terça-feira, 19 de setembro de 2017

Medicamento português vai ser testado em doentes com cancro avançado

Linfócito T, uma célula imunitária que o novo medicamento recruta para combater o cancro INSTITUTO NACIONAL DE DOENÇAS ALÉRGICAS E INFECCIOSAS DOS EUA

Não é todos os dias que um fármaco desenvolvido em Portugal chega à fase de ensaios nas pessoas, muito menos na área do cancro. É isso que vai acontecer com um medicamento criado pela empresa Biotecnol, que para tal estabeleceu uma parceria com o Cancer Research do Reino Unido.
24 de agosto de 2017, 7:02

A Biotecnol, empresa portuguesa que desenvolve medicamentos que usam o nosso próprio sistema imunitário para atacar as células cancerosas, acaba de estabelecer uma parceria com um centro de oncologia britânico – o Cancer Research do Reino Unido (CRUK) – para fazer um ensaio clínico de fase inicial em doentes com cancro avançado. O que vai ser testado em 45 doentes em hospitais londrinos, no final de 2018, é um medicamento que a Biotecnol criou como peças de lego ao longo de dois anos.
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Faz parte dos chamados “medicamentos biológicos” ou “biofármacos”: em vez de terem sido sintetizados quimicamente, servem-se dos mecanismos biológicos do corpo para combater uma doença. No caso do novo medicamento, procura usar certas células imunitárias do doente – os linfócitos T – para destruir as células cancerosas, pelo que faz parte também das “imunoterapias oncológicas”. Já há no mercado algumas, por exemplo para o melanoma e cancro dos pulmões.
Simplificando, o sistema imunitário produz anticorpos contra substâncias (antigénios) oriundas, por exemplo, de vírus ou bactérias, para que estas ameaças sejam reconhecidas e destruídas pelas células imunitárias. Cada anticorpo é específico e direccionado para um determinado antigénio.

A imunoterapia biológica para o cancro da Biotecnol é uma molécula criada para se dirigir para um antigénio que se encontra nas células de vários tipos de cancros sólidos (e que quase não está presente nas células normais). Esse antigénio foi descoberto nos anos 90 no Instituto de Manchester do CRUK.

“Por terem sofrido mutações no seu ADN, as células cancerosas dividem-se sem controlo e adquirem propriedades durante essa divisão descontrolada de invadir outros tecidos e de não morrer. Têm a capacidade de se espalharem pelo organismo usando os sistemas circulatório e linfático, dando origem a metástases”, explica o investigador Pedro de Noronha Pissarra, presidente da Biotecnol. “Certas células cancerosas ‘emitem um sinal’ chamado 5T4, ou antigénio oncofetal 5T4. Este antigénio é uma proteína produzida pelas células cancerosas que está associada à sua proliferação e consequente processo de metastização. Uma célula cancerosa com elevado nível de 5T4 torna-se incontrolável e agressiva e com forte poder para se metastizar.”


terça-feira, 12 de setembro de 2017

EUA autorizam primeira terapia genética para tratamento de câncer

Steven A. Rosenberg, um dos médicos pesquisadores da técnica (Foto: Partnership for Public Service / Aaron Clamage)

FDA, órgão regulador similar à Anvisa, aprovou uso de técnica chamada de CAR T-cell.
Por G1
30/08/2017 17h21  Atualizado há menos de 1 minuto

Os Estados Unidos autorizaram nesta quinta-feira (30) a utilização de terapia genética para o tratamento de câncer pela primeira vez. A técnica, chamada de CAR T-cell, tem resultados promissores, mas ainda não chegou ao Brasil.

A liberação para o uso do terapia foi dada pela FDA, órgão regulador dos EUA similar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 12 de julho deste ano, um painel recomendou a aprovação do tratamento.

O órgão norte-americano tratou a decisão como "ação histórica" e diz que "inaugura uma nova abordagem para o tratamento de câncer e outras doenças graves que ameaçam a vida".

"Estamos entrando em uma nova fronteira para a inovação médica com capacidade de reprogramar as células do próprio paciente para atacar um câncer mortal", disse Scott Gottlied, integrante da FDA.

A Novartis, empresa que possui a patente da terapia nos Estados Unidos, publicou em seu site a decisão do órgão regulador. O tratamento, por enquanto, poderá ser feito em crianças e adultos com leucemia linfoide aguda (LLA) -- a taxa de remissão nestes casos é, em média, de 83%.

Pesquisas e casos
A técnica existe porque é uma parceria entre a Novartis e a Universidade da Pensilvânia. De acordo como jornal "The New York Times", os médicos Steven A. Rosenberg, Carl H. June e Michel Sadelain estão há décadas na vanguarda das pesquisas sobre o tratamento.

Como ele é feito? As células T do paciente, uma espécie de "soldados" do sistema imunológico, são extraídas do sangue. Depois, são modificadas geneticamente para reconhecer o câncer e, depois, destruí-lo. Elas são redesenhadas e modificadas em laboratório e depois devolvidas à corrente sanguínea. Em resumo: as próprias células do paciente são "treinadas" para combater o câncer.

A terapia celular por CAR T-Cell é um tratamento personalizado: precisa ser pensada e estudada de forma especial para cada paciente. Nos Estados Unidos, país onde está mais avançada, foi testada em centenas de pessoas, não em milhares, de acordo com o "The New York Times".

Durante o processo, os médicos precisam "derrubar" o sistema imunológico do paciente com câncer. Por isso, ainda se deve percorrer um longo caminho até entender e combater todos os efeitos colaterais que podem ser potencialmene letais.

No Brasil
A médica Yana Novis, coordenadora de onco-hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Sírio- Libanês, disse que no Brasil há outros empecilhos para a aplicação da terapia.

"As barreiras são financeiras e tecnológicas, nós não temos as duas coisas. E para adquirir tudo isso existe um custo muito alto", explicou.

"O interesse de toda a comunidade científica é grande porque os resultados são promissores, mas não conheço nenhum lugar no mundo em que é feito em uma escala mais ampla", completou


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Surpresas para o câncer


Remédio que combate inflamação e terapia genética são as duas novas armas contra a doença
Bárbara Libório, de Barcelona
01.09.17 - 18h00
A redução da inflamação diminui o risco de doença cardíaca. No domingo 27, no Congresso Europeu de Cardiologia, a constatação foi confirmada e trouxe implicações maiores: inibir processos inflamatórios pode derrubar também a incidência e a mortalidade por câncer de pulmão. O estudo Cantos, comandado por Paul M. Ridker, diretor de Centro de Prevenção de Doenças Cardiovasculares no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA), e Peter Libby, especialista em medicina cardiovascular do mesmo hospital, mostrou que a administração do anti-inflamatório canakinumabe em pacientes com taxas de colesterol moderadas, que tiveram anteriormente um ataque cardíaco e apresentavam elevados níveis de proteína C reativa, um marcador de inflamação, diminuiu em 15% o risco de um novo evento como o infarto e o acidente vascular cerebral e a chance de morte.
O estudo revelou ainda que o remédio reduziu em 77% as taxas de mortalidade por câncer, especialmente o de pulmão, assim como sua incidência (67%). Isso sugere que a mesma via inflamatória que é um fator de risco para doenças cardíacas também pode iniciar ou estimular o crescimento de tumores. “Os dados são emocionantes porque apontam para a possibilidade de retardar a progressão de certos tipos de câncer”, disse Ridker à ISTOÉ. Para Libby, o resultado abre uma nova porta no tratamento dessa doença. “É um resultado preliminar que tem que ser estudado mais profundamente, mas é uma nova era anti-inflamatória que pode ser muito eficaz.”
A outra boa novidade foi a liberação para a venda, pelo órgão regulador americano FDA, da primeira terapia genética contra o câncer. Conhecida como CAR-T, ela consiste na alteração de células do próprio paciente para que identifiquem e combatam com maior eficácia as células tumorais. “É uma nova fronteira na luta contra a doença”, disse Scott Gottlieb, diretor da FDA.


DUAS DOENÇAS, O MESMO ALVO
Como age o medicamento

• Ele reduz a inflamação
• Hoje se sabe que o processo está envolvido  em várias patologias, entre elas a depressão,  ou eventos como o infarto
• Estudos indicam que está relacionado  também ao câncer, em especial o de pulmão
• Por isso, a pesquisa sobre a droga  gerou a hipótese de que o tratamento  e a redução da inflamação pode reduzir  a incidência e a mortalidade desse tipo  de tumor

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Anvisa aprova nova terapia contra câncer de pulmão

Ilustração esquemática de um pulmão humano (IStock/Getty Images)
O novo tratamento não se aplica a todos os pacientes mas, nos casos indicados, poderá substituir a quimioterapia
Por Natalia Cuminale
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira uma nova frente de tratamento contra o câncer de pulmão. O Keytruda, nome comercial do pembrolizumabe, será indicado como primeira linha de tratamento para os doentes com tumores com um marcador específico.
Segundo dados apresentados recentemente durante o congresso anual da American Society of Clinical Oncology, a ASCO, 61% dos pacientes do grupo que utilizaram o pembrolizumabe permaneceram vivos aos 18 meses de tratamento, em comparação com 43% do grupo da quimioterapia. Além disso, a nova terapia reduziu em 37% o risco de morte por qualquer causa.
O tratamento não se aplica a todos os pacientes, somente para aqueles com tumores classificados como de não pequenas células – 85% dos casos. Desse total, 30% apresentam altos níveis da proteína PD-L1. É esse grupo que poderá ser beneficiado pela nova terapia.
Por ter um mecanismo de ação específico, o pembrolizumabe tem menos efeitos colaterais quando comparado à quimioterapia, mais tóxica.  Em um estudo comparativo, 26,6% dos pacientes tratados com a nova terapia tiveram eventos adversos graves, enquanto os que utilizaram quimioterapia apresentaram uma taxa duas vezes maior.
O câncer de pulmão – o mais comum e o mais letal – é considerado a principal causa de morte por câncer em todo o mundo. São 30 000 novos casos todo ano no Brasil, com 24 000 mortes.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

A um passo da aprovação, terapia mudará o tratamento do câncer


Uma única célula geneticamente modificada é capaz de destruir até 100.000 células cancerígenas. (//iStock)

Um painel da FDA acaba de recomendar a aprovação de uma terapia que altera as células de pacientes com leucemia para combater o câncer
Por Da Redação  http://veja.abril.com.br/saude/a-um-passo-da-aprovacao-terapia-mudara-o-tratamento-do-cancer/

Um painel da FDA, agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, recomendou nesta quarta-feira a aprovação da primeira terapia 100% individual contra câncer no país. O tratamento em questão, fabricado pela Novartis e chamado CTL019, altera as próprias células do paciente, transformando-as no que os cientistas chamam de “droga viva”, de acordo com informações do jornal americano The New York Times, “programada” para combater a leucemia. O aval inédito deixa o medicamento um passo mais próximo da aprovação pela agência e abre caminho para uma nova era na medicina.
Em decisão unânime (10 a 0) o comitê da FDA afirmou que os benefícios da terapia superam seus riscos e recomendou sua aprovação para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B resistente ao tratamento ou com recidiva em crianças e jovens com idade entre 3 e 25 anos. Esse é o câncer mais comum diagnosticado em crianças, que representa aproximadamente 25% dos diagnósticos da doença em pacientes com menos de 15 anos. No entanto, o tratamento beneficiaria apenas os 15% dos casos nos quais a doença não responde ou volta.

Como funciona?
terapia, desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e posteriormente licenciada à Novartis, envolve a remoção de milhares de células T, um tipo de glóbulo branco, do paciente, por um centro médico aprovado. Em seguida, essas células são congeladas e enviadas a uma fábrica da farmacêutica onde o processo de modificação é realizado por meio de uma técnica de engenharia genética que emprega uma forma inativa de HIV, o vírus causador da aids, para levar o novo material genético às células e reprograma-las.
Esse processo “turbina” as células T para que elas se liguem à proteína CD-19, presente na superfície de quase todas as células B – componente natural do sistema imunológico que se torna maligno na leucemia – e as ataquem.  As células T geneticamente modificadas, chamadas receptoras de antígeno quimérico, são aplicadas na corrente sanguínea dos pacientes, onde se multiplicam e começam a combater o câncer. Uma única célula é capaz de destruir até 100.000 células cancerígenas. Essa capacidade deu a elas o apelido de “serial killers”.
Em estudos, a re-engenharia dessas células demorava cerca de quatro meses e muitos pacientes faleceram antes do tratamento ficar pronto. Mas, durante a reunião do painel, a Novartis afirmou que esse período foi reduzido para apenas 22 dias.
No entanto, como toda abordagem que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, seus efeitos colaterais são graves. Alguns pacientes apresentaram febre desenfreada, pressão sanguínea no limite e congestionamento pulmonar. Outra ressalva dos especialistas foi em relação a possíveis danos futuros, ainda desconhecidos nesse tipo de terapia.
Por outro lado, uma única dose da nova terapia mostrou resultados surpreendentes: longas remissões e possíveis curas para pacientes que tinham suas esperanças esgotadas após todos os tratamentos disponíveis terem falhado.

Disponibilidade e preço
Como os efeitos colaterais demandam cuidados específicos, a Novartis afirmou que, se aprovado, o tratamento será inicialmente disponibilizado em cerca de 30centros treinados nos Estados Unidos. A companhia afirmou também que planeja submete-lo em outros mercados, como na União Europeia, até o final deste ano. No Brasil, a aprovação deverá demorar mais tempo.
Embora a companhia não tenha mencionado o preço, analistas ouvidos pelo The New York Times estimam que um tratamento assim possa custar mais de 300.000 dólares (cerca de 960.000 reais).


Novo tratamento para leucemia tem resultados surpreendentes
Mais de 90% dos pacientes com leucemia terminal submetidos ao método entraram em remissão. A técnica, que consiste em modificar geneticamente as células-T, foi divulgada durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, nos Estados Unidos
Por Da Redação
access_time16 fev 2016, 18h20 - http://veja.abril.com.br/saude/novo-tratamento-para-leucemia-tem-resultados-surpreendentes/
Uma nova terapia contra o câncer está sendo considerada extraordinária após mostrar sucesso em 94% dos pacientes com leucemia terminal que foram submetidos a ela. A técnica, que consiste em reprogramar as células-T para atacar o câncer, foi divulgada em dois estudos apresentados no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, realizado em Washington, nos Estados Unidos, entre os dias 11 e 15 de fevereiro.
Em um dos estudos, realizado por pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Research Centre, nos Estados Unidos, 26 pacientes com leucemia linfoblástica aguda em estado terminal, que não haviam respondido aos tratamentos tradicionais, foram submetidos à terapia. No ensaio, “células-T assassinas”, que agem destruindo tecidos infectados em nosso corpo, foram retiradas dos pacientes. Em seguida, elas foram modificadas geneticamente para projetar um novo mecanismo de segmentação – com o nome técnico de “receptores quiméricos de antígenos” – que atacasse o câncer.
Um ano e meio após este procedimento, 24 pacientes estavam em remissão completa, ou seja, não apresentavam mais sinais de câncer no corpo. “Estes primeiros dados são sem precedentes. Estes pacientes não haviam respondido a nenhum tratamento e obter tal taxa de resposta em casos tão avançados da doença é extraordinário. Uma dose única desta terapia colocou mais do que 90% dos pacientes em remissão completa, situação em que não se pode detectar qualquer destas células de leucemia”, disse Stanley Riddell, principal autor do estudo.
Apesar dos resultados animadores, especialistas ressaltam que o experimento ainda é apenas um pequeno passo. Isso porque os efeitos colaterais deste tipo de tratamento são gravíssimos. Os pacientes podem desenvolver síndrome de liberação de citocinas, que pode causar febre, hipotensão e neurotoxicidade. Dois pacientes do estudo morreram devido a tais complicações
Os autores ressaltam que em função do estado de saúde dos pacientes, que tinham entre dois e cinco meses de expectativa de vida antes do experimento, esses resultados podem ser aceitáveis. Mas não seriam em caso de pacientes com tumores mais leves. Além disso, por enquanto, a terapia mostrou-se efetiva apenas em tumores líquidos como os de sangue. Ainda não se sabe quais seriam os resultados em cânceres sólidos, como o de mama.
Outro estudo envolvendo a manipulação genética de células-T também foi apresentado no encontro e mostra que elas podem durar anos em nosso corpo. No experimento, Chiara Bonini, hematologista do Instituto Científico São Rafael, em Milão, na Itália, injetou uma terapia imune – que incluiu células-T – em dez pacientes que haviam passado por transplante de medula. Exames realizados 14 anos após o tratamento mostraram que as células-T injetadas ainda estavam no organismo dos pacientes. Estes resultados indicam o potencial duradouro de terapias imunológicas.
“As células-T são como um medicamento vivo com o potencial de persistir no corpo por toda a nossa vida. Por exemplo, quando você recebe uma vacina na infância vocês estará protegido contra aquela doença pelo resto da vida. Por quê? Isso acontece porque a célula-T encontra o antígeno e se ativa, ela mata o agente patogênico. Mas ela também persiste no corpo como uma célula de memória. Agora imagine traduzir esse efeito para a imunoterapia do câncer, ou seja, ter células-T de memória que se lembram do câncer e estão prontos para atacá-lo sempre que ele retornar”, explica Chiara.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Principal fator de risco para o câncer de próstata é a idade


Quinta-feira, 01/06/2017, às 06:00, por Mariza Tavares
http://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/principal-fator-de-risco-para-o-cancer-de-prostata-e-idade.html

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no mundo e a quinta principal causa de morte por câncer na população masculina. O principal fator de risco é a idade: 75% dos casos ocorrem a partir dos 65 anos. A maioria dos tumores cresce de forma lenta e pode até não dar sinais durante toda a vida, mas o histórico familiar é importante: quem tem pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata antes dos 60 tem de três a dez vezes aumentado o risco de desenvolver a doença.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a detecção precoce de um câncer compreende duas diferentes estratégias: uma destinada ao diagnóstico em pessoas que apresentam sinais iniciais da doença (diagnóstico precoce) e outra voltada para pessoas sem nenhum sintoma e aparentemente saudáveis (rastreamento). No caso da próstata, não há unanimidade em relação ao rastreamento por meio da realização de exames de rotina – geralmente toque retal e dosagem de PSA. Em seu site, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) informa que, “por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício, o Instituto mantém a recomendação de que não se organizem programas de rastreamento para o câncer da próstata e que homens que demandam espontaneamente a realização de exames de rastreamento sejam informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a esta prática”.


No entanto, cientistas e pesquisadores americanos que integram o US Preventive Service Task Forces, órgão de prevenção ligado ao governo dos EUA, 
recentemente voltaram atrás em sua contraindicação para o exame do PSA. O teste é capaz de detectar a elevação de uma proteína produzida pela próstata, que é um indicativo de câncer. A principal crítica é porque o resultado pode ser um falso-positivo (a alteração pode ser causada por uma infecção ou pelo crescimento exagerado, mas benigno, da próstata), levando a procedimentos e cirurgias que poderiam ser evitados. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir de 50 anos devem conversar com seus urologistas sobre os exames de detecção precoce e que homens com fatores de risco (casos na família, negros e obesos) devem fazer essa consulta aos 45 anos.


Em seu estágio inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas, ou eles se assemelham aos do crescimento benigno do órgão: dificuldade de urinar ou necessidade de urinar mais vezes. Somente com o avanço da doença surgem problemas de ereção; sangue na urina; dor ou desconforto nos quadris, costas, peito ou outras áreas (no caso de metástase, ou seja, quando o câncer se espalhou para os ossos); fraqueza ou dormência nos pés ou pernas; perda do controle da bexiga ou do intestino. Há uma clara interferência no trabalho, no sono e na mobilidade, com impacto nas atividades diárias. É da maior importância consultar regularmente o médico e relatar qualquer alteração, para que ele avalie as melhores alternativas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SUS inclui medicamento de alto custo para pacientes em metástase do câncer de mama


Remédio será providenciado pelos órgãos de saúde em até 180 dias (Foto: Pixabay)

De acordo com mastologista, trastuzumabe dobra sobrevida de pacientes; dose do remédio custa cerca de R$ 10 mil.


Por Carolina Dantas, G1
08/08/2017 05h00  Atualizado há 2 horas

Em circulação há mais de 15 anos, o medicamento trastuzumabe é usado para o tratamento de um tipo específico de câncer de mama e pode dobrar a sobrevida de pessoas em metástase -- quando a doença já atinge outras áreas do corpo. O Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Ministério da Saúde, passou a abranger este público e irá fornecer a droga num prazo de 180 dias.

A decisão foi publicada pelo Diário Oficial da União na última quinta-feira (3). Em 2012, o governo havia liberado o uso para pacientes com o câncer, mas excluía os metastáticos. Hoje, mais de 3 mil pessoas com câncer de mama inicial e localmente avançado fazem o uso do trastuzumabe pelo SUS. Organizações como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) reivindicavam a ampliação para acesso do medicamento a todos os tipos de pacientes.

No mercado, a droga custa cerca de R$ 10 mil a dose. Ela é usada no tratamento do câncer de mama do subtipo HER2+, o mais agressivo e que atinge um quinto das mulheres com tumor no seio. A célula cancerígena expressa o gene que leva o mesmo nome da doença, e o remédio bloqueia a ação desse gene, o que evita a proliferação.

"Estamos muito atrasados com essa aprovação. É uma droga fundamental para o tratamento deste tipo de câncer em qualquer fase e pode dobrar a sobrevida. O tratamento era feito com quimioterapia e sem ter alvo específico para o tipo da doença. Agora, vamos conseguir controlar melhor e por mais tempo", avaliou a mastologista e presidente da Femama, Maira Caleffi.

De acordo com a Femama, a droga "mudou a forma como o câncer é tratado no mundo". O trastuzumabe consta na lista básica para combater o câncer, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para guiar governos nas escolhas de oferta em suas políticas de saúde.