sexta-feira, 25 de junho de 2021

Guia traz análises e orientações sobre alimentação, nutrição, atividade física e câncer

O Instituto Nacional de Câncer divulgou, recentemente, a publicação “Dieta, nutrição, atividade física e câncer: uma perspectiva global – um resumo do terceiro relatório de especialistas com uma perspectiva brasileira”. Com o material, o INCA pretende “fornecer subsídios técnicos para fundamentar intervenções individuais e coletivas promotoras de práticas alimentares saudáveis e de atividade física, contribuindo, dessa forma, para o reconhecimento social da relação entre alimentação, nutrição, atividade física e câncer e para a prevenção e o controle do câncer no Brasil”.

O documento é uma tradução adaptada e ampliada do resumo do III Relatório de Especialistas do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF – World Cancer Research Fund) e do Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR –  American Institute for Cancer Research). Traz o posfácio “Alimentação, nutrição, atividade física e câncer: uma análise do Brasil e as recomendações do INCA”, com dados epidemiológicos e recomendações que consideram a realidade nacional, com base no Guia Alimentar para a População Brasileira.

O texto do guia considera que as mudanças no padrão alimentar e no perfil nutricional dos brasileiros têm gerado um cenário preocupante. “O aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, frente aos alimentos frescos, às refeições e às preparações tradicionais, vem sendo acompanhado pelo aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade”, ressalta o material.

As recomendações do INCA listam uma série de hábitos que devem ser adotados para a prevenção do câncer no Brasil, entre eles: a manutenção do peso corporal saudável; ser fisicamente ativo como parte da rotina diária; fazer dos alimentos de origem vegetal a base da dieta; evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e fast food; evitar o consumo de carnes processadas; evitar o consumo de bebidas alcoólicas e não usar suplementos alimentares para prevenção do câncer. 

As orientações também incentivam a amamentação, que protege as mães do câncer de mama e os bebês do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida. Uma observação especial é direcionada ao consumo de chimarrão, que não deve ocorrer em temperaturas superiores a 60 °C.

O texto do guia ressalta que “após o diagnóstico de câncer, sempre que possível, o paciente deve seguir as recomendações de prevenção. Durante o tratamento, avaliar, junto ao profissional de saúde responsável, o que é aconselhável”.

Outro apontamento importante chama atenção para o risco de exposição ao tabaco e ao excesso de sol. “Embora cada recomendação individual ofereça benefícios para a proteção contra o câncer, a maior parte do benefício é obtida ao tratar todas as recomendações como um padrão integrado de comportamentos relacionados à alimentação, à atividade física e a outros fatores associados ao modo de vida”, afirma o documento do INCA.

A nutricionista Luísa Nunes, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, concorda que o conjunto de hábitos e comportamentos saudáveis ajudam a prevenir os tumores. “Falamos de estilo de vida e este conceito engloba sono, atividade física, alimentação, controle do estresse, vida social e afetiva, equilíbrio psicológico e saúde mental.

O câncer tem suas preferências e se pode instalar mais facilmente quando encontra, reunido, o maior número possível de fatores de risco, como predisposição genética, obesidade e vida sedentária, alimentação inadequada, excesso de álcool, exposição à radiação e a agentes químicos, consumo de tabaco, estresse e exposição a plásticos, agrotóxicos e aditivos químicos nos alimentos”, completa Luísa. 

“A alimentação tanto pode ajudar quanto atrapalhar a vida de uma pessoa. Uma nutrição bem feita, com alimentos integrais, orgânicos, ricos em polifenóis, fitoquímicos e nutrientes antioxidantes e anti-inflamatórios, é a chave para longevidade. Longevidade é envelhecer com saúde mantendo a capacidade funcional física e cognitiva do indivíduo”, afirma Luísa. A nutricionista exemplifica o impacto da obesidade e vida sedentária sobre o aumento da incidência de câncer de mama, carcinomas de endométrio, tumores malignos de cólon e de adenocarcinoma de esôfago.

 

https://vencerocancer.org.br/cancer/prevencao/analises-sobre-alimentacao-nutricao-atividade-fisica-e-cancer/?catsel=cancer

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Como fortalecer o organismo e os músculos depois do tratamento do câncer?

 

A perda de peso (caquexia) e a desnutrição são efeitos comuns durante o tratamento do câncer. Os médicos consideram a situação como um evento potencialmente grave e indicam uma intervenção terapêutica o mais breve possível, assim que o problema for diagnosticado. Os efeitos ocorrem, principalmente, com a quimioterapia e a radioterapia. Estima-se que a caquexia relacionada ao câncer ocorra em pelo menos 50% dos pacientes com tumores em estágio avançado.

Por isso, uma avaliação nutricional deve ser feita assim que o tratamento for iniciado. “A orientação é muito importante antes de o paciente começar as sessões, para que os benefícios sejam sentidos durante a terapia. Assim, quando o tratamento terminar, o corpo estará mais forte, o organismo terá mais apetite”, destaca a nutricionista Luisa Macedo Nunes, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

Muitos pacientes, também, questionam sobre o fortalecimento dos músculos com o término dos ciclos de quimioterapia, por exemplo. “Nestes casos, é preciso ter um tempo até o corpo descansar, porque o organismo recebe doses muito altas de medicamento”, ressalta Luisa. “Novamente, para garantir que os músculos fiquem fortes, é necessário pensar numa avaliação e num plano antes do início do tratamento”.

A desnutrição no câncer ocorre por conta do tumor e por conta dos efeitos da quimioterapia. Com a avaliação nutricional e um plano de acompanhamento é possível deixar o paciente forte e driblar esses sintomas mais comuns, como a xerostomia (boca seca), disgeusia (alteração no paladar), mucosite (inflamações que podem acontecer na boca, faringe, laringe, esôfago e atrapalhar a alimentação), náusea e diarreia. Todas essas situações comprometem as refeições fazem o paciente perder peso”, acrescenta a nutricionista.

Se durante o tratamento houve o acompanhamento nutricional e o paciente conseguir manter o peso (poderá até haver ganho de massa), a recuperação ao final das sessões é muito mais fácil e com melhor qualidade.

https://vencerocancer.org.br/cancer/noticias/como-fortalecer-o-organismo-depois-do-tratamento-do-cancer/?catsel=cancer

terça-feira, 13 de abril de 2021

Após tratamento, marido de Ana Hickmann comemora: "Não há mais sinais do câncer"

 


Empresário Alexandre Correa havia sido diagnosticado com um tumor em estado de metástase no pescoço em novembro do ano passado

11/02/2021 - 11h43min

 

"Um milagre aconteceu nesta família", resumiu Ana HickmannAna Hickmann Instagram / Reprodução

Nesta quarta-feira (10), o empresário Alexandre Correa, marido da apresentadora Ana Hickmann, compartilhou uma ótima notícia com os fãs: em postagem nas redes sociais, revelou que seus últimos exames mostram que "não há mais sinais do câncer" que enfrentava. Em novembro, ele revelou estar com um tumor em estado de metástase no pescoço e, desde então, tem compartilhado as várias etapas do tratamento com os seguidores. 

"Realizei os meus exames de controle de sangue e imagem. Notícia excelente: de acordo com o meu oncologista, não há mais sinais do câncer. Meu muito obrigado ao Dr. Andrey pela dedicação, carinho e cuidado. E gratidão a todos que estiveram ao meu lado fisicamente e em oração", agradeceu ele.

Ana também comemorou a boa-nova em suas redes sociais:

 "Meu amor, você é o guerreiro mais forte e corajoso que eu conheço. Sua valentia, sua determinação superam tudo o que já vi nesta vida. Hoje nós recebemos a melhor notícia de todas: VOCÊ VENCEU O CÂNCER! Deus, muito obrigada por nos amparar por todos esses longos dias, nunca faltou fé nesta casa. Um milagre aconteceu nesta família", escreveu ela na legenda da publicação.

Alexandre revelou estar com a doença em um vídeo publicado nas suas redes sociais no início de novembro. O tumor, que estava em estado de metástase, foi retirado em cirurgia, e ele seguiu em tratamento com sessões de radioterapia e quimioterapia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.  

Em dezembro, o empresário chegou a informar que iria se ausentar por alguns dias de suas redes sociais porque precisaria colocar sonda para se alimentar. Por ter perdido muito peso e estar fragilizado em função do tratamento, não estava conseguindo ingerir alimentos pelas vias normais. 

 

https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/gente/noticia/2021/02/apos-tratamento-marido-de-ana-hickmann-comemora-nao-ha-mais-sinais-do-cancer-ckl0yo46f002j017wfdc3e65q.html

domingo, 7 de março de 2021

Boas perspectivas para tumores, apresentadas na ASCO 2020

ASCO20 Virtual Scientific Program

Oncologistas do Instituto Vencer o Câncer falam dos principais destaques do maior congresso de Oncologia do mundo

A edição de 2020 do Encontro Anual da American Society of Clinical Oncology trouxe novidades para o tratamento de diversos tumores. Neste ano, o maior congresso mundial de oncologia foi virtual e reuniu 40 mil especialistas para discutir novos avanços na prevenção, diagnóstico e terapias contra o câncer.

A Oncologia brasileira teve um destaque inédito: uma pesquisa coordenada pelo oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC) foi um dos destaques da sessão oral de próstata. Este é o primeiro estudo realizado e conduzido integralmente na América Latina a receber esta distinção, pela importância dos resultados para milhares de pacientes com câncer de próstata, o tumor mais prevalente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não-melanoma.

A pesquisa avaliou um tratamento hormonal que não diminui a testosterona nos pacientes com câncer de próstata metastático, na maioria das vezes envolvendo ossos, gânglios, fígado ou pulmões. Os médicos brasileiros estudaram a hipótese de alternativas livres de ADT (sigla em inglês para androgen-deprivation therapy ou castração hormonal, que diminui os níveis de testosterona para patamares baixíssimos, o tratamento mais tradicional para o câncer de próstata avançado resistente à castração), com a utilização de medicamentos inibidores de sinalização de andrógenos (apalutamida e abiratraterona) que podem fornecer alta eficácia, com um perfil de segurança favorável e efeitos colaterais menores.

“Este estudo brasileiro é a primeira pesquisa mundial que compara formas novas de hormonioterapia que não levam à diminuição dos níveis testosterona versus a clássica castração, que causa uma série de efeitos colaterais tão indesejáveis”, afirma Maluf.

O comerciante José Carlos Oliveira, de 73 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata em 2018, quando seu médico explicou que ele poderia participar do estudo clínico brasileiro. “Este protocolo permitiu que eu continuasse trabalhando, seguindo minha vida com poucas alterações. Sinto uma felicidade muito grande de poder participar da pesquisa e ter um resultado muito positivo. Espero que, no futuro, represente um benefício para mais pacientes”, destaca Oliveira.

“É um resultado inédito e agora precisa de um patamar maior, com maior número de pacientes, para termos resultados com mais certeza”, ressalta Maluf.

Ainda para câncer de próstata, Fernando Maluf cita dois estudos promissores. O primeiro avaliou em 200 pacientes o uso de uma nova droga, inteligente, que liga uma molécula de radioterapia a uma proteína de membrana presente na célula prostática. A droga é injetada por via endovenosa; quando ela gruda na célula tumoral, a radiação é liberada de forma intensa no tumor. A análise comparativa desse medicamento versus quimioterapia mostrou que esse tratamento dobrou as chances de resposta do PSA e reduziu o risco de progressão da doença em quase 40% a mais dos pacientes. Segundo o oncologista, é uma opção para os pacientes com doença avançada que falharam os primeiros tratamentos hormonais e quimioterápicos.

O outro estudo, com 936 pacientes, avaliou novo papel da hormonioterapia para diminuir testosterona, só que diferentemente dos hormônios já usados, que eram injeções, esse é um remédio oral. “O resultado demonstrou que esse medicamento oral consegue diminuir a testosterona (que alimenta esse tumor) de forma mais impactante que as injeções, além de reduzir o risco de complicações cardiovasculares mais de 60% comparado com as injeções. A droga oral aparentemente é mais eficaz para diminuir a testosterona, pelo menos na marca de um ano, no qual o estudo foi desenhado, e também é mais segura do ponto de vista cardiovascular”, explica Maluf. O aspecto negativo é que esse medicamento ainda não está disponível em nenhum país, mas deve em breve ser submetido para aprovação.

No câncer de bexiga, o oncologista aponta um estudo com pacientes em estágio avançado, com doença metastática, premiado como um dos cinco mais importantes entre mais de 10 mil trabalhos submetidos no congresso. “Participaram 700 pacientes tratados com quimioterapia e aqueles que tiveram resposta ou pelo menos controle da doença, foram divididos em dois grupos: um recebeu imunoterápico e outro, placebo. O estudo que recebeu imunoterapia teve resultados muito bons”, informa Maluf.

Em câncer de mama, o oncologista Antonio Buzaid, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer, ressalta que o encontro da ASCO apresentou a atualização de um estudo que avaliou o papel das assinaturas genéticas – genes avaliados na célula cancerosa para verificar se é possível evitar uso de quimioterapia em uma mulher que já operou. “O teste MammaPrint, que é aplicado em certas situações, foi atualizado com oito anos de seguimento. O resultado foi bem, mas não tão bem na mulher mais jovem. Nas mulheres acima de 50 anos, confirmou que não valia a pena dar quimioterapia, mas nas mais jovens, quando o teste apontou que o uso da quimio poderia não ser uma boa ideia, o resultado indicou que o grupo que recebeu quimioterapia teve 5% melhor evolução do que o grupo que não recebeu. Isso incomodou muitos de nós, médicos, que usamos esse teste e teremos que pensar em outras opções, talvez voltar ao Oncotype. Não há teste perfeito, mas teremos que rediscutir com nossas pacientes as opções”, avalia.

O oncologista cita também um importante estudo sobre sequência de remédios na doença avançada, com um novo medicamento aprovado no Brasil para câncer de mama, para quem tem alteração no gene PIK three CA, que ocorre em 40% dos casos desses tumores.

“Pacientes que recebem outro grupo de remédios, chamados inibidores de CDK4/6, quando usados na primeira linha com anti-hormônio, aumentam a sobrevida das pacientes em casos de câncer de mama avançado com essa mutação, aparecendo como boa estratégia”.

Buzaid esclareceu ainda outro estudo com um medicamento que inibe uma enzima especial em quem tem tumor com alteração genética de nascença. O remédio, aprovado para pacientes com mutação BRCA1/2 que desenvolvem câncer de mama, também demonstrou ser eficiente em pacientes que não têm esse defeito genético do nascimento, mas a célula cancerosa apresenta essa mutação genética. “Funcionou muito bem nesses casos e também para outro tipo de mutação, em pessoas que nascem com o PALB2”, afirma Buzaid.

 

Apesar de não ser o tipo mais comum, o câncer de pulmão é o que mais provoca mortalidades, tanto no Brasil quanto em outros países. O oncologista William William, diretor médico de Oncologia Clínica e Hematologia do Centro Oncológico da BP e integrante do Comitê Científico do IVOC avisa que o tratamento para esse tumor está sofrendo uma grande revolução nos últimos cinco a dez anos, com uma maneira de tratar completamente diferente do que era há uma década. “Os pacientes estão vivendo com mais qualidade de vida, por maior tempo e aumentando as chances de cura”, avalia.

O médico afirma que um conceito bastante desenvolvido em câncer de pulmão é o da medicina personalizada. “Hoje entendemos esse tumor não como uma doença única, mas várias. Cada tumor tem um defeito em suas moléculas, que faz com que se torne mais ou menos agressivo. Aprendemos que se identificarmos esse tipo de alteração em cada paciente, podem ser usadas medicações que atuarão especificamente em cada uma dessas alterações. Se junto o medicamento correto para o paciente com alteração específica, tenho uma eficácia bastante grande. A isso chamamos terapia-alvo, a personalização do tratamento”, explica William, destacando que uma novidade no encontro da ASCO deste ano foi a identificação de algumas alterações moleculares mais raras, que adequadamente tratadas levam a um grande controle da doença. “São alterações que podem acontecer em 1% a 2% dos pacientes com câncer de pulmão”.

Uma das vantagens desses resultados, aponta, é que com tratamento eficaz da doença avançada, essas estratégias também começam a ser usadas em casos em que o tumor não está tão avançado. “Antigamente nós operávamos e eventualmente dávamos alguma quimioterapia preventiva depois, e o tratamento parava por aí. No congresso vimos que se operarmos, dermos a quimioterapia, identificarmos o alvo correto e fizermos a terapia-alvo no pós-operatório, aumentamos as chances de cura do paciente”.

William cita ainda outra importante novidade em câncer de pulmão, com relação à imunoterapia, que aumenta o sistema de defesa do organismo. “Vimos combinações de duas imunoterapias diferentes mais quimioterapia sendo muito eficazes. Essas estratégias estão sendo refinadas e suas combinações podem levar ao controle da doença por anos; o câncer de pulmão passa a ser uma doença crônica como diabetes ou pressão alta”.

Buzaid salienta que a imunoterapia para câncer de pulmão avançado está cada vez mais presente e demonstra sinais de eficácia, até mesmo de cura numa fração de pacientes seguidos vários anos.

Comentando as apresentações no congresso voltadas ao câncer de ovário, o mais perigoso dos tumores femininos, Fernando Maluf citou um estudo importante que avaliou, em pacientes com recidiva da doença, o papel de uma nova cirurgia, além da quimioterapia. “Um estudo europeu, com 407 pacientes, mostrou que além da quimioterapia de resgate, para quem a doença infelizmente voltou, uma cirurgia de resgate tem papel importantíssimo de aumentar a chance de sobrevida das pacientes. A cirurgia deve ser feita em grandes centros, com ótimos cirurgiões”.

O oncologista ressalta outra pesquisa importante, com um inibidor de PARP responsável por evitar que o tumor reconstitua seu DNA quando está sendo atacado. “O estudo foi feito somente em mulheres com mutação BRCA1 e 2, responsável por 20% dos tumores de ovário. Para esse grupo em que a doença voltou, após novo tratamento com quimioterapia, essa droga conseguiu manter a doença controlável em boa parte das pacientes, em comparação com o placebo”.

Um terceiro estudo sobre câncer de ovário trouxe uma droga com ação de cavalo de tróia – já usada em outros tumores – que se liga a um receptor da célula do tumor, liberando dentro dela uma substância bastante tóxica, que não poderia ser liberada no sangue; ela atua como inibidor, evitando que a célula tumoral se prolifere. A análise envolveu 60 pacientes com esse tumor que já tinham falhados múltiplos tratamentos. Maluf explica que a droga proveu resposta de até 64% em pacientes cujas chances de respostas para medicações normais eram abaixo de 10%.

Sobre câncer de intestino, o oncologista Fábio Kater admite que “fazia tempo que não tínhamos novidades que pudessem mudar nossa prática diária e esse ano tivemos, em especial no tumor mais importante do sistema digestivo e um dos mais frequentes da população”. O trabalho foi realizado com pacientes que têm uma marcação chamada instabilidade de microssatélite, defeito que faz com que o organismo reconheça de forma errada a célula maligna, presente em 4% a 5% desses pacientes. “Os pacientes de câncer colorretal com instabilidade de microssatélite têm uma resposta bastante diferente; tumores com esse defeito de reparo talvez respondam menos à quimioterapia”, destacou Kater. O estudo resolveu considerar a resposta inflamatória que essa alteração provoca e utilizar imunoterapia ao invés de quimioterapia – até então havia resultados com uso de imunoterápicos para pacientes com câncer metastático em que havia falhado o tratamento padrão de quimioterapia. O resultado indicou que a imunoterapia foi melhor que a quimio nesses casos, com demora maior para o retorno do tumor e maior chance de resposta. Kater avisa que ainda não é possível definir se haverá aumento na sobrevida, porque o trabalho não está maduro suficiente. “Podemos concluir que para pacientes com câncer de intestino avançado que têm a marca da instabilidade do microssatélite a imunoterapia é uma ótima opção como primeira abordagem do tratamento. Esse tratamento não invalida o uso de quimioterapia subsequente, se porventura o paciente não responder”.

O uso de terapia-alvo em câncer de intestino foi objeto de um estudo com pacientes com mutação BRAF dentro da célula tumoral, que cria um cenário menos responsivo aos tratamentos. “Sabíamos que para essa população o bloqueio de alguns alvos específicos, inclusive BRAF, proporciona respostas melhores do que a quimioterapia. Mas não sabíamos se isso poderia repercutir em um ganho de expectativa de vida dos pacientes”, diz Kater, acrescentando que acompanhamentos mais longos demonstraram que para tumores BRAF com falha de uma linha de tratamento prévio o bloqueio com drogas-alvo específicas, associadas ou não a uma terceira droga, era melhor do que o tratamento padrão de quimioterapia. Segundo o oncologista, como essa opção é mais efetiva e tem menos efeitos colaterais, deve se tornar a melhor escolha.

 

No canal do Vencer o Câncer no Youtube você encontra mais informações sobre o Encontro Anual da ASCO 2020.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Câncer na pandemia: FEMAMA aponta os aprendizados de 2020 que devemos ampliar em 2021

Equipe Oncoguia- Data de cadastro: 21/12/2020 - Data de atualização: 21/12/2020

 

Que 2020 foi um ano desafiador para toda população mundial, não é novidade. Mas pacientes com câncer tiveram algumas razões a mais para se preocupar. O câncer é uma doença que não espera, pode ter uma evolução rápida e o diagnóstico precoce é a melhor forma de combate – oferecendo até 95% de chance de cura. Então, como agir quando a principal recomendação das autoridades mundiais de saúde foi para ficar em casa?

 

A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) acompanhou de perto essa movimentação e compilou os principais desafios que esse ano tão difícil trouxe e pontos de atenção e cuidados que pacientes oncológicos devem ter em 2021.

 

Os duros ensinamentos de 2020

 

Logo no início de abril, pouco mais de um mês após o primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil, a Dra. Maira Caleffi, mastologista e presidente voluntária da FEMAMA, pontuou o impacto da pandemia no câncer: “Devemos procurar as melhores soluções locais, alinhadas às orientações do Ministério da Saúde, para garantir o atendimento aos casos urgentes e não deixar desassistidos os demais casos”, disse. Mas, já em maio, a entidade notou falta de compromisso do sistema de saúde com pacientes oncológicos e sua incapacidade de responder às demandas.

 

Sem direcionamentos claros, com trocas de ministros da saúde e uma gestão descoordenada, o que se viu foi o aumento de cancelamento de consultas e cirurgias agravando ainda mais a situação da oncologia no país. Em levantamento com sua rede de 70 ONGs associadas, a FEMAMA identificou que o cancelamento de consultas e cirurgias era a principal reclamação de quase 55% de pacientes. A principal dúvida, de mais de 74%, era justamente quando os tratamentos retornariam à normalidade.

 

Na época, Caleffi alertou: “Vamos ver um aumento significativo de casos de tumores palpáveis e tratamentos mais agressivos, com maior custo e morbidade. É uma necessidade urgente que se abram caminhos ‘livres de corona’ para que as pessoas encontrem ajuda e informações”. Os hospitais e unidades de saúde começaram a preparar, de fato, essas áreas.

 

Mas a preocupação das entidades e pacientes parecia não ser a mesma do Governo Federal. No fim de junho, já completávamos 45 dias sem um ministro da saúde, em plena pandemia – e que se estendeu para além de 120 dias – e a FEMAMA, junto a outras instituições, pediu publicamente atitudes do inerte órgão que é a autoridade máxima de saúde do país. A entidade também cobrou, formalmente, a falta de ação que já vinha ocorrendo desde 2019 com a Lei dos 30 Dias e a Lei de Notificação Compulsória do Câncer, tão importantes para pacientes oncológicos, mas que foi justificada, pelas autoridades, usando a pandemia. Não houve resposta satisfatória.

 

2020 nos mostrou quão deficitária está a atenção oncológica em todas as etapas da doença. Os pacientes não sabiam o que fazer ou a quem procurar para obter respostas sobre o câncer. Todo o sistema público se voltou para o coronavírus.

 

Cuidados com o câncer em 2021

 

Com o novo aumento de casos de covid-19, pode-se concluir que é uma situação que se arrastará por algum tempo, mesmo se a vacina começar a ser aplicada, já que somente alguns grupos serão preferenciais e nem toda população terá acesso.

 

As entidades do terceiro setor continuam exercendo seu papel de lutar pelos direitos de pacientes. Durante 2020, a FEMAMA intensificou seus canais de comunicação com os pacientes por meio de suas ONGs associadas e promoveu, além de seu fórum anual, diversas lives em seu canal, com temas que trataram de fatores de risco do câncer de mama a direitos de pacientes oncológicos. E são essas orientações que pautarão os cuidados que devemos manter e ampliar em 2021:

 

Manter as consultas com mastologista e oncologista: O diagnóstico precoce ainda é a melhor forma de lutar contra o câncer, já que para alguns tipos, como o câncer de mama, não há prevenção. Por isso, é importante o acompanhamento médico, seguindo também todos os novos protocolos sanitários;

 

Continuar o tratamento para o câncer: Quem já teve o diagnóstico, deve continuar com o tratamento, sempre tomando todos os cuidados, para que a doença não avance até um estágio em que haja menos possibilidade de cura ou que o tratamento seja mais agressivo.

 

Atualizar a caderneta de vacinação: Por ficarem mais vulneráveis a contrair infecções devido ao sistema imunológico mais frágil, é importante que pacientes oncológicos mantenham sua caderneta de vacinação atualizada. Para isso, com a prescrição médica, basta procurar os Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) de cada estado. A FEMAMA responde, em seu site, dúvidas sobre vacinas para pacientes com câncer.

 

Fazer as 3 perguntas que salvam: A campanha de Outubro Rosa da FEMAMA em 2020, propôs que homens e jovens se juntassem às mulheres e fizessem três perguntas que podem salvar as mulheres de sua vida. Incentivar quem se ama a se cuidar é uma prática diária que não deve ficar restrita ao mês de outubro. As três perguntas são:

 

Você tem observado suas mamas?

Você já marcou seus exames anuais?

Você conhece seus fatores de risco?

 

Assim como toda a população mundial, a FEMAMA espera que em 2021 todos possam fazer sua parte para que o ano seja mais leve, principalmente as autoridades de saúde brasileiras. E, com tudo que aconteceu, 2020 deixa algumas lições importantes para trilharmos esse caminho com menos obstáculos e mais conhecimento e solidariedade, especialmente para com pacientes oncológicos. O nosso normal mudou, mas o câncer, não

 

http://www.oncoguia.org.br/conteudo/cancer-na-pandemia-femama-aponta-os-aprendizados-de-2020-que-devemos-ampliar-em-2021/14111/7/

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Saiba o que existe de mais avançado no tratamento do câncer de mama

 

Conquistas mais recentes trazem medicamentos que agem diretamente na célula doente ou estimulam o sistema imune a atacar o câncer

https://noticias.r7.com/saude/saiba-o-que-existe-de-mais-avancado-no-tratamento-do-cancer-de-mama-31102020

 


Cada avanço no tratamento serve para um tipo específico de câncer de mama

Freepik

O câncer de mama não é uma doença única, existem diferentes tumores e, portanto, há tratamentos e avanços que contemplam um tipo específico dentre eles. As conquistas mais recentes são no âmbito da terapia-alvo, que age diretamente nas células cancerígenas sem afetar as que estão saudáveis e da imunoterapia, que estimula o próprio sistema imunológico a atacar o câncer.

Noam Ponde, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, afirma que no mês passado, durante o Congresso Europeu, houve um grande avanço, com a apresentação de uma pesquisa que mostrou a eficácia de um medicamento chamado abemaciclib para tratar pacientes com tumores luminais -que têm receptores de estrógeno e progesterona - na fase inicial, quando não há metástase.

Esse tipo de tumor corresponde a mais de 70% dos cânceres de mama, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

"Antes, eles eram usados só para pacientes com câncer metastático [quando o tumor já se espalhou para outras partes do corpo]. O estudo mostrou que quando esse remédio é usado por dois anos junto com a terapia endócrina aumenta a chance de cura para mulheres com alto risco de reaparecimento da doença", explica.

O especialista explica que esse medicamento faz parte dos chamados inibidores de ciclina, um tipo de terapia-alvo que impede a divisão e multiplicação das células cancerosas.

Ainda em 2019, foram obtidas conquistas para tratar mulheres com câncer metastático do tipo HER2. Assim chamado em referência à proteína que ele expressa, esse tumor representa 20% dos cânceres de mama.

"Tivemos a aprovação de três drogas nos Estados Unidos: neratinib, tucatinib e trastuzumab-deruxtecan. Os três são terapia-alvo, mas de catecorias distintas", detalha Ponde.

O oncologista esclarece que o útimo medicamento citado pertence à classe dos anticorpos monoclonais, que agem em um receptor específico da célula cancerígena, "É como um míssil teleguiado e joga dentro da célula a quimioterapia, então você consegue uma eficácia maior e toxicidade menor", compara.

"Estudos mostraram que pacientes que já haviam feito outros tratamentos e receberam essas drogas apresentaram uma diminuição do tumor e, além disso, a doença ficou sob controle por um tempo mais longo do que o esperado", destaca.

Também ano passado, o Brasil aprovou a primeira imunoterapia destinada para pacientes com câncer de mama no país, feita com um medicamento injetável chamado atezolizumabe.

O mecanismo de ação da imunoterapia consiste em "destravar" o sistema imune, que é bloqueado por alguns tipos de câncer. Essa liberação permite que as células de defesa do organismo reconheça e destrua o câncer, conforme descreve Ponde.

"O problema é que, com o fortalecimento do sistema imunológico, outras partes do corpo acabam sendo atacadas, como pulmão, pâncreas e glândula tireoide, então tem risco de hipotireoidismo", explica.

Além disso, a abrangência da imunoterapia para o câncer de mama é muito limitada: seu uso está aprovado por órgãos reguladores só para pacientes que possuem câncer de mama triplo-negativo (que não possuem receptores hormanais nem a proteína HER2), metastático e a expressão de uma molécula chamada PDL-1, que impede o combate às células cancerosas.

"Existem dados promissores [sobre a eficácia para outros tipos de cânceres de mama], mas precisa de aprovação do FDA [Food and Drug Administration, a agência reguladora americana], que significa muita coisa no contexto de novos tratamentos", frisa o oncologista.

'Brasil está atrasado'

Questionado sobre o panorama brasileiro para o tratamento dos tumores de mama, o especialista enfatiza o atraso - na aprovação, comercialização, incorporação de novos medicamentos no SUS (Sistema Único de Saúde) e obrigatoriedade de cobertura por convênios.

"Uma caixa de abemaciclib custa R$ 18 mil por mês e os planos de saúde não são obrigados a pagar. Imagine a angústia de você receber o diagnóstico, ter o tratamento disponível, mas não poder pagar. Só consegue se processar o convênio, o que é absurdo", ressalta

"Nesse momento está havendo uma consulta pública sobre a inclusão dos inibidores de ciclina no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde), o que tornaria a cobertura obrigatória", informa.

A inclusão no SUS está ainda mais distante e, por enquanto, não passa de uma utopia. "Nesse momento nem se pensa nisso. Esse ano o SUS integrou uma droga chamada pertuzumabe que as pessoas já tomam há 9 anos para tratar o tumor do tipo HER2", exemplifica.