segunda-feira, 24 de abril de 2017

Unicamp revela poder da atemoia em prevenir câncer e outras doenças


Segundo pesquisa feita em Campinas, fruta doce pode atuar na prevenção.
Alimento ainda é antioxidante e contém compostos anti-inflamatórios.
Do G1 Campinas e Região

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, em Campinas (SP), descobriu que a atemoia, uma fruta híbrida, que é produzida a partir do cruzamento entre a fruta-do-conde (Annona Squamosa, L.) e a cherimoia (Annona cherimola), tem alto poder de antioxidantes e compostos anti-inflamatórios, que previnem doenças como o câncer, aterosclerose, inflamações, artrite e artrose.

Os pesquisadores analisaram a fruta desidratada e o estudo revelou que a polpa tem tanto potássio quanto a banana. Segundo a Unicamp, a ingestão de 300 gramas é o mesmo que consumir 20% do potássio diário de que os seres humanos precisam.

Ômegas 3 e 6
A semente tem ácidos graxos, ômegas 3 e 6, nutrientes encontrados em alimentos como o azeite.

“Eles diminuem o colesterol ruim, sem alterar o colesterol bom, e acabam prevenindo algumas doenças cardiovasculares”, destaca a pesquisadora Maria Rosa de Moraes.
Durante a pesquisa, os profissionais da FEA descobriram que a casca é a que contém mais nutrientes que fazem bem para a saúde. Ela possui dez vezes mais nutrientes do que a polpa. Os chamados compostos bioativos podem ser usados na indústria farmacêutica, de cosméticos e alimentícia.      

A atemoia é pouco conhecida e a principal forma de consumo é in natura. Mas, a fruta, considerada cara, pode ser consumida na forma de suco, geleias, compotas e purês. Ela é muito doce, suculenta e contém poucos caroços.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cientistas brasileiros participam de desafio para descobrir fatores ambientais relacionados ao câncer

Inca, A.C.Camargo e Hospital do Câncer de Barretos fazem parte de grupo internacional que recebeu 20 milhões de libras da organização Cancer Research UK.



Por Mariana Lenharo, G1
15/02/2017
No ano passado, a organização Cancer Research UK selecionou sete grandes desafios a serem superados em relação ao câncer no mundo, em uma iniciativa chamada Grand Challenge. Nesta semana, a entidade britânica anunciou a escolha de quatro grupos de pesquisadores que se lançarão numa grande corrida científica para resolver esses problemas pelos próximos cinco anos. Cada equipe receberá um prêmio de 20 milhões de libras para conduzir a pesquisa.

Instituições brasileiras fazem parte de um dos grupos selecionados: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) , o Hospital de Câncer de Barretos e o A.C. Camargo Cancer Center trabalharão no projeto “identificando causas do câncer que podem ser prevenidas”.

Já se sabe que tabaco, álcool, HPV e exposição excessiva à luz solar, por exemplo, aumentam o risco de câncer: essas são algumas causas de câncer passíveis de prevenção já conhecidas. Esses agentes cancerígenos danificam o DNA das células, levando a mutações que seguem padrões distintos de acordo com cada agente. Ou seja, a célula do câncer que é associado à exposição solar tem um perfil mutacional diferente da célula do câncer associado ao tabaco.

Atualmente, cientistas já identificaram cerca de 50 perfis mutacionais associados ao câncer. O problema é que eles não sabem quais fatores externos causam a metade dessas mutações. O objetivo do projeto é justamente identificar quais fatores ambientais e comportamentais estão levando a esses perfis mutacionais que, por enquanto, têm causas desconhecidas.

O projeto que envolve as três instituições brasileiras é liderado pelo cientista Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute, instituição focada no estudo do genoma para a melhora da saúde humana.

5 mil pacientes
Para atingir seu objetivo, o estudo fará o sequenciamento do DNA dos tumores de 5 mil pacientes com câncer de pâncreas, rim, esôfago e intestino de todos os cinco continentes. Além disso, os pacientes responderão a questionários epidemiológicos, que abordarão hábitos alimentares, se viveram em áreas com exposição a carcinógenos, se já foram contaminados por algum vírus, entre outras questões.

No Brasil, 900 pacientes serão recrutados e terão amostras e informações coletadas por A.C Camargo Cancer Center, Hospital de Câncer de Barretos e Inca.

A cientista Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisa do A.C.Camargo, explica que os tumores avaliados pelo estudo têm incidência diferente em locais diferentes do planeta. “Quando se tem um tumor com esse perfil, entende-se que há alguma coisa naquele local associada com o aumento ou a diminuição de risco. Entende-se que podem haver causas genéticas na população e também fatores ambientais de cada uma das regiões”, afirma.

"Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer"
Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute

Associando-se a análise genética à análise de hábitos e fatores externos aos quais os pacientes são expostos, os cientistas esperam ligar cada perfil mutacional à sua respectiva causa. "O principal objetivo de nosso Grand Challenge é entender as causas do câncer. Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer", afirmou Mike Stratton em comunicado.

Vilma observa que a principal meta do estudo é possibilitar novas formas de prevenção, mas que, dependendo dos resultados, também podem surgir pesquisas que resultem em novos tratamentos para a doença.

Os sete desafios selecionados pela Cancer Research UK são:
  
1.            Desenvolvimento de vacinas para prevenir cânceres não relacionados a vírus
2.            Erradicar cânceres relacionados ao vírus Epstein-Barr do mundo
3.            Descobrir como perfis mutacionais incomuns são induzidos por diferentes eventos relacionados ao câncer
4.            Fazer a distinção entre cânceres letais que precisam de tratamento e cânceres não-letais que não precisam
5.            Descobrir um modo de mapear tumores em nível molecular e celular
6.            Desenvolver métodos que tenham como alvo o gene Myc, que é mutado na maioria dos cânceres humanos
7.            Descobrir como liberar macromoléculas biologicamente ativas em qualquer célula do corpo humano para tratar o câncer de forma efetiva

8.         A pesquisa do qual o Brasil faz parte se enquadra principalmente no desafio 3. As outras três equipes de pesquisa selecionadas para receberem os 20 milhões de libras focarão em criar mapas de realidade virtual de tumores; desenvolver estratégias para evitar tratamentos de câncer de mama desnecessários e estudar o metabolismo do tumor a partir de diversos ângulos.
   

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A evolução do câncer de mama e as terapias mais assertivas


Como a ciência tem evoluído para proporcionar os melhores tratamentos às pacientes

Assim como uma mulher nunca é igual a outra, por mais parecida que seja aos nossos olhos, o câncer de mama não é uma doença única. Com a evolução da oncologia, sabemos hoje que existem diferentes subtipos de câncer de mama que se comportam de maneiras distintas, com prognósticos e tratamentos diversos.

O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre as mulheres em todo mundo. Para este ano, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), serão 57.960 novos casos.  A incidência do câncer de mama é ainda crescente no Brasil por dois motivos: o envelhecimento da nossa população e o desenvolvimento de novas técnicas diagnósticas. Em contra partida, enquanto em países desenvolvidos como os EUA a mortalidade por câncer de mama vem caindo ao longo dos anos, devido aos novos tratamentos e ao diagnóstico precoce, no Brasil, pelo acesso restrito a saúde, a mortalidade ainda vem aumentando.

O mais importante no tratamento do câncer de mama hoje é a abordagem multidisciplinar e individualizada para cada paciente. Antes de programar o melhor tratamento, o oncologista deve avaliar qual é o subtipo molecular de câncer de mama daquela paciente, pois somente assim poderá saber se determinado remédio ou procedimento será eficaz em combater a doença. “Esse momento é crucial para termos sucesso no combate a doença, tanto no tratamento curativo, que é a maioria dos casos, quanto no controle da doença avançada, que possibilita a paciente não só viver mais, mas também viver melhor. O entendimento da biologia tumoral e das novas terapias alvo são fundamentais para obter sucesso, e é isso que vai orientar a escolha do tratamento de forma individual para cada caso.”, diz a doutora Maíra Tavares, Oncologista do Grupo da Oncologia Mamária da Clínica AMO - Assistência Multidisciplinar em Oncologia.

A quimioterapia, tratamento mais conhecido e mais temido contra o câncer, pode não ser a opção mais assertiva para todas as pacientes. “No câncer de mama metastático receptor hormonal positivo, por exemplo, o principal tratamento é a hormonioterapia, que  é uma terapia alvo muito eficiente, em forma de comprimidos e com poucos efeitos colaterais”, afirma a especialista.

A heterogeneidade tumoral tem testado a ciência a todo tempo. A genética vem sendo a maior aliada dos pacientes com câncer, já que identificando as mutações responsáveis pelo crescimento tumoral, ela possibilita o desenvolvimento de novas drogas direcionadas. “A avaliação do DNA tumoral hoje já pode ser feita até por uma amostra de sangue do paciente com câncer metastático, é o que chamamos de "biopsia líquida". Através desta técnica, podemos avaliar quais as mutações presentes naquele tumor e qual a melhor terapia disponível para aquela alteração.”, conclui Dra. Maira.




terça-feira, 4 de abril de 2017

Após 'retorno' de câncer, jovem de 22 anos se casa em hospital no DF

Estudante foi diagnosticada com leucemia pela segunda vez e, logo em seguida, recebeu o pedido de casamento. Agora, casal aguarda novo doador e sonha com lua de mel no Chile.


Por Wellington Hanna*, G1 DF
28/01/2017 09h50  Atualizado há 40 minutos

Após diagnóstico de câncer, jovem de 22 anos se casa em hospital no DF

Um intervalo de apenas três dias separou os piores e os melhores momentos da vida da universitária Nathália Freire, de 22 anos. No dia 18 de janeiro, a jovem ouviu do médico que a leucemia, "curada" seis meses antes, havia retornado. No dia 21, em uma cerimônia improvisada, Nathália se casou no quarto do hospital particular no Lago Sul, em Brasília

"O que tinha tudo para ser uma singela união, ficou uma cerimônia muito bonita por conta do nosso amor", disse ao G1 o marido, Junior Oliveira. A entrevista foi dada nesta sexta (27), enquanto Nathália passava por uma sessão de quimioterapia no quarto ao lado.

Oliveira diz que o pedido de casamento veio à cabeça imediatamente, assim que o casal descobriu que teria de enfrentar a luta contra o câncer pela segunda vez. A leucemia atinge os glóbulos brancos do sangue, e faz com que eles percam a capacidade de defender o organismo.

"Tive medo de não ter outra oportunidade. A gente não sabe o dia de amanhã. Então, não pensei duas vezes e fiz o pedido. Assim, de última hora"

Os preparativos para a cerimônia foram rápidos, e foram cumpridos em meio ao turbilhão do retorno ao tratamento. Júnior conta que tudo foi feito sem muito planejamento, "mas com muito amor".

"Eu planejava que iríamos nos casar daqui a um ano, ou dois. Então, foi tudo de repente. Corri para comprar o vestido, a aliança, achar o pastor, fazer a decoração."

Com o apoio da equipe do hospital Daher, um quarto foi especialmente decorado para a cerimônia dos dois. No sábado à tarde, acompanhada de dez testemunhas – entre amigos próximos e familiares – e vestida com um longo vestido branco e com uma coroa de flores, Nathália Freire se casou com Junior Oliveira. "Nos tornamos um só", diz ele.

Luta antiga

O diagnóstico recebido no dia 18 por Nathália representa o "segundo episódio" da batalha contra a leucemia. Em julho de 2016, após seis meses de tratamentos agressivos, a jovem ouviu dos médicos que estava "sem sinais" da doença. Um transplante de medula que ela recebeu da irmã, que era 100% compatível, ajudou na recuperação.

"Na época, pensamos que tinha dado tudo certo. Que eu estava livre. Mas o médico viu meus exames alterados e constatou que o câncer voltou."

O médico de Nathália, Rafael Vasconcellos, conta que as chances de a doença retornar após um transplante desse tipo são relativamente baixas. “A leucemia costuma aparecer de novo em apenas 30% dos casos. Geralmente, em casos muito mais agressivos. Agora, a Nathália precisa de outro doador”, diz o médico

Juntos há nove anos, o casal diz manter a fé recuperação de Nathália, e já faz planos para celebrar a união recente. “Nosso sonho é comemorar a lua de mel no Chile”, diz Júnior.

Cadastro de doadores
A medula óssea é uma estrutura que fica dentro dos ossos do corpo, responsável pela produção das células do sangue e das células de defesa. Ela abriga um tipo específico de células-tronco, similar ao do cordão umbilical, que pode ajudar na produção do sangue.

No Brasil, mais de 4 milhões de pessoas estão cadastradas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando um paciente precisa desse tipo de transplante, os dados são cruzados com todas essas amostras em busca da maior compatibilidade.

Para "entrar" no Redome, o voluntário precisa ter de 18 a 55 anos de idade, bom estado de saúde, e não ter doença infecciosa ou histórico de câncer. Outras condições são avaliadas caso a caso. A inscrição é simples, e requer apenas uma amostra de 10 ml de sangue.

Quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador voluntário será comunicado e poderá decidir quanto à doação. Exames adicionais são feitos para confirmar a viabilidade do procedimento.

Após se casar em hospital no DF, jovem com câncer pede doação de medula

Doação
Diferentemente dos transplantes de coração e pulmão, a doação de medula óssea não envolve uma cirurgia. Apesar de mais simples, o procedimento também é feito em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação mínima de 24 horas.

Durante o procedimento cirúrgico, o médico faz várias punções com uma seringa, e retira parte da medula óssea estocada na bacia do doador. A operação dura cerca de 90 minutos, e pode gerar dor localizada por alguns dias. Neste caso, o uso de analgésicos pode amenizar o desconforto.

Há um segundo método de retirada, menos invasivo, chamado "aférese". Neste caso, o doador toma medicação por cinco dias para ampliar a circulação de células-tronco no corpo. Em seguida, uma máquina "filtra" o sangue e retira esse material, que será doado. O procedimento não requer internação e nem anestesia, mas a escolha do método deve ser feita pelos médicos assistentes.

Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana, e a medula óssea se recompõe em cerca de 15 dias. No receptor, a medula é injetada pela veia, como se fosse uma transfusão de sangue.

*sob supervisão de Helena Martinho

terça-feira, 28 de março de 2017

Programa ajuda mulheres diagnosticadas com câncer a congelar óvulos

Projeto pode subsidiar custos do processo em até 100%. Congelamento é alternativa para risco de infertilidade com tratamento


Da Redação - Publicado: 23/01/2017 - Atualizado: 17/02/2017
http://ladoaladopelavida.org.br/portal/noticia/programa-ajuda-mulheres-diagnosticadas-com-cancer-a-congelar-ovulos


Além de todos os dilemas que envolvem o tratamento até a cura do câncer, uma das preocupações das mulheres é saber se poderão engravidar após o processo. A preocupação surge principalmente porque alguns tratamentos podem afetar a fertilidade feminina.

Para garantir mais tranquilidade para as mulheres, surge um programa social que oferece uma importante alternativa às pacientes que sonham em ser mães e se deparam com um diagnóstico de câncer. A Ferring Pharmaceuticals lança, em parceria com o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), Huntington e Idea Fértil o Programa Proteger, que permitirá a mulheres diagnosticadas com câncer congelar os óvulos com custo subsidiado em até 100%.

Pelo projeto social as mulheres que passarão por tratamento de câncer podem receber gratuitamente o medicamento Menopur (gonadotrofina), usado na indução de ovulação para congelamento de óvulos. Com a estimulação é possível coletar um maior número de óvulos rapidamente, possibilitando que logo se comece o tratamento

Para viabilizar o projeto, a Ferring estabeleceu parcerias com três renomadas clínicas de reprodução assistida: Instituto Idea Fértil de Saúde Reprodutiva, que têm à frente o ginecologista Caio Parente; o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), dirigido por Arnaldo Cambiaghi, ginecologista obstetra e especialista em reprodução humana; e com a Huntington Medicina Reprodutiva, coordenada pelo Dr. Maurício Barbour Chehin.

Para participar do programa, as mulheres devem conversar com seu oncologista antes de começar o tratamento e com o laudo de autorização do profissional em mãos, inscrever-se em uma das clínicas parceiras e avisar que quer fazer a preservação da fertilidade pelo Programa Proteger.


Ferring lança programa social sem precedentes no Brasil

Equipe Oncoguia - Data de cadastro: 07/12/2016 - Data de atualização: 07/12/2016
A incidência de câncer em mulheres em idade fértil tem crescido, segundo dados do Ministério da Saúde1. Esse fenômeno fez aumentar a preocupação de especialistas com a fertilidade das mulheres. Afinal, embora o assunto ainda não seja amplamente divulgado, tratamentos oncológicos como quimioterapia e/ou radioterapia podem comprometer a fertilidade, como um efeito colateral. Ou até mesmo indiretamente, quando o tratamento causa atrasos na reprodução e permitem o declínio natural da fertilidade.

Ciente dessa nova realidade, a Ferring Pharmaceuticals acaba de lançar, em parceria com o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), Huntington e Idea Fértil, o Programa Proteger. Trata-se de um projeto social que permitirá às mulheres que venham a se submeter a um tratamento oncológico, receber gratuitamente o medicamento Menopur (gonadotrofina), o mais utilizado na indução de ovulação para congelamento dos óvulos. A estimulação contribuiu para a coleta de um número maior de óvulos e de forma rápida, permitindo o início da conduta oncológica em poucos dias.

Uma eventual diminuição na fertilidade em um tratamento oncológico ainda é um assunto pouco debatido. O congelamento dos óvulos é a opção mais indicada para as pacientes que pretendem ser mães. Por ser um procedimento de alto custo, torna-se inacessível para algumas mulheres. "O Proteger é uma retribuição à sociedade e chega para mudar esse cenário. É uma iniciativa da Ferring não só no Brasil como em outros países onde atua. Demonstra nosso compromisso com a sociedade e com o paciente”, afirmou Alexandre Seraphim, gerente geral da Ferring.

Para auxiliar as mulheres neste sonho, a Ferring estabeleceu parceria com três renomadas clínicas de reprodução assistida: Instituto Idea Fértil de Saúde Reprodutiva, que têm à frente o ginecologista Caio Parente; o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO) dirigida por Arnaldo Cambiaghi, ginecologista obstetra e especialista em reprodução humana; e com a Huntington Medicina Reprodutiva, coordenada pelo Dr. Maurício Barbour Chehin. Aliadas à Ferring, elas atuarão para promover e facilitar o acesso à preservação da fertilidade.

Aquelas que desejarem participar do programa Proteger devem conversar com seu oncologista antes de iniciar o tratamento e solicitar autorização para o tratamento de indução da ovulação. Com o laudo do oncologista, a paciente deve se inscrever em um dos três parceiros.

O programa consiste em: consulta médica com especialista em reprodução humana, realização de exames, indução da ovulação com medicamentos, coleta dos óvulos, congelamento e preservação em laboratório.

Todas as clinicas parceiras priorizarão o atendimento das pacientes que estão no programa. Segundo o coordenador médico da Huntington, Dr. Maurício Barbour Chehin a iniciativa é excelente. ”Felizmente, pela primeira vez, vemos um programa como esse no Brasil. Essas ações vão certamente aumentar e facilitar o acesso para mulheres com diagnóstico de câncer. Para muitas, o impacto da notícia da infertilidade é mais traumatizante do que o próprio câncer. Esse tratamento oferece a oportunidade de, ao alcançarem a cura, realizar o sonho de ser mãe fertilizando um óvulo”, detalhou.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 596 mil novos casos de câncer no Brasil no ano de 2016, sendo 300.870 destes diagnósticos entre as mulheres, o que evidencia a importância desse tipo de iniciativa.

Referências

Datasus
Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Incidência de câncer no Brasil. Disponível no site do INCA.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Quase metade dos pacientes com câncer tem a quimioterapia interrompida no estado do Rio

Débora Cristina Bezerra recebe o carinho dos pais após uma sessão de quimioterapia Foto: Guilherme Pinto / EXTRA
Flávia Junqueira e Geraldo Ribeiro
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 A última sessão de quimioterapia de Débora Cristina Bezerra França no Hospital Mario Kröeff, na Penha, foi na terça-feira. Até a tarde de ontem, ela ficou na cama. Antes, não havia sentido tanto cansaço e dor. A medicação fora trocada após a inicial ter acabado na unidade, informaram para a manicure de 34 anos. A interrupção do tratamento por desabastecimento acontece em 42% dos 19 hospitais que tratam câncer no Rio — na maioria deles, de forma contumaz. Como o EXTRA vem mostrando na série “Um Estado terminal”, essas unidades foram avaliadas, entre outubro e novembro do ano passado, pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj).
Os números da pesquisa refletem a dor de quem precisa lutar por um tratamento tão agressivo como a quimioterapia. E isso acontece com 46% dos pacientes com câncer que dependem do SUS no Rio.
— Tudo o que eu mais quero é acabar logo com a quimioterapia. É muito agressiva. Dos 12 ciclos, fiz cinco. Desde que caí no Sisreg (Sistema de Regulação), demorei a encontrar vaga no hospital e fazer exames, como ressonância e tomografia. O tempo, para a gente que está sofrendo, é muito grande. Um dia é como uma eternidade — diz Débora.


Simone Mattos Brandão, de 45 anos, teve a quimioterapia interrompida duas vezes por falta de medicação, no Hospital Federal de Bonsucesso Foto: Flávia Junqueira / EXTRA

Simone Mattos, de 45 anos, começou a quimioterapia em 2 de maio, no Hospital Federal de Bonsucesso:
— Na terceira sessão, não tinha remédio. Isso aconteceu outras duas vezes.
A dona de casa teve o diagnóstico de câncer de mama confirmado, em abril do ano passado, no Hospital Federal de Bonsucesso.
— É angustiante, porque você sabe que depende da quimioterapia para ter uma chance de ficar viva. Em novembro, faltavam duas sessões para terminar a quimioterapia e eu ser operada. Então, a médica decidiu que eu faria as duas sessões no mesmo mês, para não correr o risco de faltar. Não podia mais adiar a cirurgia, que foi feita em 18 de janeiro — conta Simone.
A falta de medicação e de estrutura nas salas de quimioterapia ambulatorial também atrasa o início do tratamento. Paciente do Mario Kröeff, Suely Martins Paes, de 57 anos, só fez a primeira sessão cinco meses depois da cirurgia na mama.
Segundo a oncologista Sabrina Chagas, o benefício da quimioterapia curativa ocorre até oito a 12 semanas após a cirurgia para a maioria dos cânceres:
— Depois, perde-se a qualidade do tratamento. Não sabemos seu real benefício.




O Ministério da Saúde informou ontem que os hospitais de Bonsucesso, Andaraí e Servidores estão recebendo apoio de outras unidades federais para a realização de quimioterapia e exames em pacientes com câncer, enquanto aguardam a entrega de medicamentos já comprados. Além disso, está em andamento a contratação de três oncologistas para o Bonsucesso.
A diretora técnica do Mario Kröeff, Cátia Helena Fernandes, informou que está tentando aparelhar e reestruturar a unidade. Para ela, os problemas ocorrem por falhas no SUS, que dispõe de uma pequena oferta de alguns exames, trabalha com uma tabela para contratação de serviços com valores defasados há mais de 30 anos e submete os doentes a uma fila única.

Confira a nota do Ministério da Saúde na íntegra:
Os hospitais federais de Bonsucesso (HFB), do Andaraí (HFA) e dos Servidores do Estado (HFSE) estão contando com o apoio do restante da rede do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, em especial do Instituto Nacional de Câncer (Inca), para a realização de sessões de quimioterapia e exames em pacientes oncológicos, além do fornecimento de medicamentos já empenhados que ainda não chegaram dos fornecedores. Paralelamente, estão acelerando o máximo possível a entrega desses medicamentos. A contratação de mais três oncologistas para o HFB também já teve início.
Os hospitais do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro ampliaram em até 25% de 2015 para 2016 o atendimento oncológico (consultas a pacientes com câncer e sessões de quimioterapia), além dos atendimentos a pacientes com câncer que chegam direto nas emergências. O protocolo de atendimento do Inca passa a ser utilizado em todos esses hospitais. É resultado da redefinição do perfil assistencial e cirúrgico que deve ampliar ainda mais os serviços de tratamento do câncer, uma demanda crescente entre a população do estado.
Além de oferecer serviços do SUS em seis hospitais e três institutos federais, o Ministério da Saúde ampliou em 12% os recursos para tratamentos oncológicos (cirurgias, radioterapias e quimioterapias), passando de R$ 141,5 milhões para R$ 159,5 milhões de 2010 a 2016, no estado do Rio de Janeiro. Cabe ressaltar que o SUS oferece atendimento integral (diagnóstico e tratamento) e gratuito para todos os tipos de câncer. Entre os tratamentos estão cirurgias oncológicas, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e cuidados paliativos.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Defensoria pede inquérito para investigar descaso em tratamento oncológico


Segundo Cremerj, 19 hospitais estão com falta de remédios, equipamentos e até de profissionais especializados na área

14/03/2017 14:54:50
O DIA

Rio - Pacientes oncológicos que precisam receber tratamento contra o câncer encontram falta de remédios, equipamentos e até de profissionais em 19 hospitais do Rio. A informação foi divulgada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj) na manhã desta terça-feira. Ainda de acordo com os dados, os exames e tratamentos, que por lei devem começar em até 60 dias, estão levando até 4 meses para ter início. A Defensoria Pública da União (DPU) também acompanhou as vistorias do órgão e pediu a abertura de um inquérito para investigar a omissão das unidades.

De acordo com o presidente do Cremerj, Nelson Nahon, o Hospital Geral de Bonsucesso, na Zona Norte, é a unidade hospitalar em pior situação. No local não existem remédios básicos para o tratamento do câncer, como morfina. "Estamos perdendo o tempo ideal para o tratamento, acabando com a chance de cura e comprometendo a qualidade de vida do paciente", afirmou. Segundo Nahon, os pacientes que são tratados no Hospital Geral de Bonsucesso, por conta dos problemas, terão apenas 30% de cura.

Segundo o promotor Daniel Macedo, a DPU vai pedir à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a omissão dessas unidades e de seus gestores pelos crimes exposição da vida ou saúde de terceiros em perigo. Ele também encaminhou ofício ao Ministério Público para que se investigue a improbidade administrativa nos hospitais federais de Bonsucesso, Andaraí, na Zona Norte, Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

"Os recursos recebidos por esses hospitais seriam perto do ideal se eles tivessem uma gestão qualificada. Mas o que a gente percebe é que há indícios de fraude licitatória na aquisição de medicamentos quimioterápicos". Além de uma investigação pelo MP, a defensoria pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) "faça uma varredura nas licitações" dos hospitais federais do Estado.


Reportagem do estagiário Rafael Nascimento