terça-feira, 23 de setembro de 2014

Justiça obriga SBT a readmitir funcionário com câncer


UOL 18/08/2014 00h05
Flavio Ricco
Colunista do UOL*

O RH, do SBT, volta e meia faz campanha para melhorar as condições de trabalho, mas permitiu que um funcionário da externa fosse demitido em meio a um tratamento de câncer.  Problema bem parecido com o do Carlos Nascimento.

Por ordem judicial, este funcionário, Roberto Miguel, teve que ser readmitido e só está na espera da decisão do seu chefe para voltar a trabalhar.

*Colaboração de José Carlos Nery

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Paciente com tumor no estômago morre aguardando em fila para cirurgia no Inca


Representante comercial de 59 anos foi vítima do déficit crônico de funcionários, que aumenta o tempo de espera
por Renan França
20/08/2014 5:00

RIO — Além do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), outro federal de referência, o Instituto Nacional do Câncer passa por momentos de agonia. Há uma semana, o representante comercial Maricélio Alfradique, de 59 anos, esteve na unidade da Praça da Cruz Vermelha, no Centro, para remarcar uma cirurgia. Acompanhado pela filha, ele chegou à sala de espera em cadeira de rodas, sentindo muitas dores no abdômen, em consequência de um tumor no estômago. Em abril, a previsão era que ele fosse operado este mês. Durante a espera, Alfradique foi ao Inca três vezes para tentar antecipar o procedimento. De nada adiantou. No fim de julho, sua saúde piorou. Debilitado e com a imunidade baixa, por ter passado por quatro sessões de quimioterapia, ele contraiu pneumonia e a cirurgia não pôde ser marcada. Alfradique morreu na madrugada da última quarta-feira, após esperar por mais de cem dias pela cirurgia no Inca.

— A espera de mais de três meses pela cirurgia matou meu pai. A culpa não é dos médicos do Inca, mas do tempo de espera — afirma Carolina Alfradique, de 27 anos.

O caso de Alfradique (que repórteres do GLOBO acompanharam na semana passada) ilustra a atual situação do Inca, que enfrenta uma crise devido à falta de funcionários das áreas médica e administrativa. Segundo fonte ligada a um órgão de saúde federal do Rio, há cerca de 500 vagas aguardando preenchimento nas três unidades do Inca (Praça da Cruz Vermelha, Santo Cristo e Vila Isabel). O déficit tem impacto direto no atendimento. Na unidade do Centro, das dez salas de cirurgias, duas estão fechadas por falta de médicos. Em 2013, lá foram realizados cerca de 5 mil procedimentos. Caso pudesse contar com mais profissionais, o número chegaria a 6 mil. Outro problema é a falta de servidores nas salas de leitos pós-cirúrgicos. Com a escassez de funcionários, cinco vagas estão desativadas.

— O Inca faz o máximo. Os médicos cumprem 40 horas por semana e ganham salário muito abaixo da média. A taxa de ocupação está acima dos 80%, número alto para instituição pública. A crise é grave e compromete o hospital — diz a fonte.

TCU DETERMINOU FIM DA TERCEIRIZAÇÃO
Para tentar sanar a antiga falta de funcionários, em 1991 foi criada a Fundação Ary Fauzino para Pesquisas e Controle do Câncer (FAF), para agilizar a contratação, sem a necessidade de concurso público. Mas, em 2006, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o sistema fosse extinto. Na época, houve acordos que estenderam o prazo até março de 2015.
Em 2010, havia cerca de 1.900 trabalhadores terceirizados no Inca, indicados pela FAF. Para se adequar às normas do TCU, a instituição realizou um concurso e convocou 1.433 funcionários, que substituíram parte dos terceirizados. Atualmente, ainda há 583 profissionais não concursados, que cederão suas vagas aos aprovados em concurso previsto para este ano. Segundo um funcionário da instituição, que pediu para não ser identificado, a situação pode ficar pior ainda:

— Como a partir de março de 2015 o Inca não poderá contar com a FAF, o processo seletivo deste ano vai apenas substituir quem já está trabalhando. Ninguém tem a resposta de como ficarão as 500 vagas que estão abertas. No fim do ano serão cerca de 600. Com a morosidade do governo federal em abrir concursos para o Inca, a situação vai piorar. O instituto pode fechar as portas se algo não for feito.

DIRETOR-GERAL ESTÁ SENDO PROCESSO
Para o Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, a evasão de médicos é devida às condições de trabalho pouco atrativas:

— É difícil segurar um profissional no Inca, mesmo concursado. O salário para uma jornada de 40 horas mensais é muito baixo, se comparado ao de uma unidade particular. Muitos médicos concursados pedem demissão em menos de dois anos, porque não aguentam. Há outro fator: hoje, o Inca tem médicos que entraram pela FAF que recebem salário maior do que os concursados.

No mês passado, o Ministério Público Federal moveu ação de improbidade administrativa contra o diretor-geral do Inca, Luiz Antônio Santini Rodrigues da Silva, por contratação irregular de terceirizados. O MPF alega que, mesmo proibido, o Inca contratou 64 funcionários sem concurso. Também está sendo processada a coordenadora de Recursos Humanos, Cassilda dos Santos Soares.

— A direção tem permissão para manter terceirizados até o ano que vem, mas não pode contratar ninguém sob o mesmo regime. A ausência de concurso permite que um candidato assuma uma vaga sem méritos. Isso não é permitido — alega o defensor público Sergio Suiama, autor da ação do MPF.

De acordo com o defensor público federal, Daniel Macedo, outro problema grave é que o Inca não está cumprindo o prazo máximo de 60 dias para atender pacientes que precisam passar por sessões de radioterapia:

— Acima de 60 dias é um prazo muito longo para quem precisa do tratamento imediato. A situação no Inca está ruim, mas, nas outras unidades de saúde do Rio que oferecem radioterapia, é pior ainda. Ou o doente espera na fila do Inca ou a chance de morrer aumenta.
Procurado, o diretor-geral do Inca não quis dar entrevista, mas a assessoria afirmou que todos os setores funcionam normalmente. O Ministério da Saúde também não respondeu como pretende suprir as 500 vagas em aberto. A Associação de Funcionários do Instituto Nacional do Câncer também não retornou as ligações.

Enquanto isso, quem depende do atendimento do Inca tenta manter a esperança de cura. Tatiana Silva aguarda a marcação da cirurgia da irmã para retirar um tumor no estômago:

— A informação é que a fila está grande. Precisamos aguardar porque quando somos atendidos, os médicos são muito competentes e conseguem curar os doentes. Segundo o Inca, minha irmã será operada em até dois meses.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Longe da escola, menina aprende a ler e escrever no hospital

Por brasil
24/06/14 07:00
NATÁLIA CANCIAN, DE SÃO PAULO

Foram três dias de aula até que um exame revelou o diagnóstico: a pequena Lara, 6, teria que deixar temporariamente a nova escola para ser internada com urgência no Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo.

Tudo começou quando a mãe estranhou o pescoço e a barriguinha inchados e manchas nos braços da filha. Passou por consultas —no início, um médico sugeriu que ela tivesse apenas uma dor de garganta. Até que um exame trouxe o diagnóstico: leucemia.

“Não gosto nem de lembrar. Chorei muito. Ela brincava, pulava e de uma hora para outra ficou doente”, conta a manicure Juliana Roberto de Souza, 29.

Entraram no hospital em 14 de fevereiro. “Levei um susto tremendo. Ela chegou e foi direto para a UTI”, diz a mãe.

Foi lá, onde a menina ficou por 23 dias, que a mãe soube da existência de uma “escola” dentro do próprio hospital: uma chance para Lara, que havia iniciado o 1º do ensino fundamental, continuar a aprender a ler e escrever.

A garota começou a ter aulas ainda no quarto e, dias depois, no espaço de uma brinquedoteca. Por vezes, encontra a professora e faz exercícios de português e matemática até na quimioteca, onde recebe parte do tratamento.

A iniciativa, chamada de classes hospitalares, ainda é pouco conhecida no país. Hoje, ao menos 146 hospitais têm professores e salas de aula para atender crianças em tratamento de saúde, segundo levantamento coordenado pela professora Eneida Simões da Fonseca, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

O número ainda é baixo, se comparado à quantidade de hospitais existentes no país —são 5.552 unidades ligadas ao SUS, segundo o Ministério da Saúde.

‘NÃO ENTENDI NADA’
Um desses hospitais com aulas é o Darcy Vargas, onde está Lara, uma figura miudinha, de sorriso aberto.

Para iniciar as aulas, a mãe foi até a escola onde estudava Lara –a escola municipal Paulo Setúbal, na zona sul. Lá, buscou livros didáticos, provas e lições de casa. A partir daí, a sala de aula de Lara mudou de lugar.

Do alfabeto, a menina passou a aprender a formar palavras.

“No início ela relutou muito, porque ela achava que não sabia nada. Ela me olhava de cara feia e falava: ‘Eu já não disse que eu não sei, você não entendeu?’”, conta Dilma de Moraes, um dos sete professores da rede estadual de SP que atendem no Darcy Vargas.

“Quando ela viu que podia aprender, aí ela se empolgou. O dia que eu não dou nada para ela, ela vem na brinquedoteca e me cobra”, diverte-se a professora.

CONTINHAS E LÁPIS
Três meses depois, Lara vive de juntar as letras e resolver “continhas”, de lápis na mão. Mas gosta mesmo é de escrever o nome dela e das pessoas da família, uma forma de amenizar a saudade por ver os irmãos só aos finais de semana —um deles tem apenas dois anos e não pode ir ao hospital.

Nas horas livres, também solta a criatividade: neste mês, criou até uma bandeira do Brasil para colocar em cima do travesseiro enquanto assiste aos jogos da Copa. “Eu que fiz”, entrega, ainda tímida.

Na última quarta-feira (11), quando a Folha estava no local, ela também se revezava entre desenhos, livros e um caderno de caligrafia. De férias, faz as lições deixadas pela professora.

“Ela aprendeu a escrever aqui. Antes, só sabia o abecedário e os números. Agora, já junta as palavras, lê e faz frases curtas. Também adora caça-palavra e matemática”, conta, orgulhosa, a mãe. “Foi fundamental porque, quando ela voltar para a escola, já vai saber tudo”, completa.
Segundo a mãe, o retorno está previsto para agosto, após o último “bloco” de quimioterapia —quando Lara é internada por alguns dias para receber a medicação. O tratamento, no entanto, deve continuar.

“Sempre ouvia falar sobre câncer, mas jamais imaginei que pudesse acontecer com a minha filha. Pensei que ela fosse reagir de outra forma, mas está lidando bem. Ela nasceu de novo. Tenho fé que vai se curar”, diz a mãe, que já se prepara para convencê-la a voltar à escola nos próximos meses. “Ela não quer, quer ter aula aqui”, ri.

http://brasil.blogfolha.uol.com.br/2014/06/24/longe-da-escola-menina-aprende-a-ler-e-escrever-no-hospital/

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Dráuzio Varella é chamado às pressas para tratar Jô

De acordo com informações do colunista Leo Dias, do jornal O Dia, o oncologista Dráuzio Varella foi chamado às pressas para acompanhar o tratamento de Jô Soares, 76 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
O apresentador global está internado desde o dia 25 de julho devido a uma infecção pulmonar, segundo boletim médico (o último foi divulgado no dia 28 do mês passado). No entanto, há uma suspeita de que Jô esteja com câncer de pulmão.
Ainda de acordo com uma fonte do colunista, ele teve uma parada cardíaca na noite da última quarta-feira. 
Jô Soares recebe alta e deixa hospital em São Paulo
Depois de quase um mês internado, o apresentador Jô Soares recebeu alta na noite desta sexta-feira (15). Ele estava recebendo cuidados no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, depois de uma pneumonia. Segunda assessoria do hospital, Jô foi liberado para voltar para sua casa por volta das 18h40.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre o estado de saúde do apresentador. O último boletim médico, divulgado no dia 28 de julho, informou apenas que ele estava sob tratamento com antibióticos. Durante o período de internação, a Globo exibiu reprises do Programa do Jô.
Nesta sexta, diversas notícias sobre a suspeita de que Jô estaria com câncer no pulmão circularam pelas redes sociais. No Twitter, diversos boatos foram reproduzidos e alguns chegaram até a afirmar que o apresentador de 76 anos havia falecido.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ANS autoriza reajustes entre 9,65% e 10,79% para planos de saúde contratados até 1998


Índice vale para Amil, SulAmérica, Bradesco e Itaú e atinge quase 354 mil pessoas
por O Globo
06/08/2014 10:11 / Atualizado 06/08/2014 11:02
Operadoras haviam pedido à ANS percentuais mais altos, entre 11,75% e 13,57% -
RIO - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu os reajustes máximos a serem aplicados aos contratos de planos de saúde individuais antigos — ou seja, aqueles que foram feitos antes da lei do setor, de 1998 — das quatro operadoras que possuem Termos de Compromisso (TC) sobre cláusulas de reajuste. A Amil pode reajustar seus contratos em até 9,65%, entre julho de 2014 e maio de 2015, informou a ANS. Já SulAmérica, Bradesco e Itaú poderão aplicar um índice de até 10,79% entre julho de 2014 e junho de 2015.

São 353.999 beneficiários, que correspondem a 1% do total que tem plano de saúde no país. Segundo a agência, as operadoras haviam pedido à ANS percentuais mais altos, entre 11,75% e 13,57%. Os índices concedidos, no entanto, superam de longe a inflação: em 12 meses até junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula variação de 6,52%.

Será permitida cobrança retroativa de até dois meses, no caso de haver defasagem entre a aplicação do reajuste e o mês de aniversário do contrato. Por exemplo, o aniversário do contrato é em julho de 2014, mas o boleto referente a agosto já foi emitido: com isso, o reajuste só será efetivamente aplicado em setembro. Assim, será permitida a cobrança do valor referente a julho e agosto, mas escalonadamente, nos meses de setembro e outubro.
Por exemplo, em julho e agosto, o consumidor recebeu um boleto de R$ 100 da Amil com o preço antigo. Em setembro, o boleto será de R$ 119,30: ou seja, com o aumento de R$ 9,65 retroativo a julho e de R$ 9,65 de setembro.

Em outubro, mais R$ 119,30, com o retroativo a agosto e o do próprio mês corrente. Em novembro, a mensalidade, então, assume o valor normal, sem os retroativos: R$ 109,65.
Ou seja, para uma mensalidade hoje em R$ 100 de clientes da Amil:

Em setembro: R$ 119,30 = R$ 9,65 (julho) + R$ 9,65 (setembro)
Em outubro: R$ 119,30 = R$ 9,65 (agosto) + R$ 9,65 (outubro)
Em novembro: R$ 109,65 (novembro)

TERMO DE COMPROMISSO
Até 2003, a ANS autorizava os reajustes de planos anteriores à lei de 1998, mas uma ação no Supremo Tribunal Federal retirou esse poder da agência naquele ano. Em 2004, porém, a ANS questionou os reajustes elevados de Bradesco Saúde, SulAmérica, Itaú, Amil e Golden Cross, que chegaram a 80%.

Foram assinados, então, termos de compromisso, nos quais as operadoras se comprometeram a corrigir as irregularidades e a submeter os reajustes à ANS.

CUIDADOS
A agência orienta os consumidores a ficarem atentos aos seus boletos de pagamento e observar se o percentual de reajuste aplicado está respeitando o limite. Também é observar se a cobrança está sendo feita a partir do mês de aniversário do contrato.

RECLAMAÇÕES
Para reclamações, o telefone do Disque ANS é 0800 701 9656. Outros canais são o site (http://www.ans.gov.br/) e um dos 12 núcleos de atendimento da ANS do país (Rio, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Ribeirão Preto, Salvador, São Paulo).

MUDANÇA DE FAIXA
A agência informa que, se o aniversário do plano coincidir com a mudança de faixa etária, a operadora pode aplicar dois reajustes. O aumento por faixa etária aplica-se na idade inicial de cada faixa e pode ocorrer tanto pela mudança de idade do titular como dos dependentes do plano.

PLANOS COLETIVOS
Para os planos coletivos (de empresas ou categorias profissionais), a ANS não define índices por entender que as pessoas jurídicas possuem maior poder de negociação com as operadoras.

CONTRATOS ASSINADOS APÓS A LEI
No dia 3 de julho, a ANS anunciou o teto para reajuste dos planos de saúde individuais contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à lei do setor, a 9.656/98. As empresas podem aumentar os valores em 9,65%, percentual que vale para o período de maio de 2014 a abril de 2015 e incide sobre os contratos de 8,8 milhões de consumidores, segundo a agência — 17,4% do total de 50,3 milhões de beneficiários de planos no Brasil.

O percentual utilizado como teto foi o maior desde 2005, quando fora de de 11,69%, segundo a agência. O reajuste autorizado pela ANS este ano também superou a inflação média pelo 11º ano seguido. Desde 1994, o serviço subiu 652,7% contra 359,9% do IPCA.

Observação do Vida com Câncer: sempre consulte um advogado, pois juridicamente não vale muita coisa que a ANS diz, como: essa estória de plano velho e plano novo, pertinência da Lei do Idoso, colocação de stent, etc... 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Um ano após doação de cabelo, amigas se encontram e celebram cura do câncer



Eduardo Schiavoni
Do UOL, em Americana
20/07/201406h00
Ashley (à esq.) é abraçada por Bruna, que usa a peruca confeccionada com os cabelos doados pela primeira há um ano. Amigas celebraram cura de Bruna

Um circo instalado em Americana foi o cenário escolhido para um reencontro que, no mínimo, pode ser caracterizado como emocionante na tarde deste sábado (19).

Ashley Katherine Valencia Delgado, 11, que há um ano doou seus cabelos para amiga Bruna Alves, da mesma idade, que estava em meio a um tratamento de um câncer no cérebro.

As duas se conheceram em Campinas, em junho de 2013, quando Ashley, acompanhada da mãe, Cecília Delgado, 35, que trabalha no circo Tihany, visitou o Centro Infantil Boldrini, onde Bruna fazia quimioterapia, para divulgar a passagem do circo na cidade. As duas ficaram amigas e voltaram a se encontrar outras vezes, no circo e no hospital.

Comovida com a condição da amiga, em agosto do ano passado, Ashley decidiu presentear Bruna com seus cabelos, para que ela fizesse uma peruca. A menina já havia comentado com ela que ficava incomodada com comentários de pessoas que a viam sem cabelo e com cicatrizes no couro cabelo nos locais aonde ia.

Como o pai já havia dito que gostaria que ela mantivesse as madeixas – que batiam na altura da cintura – Ashley usou uma estratégia. Disse ao pai que queria, de presente de aniversário, comemorado em 4 de agosto, a autorização para cortar os cabelos.

"Disse que queria doar meu cabelo no meu aniversário para dar para a Bruna", disse Ahsley. Com a autorização, o corte foi feito – na altura do ombro.

Cecília lembra da época e, sem esconder um sorriso, conta que não houve como negar o pedido. "Ela pede como presente de aniversário o direito de ajudar a amiga. Como vamos impedir isso?", disse a mãe.

"Somos irmãs de cabelo e coração"
A família de Ashley fez uma surpresa para Bruna. As madeixas foram embaladas em um papel de presente com fita e o embrulho foi entregue. "Foi um dos dias mais felizes da minha vida. O cabelo era lindo, foi muito emocionante a surpresa", contou Bruna. As duas amigas, então, escolheram, juntas, como seria a peruca.

Com o fim da temporada do circo na cidade, as duas são amigas passaram a se comunicar constantemente, mas nunca tinham se encontrado pessoalmente. O contato é mantido especialmente pelo WhatsApp e pelo Facebook.

"Somos irmãs de coração e de cabelo. E nossa amizade vai crescendo como o cabelo", falou Bruna, que estava usando, no momento da entrevista, a peruca com o cabelo da amiga. "Eu uso sempre, quase não tiro. Adoro os cabelos dela", disse.

Famílias acreditam que gesto de Ashley aumentou autoestima de Bruna
Bruna recebeu o diagnóstico do tumor cerebral há dois anos. Um ano depois, recebeu a doação e, na semana passada, a redenção: tomografia computadorizada mostrou que não há mais sinais de novos tumores. Apesar de estar curada, o tratamento será mantido por pelo menos mais três anos.

As famílias acreditam que a regressão foi ajudada pela doação do cabelo para confeccionar a peruca, que ajudou a elevar a autoestima de Bruna.

Segundo a professora Luciana Alves, 38, mãe de Bruninha, a amizade entre as meninas também ajuda neste momento de superação.

"Quando ganhou a peruca, renovou a vida dela. Deus às vezes coloca anjos em nossa vida. A Bruna, a Cecília e o pessoal do circo são alguns dos que recebemos na nossa", diz.
Bruna contou que a peruca ajudou muito a elevar sua autoestima, pois sofria muito preconceito quando era vista em locais públicos. "Hoje isso não acontece mais. Estou feliz, ainda mais agora que reencontrei minha amiga", disse Bruna.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Terapia anti-ruga de famosas que usa sangue pode ativar células cancerosas

Camila Neumam
Do UOL, em São Paulo
10/07/201406h00

Famosas fazem tratamento antirrugas que usa o próprio sangue3 fotos

  
A apresentadora de TV Luciana Gimenez postou vídeos e fotos do momento em que se submetia ao tratamento conhecido como lifting do Vampiro em Nova York. A técnica consiste em injetar no rosto parte do sangue retirado do corpo do próprio paciente e promete deixar a pele mais lisa, o que é contestado por médicos. O procedimento é proibido no Brasil Reprodução/Instagram

O tratamento que usa injeções de sangue do próprio paciente para acabar com rugas ficou conhecido no Brasil depois que a apresentadora Luciana Gimenez postou um vídeo de uma sessão feita por ela em Nova York. "Estou sofrendo pela beleza", disse.

A técnica conhecida nos Estados Unidos como Vampire Facelift (lifting do Vampiro) promete acabar com rugas pouco profundas da pele, usando o plasma do sangue do paciente separado em uma centrífuga.

Embora adotada por outras celebridades como a socialite norte-americana Kim Kardashian e pela modelo israelense Bar Refaeli, a técnica é proibida no Brasil pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e condenada por médicos que acreditam que ela pode ativar células cancerosas no organismo.

"O plasma rico em plaquetas vem sendo utilizado por alguns médicos com resultados diversos. Em virtude da variedade de tais resultados, ainda não é possível se definir o grau de utilidade nem aprovar em definitivo seu uso na prática terapêutica, tratando-se de procedimento experimental", diz um parecer do CFM de 2011. Nos Estados Unidos e na Europa o procedimento é legal. 

Ciência não comprova efeitos
Segundo o hematologista Dante Langhi Jr, diretor da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular) a técnica não é autorizada no Brasil por ainda ser usada sem um protocolo específico.

"Esse não é um procedimento médico padrão, pois tem sido feito de forma experimental. Faltam evidências científicas que comprovem seus resultados", diz.

Tanto o lifting do vampiro quanto a auto-hemoterapia (quando o sangue é injetado dentro do músculo com o intuito de reparar lesões no músculo e no osso) são práticas banidas pelo ABHH.

A auto-hemoterapia, que já foi considerada uma revolução no tratamento de atletas lesionados, pode causar infecções em vez de curar, segundo Langhi.

Processo pode ativar células cancerosas
Para a dermatologista Denise Steiner, presidente da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) o mau uso da técnica que usa o sangue pode ainda causar infecções pelo uso de sangue contaminado e até ativar células cancerosas.

"Embora se use muito a técnica na Europa, não há trabalhos científicos suficientes que comprovem a sua segurança em longo prazo. Da mesma forma que poderia estimular uma célula que produz colágeno, poderia estimular uma célula cancerosa", diz Steiner.

Para a dermatologista, as já consagradas injeções de ácido hialurônico e de toxina botulínica (botox) são indicadas no combate às rugas e são autorizadas pelo CFM.

"O botox e o preenchimento contêm substâncias que têm um tempo de duração no corpo. Já no plasma rico em plaquetas, você está injetando uma substância que vai estimular o colágeno de uma pessoa, sem precisão de quanto tempo ela vai agir no corpo. Falta objetividade", diz.

Médico americano defende técnica
O norte-americano Charles Runels, inventor do termo "Vampire Facelift", acha 'triste' o Brasil não liberar o uso da técnica no país, já que, segundo ele, há milhares de pesquisas médicas que comprovam seus benefícios mundo afora.

"Acho um pouco triste vocês não poderem usá-la, já que há mais de 10 mil pesquisas médicas sobre o assunto e pelo menos 300 médicos em sete países que a utiliza", diz.
Runels, que fez o procedimento em Kardashian no Alabama, diz ainda que, além do efeito estético, a técnica é indicada para diminuir cicatrizes e até para disfunção sexual e não tem efeitos colaterais graves.

"A terapia também ajuda com cicatrizes e, embora deixe hematomas, nunca houve efeito colateral sério em qualquer lugar que tenha sido feita".

Técnica ativa produção de colágeno
Na infusão de plasma rico em plaquetas, ou PRP, como o procedimento é conhecido no Brasil, o sangue é retirado do braço do paciente e levado a uma centrífuga onde se separa o plasma (líquido amarelado) dos glóbulos vermelhos (líquido vermelho). Feito isso, o médico injeta a parte amarelada nas partes do rosto onde há sinais de expressão.

É no plasma onde se concentram as plaquetas, que são fragmentos do sangue capazes de estimular células que ativam a produção de colágeno, proteína responsável por manter a pele firme. O efeito na pele surgiria após três semanas e duraria 15 meses, em média.

No vídeo postado na internet, Gimenez aparece gemendo de dor enquanto recebe algumas injeções do sangue próximo à boca e da testa. Já Kardashian postou fotos em que aparece com o rosto cheio de picadas e repleto de sangue, assim como a modelo israelense.