase inicial, a evolução é silenciosa.  Muitos pacientes não apresentam sintomas ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Já na fase avançada, o câncer de próstata pode provocar dor óssea, sintomas urinários, infecção generalizada e insuficiência renal.

A estimativa é que, neste ano, 68.800 novos casos de câncer de próstata sejam registrados no Brasil.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Arlete Sales


Arlete Salles, que descobriu um nódulo maligno em um dos seus seios em janeiro deste ano, comemora a cura do câncer em grande estilo: de volta aos palcos, na peça ‘O Mordomo Viu’, ao lado de seu amigo Miguel Falabella. “Retomar o meu físico, o meu trabalho, é a coisa que mais revigora e revitaliza a minha vida. Nasci de novo. Depois do percurso difícil que fiz (retirada do tumor e quimioterapia), agora é só caminhar para frente. Desafio vencido. Estou curada do câncer! Agora é uma história a ser contada. Estou muito bem e feliz com o carinho de todos. A recuperação é uma questão de determinação e apoio dos familiares e amigos. Isso eu tive”, relembra a atriz.
Do alto dos seus 72 anos, Arlete deixar um recado para quem está passando pelo mesmo problema. “O câncer pode levar à morte. Mas também pode levar à vida. A uma vida com mais sabedoria, com mais leveza e mais gratidão. Acredite!”, diz a veterana atriz.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Exame continua fora da tabela do SUS e prejudica pacientes com câncer

Tomografia computadorizada ajuda a estratificar extensão de vários tipos da doença
Incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em outubro, o exame PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons), indicado para tratamentos do câncer, continua fora da tabela de procedimentos do sistema. As portarias que prevêem a incorporação da tecnologia na rede pública foram publicadas em 23 de abril, no Diário Oficial da União. O exame, uma tomografia computadorizada, ajuda a estratificar a extensão de vários tipos de câncer em pacientes da rede pública, como câncer de pulmão de células não-pequenas e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin.

O prazo máximo de 180 dias para a implementação efetiva da inclusão da tecnologia na tabela, com os critérios de ressarcimento das unidades prestadoras, venceu em 23 de outubro. A falta desses critérios para a restituição de custos pode prejudicar pacientes, alerta a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN). O presidente da SBMN, Celso Darío Ramos, explicou que os custos altos do exame estão inviabilizando o procedimento em alguns hospitais. “Tanto as unidades públicas como as particulares não poderão fazer esse exame pelo SUS se não forem ressarcidos por isso, pois o custo é muito alto”, comentou ele. “São poucas as exceções de hospitais que atendem via estado e não governo federal. A população carente hoje não tem acesso a esse procedimento”, disse.
Ramos ressaltou que o PET-CT é uma ferramenta essencial para identificar e avaliar a extensão de determinados cânceres, como o linfoma. Ele lembrou que essa tecnologia é oferecida há anos em países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Chile e Argentina. “A ONU [Organização das Nações Unidas] recomenda esse procedimento. É um procedimento que embora seja caro pode reduzir custos, pois pode evitar uma cirurgia desnecessária”, declarou. “Por exemplo, câncer de pulmão, só faz sentido realizar uma operação de grande porte e onerosa se o paciente não fizer metástase. O PET-CT consegue indicar com precisão se esse tumor já se espalhou pelo corpo”, explicou o médico.

De acordo com a SBMN, há no país um parque de equipamentos de tomografia computadorizada suficiente para atender aos pacientes da rede pública. São cerca de 100 aparelhos, com  distribuição geográfica aproximadamente proporcional à densidade demográfica no país.

O Ministério da Saúde informou que a inclusão do exame na tabela SUS está prevista até o fim do ano. O exame vai permitir ampliar a assistência oncológica aos usuários do SUS, beneficiando cerca de 20 mil pessoas por ano. Atualmente, 21 estados possuem equipamentos para realizar esse tipo exame.

Além do PET-CT, o SUS oferece outros tipos de exames para diagnóstico e avaliação do câncer. São eles: radiografia, mamografia, cintilografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada (CT), ressonância magnética (MRI) e endoscopia.

Nos últimos três anos, o ministério ampliou em 47,3% o investimento na assistência oncológica, passando de R$ 1,9 bilhão em 2010 para R$ 2,8 bilhões em 2013. Esses recursos são destinados à realização de exames, cirurgias, radioterapia e quimioterapia.
Atualmente, 280 hospitais realizam diagnóstico e tratamento de câncer em todo o Brasil.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Queixas contra os planos de saúde quintuplicam


03/11/201411h31
O número de negativas de atendimento por planos de saúde comunicadas à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quintuplicou nos últimos quatro anos, segundo dados obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, por meio da Lei de Acesso à Informação. No ano passado, o órgão recebeu a notificação de mais de 72 mil casos de clientes de convênios médicos (média de 8 casos por hora) que não conseguiram aval para procedimentos. Em 2010, o número de negativas comunicadas à ANS foi de pouco mais de 13 mil. A alta no período foi de 440%.

Uma das recusas registradas em 2013 foi a do corretor de seguros Sandro Bove, de 44 anos. Após mais de duas décadas tentando emagrecer com dietas e medicamentos, ele decidiu, em outubro do ano passado, que era hora de fazer a cirurgia bariátrica. Na ocasião, o paciente já havia ultrapassado os 120 quilos e desenvolvido hipertensão, apneia do sono e dores nas articulações.
O que Bove não esperava é que sua maior tensão não seria por causa do processo complexo da cirurgia, mas, sim, pela recusa do plano de saúde em custear a operação. "Sou cliente desde 1995 e pago R$ 1.000 por mês. Quando realmente precisei, eles parecem nem ter olhado o pedido médico, já bateram o carimbo de negado", diz ele, cliente da SulAmérica.

Para André Longo, diretor-presidente da ANS, duas questões ajudam a explicar o crescimento de negativas por parte dos planos. "Por um lado, o cidadão está buscando mais os seus direitos e reclamando mais para a agência. Hoje em dia já estamos recebendo mais queixas do que todos os Procons do País. Por outro lado, o número de beneficiários de planos vem aumentando e algumas operadoras têm dificuldades de acompanhar essa demanda", diz ele, que também cita as regras criadas em 2011 pela agência que definiram prazos máximos para atendimento. "Mais de um terço das reclamações por negativas de cobertura se refere aos prazos descumpridos", relata Longo.

Mesmo considerando o aumento no número de beneficiários no período analisado, as negativas também cresceram proporcionalmente. Em 2010, quando o País tinha 45,1 milhões de beneficiários de convênios médicos, a média foi de uma negativa para cada 3.365 clientes. Em 2013, quando o número de clientes de planos passou para 50,5 milhões de pessoas, a proporção de recusas de atendimento foi de uma para cada 697 beneficiários.

"As pessoas estão conhecendo melhor os canais de reclamação, mas não se pode negar que as operadoras estão tentando diminuir o acesso aos tratamentos para reduzir custos", diz Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). "As operadoras já orientam médicos a minimizarem a demanda por exames e outros procedimentos. Quando os profissionais não acatam isso, eles tentam negar a cobertura."

Justiça

No caso de Bove, a cirurgia bariátrica só foi autorizada após o paciente entrar com uma ação na Justiça. Para isso, porém, teve de gastar cerca de R$ 8 mil com advogados. "O que mais me revoltou foi que passei semanas fazendo exames para entregar o dossiê detalhado ao plano, explicando a necessidade da cirurgia.
Quando deu dois dias que eu tinha entregue a documentação, eles já deram o retorno da recusa. Parece que negam sem ter razão e acabam sendo beneficiados nos casos em que o cliente não sabe que pode entrar na Justiça", diz. A SulAmérica afirma que negou a cirurgia porque o Índice de Massa Corpórea do paciente não atendia norma que estabelece a necessidade da cirurgia, mas ressaltou que "cumpre todas as ações judiciais".

Especialista em direito à saúde, a advogada Renata Vilhena Silva conta que o número de clientes que buscam o escritório tentando reverter na Justiça a negativa de cobertura cresce, em média, 30% ao ano. "Temos 80 novos processos por mês e o juiz dá parecer favorável ao paciente em 95% dos casos", diz.

Para o gerente do Idec, a operadora só pode negar cobertura de um atendimento quando há desrespeito ao período de carência. "Mesmo quando um procedimento não estava previsto no contrato, o juiz pode entender que o cliente tem direito porque a cláusula do contrato era limitadora e abusiva, o que fere o Código de Defesa do Consumidor", diz Oliveira.