terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Como contar a uma criança que ela tem câncer

Organizações de apoio a pacientes da doença aconselham pais a transmitir mensagens aos filhos de forma clara e direta.

Por BBC
28/11/2016 07h40  

Recentemente, o cantor canadense Michael Bublé e sua mulher, a atriz argentina Luisana Lopilato, anunciaram que o filho de três anos foi diagnosticado com câncer.

O filho do cantor canadense Michael Bublé foi diagnosticado com câncer e está passando por tratamento nos EUA (Foto: Associated Press)

"Estamos arrasados pelo recente diagnóstico de câncer de nosso filho mais velho, Noah, que está em tratamento nos Estados Unidos. Luisana e eu vamos dedicar todo nosso tempo e atenção a ele e ajudar Noah a melhorar", informou o cantor, em um comunicado.

Muitos outros pais pelo mundo passam por situações parecidas - e não sabem como contar aos filhos que eles estão doentes.

Se alguém inserir na busca do Google em português a pergunta "Como digo ao meu filho que ele tem câncer?", são obtidos 412 mil resultados, que vão desde guias de instituições médicas especializadas, exemplos de outras famílias, a artigos de revistas médicas.

Apesar da variedade de respostas, os especialistas afirmam que o importante nesta hora é transmitir a mensagem de forma simples. Um exemplo: alguns artigos científicos e até médicos usam palavras diferentes, se referem ao câncer como "tumor".

A importância das palavras
Mas a enfermeira pediátrica Helen Lythgoe, da organização beneficente britânica Macmillan Cancer Support, que realiza pesquisas e oferece apoio a pacientes com câncer, diz que usar termos diferentes podem confundir a criança.

Para a Lythgoe, o melhor é que os pais usem palavras com as quais se sentem confortáveis.

Geralmente é melhor usar a palavra câncer e ser claro sobre o que ela significa, já que a criança pode ouvi-la em um contexto diferente e ficar com medo.

Lythgoe aconselha os pais a não ter medo de falar com os filhos sobre o que está acontecendo, mas, devido às emoções que podem aparecer quando já se conhece um diagnóstico grave, é preciso planejar bem o que dizer.

"As crianças são muito práticas. Uma vez que saibam o que está acontecendo, geralmente vão continuar com a vida normal", disse a enfermeira à BBC.

"Frequentemente é melhor explicar o que está acontecendo pouco a pouco, ou quando acontece alguma mudança. Isto ajuda a consolidar a compreensão delas, sem sobrecarregá-las."

Princípios básicos
Inicialmente o conselho é a honestidade: usar linguagem simples e clara quando conversar sobre o assunto com crianças muito pequenas.

A maioria das crianças tem medo da dor, então converse com ela e esclareça de antemão qualquer exame ou tratamento que possa causar dores. Explique que esses tratamentos irão ajudar a melhorar a saúde delas.

Você também pode explicar que os médicos podem ajudar e fazer com que os tratamentos sejam menos dolorosos.

Também é importante informar que, quando o tratamento acabar, ele ou ela poderá voltar para casa (se isto for verdade).

E se você sabe quantos dias a criança vai ficar no hospital, divida esta informação com ela.

Conversar sobre o câncer e o diagnóstico pode tranquilizar a criança, segundo o site Live Well, do Serviço Público de Saúde britânico, o NHS. Mas a abordagem dos pais pode ser diferente dependendo da idade da criança e o que ela pode compreender.

A Cancer.net, organização que reúne informações e arrecada recursos para o combate ao câncer, informa que crianças muito pequenas não entendem muito sobre câncer e o medo mais básico delas é do afastamento dos pais. Elas, então, precisam de garantias de que isso não vai acontecer.

Mais esclarecimentos
É importante que os pais acalmem as crianças e esclareçam logo no início do processo que nada que elas ou qualquer outra pessoa tenha feito ou pensado causou o câncer.

À medida que as crianças crescem, elas começam a entender que a doença não foi causada por algo que elas tenham feito ou pensado, afirma a Cancer.net.

Também é importante explicar que o câncer não é como um resfriado ou gripe, não é contagioso e, por isso, não há problema em ficar junto dos outros, abraçar ou beijar.

Os pais também precisam explicar que não vão abandonar os filhos no hospital e que as crianças não vão ficar internadas para sempre.

As crianças mais velhas poderão ouvir falar sobre o câncer a partir de outras fontes, como a televisão ou internet. Então os pais precisam estimular os filhos a compartilhar essas informações.

Os adolescentes podem ter mais dúvidas e ficar mais interessados em saber mais sobre o diagnóstico, geralmente pensando em como a doença pode afetar a vida diária e atividades como escola, esportes e amizades.

Os efeitos colaterais relativos à aparência física também podem se transformar em prioridade para os adolescentes, e alguns deles podem ter um papel maior nas decisões sobre o tratamento.

Em resumo: não importa a idade da criança, o mais importante é que os pais conversem com ela da maneira mais clara possível.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Solidão aumenta o risco de reincidência de câncer de mama


De acordo com estudo americano os médicos devem considerar a vida social da paciente no tratamento da doença

De acordo comum novo estudo, mulheres solitárias que sobreviveram a um tumor de mama são 40% mais propensas a verem o tumor voltar e correm um risco 60% maior de morte em decorrência da doença, em comparação com as que são ativas socialmente. (iStock/Getty Images)

A solidão aumenta o risco de morte por reincidência de câncer de mama. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico Cancer, mulheres solitárias que sobreviveram a um tumor de mama são 60% mais propensas a morrer por recidiva da doença do que aquelas que são mais ativas socialmente.

Pesquisadores da Divisão de Pesquisa Kaiser Permanente na Califórnia, nos Estados Unidos, alisaram acompanharam  9.267 mulheres com câncer de mama durante cerca de 10 anos após o diagnóstico da doença. Nesse período houve 1.448 recorrências do tumor e 1.521 mortes, da quais 990 foram causadas pela doença.

Os resultados mostraram que houve uma probabilidade total de 16% de retorno da doença e um risco de 11% de morte por câncer de mama, mas aqueles com vida social estagnada corriam um risco visivelmente maior. Além do aumento no risco de morte, mulheres socialmente isoladas tinham uma probabilidade 40% maior da condição retornar.

De acordo com os pesquisadores, a grande vantagem de se detectar a reincidência com antecedência é iniciar antes tratamentos como a quimioterapia, aumentando a chance de sobrevida

Por outro lado, ter um cônjuge, engajamento com parentes e amigos e participação na comunidade ou atividade religiosa desempenharam um papel importante na previsão da sobrevivência a longo prazo de uma pessoa. Pesquisas anteriores já haviam identificado uma ligação entre baixos níveis de interação social e um maior risco de mortalidade geral.

Para Candyce Kroenke, líder do estudo, os resultados “confirmam a influência geralmente benéfica dos laços sociais na recorrência e mortalidade do câncer de mama; no entanto, eles também apontam para complexidade, já que nem todos os laços sociais são benéficos e não em todas as mulheres”.

Por exemplo, algumas pacientes classificadas como socialmente isoladas incluíram algumas mulheres que eram casados mas que não viam muitos amigos.


Segundo ela, a partir de agora, antes de fazer um prognóstico sobre a doença, o ideal é os médicos considerarem a vida social da paciente.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Natal e um 2017 pleno de paz e amor.


Pesquisa da UFMG é esperança para o câncer cerebral

Professor da UFMG acrescenta vírus HIV a uma célula modificada e verifica que ela se torna capaz de agir diretamente no tumor glioblastoma, o mais frequente a atingir o cérebro

Estado de Minas - 05/11/2016 08:53

Uma célula carregadora que, quando modificada geneticamente e acrescida do vírus HIV, é capaz de produzir uma proteína antitumoral e se deslocar diretamente até células doentes para tratá-las foi descoberta por uma equipe de cientistas, sendo um deles professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o pesquisador e biomédico Alexandre Birbrair, testes da célula em camundongos doentes comprovaram sua efetividade no tratamento do glioblastoma, forma mais frequente de câncer cerebral, segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca).

Um estudo feito há dois anos pelo Inca mostra que o glioblastoma representa cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do sistema nervoso central (SNC), sendo mais comum na vida adulta. No Brasil, entre 2015 e 2016, eles somaram 5.400 novos casos da doença. Desses, entre 2 mil a 3 mil casos são de glioblastoma, e correspondem a 2,5% de todos os tumores. Em Minas Gerais, a proporção é de quatro casos para cada 100 mil habitantes.

A pesquisa do Inca mostrou também que a incidência dos tumores cerebrais é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação ao sexo feminino. E quanto maior o nível socioeconômico da pessoa, maiores são as taxas de incidência desse tipo de tumor. As causas do aparecimento de tumores do SNC ainda são pouco conhecidas, tendo apenas alguns fatores identificados, como a irradiação de raios X. Traumas físicos na região da cabeça e traumas acústicos, como casos de trabalhadores expostos a alto nível de som e ruídos, também são possíveis fatores de risco.

O glioblastoma é um tipo de câncer complexo por vários motivos. O professor Birbrair explica que ele se instala no centro do cérebro, mais precisamente no sistema nervoso central, e sua tendência de formar metástases rapidamente dificulta os tratamentos. Outro fator complicador é a presença de uma membrana protetora, chamada hematoencefálica, que filtra a chegada dos medicamentos ao cérebro. O prognóstico não é bom. A maior parte dos pacientes tem baixa sobrevida depois do diagnóstico, de poucos anos, até meses.

A PESQUISA - Alexander Birbrair conta que em seu estudo sobre células neurais cerebrais, ainda nos laboratórios da UFMG, percebeu que as células-tronco neurais eram atraídas pelo glioblastoma e migravam até ele. Essa célula então poderia assumir uma função transportadora, que serviria para levar o tratamento diretamente às células afetadas pelo câncer, isentando as células saudáveis.

Porém, as células neurais cerebrais são produzidas unicamente pelo cérebro e para fazer uma biópsia seria necessário remover um pequeno pedaço dele, o que inviabilizaria seu cultivo. Fazendo biópsia de células-tronco do músculo esquelético, Alexander e sua equipe descobriram que uma célula chamada pericito, quando mudada geneticamente, adquire a mesma função migradora das células neurais cerebrais. Por ser criado no farto e acessível sistema musculoesquelético, o cultivo do pericito é possível.
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Após a descoberta dessa nova célula, chamada pelos cientistas de neural-like stem cells (NLSC), o pesquisador então entrou em contato com um cientista especialista em glioblastoma da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, onde deu continuidade à sua pesquisa. Na etapa seguinte, os pesquisadores testaram em camundongos doentes com glioblastoma se a célula modificada seria capaz de migrar até as doentes.

“Colocamos em um lado do cérebro células do tumor, tingidas de vermelho, e do lado oposto as células modificadas, de cor verde. As células não só migraram para o tumor primário, como também migraram para todas as extremidades, inclusive para os tumores secundários. Acreditando que elas são boas carregadoras, entregaríamos para as células 'coisas' que podem destruir câncer”, explica o biomédico.

Para combater o glioblastoma, os pesquisadores verificaram que uma proteína chamada trail havia sido comprovada no combate ao tumor. Contudo, ela é barrada pela membrana protetora do cérebro. Seria então necessário fazer com que a própria célula modificada produzisse a proteína. “Para isso, usamos um vírus HIV modificado (sem a carga viral, para não contaminar as pessoas), pois ele tem a característica de alterar o DNA das células. O vírus, então, possibilitou que a célula NLSC produzisse a proteína necessária para combater o glioblastoma”, esclarece o professor da UFMG.

Segundo o biólogo pesquisador Tiago Góss, do A. C. Camargo Cancer Center, hospital referência em oncologia em São Paulo, “a terapia celular é uma proposta que há muito tempo os pesquisadores têm tentado trabalhar. Ela consiste em tratar uma doença usando células, no caso células-tronco, de preferência do próprio paciente. No caso do glioblastoma, já existem relatos de pesquisas que fizeram trabalhos usando células-tronco para interferir na progressão 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cientistas estão mais perto de impedir a metástase do câncer


Cientistas na Alemanha descobriram como o tumor se aproveita da corrente sanguínea para se espalhar pelo corpo

Por Ana Carolina Leonardi access_time 30 ago 2016, 10h37
http://exame.abril.com.br/tecnologia/cientistas-estao-mais-perto-de-impedir-a-metastase-do-cancer/


Corrente sanguínea: para que o câncer se espalhe, as células do tumor precisam entrar e sair da corrente sanguínea de um jeito rápido e eficiente (Photopin)

O câncer por si só já é uma doença assustadora. E a metástase é a sua face mais perigosa – quando um câncer primário cai na corrente sanguínea, pode se espalhar rapidamente por qualquer parte do corpo e se tornar uma ameaça mortal.

Agora, um grupo de pesquisadores alemães acredita ter encontrado o segredo do mecanismo de migração do câncer – que também pode conter a chave para impedir que ela aconteça.

A metástase começa quando algumas células individuais se separam do tumor principal e entram no sistema circulatório. Dali, elas viajam livremente para qualquer parte do corpo, mas também estão mais vulneráveis ao sistema imunológico.

Por isso, para que o câncer se espalhe, as células do tumor precisam entrar e sair da corrente sanguínea de um jeito rápido e eficiente.

Cientistas do Instituto Max Planck e da Universidade Goethe descobriram a estratégia que os tumores mochileiros usam para fugir dos vasos sanguíneos. Eles precisam atravessar a barreira do endotélio, que “forra” o interior dos vasos.

Para isso, eles tiram proveito de um mecanismo natural das células e direcionam o ataque a uma molécula especial, chamada de “Receptor da Morte 6”.

As nossas células já são programadas para “suicídios coletivos” – e isso é totalmente normal. Quando sofrem danos no DNA, infecções de vírus ou se tornam obsoletas, elas simplesmente morrem.

Podem fazer isso de um jeitinho organizado e silencioso, chamado de apoptose, ou mais escandaloso, chamado de necroptose, que causa uma resposta inflamatória no corpo.

Algumas moléculas são chamadas de Receptores da Morte porque são elas que recebem o sinal de suicídio programado do corpo.

O que os cientistas observaram em laboratório é que os tumores ativam o Receptor da Morte 6 fora de hora, mas ele faz o seu trabalho mesmo assim: leva à necroptose, um dos tipos de autodestruição das células nos arredores.

E aí a barreira endotelial fica fraca e vulnerável à passagem das células cancerosas para outros órgãos do corpo. O câncer usa essa brecha para se espalhar, concluíram os alemães.

Descobrir um dos “meios de transporte” da metástase já seria um avanço e tanto, mas os pesquisadores também tentaram impedir a movimentação do tumor.

Para isso, eles desabilitaram o Receptor da Morte 6 em ratinhos geneticamente modificados. Deu certo: os animais apresentaram menos necroptose e menos metástase.

Os resultados são extremamente promissores para a batalha contra o câncer. Mas ainda estamos longe de bloquear totalmente a metástase.

Primeiro, os pesquisadores precisam ter certeza que desabilitar o RM6 não vai trazer outros problemas para o corpo. Depois, precisam confirmar se os resultados vistos em ratos se repetem em células humanas.

Por último (e mais importante): o câncer é uma doença inteligente – ele se desenvolve e se espalha de formas terrivelmente complexas.

Mal chegamos perto de entender como funciona a metástase na corrente sanguínea e já aparecem sinais de que os tumores podem se espalhar sem usar o sistema circulatório.


Ou seja: uma solução só não vai resolver todos os casos, mas pode aumentar as chances de sobrevivência de muita gente.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mulher de 24 anos que estava na menopausa usa ovário congelado para engravidar

Ela ficou infértil após quimioterapia, mas técnica médica tornou a maternidade possível
  
POR O GLOBO 14/12/2016 16:58 / atualizado 14/12/2016 17:07


Moaza com seu bebê, que nasceu terça-feira, dia 13, em Londres - Fergus Walsh/BBC

RIO — Em apenas três meses, Moaza Al Matrooshi passou de uma mulher em plena menopausa a uma mulher com menstruação regular que, pouco tempo depois, ficou grávida. A jovem, de apenas 24 anos, perdeu sua fertilidade ainda durante a infância após passar uma quimioterapia para se curar de uma doença do sangue chamada talassemia, que é fatal se não tratada. Para tentar manter alguma possibilidade de ela engravidar no futuro, os médicos retiraram um dos ovários da menina e o congelaram. Agora, ela é a primeira mulher do mundo a ter a fertilidade restaurada depois de um congelamento de ovário antes do início da puberdade.

Fredrik Lanner está alterando a genética de embriões humanos saudáveis Primeiro estudo de edição genética com embriões humanos saudáveis testa limites éticos e técnicos

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O bebê no colo do médico John Zhang, logo após nascerNasce o primeiro 'filho de três pessoas', graças a novo tratamento
O filho de Moaza nasceu ontem (terça-feira), no Hospital Portland, em Londres, na Inglaterra. Para a consultora em ginecologia e fertilidade que a atendeu, Sara Matthews, o caso da jovem dá esperança a muitas outras mulheres que correm o risco de perder a chance de serem mães por conta de tratamentos de câncer ou doenças imunológicas.

— Sabemos que o transplante de tecido ovariano funciona para mulheres mais velhas, mas nunca tivemos certeza se poderíamos pegar o tecido de uma criança, congelá-lo e fazê-lo funcionar novamente — comentou a médica à "BBC".

Para Moaza, que, na época, passou pelo processo de congelamento de seu tecido ovariano por decisão de sua mãe, o nascimento de seu filho "é um milagre".

— Nós esperamos tanto tempo para este resultado: um bebê saudável. Eu nunca deixei de acreditar que seria mãe, e agora esse é um sentimento perfeito — pontuou a jovem.

TECIDO OVARIANO EM NITROGÊNIO LÍQUIDO

Nascida em Dubai, Moaza Al Matrooshi tinha 9 anos de idade quando foi diagnosticada com talassemia e precisou passar por quimioterapia, o que, ao menos no caso dela, geraria um dano permanente aos ovários. Ela recebeu, em seguida, um transplante de medula óssea de seu irmão, num hospital que também fica em Londres, e ficou curada. Mas, antes disso, teve um dos ovários retirado para preservação.

Seu ovário direito foi removido, e o tecido, congelado. Fragmentos de seu tecido ovariano foram misturados com agentes crioprotetores e lentamente reduzidos a uma temperatura de 196 graus Celsius negativos, antes de serem armazenados sob nitrogênio líquido.

No ano passado, cirurgiões na Dinamarca transplantaram cinco retalhos do tecido ovariano de volta para seu corpo — quatro foram costurados em seu ovário esquerdo, e um do lado do útero. Nessa época, Moaza estava passando pela menopausa. No entanto, após o transplante, seus níveis hormonais começaram a voltar ao normal, fazendo com que ela passasse a ovular, tendo sua fertilidade restaurada.

A fim de aumentar as chances de ter um filho, a jovem e seu marido, Ahmed, passaram por tratamento de fertilização in vitro. Dos oito ovos que foram coletados, três embriões foram produzidos, dois dos quais foram implantados no início deste ano.

— Dentro de três meses após o reimplante de seu tecido ovariano, Moaza passou da menopausa para uma situação de períodos de menstruação regulares novamente — destacou a médica Sara Matthews, que conduziu o tratamento de fertilidade. — Ela, basicamente, se tornou uma mulher normal em seus 20 e poucos anos, com função normal do ovário.

RESULTADO 'ENCORAJADOR'

Segundo a pesquisadora Helen Picton, que lidera a divisão de reprodução e desenvolvimento precoce na Universidade de Leeds, também na Inglaterra, e realizou o congelamento do ovário de Moaza, o resultado é "incrivelmente encorajador".

— Moaza é uma pioneira e foi um dos primeiros pacientes que ajudamos em 2001, antes de qualquer bebê nascer da preservação do tecido do ovário — ressaltou Helen. — Em todo o mundo, mais de 60 bebês nasceram de mulheres que tiveram sua fertilidade restaurada, mas Moaza é o primeiro caso de congelamento pré-puberdade e o primeiro caso de um paciente que teve tratamento para talassemia.

A jovem de origem muçulmana ainda tem um embrião armazenado, assim como dois pedaços restantes de tecido ovariano. Ela afirma que, definitivamente, planeja ter outro bebê no futuro.

No ano passado, uma mulher na Bélgica deu à luz usando tecido ovariano congelado quando tinha 13 anos. Diferentemente de Moaza, ela já estava na puberdade quando seu ovário foi removido.

Já o primeiro transplante de tecido ovariano congelado no mundo foi realizado em 1999, também da Universidade de Leeds

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/mulher-de-24-anos-que-estava-na-menopausa-usa-ovario-congelado-para-engravidar-20647636#ixzz4T0uWTzp3
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Ferring lança programa social sem precedentes no Brasil

Mulheres diagnosticadas com câncer poderão congelar os óvulos com custo subsidiado em até 100%

São Paulo, 29 de novembro de 2016 – A incidência de câncer em mulheres em idade fértil tem crescido, segundo dados do Ministério da Saúde1. Esse fenômeno fez aumentar a preocupação de especialistas com a fertilidade das mulheres. Afinal, embora o assunto ainda não seja amplamente divulgado, tratamentos oncológicos como quimioterapia e/ou radioterapia podem comprometer a fertilidade, como um efeito colateral. Ou até mesmo indiretamente, quando o tratamento causa atrasos na reprodução e permitem o declínio natural da fertilidade.

Ciente dessa nova realidade, a Ferring Pharmaceuticals acaba de lançar, em parceria com o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO), Huntington e Idea Fértil, o Programa Proteger. Trata-se de um projeto social que permitirá às mulheres que venham a se submeter a um tratamento oncológico, receber gratuitamente o medicamento Menopur (gonadotrofina), o mais utilizado na indução de ovulação para congelamento dos óvulos. A estimulação contribuiu para a coleta de um número maior de óvulos e de forma rápida, permitindo o início da conduta oncológica em poucos dias.

Uma eventual diminuição na fertilidade em um tratamento oncológico ainda é um assunto pouco debatido. O congelamento dos óvulos é a opção mais indicada para as pacientes que pretendem ser mães. Por ser um procedimento de alto custo, torna-se inacessível para algumas mulheres. “O Proteger é uma retribuição à sociedade e chega para mudar esse cenário. É uma iniciativa da Ferring não só no Brasil como em outros países onde atua. Demonstra nosso compromisso com a sociedade e com o paciente”, afirmou Alexandre Seraphim, gerente geral da Ferring.

Para auxiliar as mulheres neste sonho, a Ferring estabeleceu parceria com três renomadas clínicas de reprodução assistida: Instituto Idea Fértil de Saúde Reprodutiva, que têm à frente o ginecologista Caio Parente; o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO) dirigida por Arnaldo Cambiaghi, ginecologista obstetra e especialista em reprodução humana; e com a Huntington Medicina Reprodutiva, coordenada pelo Dr. Maurício Barbour Chehin. Aliadas à Ferring, elas atuarão para promover e facilitar o acesso à preservação da fertilidade.

Aquelas que desejarem participar do programa Proteger devem conversar com seu oncologista antes de iniciar o tratamento e solicitar autorização para o tratamento de indução da ovulação. Com o laudo do oncologista, a paciente deve se inscrever em um dos três parceiros.

O programa consiste em: consulta médica com especialista em reprodução humana, realização de exames, indução da ovulação com medicamentos, coleta dos óvulos, congelamento e preservação em laboratório.

Todas as clinicas parceiras priorizarão o atendimento das pacientes que estão no programa. Segundo o coordenador médico da Huntington, Dr. Maurício Barbour Chehin a iniciativa é excelente. ”Felizmente, pela primeira vez, vemos um programa como esse no Brasil. Essas ações vão certamente aumentar e facilitar o acesso para mulheres com diagnóstico de câncer. Para muitas, o impacto da notícia da infertilidade é mais traumatizante do que o próprio câncer. Esse tratamento oferece a oportunidade de, ao alcançarem a cura, realizar o sonho de ser mãe fertilizando um óvulo”, detalhou.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 596 mil novos casos de câncer no Brasil no ano de 2016, sendo 300.870 destes diagnósticos entre as mulheres2, o que evidencia a importância desse tipo de iniciativa.
 
Mais informações: http://ferringproteger.com.br

Referências
1.       Datasus

2.       Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva. Incidência de câncer no Brasil. Disponível em http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/2015/inca_estima_quase_600_mil_casos_novos_de_cancer_em_2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Edson Celulari está curado do câncer: 'Graça recebida'

Ator estava lutando há cinco meses contra um linfoma não hodgkin
28/11/2016 09:45:44
O DIA

Edson Celulari está curado do câncerReprodução Internet
Rio - Edson Celulari usou o Instagram para anunciar que está curado do linfoma não-hodgkin, tipo de câncer contra o qual estava lutando há cinco meses. "Graça recebida. Graça agradecida. Um coração pleno de obrigados. Vida que segue com muito amor. Dia de um sol lindo por aqui, e que ele ilumine a todos", escreveu o ator na legenda de uma foto, publicada neste domingo.
Enzo Celulari, filho do ator, também comemorou a vitória do pai nas redes sociais. "Esse aí ao meu lado é o verdadeiro exemplo. Exemplo de vida, de pessoa, de força, de coragem, de determinação, e principalmente, de superação! No dia de hoje, agradeço primeiramente a Deus e a todos os amigos e pessoas das quais recebemos mensagens de apoio e carinho. E queria deixar claro aqui, o meu maior agradecimento... Que é a você, papai, por ensinar a todos nós como enfrentar uma batalha árdua com tanto louvor e a como alcançar um final feliz, mesmo que as vezes, o caminho seja tortuoso. Eu te amo, meu guerreirão! E agora o que nos resta é brindar... Brindar a vida... A SUA vida!", escreveu.
Em breve, Edson Celulari voltará a trabalhar. O ator está escalado para o elenco da novela "À Flor da Pele", que vai substituir "A Lei do Amor" no horário nobre da Globo.