quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tratamento atóxico poderá reduzir a quimioterapia contra o câncer

Pesquisadores espanhóis estão testando o uso de de nanocápsulas inteligentes para o tratamento do câncer de pulmão
Por Da Redação
access_time23 mar 2017, 23h40


Eva Martín del Valle, professora de engenharia química e coordenadora do projeto, o tratamento em estudo poderá reduzir a toxicidade dos medicamentos convencionais. (Hemera/Thinkstock/VEJA/VEJA)
Um novo tratamento atóxico pode ser uma alternativa à quimioterapia no combate ao câncer, de acordo com pesquisadores da Universidade de Salamanca, na Espanha. O estudo tem como base o uso de nanocápsulas inteligentes capazes de reconhecer células cancerosas agindo diretamente sobre elas, especificamente em casos de câncer de pulmão.

 “O que estamos tentando é abolir a dependência do paciente que passa duas horas em uma sala, submetido a tratamento, enquanto está recebendo a quimioterapia”, disse Eva Martín del Valle, professora de engenharia química e coordenadora do projeto, em comunicado publicado nesta quarta-feira.

experimento in vitro consiste no desenvolvimento de um inalador aerossol que funcione de forma convencional, sem gerar reações adversas ao entrar em contato com o tecido pulmonar.

Segundo Eva, a técnica em estudo promete dar maior autonomia ao paciente em relação à administração do ciclo convencional dos medicamentos. O objetivo do experimento é diminuir a quantidade de fármacos reduzindo a toxicidade e melhorando seus efeitos. “80% do fármaco administrado não é utilizado, mas tem que ser metabolizado ou expulso pelo organismo”. A pesquisadora calculou, ainda, que em até dois anos os testes poderão ser realizados em ratos.

Câncer em impressões 3D
Por enquanto, para garantir a aprovação do uso deste tratamento, a equipe espanhola tem desenvolvido espécies de “tumores” utilizando impressoras 3D em compartimentos que permitem o crescimento das células tumorais de forma estruturada, para que os resultados sejam mais próximos da realidade e demonstrem maior segurança antes de começarem os testes em animais. “Sempre há um salto extremamente grande entre os testes in vitro em comparação com a experimentação in vivo. Não há nada no meio. E é aí que estamos, tentando desenvolver tumores em três dimensões, para ver como crescem e validar o que estamos desenvolvendo”, concluiu a cientista.
(Com EFE)


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Hereditariedade do câncer de mama: o papel de Paul Broca

Há mais de 100 anos, Paul Broca, um dos maiores gênios da medicina, concluiu que o câncer de mama pode ter um caráter hereditário
 Por Bernardo Garicochea  abr 2017, 

Pierre-Paul Broca foi um dos maiores gênios da medicina. Entre outras descobertas, ele concluiu que o câncer de mama tem caráter hereditário. (SSPL/Getty Images)

A foto, tirada por volta de 1880 pelo retratista mais ilustre de Paris, Nadar, é uma obra-prima. O senhor que nos olha apresenta costeletas desgrenhadas e volumosas e cabelo muito ralo, disposto de forma bizarra no alto da cabeça, tornando a fronte ainda mais proeminente, o que acentua um olhar agudo, irrequieto: obviamente trata-se de um homem de movimento, possivelmente inundado de ideias enquanto aguardava irritadiçamente o lento processo de impressão na placa de prata dos primórdios da fotografia e, bem com pouco tempo, para perder com asseio pessoal.
Paul Broca, um dos maiores gênios da medicina, foi imortalizado com esta foto antes de morrer prematuramente, aos 56 anos. Uma vida curta, mas absolutamente fascinante. Ele é parte dos poucos membros de nossa espécie que são incondicionalmente aclamados como gênios durante a vida e que a fama só fez crescer na posteridade. Ele fez contribuições fundamentais para a neurologia (descobriu a área da fala, no cérebro), oncologia, psicologia, patologia e teve tempo e energia para fundar a Sociedade Francesa de Antropologia.
Talvez se não fosse um cérebro tão disciplinado e privilegiado para observar padrões na natureza, destes que passam à nossa frente despercebidos todos os dias, a descoberta que o câncer de mama tem uma forte relação com hereditariedade tivesse que esperar mais um século. E ele fez esta descoberta motivado por uma história bem desagradável.
Caso familiar
A sua esposa estava morrendo de câncer de mama aos 36 anos, em 1866, quando ele publicou um trabalho científico em que demonstrava que em seis gerações da família da esposa, 15 em 30 mulheres morreram de câncer de mama e quatro de câncer de fígado. É uma das árvores genealógicas mais extensas de câncer descritas até o início do século XX. E nos conta muitas histórias.
Uma delas está testemunhada nas cartas de Broca a colegas do Hospital Bicetre, em Paris, descrevendo o sofrimento excruciante da esposa, em uma época sem analgésicos minimamente decentes, e em que centros cirúrgicos lembravam mais sucursais de açougues – a anestesia tinha sido inventada poucas décadas antes e ainda engatinhava na metade do século XIX. Sem quimioterapia, sem radioterapia, sem hormonioterapia.
Qualquer unidade de saúde no Brasil hoje, por mais precária ou remota que seja, fornece medicina infinitamente melhor do que as pessoas mais ricas ou famosas, da cidade mais importante do mundo poderiam receber em 1866. Não surpreende que o personagem de Woody Allen abandona relutantemente seus heróis, os grandes artistas que viviam em Paris nos anos 1920, para retornar ao seu tempo, no século XXI, que ele tanto despreza pela vulgaridade, pois é impensável viver sem antibióticos e anestesia dentária.
Broca, ao perceber que familiares da esposa se referiam com alguma insistência a outros casos semelhantes de câncer de mama em parentes jovens, coletou meticulosamente estas informações: tipos de câncer, graus de parentesco, idade. E, descontando a grande quantidade de pessoas que morriam na infância ou juventude, coisa comum na época, percebeu que a proporção de casos de câncer de mama nesta família era assombrosa. Além disso, havia uma clara transmissão direta entre estes familiares para seus descendentes. Ele concluiu o seu trabalho afirmando que câncer de mama era uma doença com transmissão familiar, o que ele chamou de atavismo (o termo hereditário ainda não era utilizado).
Felizmente, casos como os da esposa de Broca são muito raros, mesmo hoje em dia, em que se vive muito mais e que os diagnósticos são muito mais confiáveis. Mas a conclusão dele segue incontestável.
Hereditariedade é rara
Do que sabemos hoje, em cerca de 10% dos casos de câncer de mama há a presença de genes doentes que podem ser transmitidos entre gerações, tanto pelo pai como pela mãe. Há um número bem maior de casos em que a hereditariedade é mais sutil e complexa, portanto, menos previsível. No nosso estágio de conhecimento atual, já conseguimos identificar com muita precisão a vasta maioria destes genes de câncer de mama (e são vários, acredite) por meio de um exame feito no sangue ou na saliva. Encontrado o gene defeituoso, pode-se estimar que outros tipos de câncer esta família corre mais risco de apresentar.

O risco pode ser reduzido
Pode-se também descobrir quais são exatamente as pessoas da família que têm o mesmo gene defeituoso e – aí vem a melhor parte – o que fazer para proteger estes portadores. No caso de câncer de mama, mesmo pessoas com mutações muito graves, como a da esposa de Paul Broca, conseguem reduzir seu risco de câncer de mama de 90% para 5% a 10%. Claro, com o bônus de que quase todos estes poucos tumores serão descobertos em etapas tão iniciais, que virtualmente todas as pacientes que seguirem estas medidas de prevenção vão se curar.
É um paradoxo: mulheres que sabem que têm genes para câncer de mama passam a ter muito menos chance de morrer de câncer de mama do que qualquer mulher da população geral que não tem genes para câncer.

A capacidade analítica de Broca, mesmo no auge da angústia da perda que experimentava, nos iluminou, mais de 100 anos depois, para que produzíssemos conhecimento suficiente que resultou em prevenção e cura. E a esposa de Paul Broca, sabendo da sua ancestralidade para câncer, teria feito seu teste genético e teria sido protegida do desfecho triste desta história, muito provavelmente.

terça-feira, 6 de junho de 2017

É possível preservar a fertilidade após o câncer?

A infertilidade é um dos principais efeitos colaterais do tratamento do câncer, mas técnicas modernas já permitem a preservação da vida reprodutiva
http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/e-possivel-preservar-a-fertilidade-apos-o-cancer/
Por Edson Borges

Fertilidade (iStock/Getty Images)
câncer é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, responsável pelo óbito de mais de 8,8 milhões de pessoas no ano de 2015. O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado todo 8 de abril por iniciativa da Organização Mundial da Saúde, foi criado para atrair a atenção da população mundial para o aumento no índice de câncer no mundo e também as ações de prevenção e combate à doença.

Tratamentos e efeitos colaterais
A ciência avança na cura de diferentes tipos de câncer, propiciando a sobrevivência a longo termo para diversos pacientes. De fato, tratamentos quimioterápicos e radioterápicos têm permitido taxas de sobrevivência de aproximadamente 80% entre crianças e adolescentes.
A meditação sobre os tratamentos e sobrevida deve incluir a qualidade de vida e, assim, a possibilidade do paciente se tornar pai ou mãe, acomodando-se aos desejos de fundar uma família, próprios da natureza humana. Dessa maneira, chama a atenção a questão da preservação da fertilidade, pois efeito colateral sabido dos tratamentos do câncer é a infertilidade.
Um estudo publicado há alguns anos pelo nosso grupo (Int Braz J Urol. 2009) constatou que 86,9% dos pacientes com câncer tinham preocupação com a fertilidade futura e a criopreservação de seu gametas os deixava mais confortáveis para enfrentar a doença e o tratamento.
Há esperança
Técnicas e estratégias para preservação da fertilidade vêm sendo estudadas e desenvolvidas, sendo que o método mais seguro e eficaz hoje é o congelamento de espermatozoides, óvulos ou embriões, anteriormente à terapia gonadotóxica.
criopreservação de espermatozoides é simples e pode ser feita imediatamente antes do início da terapêutica oncológica. No caso de óvulos e embriões, o congelamento requer estímulo medicamentoso dos ovários, procedimento que pode levar de três a seis semanas, o que nem sempre é possível. Quando possível, as estratégias incluem regimes de estímulo ovariano modificados para prevenir o potencial efeito deletério das altas concentrações hormonais.
Quando não é possível esperar o estímulo ou preservar os espermatozoides antes do tratamento, a alternativa é o congelamento do tecido ovariano ou testicular, técnica também adequada para preservação da fertilidade no delicado caso de crianças e pré-adolescentes. O tecido ovariano é uma fonte de gametas, que podem ser criopreservados e, após o final do tratamento oncológico, a paciente tem possibilidade de reestabelecer os ciclos reprodutivos.
O congelamento de pequenas partes do ovário humano é ainda um grande desafio da medicina, pela complexidade das células envolvidas. Porém, avanços nessa área e estudos têm permitido o desenvolvimento de diversas técnicas de preservação da fertilidade, trazendo a possibilidade de maternidade antes impensada.
Aproveitando a data e a atenção mundial, fica o alerta: pacientes com diagnóstico de câncer devem ser informados a respeito da possível perda da fertilidade e, principalmente, das opções para sua manutenção, esperança de paternidade futura que auxilia, sem dúvida, no tratamento da doença.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Campanha sobre câncer debate censura de mamilos femininos

Na campanha, no lugar dos mamilos, bocas cantam para celebrar essa importante parte do corpo e a importância de examiná-los regularmente
Por Redação AdNews
access_time24 abr 2017, 14h11


Campanha de alerta sobre o câncer: ação não é a primeira que a agência confronta a polêmica que rodeia seios, mais precisamente mamilos de mulheres (Foto/Reprodução)
A campanha “Todos amam peitos” alerta sobre a necessidade do autoexame periódico abordando a censura dos seios femininos nas redes sociais.

No lugar dos mamilos, bocas cantam para celebrar essa importante parte do corpo e a importância de examiná-los regularmente. A ação é da agência David, feita para a ONG argentina Macma, com produção de Landia.
Não é a primeira vez que a agência confronta a polêmica que rodeia seios, mais precisamente mamilos de mulheres. Inclusive ela já venceu o Grand Prix for Good em Cannes no passado, com a campanha #ManBoobs4Boobs, que mostra uma mulher fazendo toda a apalpação nos peitos de um homem, medida simples, mas que evita qualquer tipo de censura nas redes sociais. David também levou para casa mais dois Leões de Ouro na categoria Health & Wellness.
Este conteúdo foi originalmente publicado no site da AdNews.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ex-miss supera dois cânceres, transplante e infarto: 'Nasci, renasci e ressuscitei'

Aos 34 anos, vencedora do concurso de Campinas em 2004, Aline Wega conta que vive para cuidar do filho de 8 anos e ajudar as pessoas.




Por *Letícia Baptista, G1 Campinas e Região
08/04/2017 06h00  Atualizado há 2 horas

"Hoje eu não vivo mais pra mim, aquela Aline morreu". É assim que Aline Wega, vencedora do concurso de Miss Campinas em 2004, interpreta a vida após superar dois cânceres, um transplante de medula óssea e um infarto agudo do miocárdio. Mãe de Igor, de 8 anos, a ex-modelo acredita que está viva para cumprir a missão de transmitir às pessoas esperança e força de vontade para passar por dificuldades, além de cuidar do filho. "Nasci, renasci e ressuscitei", diz.

Depois de encarar a doença duas vezes, o transplante e o infarto, Aline agora pretende ter uma vida "igual a de todo mundo" e ajudar as pessoas. "Se estou viva é pra cuidar do meu filho, porque foi a única coisa que eu pedi pra Deus. Eu vivo para ele e para ajudar os outros", afirma a ex-miss.
"Os outros" a que Aline se refere, quer dizer todos aqueles que recebem suas mensagens de motivação, tanto nas redes sociais, quanto em palestras que realiza para difundir informações sobre transplante. "Eu percebo que cada palavra, cada coisinha que eu falo, serve de motivação para muitas pessoas", relata.



Aline Wega, miss Campinas 2004, superou dois cânceres, um transplante e infarto (Foto: Letícia Baptista/G1)

Atuais desafios
Aos 34 anos, a ex-miss se divide entre a maternidade, palestras e publicações motivacionais, trabalhos como design de interiores e outras atividades, como campanhas publicitárias e administração de imóveis. Com todas estas multíplas funções, Aline considera que isso pode ter sido uma das causas do infarto, sofrido em janeiro deste ano.

"Eu sou muito hiperativa, até no hospital eu to escrevendo, respondendo mensagem. Eu não paro. Meu corpo quer uma coisa e minha mente quer outra. Foram 2 cânceres, transplantes e tudo isso, mas eu quero ter uma vida igual de todo mundo. Eu acho que sou mais forte que o meu corpo e nisso eu acabo abusando um pouco", diz.

No entanto, o infarto não é a única dificuldade que enfrenta durante o desempenho de todas as atividades após superar os dois cânceres. A ex-modelo afirmou que, atualmente, o verdadeiro desafio é reconhecer o limite, por conta das consequências de cada dificuldade que ela passa no dia a dia.

"Os maiores desafios agora são as limitações, por causa das sequelas que vão ficando. Então é uma luta diária. Eu falo que não vivo, eu sobrevivo", conta.

As batalhas vencidas pela ex-modelo impressionaram até mesmo ela própria. Por isso, Aline considera que tem a missão de dar auxílios psicológicos e dividir a experiência que passou em palestras motivacionais. "Mexeu bastante comigo, porque é incrível [...] jovens que passam por isso é muito raro sobreviver. O que mexe mais com a minha cabeça é superar tudo isso, a resistência que tem o meu corpo. Eu tenho isso como uma missão, porque eu tenho que estar aqui, eu tenho que fazer alguma coisa", explica.

Tarefa de mãe
Sobre a tarefa de ser mãe, Aline ressalta que o mais importante na relação com o filho são os valores e princípios de vida. "O amor e os valores são os mais importantes. Eu falo pro Igor que não importa a profissão dele, o que ele quer ser. O mais importante é o que vem dos verdadeiros valores" ressalta.

Apesar de ver a mãe passar por todos os "apertos", o garoto não mediu esforços para enfrentar os obstáculos e se uniu mais ainda à ela. "O Igor foi um presente na minha vida. Ele é uma criança sensacional. É uma bondade, um amor no coração, e é isso que eu planto pra ele [...] Ele faz até palestras junto comigo [...] Sempre lembro ele de que a mamãe não vai estar aqui pra sempre", diz Aline.

"O amor e os valores são os mais importantes. A felicidade é amor, porque quando você coloca amor em tudo o que você faz, tudo fica mais bonito"
Aline Wega e o filho Igor, com apenas alguns meses de vida (Foto: Aline Wega/ Arquivo Pessoal )

Miss superação
O primeiro diagnóstico de câncer, um linfoma de Hodgkin, foi aos 23 anos, apenas dois após a conquista do título de miss. Com os tratamentos e a estabilidade da doença, Aline recebeu a surpreendente notícia de que seria mãe. "Eu engravidei dele depois do primeiro câncer. Os médicos falaram que minhas chances eram menos de 1%. Nove meses depois que eu terminei o tratamento, descobri que estava grávida", lembra.

Cinco anos após a primeira superação, Aline iniciou a luta contra uma leucemia. Nesta fase, a única chance de cura, constatada pelo médicos, foi com um transplante de medula óssea, após oito meses de campanha para encontrar um doador. A ex-miss demonstra gratidão por este episódio, e revela que foi uma grande motivação para um de seus trabalhos atuais.
"Eu falo que ele [o doador] plantou uma semente de esperança no meu coração, eu sei que o mundo não está perdido, existe amor ao próximo. Quando eu vi a bolsinha chegando eu fiquei tão feliz, que eu ajoelhei no chão e falei: eu vou entrar nessa causa até o fim da minha vida, porque eu quero que muitos pacientes tenham a mesma alegria que eu tive".

Aline com a medula de seu doador, no dia do transplante (Foto: Aline Wega/ Arquivo Pessoal)

Em 2015, o G1 conversou com a jovem sobre os desdobramentos dos cânceres até a conquista de um doador, fase que mudou os rumos de sua vida. Foi neste momento que Aline 'abraçou' a luta para ajudar as pessoas a conseguirem a cura da doença. Atualmente, ela é coordenadora regional e participa das campanhas do "Pró-Medula", grupo que cadastra doadores de medula óssea.

A ex-miss mantém também contato frequente com outros transplantados, principalmente por meio das redes sociais e de seu site. “A troca de experiências é fundamental. É importante manter essa chama acesa porque, às vezes, a gente esquece e reclama de alguma coisa”, conta.
*sob a supervisão de Marcello Carvalho

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O câncer de rim e o acesso a novos tratamentos para a doença

O câncer renal é um dos 10 tipos de tumor com mais ocorrência no mundo. A imunoterapia é uma das principais promessas no tratamento
http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/o-cancer-de-rim-e-o-acesso-a-novos-tratamentos-para-a-doenca/
Por Fernando Maluf
access_time17 abr 2017, 17h28 - Atualizado em 17 abr 2017, 17h31


Ilustração de câncer nos rins (IStock/Getty Images)
Embora a taxa de incidência do câncer renal não esteja entra as maiores, a doença é um dos 10 tipos de tumor com mais ocorrência no mundo, especialmente em pessoas mais velhas, a partir dos 64 anos de idade, sendo os homens o grupo com maior chance de desenvolvê-lo.

Características da doença
O principal fator de risco para o câncer de rim é o tabagismo. Os fumantes têm de duas a três vezes maior possibilidade de desenvolver a doença que os não fumantes. Nesta lista também estão a obesidade, os fatores hereditários, as síndromes genéticas e a hipertensão arterial.

A dificuldade em diagnosticá-la precocemente associada à falta de conhecimento da população, contribuem para que a doença se desenvolva silenciosamente e, portanto, seja identificada tardiamente. Poucos tumores malignos têm velocidade de crescimento tão variável quanto os de rim.
Há pacientes em que o câncer evolui de forma lenta durante anos, enquanto outros apresentam crescimento rápido e disseminação em poucos meses. Em muitos casos, pode ser fatal: aproximadamente 30% dos diagnósticos deste tipo de câncer são realizados em estágios avançados ou já em fase de metástase, quando o tumor se espalha para outras partes do corpo.
Novos tratamentos
Os dados são significativos e por isso o mês de março marca globalmente o período de conscientização sobre o câncer renal, com debates sobre o acesso ao diagnóstico e aos novos e modernos tratamentos. Uma das tendências, também para o câncer de rim, é a imunoterapia, opção para os casos avançados, em que os primeiros tratamentos já não fazem efeito.

No ano passado, no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia, vários estudos foram apresentados sobre esse tipo de medicamento, que desbloqueia o sistema imune do paciente e permite que os “guardas de defesa” do corpo (os linfócitos) ataquem o tumor de forma eficaz e impactante. Essa nova medicação começa a ser disponibilizada no Brasil, com expectativa de prolongamento da sobrevida com qualidade para o paciente. Aliás, formas mais antigas de imunoterapia, como a interleucina 2 em altas doses, podem curar em torno de 5% dos pacientes como parte do primeiro tratamento em pacientes com doença avançada.

Além da imunoterapia, medicamentos que bloqueiam a formação de vasos sanguíneos do tumor impedindo que nutrientes e oxigênio cheguem às células tumorais representam outro grande avanço e são associados a importantes reduções dos tumores e a respostas duradouras.
Prevenção

A oferta de novos e modernos medicamentos é fundamental para a saúde das pessoas, mas, no caso do câncer renal, a prevenção está em nossas mãos. Neste quesito, o mais elementar ato, o de nos alimentarmos, é o principal aliado quando pensamos no câncer renal, uma vez que o estilo de vida tem papel importante no desenvolvimento da doença. Além disso, a prática regular de atividade física e o abandono do tabagismo são hábitos que podemos controlar e, desta forma, minimizar a chance do seu surgimento.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Exercícios físicos: uma arma para enfrentar o câncer

Ao contrário do que se pensa, quem tem câncer pode e deve praticar atividades físicas. Isso traz inúmeros benefícios para a saúde e o tratamento
http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/exercicios-fisicos-uma-arma-para-enfrentar-o-cancer/
Por Paulo Hoff
31 mar 2017, 12h00


Adultos fazendo exercício (iStock/Getty Images)
Uma das perguntas mais frequentes no consultório é “o que posso fazer para ajudar a combater meu câncer?” A resposta nem sempre é simples, mas uma constante é o benefício de uma atividade física regular. Provavelmente, todo mundo já ouviu alguém dizer: “adoro a sensação depois que termino minha atividade física”, “tenho muito mais disposição”, “quando fico um dia sem exercícios, parece que meu corpo sente falta”. São frases comuns na boca de quem pratica exercícios físicos regularmente. O simples fato de colocar o corpo para se mexer e movimentar-se, libera endorfinas e traz bem estar.

Benefícios
Qualquer um pode praticar atividade física, de maior ou menor intensidade. E isso vale também para indivíduos que estão em algum tipo de tratamento de saúde, como é o caso do câncer. Ao contrário do que se pensa, quem tem câncer pode e deve praticar atividades físicas. Isso ajuda a ter um condicionamento melhor, aprimorando o sistema cardiovascular, mantém a capacidade respiratória e ajuda a manter a massa muscular. Além disso, melhora a flexibilidade, a força e previne a osteoporose. São, portanto, inúmeros os benefícios.

Respeitar limites
Obviamente, é preciso respeitar a capacidade e os limites de cada paciente ao longo do tratamento, e sempre se recomenda que o início seja monitorado por um profissional da área. Porém, algum nível de atividade física é segura e altamente benéfica mesmo durante a fase ativa de radioterapia e quimioterapia, por exemplo. É importante lembrar também que, na fase de recuperação do câncer, a prática constante de exercícios promove o aumento da entrada de oxigênio no corpo, favorecendo a recuperação e ajudando a “limpar o organismo”.
Os tratamentos oncológicos trazem consigo grandes mudanças nas vidas dos pacientes, mas apesar das dificuldades, ter uma atividade física prazerosa vai ajudar nessa caminhada, colaborando inclusive com a função imunológica do organismo, o que melhora a resistência para combater a doença. É benéfico também para os sintomas secundários, como fadiga, náuseas, dor e indisposição, muito comuns durante o tratamento, além de auxiliar no controle da depressão, do estresse e da ansiedade, que são comuns durante essa fase. Por mais paradoxal que possa parecer, um dos melhores remédios para o cansaço do tratamento é justamente a atividade física regular.
Os ganhos são imensos e é importante que as pessoas que têm câncer e enfrentam a doença, tenham isso claro. Muitas vezes, um dos melhores remédios é uma boa dose de atividade física, seja ela qual for.