quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ex-miss supera dois cânceres, transplante e infarto: 'Nasci, renasci e ressuscitei'

Aos 34 anos, vencedora do concurso de Campinas em 2004, Aline Wega conta que vive para cuidar do filho de 8 anos e ajudar as pessoas.




Por *Letícia Baptista, G1 Campinas e Região
08/04/2017 06h00  Atualizado há 2 horas

"Hoje eu não vivo mais pra mim, aquela Aline morreu". É assim que Aline Wega, vencedora do concurso de Miss Campinas em 2004, interpreta a vida após superar dois cânceres, um transplante de medula óssea e um infarto agudo do miocárdio. Mãe de Igor, de 8 anos, a ex-modelo acredita que está viva para cumprir a missão de transmitir às pessoas esperança e força de vontade para passar por dificuldades, além de cuidar do filho. "Nasci, renasci e ressuscitei", diz.

Depois de encarar a doença duas vezes, o transplante e o infarto, Aline agora pretende ter uma vida "igual a de todo mundo" e ajudar as pessoas. "Se estou viva é pra cuidar do meu filho, porque foi a única coisa que eu pedi pra Deus. Eu vivo para ele e para ajudar os outros", afirma a ex-miss.
"Os outros" a que Aline se refere, quer dizer todos aqueles que recebem suas mensagens de motivação, tanto nas redes sociais, quanto em palestras que realiza para difundir informações sobre transplante. "Eu percebo que cada palavra, cada coisinha que eu falo, serve de motivação para muitas pessoas", relata.



Aline Wega, miss Campinas 2004, superou dois cânceres, um transplante e infarto (Foto: Letícia Baptista/G1)

Atuais desafios
Aos 34 anos, a ex-miss se divide entre a maternidade, palestras e publicações motivacionais, trabalhos como design de interiores e outras atividades, como campanhas publicitárias e administração de imóveis. Com todas estas multíplas funções, Aline considera que isso pode ter sido uma das causas do infarto, sofrido em janeiro deste ano.

"Eu sou muito hiperativa, até no hospital eu to escrevendo, respondendo mensagem. Eu não paro. Meu corpo quer uma coisa e minha mente quer outra. Foram 2 cânceres, transplantes e tudo isso, mas eu quero ter uma vida igual de todo mundo. Eu acho que sou mais forte que o meu corpo e nisso eu acabo abusando um pouco", diz.

No entanto, o infarto não é a única dificuldade que enfrenta durante o desempenho de todas as atividades após superar os dois cânceres. A ex-modelo afirmou que, atualmente, o verdadeiro desafio é reconhecer o limite, por conta das consequências de cada dificuldade que ela passa no dia a dia.

"Os maiores desafios agora são as limitações, por causa das sequelas que vão ficando. Então é uma luta diária. Eu falo que não vivo, eu sobrevivo", conta.

As batalhas vencidas pela ex-modelo impressionaram até mesmo ela própria. Por isso, Aline considera que tem a missão de dar auxílios psicológicos e dividir a experiência que passou em palestras motivacionais. "Mexeu bastante comigo, porque é incrível [...] jovens que passam por isso é muito raro sobreviver. O que mexe mais com a minha cabeça é superar tudo isso, a resistência que tem o meu corpo. Eu tenho isso como uma missão, porque eu tenho que estar aqui, eu tenho que fazer alguma coisa", explica.

Tarefa de mãe
Sobre a tarefa de ser mãe, Aline ressalta que o mais importante na relação com o filho são os valores e princípios de vida. "O amor e os valores são os mais importantes. Eu falo pro Igor que não importa a profissão dele, o que ele quer ser. O mais importante é o que vem dos verdadeiros valores" ressalta.

Apesar de ver a mãe passar por todos os "apertos", o garoto não mediu esforços para enfrentar os obstáculos e se uniu mais ainda à ela. "O Igor foi um presente na minha vida. Ele é uma criança sensacional. É uma bondade, um amor no coração, e é isso que eu planto pra ele [...] Ele faz até palestras junto comigo [...] Sempre lembro ele de que a mamãe não vai estar aqui pra sempre", diz Aline.

"O amor e os valores são os mais importantes. A felicidade é amor, porque quando você coloca amor em tudo o que você faz, tudo fica mais bonito"
Aline Wega e o filho Igor, com apenas alguns meses de vida (Foto: Aline Wega/ Arquivo Pessoal )

Miss superação
O primeiro diagnóstico de câncer, um linfoma de Hodgkin, foi aos 23 anos, apenas dois após a conquista do título de miss. Com os tratamentos e a estabilidade da doença, Aline recebeu a surpreendente notícia de que seria mãe. "Eu engravidei dele depois do primeiro câncer. Os médicos falaram que minhas chances eram menos de 1%. Nove meses depois que eu terminei o tratamento, descobri que estava grávida", lembra.

Cinco anos após a primeira superação, Aline iniciou a luta contra uma leucemia. Nesta fase, a única chance de cura, constatada pelo médicos, foi com um transplante de medula óssea, após oito meses de campanha para encontrar um doador. A ex-miss demonstra gratidão por este episódio, e revela que foi uma grande motivação para um de seus trabalhos atuais.
"Eu falo que ele [o doador] plantou uma semente de esperança no meu coração, eu sei que o mundo não está perdido, existe amor ao próximo. Quando eu vi a bolsinha chegando eu fiquei tão feliz, que eu ajoelhei no chão e falei: eu vou entrar nessa causa até o fim da minha vida, porque eu quero que muitos pacientes tenham a mesma alegria que eu tive".

Aline com a medula de seu doador, no dia do transplante (Foto: Aline Wega/ Arquivo Pessoal)

Em 2015, o G1 conversou com a jovem sobre os desdobramentos dos cânceres até a conquista de um doador, fase que mudou os rumos de sua vida. Foi neste momento que Aline 'abraçou' a luta para ajudar as pessoas a conseguirem a cura da doença. Atualmente, ela é coordenadora regional e participa das campanhas do "Pró-Medula", grupo que cadastra doadores de medula óssea.

A ex-miss mantém também contato frequente com outros transplantados, principalmente por meio das redes sociais e de seu site. “A troca de experiências é fundamental. É importante manter essa chama acesa porque, às vezes, a gente esquece e reclama de alguma coisa”, conta.
*sob a supervisão de Marcello Carvalho

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O câncer de rim e o acesso a novos tratamentos para a doença

O câncer renal é um dos 10 tipos de tumor com mais ocorrência no mundo. A imunoterapia é uma das principais promessas no tratamento
http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/o-cancer-de-rim-e-o-acesso-a-novos-tratamentos-para-a-doenca/
Por Fernando Maluf
access_time17 abr 2017, 17h28 - Atualizado em 17 abr 2017, 17h31


Ilustração de câncer nos rins (IStock/Getty Images)
Embora a taxa de incidência do câncer renal não esteja entra as maiores, a doença é um dos 10 tipos de tumor com mais ocorrência no mundo, especialmente em pessoas mais velhas, a partir dos 64 anos de idade, sendo os homens o grupo com maior chance de desenvolvê-lo.

Características da doença
O principal fator de risco para o câncer de rim é o tabagismo. Os fumantes têm de duas a três vezes maior possibilidade de desenvolver a doença que os não fumantes. Nesta lista também estão a obesidade, os fatores hereditários, as síndromes genéticas e a hipertensão arterial.

A dificuldade em diagnosticá-la precocemente associada à falta de conhecimento da população, contribuem para que a doença se desenvolva silenciosamente e, portanto, seja identificada tardiamente. Poucos tumores malignos têm velocidade de crescimento tão variável quanto os de rim.
Há pacientes em que o câncer evolui de forma lenta durante anos, enquanto outros apresentam crescimento rápido e disseminação em poucos meses. Em muitos casos, pode ser fatal: aproximadamente 30% dos diagnósticos deste tipo de câncer são realizados em estágios avançados ou já em fase de metástase, quando o tumor se espalha para outras partes do corpo.
Novos tratamentos
Os dados são significativos e por isso o mês de março marca globalmente o período de conscientização sobre o câncer renal, com debates sobre o acesso ao diagnóstico e aos novos e modernos tratamentos. Uma das tendências, também para o câncer de rim, é a imunoterapia, opção para os casos avançados, em que os primeiros tratamentos já não fazem efeito.

No ano passado, no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia, vários estudos foram apresentados sobre esse tipo de medicamento, que desbloqueia o sistema imune do paciente e permite que os “guardas de defesa” do corpo (os linfócitos) ataquem o tumor de forma eficaz e impactante. Essa nova medicação começa a ser disponibilizada no Brasil, com expectativa de prolongamento da sobrevida com qualidade para o paciente. Aliás, formas mais antigas de imunoterapia, como a interleucina 2 em altas doses, podem curar em torno de 5% dos pacientes como parte do primeiro tratamento em pacientes com doença avançada.

Além da imunoterapia, medicamentos que bloqueiam a formação de vasos sanguíneos do tumor impedindo que nutrientes e oxigênio cheguem às células tumorais representam outro grande avanço e são associados a importantes reduções dos tumores e a respostas duradouras.
Prevenção

A oferta de novos e modernos medicamentos é fundamental para a saúde das pessoas, mas, no caso do câncer renal, a prevenção está em nossas mãos. Neste quesito, o mais elementar ato, o de nos alimentarmos, é o principal aliado quando pensamos no câncer renal, uma vez que o estilo de vida tem papel importante no desenvolvimento da doença. Além disso, a prática regular de atividade física e o abandono do tabagismo são hábitos que podemos controlar e, desta forma, minimizar a chance do seu surgimento.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Exercícios físicos: uma arma para enfrentar o câncer

Ao contrário do que se pensa, quem tem câncer pode e deve praticar atividades físicas. Isso traz inúmeros benefícios para a saúde e o tratamento
http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/exercicios-fisicos-uma-arma-para-enfrentar-o-cancer/
Por Paulo Hoff
31 mar 2017, 12h00


Adultos fazendo exercício (iStock/Getty Images)
Uma das perguntas mais frequentes no consultório é “o que posso fazer para ajudar a combater meu câncer?” A resposta nem sempre é simples, mas uma constante é o benefício de uma atividade física regular. Provavelmente, todo mundo já ouviu alguém dizer: “adoro a sensação depois que termino minha atividade física”, “tenho muito mais disposição”, “quando fico um dia sem exercícios, parece que meu corpo sente falta”. São frases comuns na boca de quem pratica exercícios físicos regularmente. O simples fato de colocar o corpo para se mexer e movimentar-se, libera endorfinas e traz bem estar.

Benefícios
Qualquer um pode praticar atividade física, de maior ou menor intensidade. E isso vale também para indivíduos que estão em algum tipo de tratamento de saúde, como é o caso do câncer. Ao contrário do que se pensa, quem tem câncer pode e deve praticar atividades físicas. Isso ajuda a ter um condicionamento melhor, aprimorando o sistema cardiovascular, mantém a capacidade respiratória e ajuda a manter a massa muscular. Além disso, melhora a flexibilidade, a força e previne a osteoporose. São, portanto, inúmeros os benefícios.

Respeitar limites
Obviamente, é preciso respeitar a capacidade e os limites de cada paciente ao longo do tratamento, e sempre se recomenda que o início seja monitorado por um profissional da área. Porém, algum nível de atividade física é segura e altamente benéfica mesmo durante a fase ativa de radioterapia e quimioterapia, por exemplo. É importante lembrar também que, na fase de recuperação do câncer, a prática constante de exercícios promove o aumento da entrada de oxigênio no corpo, favorecendo a recuperação e ajudando a “limpar o organismo”.
Os tratamentos oncológicos trazem consigo grandes mudanças nas vidas dos pacientes, mas apesar das dificuldades, ter uma atividade física prazerosa vai ajudar nessa caminhada, colaborando inclusive com a função imunológica do organismo, o que melhora a resistência para combater a doença. É benéfico também para os sintomas secundários, como fadiga, náuseas, dor e indisposição, muito comuns durante o tratamento, além de auxiliar no controle da depressão, do estresse e da ansiedade, que são comuns durante essa fase. Por mais paradoxal que possa parecer, um dos melhores remédios para o cansaço do tratamento é justamente a atividade física regular.
Os ganhos são imensos e é importante que as pessoas que têm câncer e enfrentam a doença, tenham isso claro. Muitas vezes, um dos melhores remédios é uma boa dose de atividade física, seja ela qual for.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Laudo encontra muitas impurezas em remédio chinês para leucemia infantil

Foram encontradas quase 400 impurezas, enquanto remédio alemão tem 3 contaminantes. Principal crítica é a falta de estudos clínicos do medicamento.


Há mais de um mês, o Fantástico vem mostrando a preocupação de especialistas com a compra, pelo Ministério da Saúde, de um remédio chinês para tratar um tipo de leucemia infantil. O Ministério comprou a Leuginase sem ter estudos que comprovassem a eficácia do medicamento. Agora, um laudo técnico, obtido pelo Fantástico, confirma o temor dos médicos.


São Paulo, 30 de março de 2017.
REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA

Compra do medicamento Leuginase

Foi realizada em caráter de urgência uma reunião na sede da SOBOPE para discussão da compra do medicamento LeugiNase da empresa Xetley S.A junto às sociedades SOBRAFO (Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia) e ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular). Este grupo solicita ao Ministério da Saúde às demandas abaixo:

1. Esclarecimento quanto ao registro do produto Asparaginase (LeugiNase) na Beijing Food and Drug Administration como categoria de droga “Chemical Drug” uma vez que, de acordo com a RDC Nº 55 de 2010 que normatiza os produtos biológicos a Asparaginase se enquadraria como produto biológico ;
2. Fornecimento de estudos clínicos fase III que comprovem a eficácia e segurança do produto registrado no país sob nº 2016R000549 em concordância com os critérios da evidência científica;
3. Fornecimento de laudo técnico contemplando a análise da atividade enzimática (atividade biológica), teor de impurezas e contaminantes, e imunogenicidade;
4. Em caso da não comprovação de eficácia e segurança do medicamento, solicitamos a análise da possibilidade do fornecimento do quantitativo de uma Asparaginase que atenda a demanda descrita no item 2 suficiente para atender as necessidades no tratamento das crianças e adultos diagnosticados com Leucemia e Linfoma.
5. Adequação da bula que acompanha o produto Leuginase em consonância com a legislação brasileira vigente (RDC nº 47 de 8 de setembro de 2009). SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

Reconhecemos o esforço do Ministério da Saúde em cumprir com as exigências regulamentadas pela RDC Nº 8 de 8 de fevereiro de 2014 porém em se tratando de um produto Biológico sentimos a necessidade de informações complementares para o uso com segurança.

Teresa Cristina Cardoso Fonseca Presidente da SOBOPE Belinda Pinto Simões Membro do Comitê de Leucemias da ABHH Annemeri Livinalli Diretora de Comunicação da SOBRAFO


Centro Infantil Boldrini abre petição para suspensão da distribuição do medicamento LeugiNase

Medicamento distribuído para o tratamento da leucemia linfoide aguda ainda não teve sua eficácia e segurança comprovadas O Centro Infantil Boldrini, maior referência da América Latina no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue, abriu nesta quarta-feira (12/04) uma petição online para suspensão do fornecimento do medicamento LeugiNase, produzido pelo laboratório Beijing SL Pharmaceutical, representado pela empresa Xetley S.A., medicamento este importado pelo Ministério da Saúde e distribuído para hospitais brasileiros, que tratam a leucemia linfoide aguda. A importação do novo remédio despertou preocupação entre especialistas, uma vez que o medicamento não tem eficácia comprovada por estudos clínicos publicados em revistas técnicocientíficas indexadas e não teve seus estudos sobre toxicidades devidamente apresentados. A LeugiNase é registrada na China, todavia não é comercializada no próprio país fabricante. O objetivo da petição é mobilizar a população, pais de pacientes, profissionais da saúde e a comunidade médica para que o governo viabilize e facilite o processo de importação de outra Asparaginase, que tenha sua eficácia e segurança já comprovadas. Para assinar a petição, acesse o link abaixo:


https://secure.avaaz.org/po/petition/Governo_Federal_Camara_dos_Deputad os_Federais_Importem_o_medicamento_Asparaginase_para_leucemia_com_e ficacia_comprovada/?pv=0

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fosfoetanolamina, a ‘pílula do câncer’, não é eficaz, diz estudo

Nota do Vida com Câncer: parece que afinal vão colocar um ponto final no charlatanismo desse pesquisador da USP. 
Devido à ausência de 'benefícios clínicos significativos' nas pesquisas realizadas, o Icesp decidiu suspender os testes com a fosfoetanolamina sintética
Por Da redação
access_time31 mar 2017, 12h00 - Atualizado em 3 abr 2017, 12h52
http://veja.abril.com.br/noticias-sobre/cancer/


O Icesp decidiu cancelar os testes com a fostoetanolamina sintética após 58, dos 59 pacientes tratados com a substância não apresentarem benefícios significativos. (Ivan Pacheco/VEJA.com)
fosfoetanolamina sintética, que ficou conhecida como pílula do câncernão é eficaz para o tratamento de tumores. É o que revelam os resultados da segunda fase do estudo clínico realizado pelo Instituto do Câncer de São Paulo, o Icesp, divulgados nesta sexta-feira. Devido à ausência de “benefícios clínicos significativos”, o instituto decidiu suspender os testes com a substância.

Estudo
Os testes em humanos tiveram início em julho do ano passado, após forte pressão popular. A primeira etapa da pesquisa clínica avaliou a toxicidade da fosfoetanolamina. Os resultados mostraram que o produto não apresentava risco de efeitos adversos graves.
Nesta segunda etapa, o objetivo era comprovar a eficácia da substância. O plano era incluir 20 participantes em cada um dos dez grupos de tumores – cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado -, totalizando 210 pessoas em acompanhamento. Estatisticamente, a substância teria efeito se pelo menos três pacientes de cada subgrupo apresentassem uma redução de 30% do tumor. Não foi o que ocorreu.
Resultados aquém do esperado
Até o momento, 72 pacientes, de dez diferentes grupos de tumores, foram tratados com a fosfoetanolamina. Destes, 59 foram reavaliados e 58 não apresentaram resposta objetiva, de acordo com os médicos. Apenas um indivíduo, com melanoma, apresentou resposta ao tratamento.
O grupo de câncer colorretal foi o primeiro a completar a inclusão de todos os pacientes previstos nesta fase, e foi encerrado, pois nenhum paciente apresentou resposta objetiva ao tratamento. Nos últimos oito meses os pacientes passaram por avaliações periódicas, com retornos entre 15 e 30 dias, para a realização de consultas médicas e exames, dentre eles a avaliação da doença por tomografia, o que permite acompanhar de perto a evolução do câncer em relação ao uso da “pílula do câncer”.
Pesquisa suspensa
Como os resultados de reavaliação estão sendo  muito inferiores ao desejável, em todos os grupos, a inclusão de novos pacientes está suspensa. O protocolo será reavaliado antes de qualquer continuidade, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Os pacientes envolvidos no projeto vão continuar em tratamento no Icesp normalmente, com acompanhamento da equipe de oncologia.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Unicamp revela poder da atemoia em prevenir câncer e outras doenças


Segundo pesquisa feita em Campinas, fruta doce pode atuar na prevenção.
Alimento ainda é antioxidante e contém compostos anti-inflamatórios.
Do G1 Campinas e Região

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, em Campinas (SP), descobriu que a atemoia, uma fruta híbrida, que é produzida a partir do cruzamento entre a fruta-do-conde (Annona Squamosa, L.) e a cherimoia (Annona cherimola), tem alto poder de antioxidantes e compostos anti-inflamatórios, que previnem doenças como o câncer, aterosclerose, inflamações, artrite e artrose.

Os pesquisadores analisaram a fruta desidratada e o estudo revelou que a polpa tem tanto potássio quanto a banana. Segundo a Unicamp, a ingestão de 300 gramas é o mesmo que consumir 20% do potássio diário de que os seres humanos precisam.

Ômegas 3 e 6
A semente tem ácidos graxos, ômegas 3 e 6, nutrientes encontrados em alimentos como o azeite.

“Eles diminuem o colesterol ruim, sem alterar o colesterol bom, e acabam prevenindo algumas doenças cardiovasculares”, destaca a pesquisadora Maria Rosa de Moraes.
Durante a pesquisa, os profissionais da FEA descobriram que a casca é a que contém mais nutrientes que fazem bem para a saúde. Ela possui dez vezes mais nutrientes do que a polpa. Os chamados compostos bioativos podem ser usados na indústria farmacêutica, de cosméticos e alimentícia.      

A atemoia é pouco conhecida e a principal forma de consumo é in natura. Mas, a fruta, considerada cara, pode ser consumida na forma de suco, geleias, compotas e purês. Ela é muito doce, suculenta e contém poucos caroços.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cientistas brasileiros participam de desafio para descobrir fatores ambientais relacionados ao câncer

Inca, A.C.Camargo e Hospital do Câncer de Barretos fazem parte de grupo internacional que recebeu 20 milhões de libras da organização Cancer Research UK.



Por Mariana Lenharo, G1
15/02/2017
No ano passado, a organização Cancer Research UK selecionou sete grandes desafios a serem superados em relação ao câncer no mundo, em uma iniciativa chamada Grand Challenge. Nesta semana, a entidade britânica anunciou a escolha de quatro grupos de pesquisadores que se lançarão numa grande corrida científica para resolver esses problemas pelos próximos cinco anos. Cada equipe receberá um prêmio de 20 milhões de libras para conduzir a pesquisa.

Instituições brasileiras fazem parte de um dos grupos selecionados: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) , o Hospital de Câncer de Barretos e o A.C. Camargo Cancer Center trabalharão no projeto “identificando causas do câncer que podem ser prevenidas”.

Já se sabe que tabaco, álcool, HPV e exposição excessiva à luz solar, por exemplo, aumentam o risco de câncer: essas são algumas causas de câncer passíveis de prevenção já conhecidas. Esses agentes cancerígenos danificam o DNA das células, levando a mutações que seguem padrões distintos de acordo com cada agente. Ou seja, a célula do câncer que é associado à exposição solar tem um perfil mutacional diferente da célula do câncer associado ao tabaco.

Atualmente, cientistas já identificaram cerca de 50 perfis mutacionais associados ao câncer. O problema é que eles não sabem quais fatores externos causam a metade dessas mutações. O objetivo do projeto é justamente identificar quais fatores ambientais e comportamentais estão levando a esses perfis mutacionais que, por enquanto, têm causas desconhecidas.

O projeto que envolve as três instituições brasileiras é liderado pelo cientista Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute, instituição focada no estudo do genoma para a melhora da saúde humana.

5 mil pacientes
Para atingir seu objetivo, o estudo fará o sequenciamento do DNA dos tumores de 5 mil pacientes com câncer de pâncreas, rim, esôfago e intestino de todos os cinco continentes. Além disso, os pacientes responderão a questionários epidemiológicos, que abordarão hábitos alimentares, se viveram em áreas com exposição a carcinógenos, se já foram contaminados por algum vírus, entre outras questões.

No Brasil, 900 pacientes serão recrutados e terão amostras e informações coletadas por A.C Camargo Cancer Center, Hospital de Câncer de Barretos e Inca.

A cientista Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisa do A.C.Camargo, explica que os tumores avaliados pelo estudo têm incidência diferente em locais diferentes do planeta. “Quando se tem um tumor com esse perfil, entende-se que há alguma coisa naquele local associada com o aumento ou a diminuição de risco. Entende-se que podem haver causas genéticas na população e também fatores ambientais de cada uma das regiões”, afirma.

"Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer"
Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute

Associando-se a análise genética à análise de hábitos e fatores externos aos quais os pacientes são expostos, os cientistas esperam ligar cada perfil mutacional à sua respectiva causa. "O principal objetivo de nosso Grand Challenge é entender as causas do câncer. Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer", afirmou Mike Stratton em comunicado.

Vilma observa que a principal meta do estudo é possibilitar novas formas de prevenção, mas que, dependendo dos resultados, também podem surgir pesquisas que resultem em novos tratamentos para a doença.

Os sete desafios selecionados pela Cancer Research UK são:
  
1.            Desenvolvimento de vacinas para prevenir cânceres não relacionados a vírus
2.            Erradicar cânceres relacionados ao vírus Epstein-Barr do mundo
3.            Descobrir como perfis mutacionais incomuns são induzidos por diferentes eventos relacionados ao câncer
4.            Fazer a distinção entre cânceres letais que precisam de tratamento e cânceres não-letais que não precisam
5.            Descobrir um modo de mapear tumores em nível molecular e celular
6.            Desenvolver métodos que tenham como alvo o gene Myc, que é mutado na maioria dos cânceres humanos
7.            Descobrir como liberar macromoléculas biologicamente ativas em qualquer célula do corpo humano para tratar o câncer de forma efetiva

8.         A pesquisa do qual o Brasil faz parte se enquadra principalmente no desafio 3. As outras três equipes de pesquisa selecionadas para receberem os 20 milhões de libras focarão em criar mapas de realidade virtual de tumores; desenvolver estratégias para evitar tratamentos de câncer de mama desnecessários e estudar o metabolismo do tumor a partir de diversos ângulos.