terça-feira, 5 de setembro de 2017

Surpresas para o câncer


Remédio que combate inflamação e terapia genética são as duas novas armas contra a doença
Bárbara Libório, de Barcelona
01.09.17 - 18h00
A redução da inflamação diminui o risco de doença cardíaca. No domingo 27, no Congresso Europeu de Cardiologia, a constatação foi confirmada e trouxe implicações maiores: inibir processos inflamatórios pode derrubar também a incidência e a mortalidade por câncer de pulmão. O estudo Cantos, comandado por Paul M. Ridker, diretor de Centro de Prevenção de Doenças Cardiovasculares no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA), e Peter Libby, especialista em medicina cardiovascular do mesmo hospital, mostrou que a administração do anti-inflamatório canakinumabe em pacientes com taxas de colesterol moderadas, que tiveram anteriormente um ataque cardíaco e apresentavam elevados níveis de proteína C reativa, um marcador de inflamação, diminuiu em 15% o risco de um novo evento como o infarto e o acidente vascular cerebral e a chance de morte.
O estudo revelou ainda que o remédio reduziu em 77% as taxas de mortalidade por câncer, especialmente o de pulmão, assim como sua incidência (67%). Isso sugere que a mesma via inflamatória que é um fator de risco para doenças cardíacas também pode iniciar ou estimular o crescimento de tumores. “Os dados são emocionantes porque apontam para a possibilidade de retardar a progressão de certos tipos de câncer”, disse Ridker à ISTOÉ. Para Libby, o resultado abre uma nova porta no tratamento dessa doença. “É um resultado preliminar que tem que ser estudado mais profundamente, mas é uma nova era anti-inflamatória que pode ser muito eficaz.”
A outra boa novidade foi a liberação para a venda, pelo órgão regulador americano FDA, da primeira terapia genética contra o câncer. Conhecida como CAR-T, ela consiste na alteração de células do próprio paciente para que identifiquem e combatam com maior eficácia as células tumorais. “É uma nova fronteira na luta contra a doença”, disse Scott Gottlieb, diretor da FDA.


DUAS DOENÇAS, O MESMO ALVO
Como age o medicamento

• Ele reduz a inflamação
• Hoje se sabe que o processo está envolvido  em várias patologias, entre elas a depressão,  ou eventos como o infarto
• Estudos indicam que está relacionado  também ao câncer, em especial o de pulmão
• Por isso, a pesquisa sobre a droga  gerou a hipótese de que o tratamento  e a redução da inflamação pode reduzir  a incidência e a mortalidade desse tipo  de tumor

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