segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Infecções são causa de 30% das internações de quem tem câncer


GABRIEL ALVES
DE SÃO PAULO
28/09/2015  02h00
Um levantamento do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) mostra que 30% das internações de pacientes com câncer se devem a infecções generalizadas (também conhecida como sepse), o que equivale a cerca de 100 pacientes por mês na instituição.

O objetivo do estudo é ressaltar a importância de os hospitais padronizarem o atendimento a quem tenha suspeita de sepse –isso acontece no Icesp, mas não em boa parte dos hospitais, o que deve fazer com que os números sejam ainda mais altos em outras instituições.

Um dos problemas é que os sintomas são inespecíficos, o que significa que o diagnóstico nem sempre é imediato.

No caso de pacientes com câncer, é especialmente preocupante. O organismo já é naturalmente imunologicamente mais frágil nesses pacientes, o que justifica tomar uma série de cuidados, como, por exemplo, lavar as mãos e ter bons hábitos de higiene.

O choque séptico é a forma mais grave da sepse, quando a função dos órgãos já está comprometida. O índice de mortalidade no país é de 55%. Na Europa, América do Norte e Austrália o índice é de 25%, de acordo com a cardiologista especialista em UTI do Icesp, Ludhmila Abrahão Hajjar, que também é professora da Faculdade de Medicina da USP.

Infográfico: Caminho da infecção
TRATAMENTO DE CÂNCER
O próprio tratamento contra o câncer podem aumentar o risco de infeção, explica o oncologista do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo Fernando Maluf.

Isso porque técnicas como a quimioterapia e a radioterapia também podem agredir as células brancas do sangue ou provocar lesões locais, respectivamente.
No primeiro caso, o organismo perderia a principal linha de defesa interna ao organismo. Já no segundo, as lesões funcionam como porta de entrada para germes.

No entanto, as chances variam de acordo com o tipo de tumor. No caso de um câncer no sangue como a leucemia, por exemplo, a chance de a internação se dever a uma infecção é muito maior do que quando uma mulher está fazendo controle de metástase com uma quimioterapia, diz Maluf.

No tratamento de alguns cânceres mais complicados, que apresentam risco de gerar infecção, podem ser administrados antibióticos profilaticamente e existe até um medicamento injetável que é capaz de estimular a produção de células brancas para proteger o organismo.

Uma doença aumenta aumenta muito agressividade da outra, explica Ludhmila: um paciente com câncer tem uma chance maior de morrer.

"O pior é que depois do choque séptico, a pessoa fica pelo menos 20 dias internada. O paciente fica débil, fraco, desnutrido e para voltar ao tratamento oncológico pode demorar de meses a anos."

A sepse atinge 400 mil pessoas anualmente no país e grande parte das pessoas morre por conta de uma demora em iniciar o tratamento –algumas horas podem fazer a diferença.

Entre as possíveis causas da da infecção generalizada e do choque séptico estão infecções mal resolvidas, como a urinária, a gástrica ou mesmo uma pneumonia. Os pacientes que tenham infecções recorrentes também devem estar atentos e procurar um médico.

A reação inflamatória provocada pelos micróbios acaba afetando o funcionamento de todos os órgãos, lesando os tecidos e prejudicando seu funcionamento normal. "O rim para, o fígado para é complicado", diz a médica.
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CAMINHO DA INFECÇÃO
Por que a sepse é um problema (também) para quem tem câncer
30%
é a fração de internações de pacientes com câncer por causa de infecções*
55%
é o índice de mortalidade de sepse no Brasil
400 mil
novos casos de sepse são relatados por ano no Brasil

DICAS QUE VALEM PARA TODOS, COM CÂNCER OU NÃO
> Lavar as mãos frequentemente
> Procurar um médico no caso de infecções recorrentes
> Não tomar antibióticos por conta própria

Fonte: Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), Fernando Maluf (oncologista); Estudo Spread 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

'Science': A aposta nas células-tronco tumorais


Pesquisadores esperam que testes clínicos provem teoria controversa e ofereça novos tratamentos

A Science, renomada revista científica, publicou recentemente um artigo de Jocelyn Kaiser sobre um estudo que vem sendo feito no combate ao câncer. Robert Weinberg é um dos pesquisadores de câncer mais conhecidos do mundo, graças em grande parte a seu trabalho pioneiro na identificação de genes que baseiam o desenvolvimento de tumores. 
Ele já viu a esperança para tratamentos de câncer ir e vir. 

“Estou nesse ramo, para o bem ou para o mal, há 40 anos. Muitas das coisas nas quais trabalhamos se mostraram relativamente inúteis na clínica.” Mas, aos 72 anos, ele está otimista de novo. “Essa é realmente a primeira vez onde eu estou posicionado para ajudar a efetuar o desenvolvimento de um agente ou de agentes que realmente vão beneficiar pacientes de câncer,” diz ele.

O pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts está agora arriscando parte de sua considerável reputação, e quase US$ 200 milhões que investidores deram a uma empresa da qual ele é um co-fundador, em uma ousada teoria que dividiu o campo do câncer. Weinberg e outros argumentam que tumores contém um pequeno número de células que são distintas porque elas parecem com as células-tronco que dão origem a tecidos normais. Eles acreditam que essas sementes do câncer, capazes de resistir à quimioterapia e voltar meses ou anos depois do  tratamento, podem explicar os trágicos recaídas que as pessoas costumam experimentar. Acredita-se que ao mirar especificamente nessas células tronco tumorais, será possível manter a doença sob controle.

A Verastem Inc., empresa de Weinberg em Needham, Massachusetts, é uma das várias que estão lançando uma nova rodada de testes clínicos para descobrir se a teoria realmente funciona. Além da promessa de mudar o tratamento de câncer, tos riscos financeiros são enormes. A OncoMed Pharmaceuticals Inc., outra líder nessa área, poderia ganhar US$ 5 milhões em financiamento adicional de grandes empresas farmacêuticas se seus testes obtiverem sucesso.

Mas como Weinberg e outros no campo reconhecem, pode ser difícil traçar conclusões definitivas dessas experiências. Diferente da quimioterapia tradicional, não se espera que as drogas que estão passando por testes diminuam rapidamente os tumores, porque elas são desenvolvidas para matar só os minúsculos subgrupos de células que semeiam e reabastecem o principal tumor. Logo, detectar se as drogas estão funcionando na maneira que se pretende não é simples. Realmente, para tumores sólidos, os pesquisadores carecem de análises simples, rigorosas para medir o número de células-tronco tumorais. De acordo com o modelo de célula-tronco tumoral, a quimioterapia mata o grosso das células cancerígenas mas raras células-tronco tumorais permanecem intactas. Essas células em seguida semeiam um novo crescimento do tumor. Matar as células-tronco poderia levar à regressão do tumor com o tempo, mas combinar uma droga que detenha as células-tronco tumorais com a quimioterapia poderia ser ainda mais rápido.

Os estudos também enfrentam um forte ceticismo: muitos ainda não acreditam que as células tumorais existam como um tipo de célula diferente de outras células tumorais, e alguns sugerem que as empresas estão alardeando ou pelo menos simplificando demais a premissa. Uma vitória na clínica poderia solucionar parte da controvérsia. “Eu acho que o ônus está sobre todos nós na comunidade que estamos desenvolvendo terapias de células-tronco tumorais para mostrar sem dúvida que essas terapias realmente funcionam,” diz Max Wicha da Universidade de Michigan, Ann Arbor.


Por enquanto, pacientes com câncer, pesquisadores e investidores em empresas como a Verastem vão esperar ansiosamente pelos dados para começar os exames clínicos. Para quem se interessa em tratamentos, os resultados poderão trazer esperança. Porém, para pesquisadores que debatem a realidade das células cancerígenas, elas podem não trazer uma resolução. Jeremy Rich da Cleveland Clinic em Ohio, que está estudando células-tronco no câncer de cérebro, afirma: “Até mesmo se obtivermos um grande sucesso, o que não acredito que vai acontecer, não acho que haverá uma resposta em preto e branco”. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Comentários sobre a postagem anterior (leucemia linfócita)



De:
Data: 24 de agosto de 2015 11:38
Assunto: Sugestão para o Vida com Câncer - Respostas positivas ao tratamento de leucemia linfócita crônica
Para: fbittencourt95@gmail.com


Bom dia,
O Venetoclax, composto em desenvolvimento pela AbbVie, em parceria com a Genetech e Roche, apresenta resposta positiva no tratamento de pacientes com leucemia linfócita crônica refratária ou reincidente, com deleção no cromossomo 17 p, em estudo de fase 2.  A deleção do 17 é uma mutação genética, em que falta uma parte do cromossomo e está presente em 3-10% dos pacientes com leucemia linfócita crônica e em 30-50% na variação refratária reincidente.  A expectativa de vida média dos pacientes com LCC e deleção do cromossomo 17 é de menos de 2-3 anos – por isso, a importância desse estudo. 

No Brasil, segundo o INCA, em 2014, foram registrados 9.370 casos novos de leucemia e, segundo documento da American Cancer Society, 30% dos casos de leucemia são do tipo linfócita crônica.
Com base nos resultados do estudo de fase 2, a AbbVie deve iniciar o processo de aprovações regulatórias de venetoclax até o final deste ano.  Abaixo, informações completas sobre o estudo.
Abaixo, segue release com informações detalhadas do estudo.
Será que conseguimos uma nota no blog?
Fico à disposição.
Abraço,


 Pacientes com  Leucemia  Linfocítica Crônica  (LLC) Refratária/Reincidente Respondem ao Tratamento com Venetoclax em Estudo de Fase 2
A AbbVie planeja submeter venetoclax à aprovação da agência regulatória dos Estados Unidos, Food and Drug Administration (FDA), e da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), antes do final de 2015.

Em 2015, a FDA concedeu a classificação de Terapia Inovadora para venetoclax, para tratamento em LLC em pacientes com mutação genética de deleção do 17p.
A AbbVie (NYSE:ABBV), companhia biofarmacêutica global, anuncia que o estudo de Fase  2 com seu medicamento em fase de pesquisa venetoclax atingiu sua meta inicial, de obter taxas gerais de resposta em pacientes com leucemia linfocítica crônica (LLC) e deleção do cromossomo 17p sem tratamento prévio, ou com a doença  refratária/reincidente, conforme análise independente.  O estudo, de protocolo aberto, avaliou a eficácia e a segurança de venetoclax, um inibidor da proteína de célula B  (BCL-2) que está sendo desenvolvido em parceria da AbbVie com a Genentech e a Roche.
Os dados deste estudo serão apresentados nas próximas conferências médicas  e utilizados para submissões a aprovações pela FDA, EMA e outras autoridades sanitárias.  O perfil de segurança foi similar a estudos anteriores.
“Os resultados deste estudo demonstram a atividade clínica de  venetoclax em pacientes com LLC, portadores da deleção do 17p, um grupo de pacientes que, historicamente, é difícil de tratar”, afirma o médico Michael Severino, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento e principal executivo científico da AbbVie. “Com base nestes resultados, planejamos ir adiante com os pedidos regulatórios de aprovação para venetoclax e manter o compromisso de continuar as pesquisas com este  e outros medicamentos de nosso pipeline (conjunto de compostos em pesquisa), com a meta de oferecermos novas opções de tratamento para pessoas afetadas pelo câncer”.

Em 2015, a FDA concedeu a classificação de Terapia Inovadora para venetoclax, para tratamento em LLC em pacientes com mutação genética de deleção do 17p.

Leucemia Linfocítica Crônica e Deleção do 17p
LLC é um câncer de progressão lenta da medula óssea e do sangue  no qual a medula óssea produz excesso de linfócitos, um tipo de célula branca do sangue.1  É o tipo mais comum de leucemia diagnosticada em adultos em países ocidentais.2 Nos Estados Unidos, a LLC soma cerca dos 14.520 novos casos de leucemia diagnosticados a cada ano.3
No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) 4  (http://www2.inca.gov.br/favicon.ico) foram registrados 9.370 novos casos de leucemia em 2014. De acordo com documento da American Cancer Society5, cerca de 30% dos casos de leucemia são LLC.
Cerca de 3-10% dos pacientes com LLC apresentam deleção do 17p à época do diagnóstico e isso ocorre em 30-50% de pacientes com LLC refratária ou reincidente. A mutação de deleção do 17p é uma alteração genômica na qual falta uma parte do cromossomo 17.5 A expectativa média de vida para pacientes com LLC e deleção do 17 p é de menos de 2-3 anos.6
Sobre o Estudo de Fase 2
O estudo de Fase 2, multicêntrico, internacional e de protocolo aberto, foi estruturado para avaliar a eficácia e a segurança de venetoclax em pacientes com LLC e deleção do 17 p que recaíram ou foram  refratários aos tratamentos existentes, ou não foram tratados previamente para LLC.  O estudo incluiu 157 pacientes, sendo 107 no corte principal do estudo, para avaliação de eficácia, e 50 pacientes na expansão do estudo sobre segurança.
A meta básica em eficácia foi a taxa de resposta global e a principal meta em segurança foi o número e a porcentagem de pacientes que apresentaram efeitos adversos relacionados ao tratamento, alterações nos exames físico, incluindo sinais vitais, alterações no testes clínicos laboratoriais e alterações na avaliação cardíaca. Os resultados secundários do estudo  medem taxa de remissão completa, remissão parcial e duração da resposta e sobrevida global e sobrevida livre da progressão, entre outros fatores.

Sobre Venetoclax
Venetoclax  é um inibidor oral, em fase de pesquisa, de célula B  (BCL-2), para o tratamento de pacientes com vários tipos de câncer.  A proteína BCL-2 previne a apoptose de algumas cédulas, incluindo linfócitos e pode estar expressa em alguns tipos de câncer. Venetoclax é desenhado para seletivamente inibir a função da proteína BCL-2.  Venetoclax  está sendo desenvolvido em parceria com Genentech eRoche. Juntas, as companhias têm o compromisso da pesquisa sobre BCL-2 com venetoclax, o qual está sendo avaliado em Fase 3 de estudo clínico para o tratamento de LLC refratária/reincidente, para o estudo de diversos tipos de câncer.

No Brasil, venetoclax ainda será submetido à aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não se tratando, portanto,  de um medicamento aprovado pelo órgão sanitário brasileiro para uso comercial.
Sobre AbbVie Oncologia
A pesquisa em oncologia da AbbVie está focada na descoberta e no desenvolvimento de terapias-alvo contra os processos que alguns tipos de câncer necessitam para sobreviver.  Ao pesquisar novas tecnologias e novas abordagens, a AbbVie  está vencendo barreiras em alguns dos tipos de câncer mais difíceis de tratar,   incluindo glioblastoma multiforme, mieloma múltiplo e leucemia linfocítica crônica.  A pesquisa da AbbVie em oncologia inclui várias novas moléculas em estudos clínicos em mais de 15 diferentes tipos de câncer e tumores. 


Sobre a AbbVie
A AbbVie é uma companhia biofarmacêutica global de pesquisa, formada em 2013, a partir da separação da Abbott Laboratories. A missão da companhia é usar seu conhecimento, equipes dedicadas e foco em inovação, para desenvolver e comercializar tratamentos avançados que atendam as necessidades de algumas das mais complexas e sérias doenças do mundo.  Junto com sua subsidiária Pharmacyclics, a AbbVie emprega mais de 28,000 pessoas em mais de 170 países.  Para mais informação sobre a companhia, seu portfolio e compromissos, acesse www.abbvie.com.br. Siga @abbvie no Twitter ou conheça oportunidades de carreira nas suas páginas no Facebook ou LinkedIn.
No Brasil, foi criada no início de 2014.
            
REFERÊNCIAS
1 American Cancer Society (2013) “Leukemia – Chronic Lymphocytic.”  http://www.cancer.org/acs/groups/cid/documents/webcontent/003111-pdf.pdf.
2 Eichhorst, B. et al. “Chronic Lymphocytic Leukemia: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment
and follow-up.” Annals of Oncology 22 (Supplement 6): vi50-vi54, 2011
3   American Cancer Society (2015) "Leukemia – Chronic Lymphocytic (CLL) Topics."
5 Cancer Facts and Figures 2014, American Cancer Society 2014
6 Schnaiter, A. et al. (2013) “17p Deletion in Chronic Lymphocytic Leukemia: Risk Stratification and Therapeutic
Approach.” Hematol Oncol Clin N Am 27 (2013) 289–301
7 Selner, L. et al. (2013) “What Do We Do with Chronic Lymphocytic Leukemia with 17p Deletion?” Curr Hemetol Malig Rep. 8(1):81-90.
8 Stilgenbaur, S, and Zenz, T, (2010) “Understanding and Managing Ultra High-Risk Chronic Lymphocytic Leukemia.” ASH Education Book. 2010(1):481-488.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Cientistas transformam célula do câncer em imunológica

Cientistas descobriram que é possível forçar as células da leucemia a amadurecer como um tipo de célula imunológica, que, ironicamente, pode ajudar o corpo a combater outras células tumorais
18 Mar 2015
Algumas descobertas importantes foram feitas “sem querer” na história da ciência, como o caso da penicilina. Foi o que parece ter acontecido com um grupo de cientistas britânicos da Universidade de Standford, que podem ter encontrado uma forma de combater células de câncer de um tipo agressivo durante experimentações recentes. As informações são do IFL Science.


cientistas descobriram que é possível forçar as células da leucemia a amadurecer em um tipo de célula imunológica, que, ironicamente, pode ajudar o corpo a combater outras células tumorais
Foto: IFL Science / Reprodução

Depois de várias tentativas de encontrar uma maneira de prevenir as células cancerígenas de morrer durante as experiências, os cientistas descobriram que é possível forçar as células da leucemia a amadurecer em um tipo de célula imunológica, que, ironicamente, pode ajudar o corpo a combater outras células tumorais. O estudo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

O câncer analisado pelo estudou foi a leucemia linfocítica aguda (LLA) é um tipo de rápida progressão, que atinge as células brancas (leucócitos) do sangue caracterizada pela produção maligna de linfócitos imaturos na medula óssea. Neste estudo, era analisado o tipo “B-ALL” do LLA, do qual se sabe muito pouco. Assim, o estudo de Standford tentou encontrar alguma possibilidade de manter as células isoladas do câncer (pertencentes a um paciente).

Assim, depois de expor as células a um determinado fator de transcrição, os cientistas observaram que elas começaram a mudar de tamanho e forma, adotando a morfologia característica de um tipo de glóbulo branco responsável por devorar as células danificadas ou material estranho, conhecido como um dos macrófagos.

Os pesquisadores também acreditam que essas células convertidas não só poderão ser neutralizadas sobre sua antiga identidade de célula cancerosa, mas também podem ajudar o corpo a dar uma resposta imunológica contra outras células cancerosas remanescentes. A próxima etapa do projeto será, portanto, investigar maneiras de conseguir a conversão das células de uma forma clinicamente viável.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Entidades pressionam governo a não flexibilizar regras dos planos de saúde

05/08/2015 02h00
Um batalhão de entidades de defesa do consumidor foi a Brasília nesta semana pressionar o governo a não flexibilizar regras dos planos de saúde familiares e individuais. Há o temor de que o Planalto ceda à pressão das empresas e libere os reajustes do serviço, hoje controlados pela ANS (Agência Nacional de Saúde).

TODAS AS VOZES
O grupo foi recebido anteontem pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro. Entre eles estavam representantes do Procon, do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), do Ministério Público Federal e de defensorias públicas estaduais. E também da Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça.

PALAVRA DE MINISTRO
Chioro disse ao grupo que não haverá liberação do reajuste dos planos familiares e individuais, que cobrem hoje 19% do mercado. E pediu que as entidades formulassem, em dez dias, uma pauta com propostas para a proteção do consumidor na saúde complementar.


TIME
A pressão de operadoras de planos individuais para a liberação dos reajustes está sendo feita diretamente no gabinete da presidente Dilma Rousseff. Apesar da garantia de Chioro de que nada muda, não há consenso no governo. E já houve até reunião de cúpula para tratar do tema, com Chioro, Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Joaquim Levy, da Fazenda -que, como Chioro, é contra a liberação dos preços. 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Câncer de rim: entenda a importância do diagnóstico

6 March 2015 | Por Liliane Rose Christ
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O câncer de rim é uma doença silenciosa e quase sem sintomas, por isso, quando descoberta já está em estágio avançado e apresenta quadro de metástase, ou seja, outros órgãos, geralmente pulmão, fígados e ossos, já foram atingidos pelo câncer.

Sentir dores nas costas e sangue ao urinar podem ser sintomas de doença nos rins. Foto: iStock, Getty Images
Cerca de 60% dos casos da doença são descobertos acidentalmente e somente 10% dos pacientes apresentam os sintomas clássicos do câncer de rim, que são dores nas costas, sangue na urina e palpação do tumor no abdômen.

Sintomas e grupo de risco do câncer de rim

Além dos sintomas clássicos deste tipo de câncer – dores nas costas, sangue na urina e palpação do tumor no abdômen – a neoplasia também provoca reações diversas chamadas de síndromes paraneoplásicas.

Essas reações são causadas pela produção de enzimas e substâncias semelhantes a hormônios e podem provocar aumento da pressão arterial e das mamas, alteração do fígado, alterações hormonais e elevação dos níveis de cálcio etc.

Pessoas com mais de 50 anos são considerados grupo de risco em potencial, além de fumantes, principalmente homens, obesos, hipertensos, pacientes em hemodiálise, pessoas que fazem uso indiscriminado de diuréticos por período prolongado e também pacientes com doenças genéticas, como esclerose tuberculosa ou doença de Von Hippel-Landau.

Diagnóstico do câncer de rim

O câncer de rim tem o diagnóstico dificultado devido à ausência de sintomas e também pela localização do órgão, que fica na parte de trás do abdômen.

Para ajudar o médico na identificação do sintomas, além de exames de sangue que evidenciam alterações na urina, o paciente deve fazer ultrassom, que mostra a presença de nódulo ou massa renal; tomografia computadorizada do torax, que ajuda a verificar o estadiamento da doença; cintilografia óssea, que mostra se há metástases ósseas; e biópsia.

O diagnóstico também ajuda o médico a descobrir qual dos cinco tipos de câncer de rim acometeu o paciente. São eles:

1. Carcinoma Renal de Células Claras

Este tipo de neoplasia é visto entre 70% e 90% dos casos e é originado geralmente no tubo que filtra as impurezas do sangue.

2. Carcinoma Papilar

O segundo tipo de tumor mais comum relacionado ao rim, atingindo de 10% a 15% dos casos, pouco palpável por ser muito pequeno, no entanto, provoca dores fortes no paciente.

3. Carcinoma Renal Cromófobo

Este tumor é visto em 5% dos casos e não aparece nos exames, apenas quando exposto ao azul escuro ou roxo.

4. Ductos Coletores

Este tipo de tumor se origina em uma das estruturas do rim, chamado Tubo de Bellini, é raro e dolorido.

5. Sarcomatoides

É o tumor mais raro, visto em apenas 1% dos casos, mas também é o mais agressivo.

Como é o tratamento para o câncer

Este tipo de câncer tem bom prognóstico quando diagnosticado precocemente, ou seja, o tumor deve ter tamanho entre três e quatro centímetros.

Quando maior, os riscos envolvendo a doença aumentam e, geralmente é isso que acontece devido à dificuldade de diagnóstico da doença. O tratamento para a doença envolve medicamentos, dieta adequada e cirurgia para remoção do tumor.

Mas, diferentemente de outras neoplasias, o câncer de rim não tem boa resposta à radioterapia e quimioterapia. Como alternativa, os médicos usam métodos como a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico do paciente com uso de medicamentos potentes.


Câncer de mama: médicos defendem teste de perfil genético no SUS

Agência Brasil
Médicos defendem a incorporação do teste de perfil genético para o câncer de mama no rol dos procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS) e no Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em algumas unidades particulares do país, a tecnologia importada mapeia os 70 genes do nódulo e indica se o tumor é de baixo risco ou de alto risco.
A presidenta da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), Maira Caleffi, lamentou que hoje muitas mulheres acabem tendo que passar por sessões de quimioterapia sem precisar.

“Na dúvida, os médicos recomendam a quimioterapia. Metade dessas pacientes, em estágio 1, com axila negativa e tumores pequenos, acaba tendo que fazer a quimioterapia sem nenhum benefício significativo”, disse Maira. “A indicação é muito restrita, e o teste pode ser incorporado ao SUS sem grandes repercussões nos recursos públicos. Mas os critérios devem estar muito bem definidos para a utilização desses testes”, alertou.

A presidenta da Femama acredita que no futuro, com maior conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce, mais mulheres poderão se beneficiar com o teste. 

“Essas pacientes são cada vez mais comuns. O triste é não ter esses casos, pois muitas pacientes ainda aparecem com tumores grandes e axila comprometida, que nem dá margem para dúvida: recomendamos a quimioterapia”.

De acordo com a entidade internacional Early Breast Cancer Trialists Collaborative Group, entre 30% e 40% das mulheres com câncer de mama no mundo não precisariam de quimioterapia.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruffo de Freitas Junior, além de poupar a mulher com tumor mais brando do uso da quimioterapia, o teste no sistema público de saúde pouparia gastos.

“Essa plataforma gênica separa de maneira exemplar e muito segura as pacientes que vão precisar de quimio e as que não vão”, comentou. “O tratamento de quimioterapia tem entre quatro e oito ciclos. Cada ciclo custa de R$ 6 mil a R$ 8 mil. Atualmente, o estudo custa aproximadamente entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. Dois ciclos de quimioterapia já pagariam o teste”, argumentou o médico.

A publicitária paulista Flávia Mantovanini, 43 anos, descobriu no exame de rotina que tinha um tumor maligno de nível 2. Após a cirurgia, o médico indicou a quimioterapia como forma de prevenção, mas Flávia optou por fazer o mapeamento genético com recursos próprios para tentar evitar a químio.

“Com essa identificação, vi que era um problema hormonal e que havia poucas chances de voltar. É um exame caro, mas aceitei fazer, porque a quimioterapia é realmente muito agressiva,” contou ela, que atualmente faz uso de remédio preventivo, que terá que tomar por dez anos. “A operação foi há seis meses e estou ótima”, disse.n


Um estudo sobre o perfil de câncer de mama das mulheres de acordo com as regiões do país, desenvolvido pela Universidade de São Paulo, aponta que os casos da doença são mais comuns no Sul e Sudeste, porém mais agressivos no Norte e Nordeste. Divulgado em outubro de 2014, o estudo mostrou que no Sul e Sudeste a incidência do tumor triplo negativo (mais agressivo) é aproximadamente 14%, enquanto no Norte o índice sobe para 20,3% e no Nordeste e Centro-Oeste vai para 17,4%. Já os tumores do tipo luminal A (baixo risco) representam 30,8% dos casos relatados na Região Sul e 28,8% no Sudeste. A frequência desse tipo de câncer cai para 24,1% no Nordeste, 25,3% no Norte e 25,9% no Centro-Oeste.