quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo

Muita paz, saúde e felicidade. 


Biossimilares no tratamento do câncer de mama


Tratamentos

Os biossimilares são medicamentos de alta tecnologia e que oferecem oportunidade de ampliação das alternativas terapêuticas para diferentes doenças, incluindo o câncer.

O desenvolvimento e a comercialização desses medicamentos viabilizaram a obtenção desses produtos a custos mais baixos, favorecendo o acesso pela população.

Câncer de mama no Brasil
O câncer é uma doença crônica e degenerativa que acomete pessoas de diferentes idades, etnias, sexos e localizações geográficas. No mundo, é responsável por cerca de 13% de todas as mortes, ou seja, mais de 7 milhões de óbitos por ano. O câncer de mama corresponde a 22% de todos os novos casos e está em primeiro lugar entre os diagnósticos da doença em mulheres, no Brasil. Apesar de infrequente, também pode acometer homens.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) esse tipo de câncer é causado pela multiplicação desordenada das células da mama que, nesse processo, formam um tumor. Existem diferentes tipos de câncer de mama que podem evoluir de variadas formas: alguns mais rápido, outros mais devagar. Recentes estudos oncológicos utilizam quatro classificações para os tipos de câncer de mama, sendo eles o luminal A, luminal B, HER2-positivo e triplo negativo.

Recentemente, as taxas de mortalidade pela doença vêm crescendo significativamente e alguns acreditam que isso se dê por conta do grande número de diagnósticos feitos quando o câncer de mama já se encontra em estágios avançados. O diagnóstico precoce ainda é o maior objetivo quando se pensa em aumentar as taxas de cura e de reabilitação, possibilitando o uso de tratamentos menos agressivos. O tratamento do câncer de mama é complexo e administrado de acordo com o estágio da doença, podendo incluir quimioterapia, cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia; pode também ser realizada a combinação de uma ou mais dessas terapias.

Biofármacos, biossimilares e o câncer de mama no Brasil
A produção e comercialização dos medicamentos biológicos promoveram um avanço nos tratamentos oncológicos e uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes. Quando as patentes de diversos desses medicamentos expiraram, algumas indústrias farmacêuticas se empenharam no desenvolvimento do que chamamos de biossimilares – uma alternativa que possibilitou maior acesso ao tratamento porque diminuiu os custos para os sistemas de saúde.

Fármacos biossimilares são, como diz o nome, medicamentos altamente similares aos medicamentos biológicos de referência, com eficácia e segurança equivalentes, e cuja principal diferença encontra-se no processo de produção. São produtos biológicos complexos com mecanismos de ação extremamente específicos, produzidos a partir de organismos vivos modificados geneticamente e usados para o tratamento de diversas patologias.

 

https://www.biossimilaresbrasil.com.br/tratamentos/biossimilares-no-tratamento-do-cancer-de-mama

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Miranda McKeon, de ‘Anne With an E’, faz cirurgia para retirada das mamas

 Por Flavia Almeida

Miranda McKeon com as mãos na cntura, de camiseta rosa

Há cinco meses a atriz Miranda McKeon, de 19 anos, revelou que havia sido diagnosticada com câncer de mama. Agora a jovem artista passou por uma mastectomia dupla, cirurgia que consiste na retirada das duas mamas.

A atriz, que integra o elenco da série “Anne With an E”, usou as redes sociais para falar sobre a cirurgia uma hora antes de iniciar o procedimento.

“Hoje é um grande dia. Cheguei para fazer a cirurgia que eu havia antecipado há cerca de cinco meses. Farei uma mastectomia dupla – procedimento que remove todo o tecido mamário sob a pele dos dois lados, bem como alguns gânglios linfáticos no meu lado direito”, explicou.

“Isso vai me livrar de qualquer câncer e diminuir significantemente o risco de recorrência no futuro. Isso também quer dizer que ficarei livre do câncer.”

Miranda ainda agradeceu a todo apoio das pessoas próximas e afirmou que é “uma garota de sorte”.

PROCEDIMENTO BEM SUCEDIDO

Horas após a cirurgia, Miranda McKeon voltou às redes sociais e afirmou que o procedimento foi bem-sucedido.

“A cirurgia correu super bem. Estou com um pouco de dor e não posso me movimentar muito, mas de um modo geral, vejo uma recuperação tranquila pela frente. Minha programação para os próximos dias: gerenciar a dor, dormir, assistir shows e talvez fazer lição de casa. Estou me sentindo ambiciosa.”

“Isso eliminará qualquer câncer e diminuirá significativamente meu risco de recorrência no futuro”, finalizou a jovem de 19 anos.


https://www.ofuxico.com.br/saude/miranda-mckeon-de-anne-with-an-e-faz-cirurgia-retirada-das-mamas/?amp

NOTA do Vida com Câncer: Muita gente confundiu e achou que a Miranda fosse a atriz principal da série, a Amybeth McNulty

terça-feira, 9 de novembro de 2021

O câncer pode “voltar”? Qual a chance? Por que retorna?

PUBLICADO POR HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN EM 31/01/2020 | ATUALIZADO EM 30/03/2020

O câncer pode voltar mesmo após um tratamento correto, com cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. O risco da doença retornar depende do tipo do tumor, pois existem tumores com chances maiores de voltar do que outros, e do tamanho do tumor ao ser diagnosticado, também chamado de estadiamento.

Por Dr. Diogo Bugano , oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein/ CRM SP 139 559

Como eu tenho certeza que o câncer não “voltou”?

A certeza de que o câncer não voltou vem com o acompanhamento. Caso após 5 anos o paciente continue bem e tenha os exames todos normais, sabemos que o câncer não voltou

Quando o câncer “volta” é sempre no mesmo lugar?

Não necessariamente. Existem tumores com uma tendência de voltar sempre no mesmo lugar. Outros, já têm maior risco de voltar em outras partes do corpo.

Como a doença “espalha”?

Esse é um processo complexo e a cada ano aprendemos melhor como funciona, para poder combatê-lo melhor. Em geral são necessárias 2 etapas: as células tumorais devem conseguir atingir outros órgãos (em geral levadas pelos vasos linfáticos, pelo sangue ou simplesmente crescendo localmente) e, ao chegar neste novo local, devem resistir aos mecanismos de defesa do corpo, que identificam aquela célula como doente e tentam destruí-la.

Este processo acontece antes de o tumor ser retirado ou tratado com radioterapia. Assim, quando parece que a doença “voltou” após uma cirurgia, na verdade ela sempre esteve lá, mas era muito pequena e não era vista pelos exames.

Quanto tempo após tratar um câncer para estar curado?

Como cada tumor é diferente, isso muda para cada doença. Porém, em geral, após 5 anos de seguimento os pacientes são considerados curados.

Qual acompanhamento precisa ser feito?

O acompanhamento vai depender da cada tumor. Em geral envolve consultas médicas, exames de sangue e de imagem, como a tomografia. O acompanhamento é mais próximo nos primeiros anos após o tratamento e vai ficando menos frequente com o passar do tempo

 

https://vidasaudavel.einstein.br/o-cancer-pode-voltar-quanto-tempo-para-estar-curado/

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Grupo doa próteses para sobreviventes do câncer de mama

 

A prótese areolar criada no Natalia Beauty é feita com silicone de grau médico autocolante

REPRODUÇÃO/PEXELS

Objetivo é contribuir no resgate da autoestima de mulheres vítimas de câncer de mama que passaram por mastectomia

  • 17/09/2021 - 02H00

O Grupo Natalia Beauty abre inscrições para o Projeto FlowRescer, uma ação com o intuito de resgatar a autoestima de mulheres sobreviventes do câncer de mama. Desde a primeira edição, realizada em janeiro deste ano, já foram mais de 10 mil mulheres ajudadas por meio da distribuição de próteses mamárias. E a previsão é de distribuir mais de 100 mil até o final do ano.

"Mulheres que se submetem a retirada da mama podem desenvolver baixa autoestima e tendem a limitar suas interações sociais. Nosso propósito é resgatar a autoestima dessas mulheres, sua confiança e liberdade. É como um toque final no processo de cura, é o FlowRescer", afirma Natalia Martins, CEO do grupo.

Para receber a prótese gratuitamente em casa, em qualquer região do Brasil ou fora dele, as mulheres interessadas devem se inscrever por meio do formulário disponível no site.

Prótese adequada

Além disso, para garantir a adequação, é preciso enviar foto da mama para análise especializada da equipe técnica, conduzida por Éderson Orlandi, professor especialista em prótese e anaplastologia. Essa área da medicina é focada na reabilitação do paciente que sofreu desfiguramento, e se dá por meio da criação de próteses restaurativas, o que possibilita a recuperação funcional e estética da área afetada.

"Quando o médico diagnostica que a área afetada não pode ser reabilitada por meio de cirurgia plástica, a anaplastologia vem como uma alternativa. No caso da aréola, por exemplo, ela representa a feminilidade e, quando a mulher recebe a prótese, ajudamos a recuperar não só a estética, mas reabilitamos a alma", afirma o especialista.

Tempo de vida da prótese

A prótese areolar criada no Grupo Natalia Beauty é feita com silicone de grau médico autocolante. Para as mulheres que desejam ainda mais segurança na hora de usá-la, recomenda-se adquirir uma cola especial.

De acordo com Natalia Martins, a prótese fica fixa na pele por cerca de 40 dias, mas, após esse período, basta higienizar, reaplicar a cola e usar a mesma prótese, que tem prazo de validade indeterminado.

"A duração dessa prótese vai depender do bom uso e da higienização adequada, que deve ser feita com uma gaze umedecida com soro fisiológico. É bem simples", finaliza a empreendedora.

Nanopigmentação paramédica

Além da doação de próteses de aréola, o Grupo Natalia Beauty também oferece, de forma gratuita, a reabilitação da aréola por meio da nanopigmentação paramédica, uma evolução da micropigmentação.

O procedimento é semipermanente, não invasivo, e consegue reproduzir a aréola por meio da pigmentação superficial da pele. Durante o procedimento, o profissional cria efeitos e traços específicos que se assemelham ao aspecto natural da mama. As mulheres interessadas devem agendar o procedimento no próprio site do grupo. 

https://virtz.r7.com/grupo-doa-proteses-para-sobreviventes-do-cancer-de-mama-17092021

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Novidades em tratamentos oncológicos aumentam esperança de pacientes

Alguns anos atrás, acreditava-se que não havia vitória no combate ao câncer, com a evolução da medicina oncológica, os tratamentos foram se mostrando eficientes para dar mais qualidade de vida aos pacientes tratados. A Revista conversou com especialistas que contaram o que há de novo nesses tratamentos

O câncer é a segunda causa de morte em todo o planeta, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares, mas a estimativa é que assuma a liderança do ranking até 2025, quando deverá ser responsável por 6 milhões de falecimentos no ano.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente 43,8 milhões de pessoas no planeta vivem os cinco anos de prevalência da doença, sendo que 1,3 milhão delas estão no Brasil. Considerando apenas as estimativas de novos casos previstos pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), até o final do último ano, 625 mil brasileiros foram diagnosticados com câncer. Diante desse cenário, um dos questionamentos que surge é de que forma o sistema de saúde brasileiro tem se preparado para atender essa demanda.

O oncologista, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas, Bruno Ferrari, explica que do ponto de vista técnico, a qualidade dos profissionais brasileiros não deixa a desejar de nenhum americano, asiático ou europeu. “O que existia de gap no Brasil era estrutural, além de estratégias e projetos que olhassem a oncologia a longo prazo.”

Para ele, está sendo construído um perfil específico da oncologia brasileira. “Ela deixa de ser nos últimos anos uma oncologia de alto nível técnico mas muito espelhada no que acontece fora do Brasil de uma maneira não estruturada, para uma linha de cuidado mais específica com um DNA nacional.”

Bruno Ferrari detalha que o tratamento oncológico oferecido no Brasil é de alta qualidade. “Obviamente é preciso melhorar os incentivos às pesquisas e outras estratégias de acesso para que todos os brasileiros tenham amplo acesso ao diagnóstico precoce e às melhores alternativas de tratamento. Mas estamos evoluindo e, mesmo com a pandemia, vimos os sistemas de saúde público e privado se organizarem para assegurar fluxos seguros a pacientes de outras doenças que necessitam ir aos hospitais, caso de muitos pacientes oncológicos.”

 

O que há de novo?

 

Robôs no suporte às cirurgias

As novas abordagens no tratamento oncológico incluem práticas inovadoras para a retirada de diferentes tumores. A cirurgiã torácica, líder de cirurgia do Grupo Oncoclínicas, Paula Ugalde, explica que tais avanços são devido a fusão da tecnologia com a medicina. “Essas práticas estão conquistando espaços importantes nas condutas oncológicas. Nesse sentido, o uso da robótica já faz parte do presente no tratamento do câncer e compõe o arsenal de alternativas que melhoram a qualidade de vida dos pacientes. Esses procedimentos cirúrgicos inovadores reduzem o tempo de internação, de exposição a infecções e contribuem efetivamente para o bem-estar do paciente.”

A integração da robótica aos procedimentos oncológicos, têm permitido a realização de cirurgias cada vez mais complexas, e minimamente invasivas. “Quando falamos em procedimentos minimamente invasivos, estamos na prática dizendo que há menor agressão ao paciente — quando operamos um paciente, estamos 'machucando' o corpo para tratar uma condição específica. Quanto menos a gente mexe com o corpo dessa pessoa, menos 'agride', melhor é a recuperação no geral”, detalha Paula Ugalde.

A evolução nos tratamentos de câncer se deve ao uso das tecnologias robóticas. Nas Américas, o Brasil é um dos países que têm mais robôs, para os pacientes com câncer, o resultado é excelente. “Podemos dizer que isso se traduz esteticamente em cicatrizes menos visíveis ou até mesmo inexistentes e obviamente em uma recuperação pós-cirúrgica facilitada, que contribui positivamente em toda a jornada de combate ao câncer e bem-estar como um todo do paciente.”

 

Genômica: essencial e cada vez mais presente no combate ao câncer

A individualização da linha de cuidado integral, desde o diagnóstico mais preciso até a definição da conduta de tratamento mais indicada, tende a ditar o tom para o tratamento de câncer agora e nos próximos anos. “Com o rastreamento do genoma e do DNA desses tumores, conseguimos saber suas particularidades e assim, encontrar a melhor forma de combater o seu avanço. E isso tem sido feito e os avanços nesses mapeamentos acontecem todos os dias, coletamos informações clínicas e genéticas para construirmos a base da inovação científica”, conta Rodrigo Dienstmann, diretor científico da Oncoclínicas Precision Medicine.

E se o diagnóstico precoce do câncer segue sendo o jeito mais efetivo de garantir melhores chances de respostas às terapêuticas aplicadas, a chamada oncologia de precisão traz respostas assertivas para que a medicação adotada atinja o alvo com grande acurácia, sob medida para as características da doença de cada indivíduo. “Isso significa que, com a ajuda da análise dos biomarcadores tumorais, ou seja, das alterações genéticas identificadas nas células daquele tumor específico e que trazem importantes informações para nos ajudar a desvendar o mecanismo da doença de acordo com cada caso de forma personalizada, podemos oferecer as melhores alternativas de tratamento em prol da qualidade de vida do paciente”, ressalta o especialista.

Bruno Ferrari conta que falar em prever o futuro da oncologia no atual cenário é um desafio, mas o acúmulo de dados integrando a genômica vai ter um grande impacto na seleção de tratamento e no suporte continuado ideal. “Eu acredito que a genômica, como outras tecnologias, vai permitir um olhar de lupa nos tumores; vamos individualizar ainda mais o tratamento de maneira real e já estamos chegando nesse momento. Eu não vejo alternativa pro futuro se não integrar a genômica à prática rotineira da oncologia.”

 

Imunoterapia avança para outros tratamentos

A ciência como aliada da prática médica se aplica ainda ao desenvolvimento de medicações cada vez mais personalizadas. Neste sentido, Carlos Gil enfatiza a ampliação do uso da imunoterapia no tratamento de mais tipos de câncer. Segundo ele, a técnica consiste em fortalecer certos aspectos da imunidade do paciente para que o próprio corpo combata o tumor. A verdadeira “arma secreta” contra o câncer, diz ele, está em nós mesmos:

“Os imunoterápicos já são parte da nossa realidade e tendem a se aperfeiçoar e ganhar espaço. Há cerca de dois anos esse tipo de medicação era usada apenas em alguns poucos casos de câncer, como o melanoma — tipo de câncer de pele — , mas agora ela já tem sido recomendada para tipos de tumores nas mamas, nos rins, gastrointestinais, pulmão, leucemia, linfoma e sarcoma. E não deve parar por aí”, destaca.

“A imunoterapia veio para ficar e nesse futuro próximo figura como alternativa bastante viável para o enfrentamento do câncer com ainda mais assertividade”, detalha Bruno Ferrari. Segundo o profissional, existe uma expectativa de que em 2023, 70% dos pacientes com câncer serão candidatos a alguma forma de imunoterapia - tratamento que consiste em estimular com uso de medicação o sistema imunológico do paciente para que ele reconheça as células malignas e as combata. “É um caminho se integrando de forma inteligente ao tratamento.”

Universalização do acesso às melhores condutas aos pacientes e compartilhamento de conhecimento entre especialistas caminham lado a lado

“O atendimento oncológico pode e deve ser multidisciplinar, integral e simultâneo. O que praticamos durante o simpósio de forma explicativa é o que queremos praticar no nosso dia a dia”, diz o oncologista Sergio Jobim Azevedo, coordenador científico do 8º Simpósio Internacional Oncoclínicas, que aconteceu em novembro de 2020.

Para ele, esse processo de democratizar e universalizar o conhecimento médico é amplamente favorecido pelo formato digital, uma das heranças positivas da pandemia. “Toda a programação foi disponibilizada de forma gratuita para médicos, estudantes de medicina e outras profissionais de saúde. Uma pessoa que está no extremo norte ou sul do país pode compartilhar desse momento”, reforça.

“O valor da cooperação entre especialistas é uma das principais mensagens que trouxemos. Tivemos a oportunidade de reunir os maiores especialistas em oncologia clínica, cirurgia oncológica e análise genética do Brasil e exterior para debater o que há de mais avançado nestes segmentos e compartilhar este conhecimento com médicos de todo o país. Unir as equipes envolvidas na linha de cuidado com certeza agrega muito no resultado final para o paciente”, acrescenta Sergio Azevedo. Ele ressalta que informações sobre os tratamentos, avanços, conquistas e desafios na luta contra o câncer precisam ser sempre compartilhados. Munidas dessas informações, as comunidades médica e científica conseguem evoluir e cobrar respostas por parte do poder público.

“Acredito piamente que a informação científica não deve ter barreiras. Só evoluiremos se caminharmos juntos. O câncer atinge toda a população, de classes altas e baixas e de todos os níveis de renda. Precisamos trabalhar na ampliação do entendimento sobre esses avanços tão significativos para que eles não fiquem restritos a um círculo fechado de especialistas e sejam disponibilizados rapidamente à população. É preciso garantir acesso ao melhor tipo de tratamento para todos”, finaliza.

 

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

https://www.correiobraziliense.com.br/revista-do-correio/2021/01/4902721-novidades-em-tratamentos-oncologicos-aumentam-esperanca-de-pacientes.html

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Guia traz análises e orientações sobre alimentação, nutrição, atividade física e câncer

O Instituto Nacional de Câncer divulgou, recentemente, a publicação “Dieta, nutrição, atividade física e câncer: uma perspectiva global – um resumo do terceiro relatório de especialistas com uma perspectiva brasileira”. Com o material, o INCA pretende “fornecer subsídios técnicos para fundamentar intervenções individuais e coletivas promotoras de práticas alimentares saudáveis e de atividade física, contribuindo, dessa forma, para o reconhecimento social da relação entre alimentação, nutrição, atividade física e câncer e para a prevenção e o controle do câncer no Brasil”.

O documento é uma tradução adaptada e ampliada do resumo do III Relatório de Especialistas do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF – World Cancer Research Fund) e do Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR –  American Institute for Cancer Research). Traz o posfácio “Alimentação, nutrição, atividade física e câncer: uma análise do Brasil e as recomendações do INCA”, com dados epidemiológicos e recomendações que consideram a realidade nacional, com base no Guia Alimentar para a População Brasileira.

O texto do guia considera que as mudanças no padrão alimentar e no perfil nutricional dos brasileiros têm gerado um cenário preocupante. “O aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, frente aos alimentos frescos, às refeições e às preparações tradicionais, vem sendo acompanhado pelo aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade”, ressalta o material.

As recomendações do INCA listam uma série de hábitos que devem ser adotados para a prevenção do câncer no Brasil, entre eles: a manutenção do peso corporal saudável; ser fisicamente ativo como parte da rotina diária; fazer dos alimentos de origem vegetal a base da dieta; evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e fast food; evitar o consumo de carnes processadas; evitar o consumo de bebidas alcoólicas e não usar suplementos alimentares para prevenção do câncer. 

As orientações também incentivam a amamentação, que protege as mães do câncer de mama e os bebês do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida. Uma observação especial é direcionada ao consumo de chimarrão, que não deve ocorrer em temperaturas superiores a 60 °C.

O texto do guia ressalta que “após o diagnóstico de câncer, sempre que possível, o paciente deve seguir as recomendações de prevenção. Durante o tratamento, avaliar, junto ao profissional de saúde responsável, o que é aconselhável”.

Outro apontamento importante chama atenção para o risco de exposição ao tabaco e ao excesso de sol. “Embora cada recomendação individual ofereça benefícios para a proteção contra o câncer, a maior parte do benefício é obtida ao tratar todas as recomendações como um padrão integrado de comportamentos relacionados à alimentação, à atividade física e a outros fatores associados ao modo de vida”, afirma o documento do INCA.

A nutricionista Luísa Nunes, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, concorda que o conjunto de hábitos e comportamentos saudáveis ajudam a prevenir os tumores. “Falamos de estilo de vida e este conceito engloba sono, atividade física, alimentação, controle do estresse, vida social e afetiva, equilíbrio psicológico e saúde mental.

O câncer tem suas preferências e se pode instalar mais facilmente quando encontra, reunido, o maior número possível de fatores de risco, como predisposição genética, obesidade e vida sedentária, alimentação inadequada, excesso de álcool, exposição à radiação e a agentes químicos, consumo de tabaco, estresse e exposição a plásticos, agrotóxicos e aditivos químicos nos alimentos”, completa Luísa. 

“A alimentação tanto pode ajudar quanto atrapalhar a vida de uma pessoa. Uma nutrição bem feita, com alimentos integrais, orgânicos, ricos em polifenóis, fitoquímicos e nutrientes antioxidantes e anti-inflamatórios, é a chave para longevidade. Longevidade é envelhecer com saúde mantendo a capacidade funcional física e cognitiva do indivíduo”, afirma Luísa. A nutricionista exemplifica o impacto da obesidade e vida sedentária sobre o aumento da incidência de câncer de mama, carcinomas de endométrio, tumores malignos de cólon e de adenocarcinoma de esôfago.

 

https://vencerocancer.org.br/cancer/prevencao/analises-sobre-alimentacao-nutricao-atividade-fisica-e-cancer/?catsel=cancer

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Como fortalecer o organismo e os músculos depois do tratamento do câncer?

 

A perda de peso (caquexia) e a desnutrição são efeitos comuns durante o tratamento do câncer. Os médicos consideram a situação como um evento potencialmente grave e indicam uma intervenção terapêutica o mais breve possível, assim que o problema for diagnosticado. Os efeitos ocorrem, principalmente, com a quimioterapia e a radioterapia. Estima-se que a caquexia relacionada ao câncer ocorra em pelo menos 50% dos pacientes com tumores em estágio avançado.

Por isso, uma avaliação nutricional deve ser feita assim que o tratamento for iniciado. “A orientação é muito importante antes de o paciente começar as sessões, para que os benefícios sejam sentidos durante a terapia. Assim, quando o tratamento terminar, o corpo estará mais forte, o organismo terá mais apetite”, destaca a nutricionista Luisa Macedo Nunes, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

Muitos pacientes, também, questionam sobre o fortalecimento dos músculos com o término dos ciclos de quimioterapia, por exemplo. “Nestes casos, é preciso ter um tempo até o corpo descansar, porque o organismo recebe doses muito altas de medicamento”, ressalta Luisa. “Novamente, para garantir que os músculos fiquem fortes, é necessário pensar numa avaliação e num plano antes do início do tratamento”.

A desnutrição no câncer ocorre por conta do tumor e por conta dos efeitos da quimioterapia. Com a avaliação nutricional e um plano de acompanhamento é possível deixar o paciente forte e driblar esses sintomas mais comuns, como a xerostomia (boca seca), disgeusia (alteração no paladar), mucosite (inflamações que podem acontecer na boca, faringe, laringe, esôfago e atrapalhar a alimentação), náusea e diarreia. Todas essas situações comprometem as refeições fazem o paciente perder peso”, acrescenta a nutricionista.

Se durante o tratamento houve o acompanhamento nutricional e o paciente conseguir manter o peso (poderá até haver ganho de massa), a recuperação ao final das sessões é muito mais fácil e com melhor qualidade.

https://vencerocancer.org.br/cancer/noticias/como-fortalecer-o-organismo-depois-do-tratamento-do-cancer/?catsel=cancer

terça-feira, 13 de abril de 2021

Após tratamento, marido de Ana Hickmann comemora: "Não há mais sinais do câncer"

 


Empresário Alexandre Correa havia sido diagnosticado com um tumor em estado de metástase no pescoço em novembro do ano passado

11/02/2021 - 11h43min

 

"Um milagre aconteceu nesta família", resumiu Ana HickmannAna Hickmann Instagram / Reprodução

Nesta quarta-feira (10), o empresário Alexandre Correa, marido da apresentadora Ana Hickmann, compartilhou uma ótima notícia com os fãs: em postagem nas redes sociais, revelou que seus últimos exames mostram que "não há mais sinais do câncer" que enfrentava. Em novembro, ele revelou estar com um tumor em estado de metástase no pescoço e, desde então, tem compartilhado as várias etapas do tratamento com os seguidores. 

"Realizei os meus exames de controle de sangue e imagem. Notícia excelente: de acordo com o meu oncologista, não há mais sinais do câncer. Meu muito obrigado ao Dr. Andrey pela dedicação, carinho e cuidado. E gratidão a todos que estiveram ao meu lado fisicamente e em oração", agradeceu ele.

Ana também comemorou a boa-nova em suas redes sociais:

 "Meu amor, você é o guerreiro mais forte e corajoso que eu conheço. Sua valentia, sua determinação superam tudo o que já vi nesta vida. Hoje nós recebemos a melhor notícia de todas: VOCÊ VENCEU O CÂNCER! Deus, muito obrigada por nos amparar por todos esses longos dias, nunca faltou fé nesta casa. Um milagre aconteceu nesta família", escreveu ela na legenda da publicação.

Alexandre revelou estar com a doença em um vídeo publicado nas suas redes sociais no início de novembro. O tumor, que estava em estado de metástase, foi retirado em cirurgia, e ele seguiu em tratamento com sessões de radioterapia e quimioterapia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.  

Em dezembro, o empresário chegou a informar que iria se ausentar por alguns dias de suas redes sociais porque precisaria colocar sonda para se alimentar. Por ter perdido muito peso e estar fragilizado em função do tratamento, não estava conseguindo ingerir alimentos pelas vias normais. 

 

https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/gente/noticia/2021/02/apos-tratamento-marido-de-ana-hickmann-comemora-nao-ha-mais-sinais-do-cancer-ckl0yo46f002j017wfdc3e65q.html

domingo, 7 de março de 2021

Boas perspectivas para tumores, apresentadas na ASCO 2020

ASCO20 Virtual Scientific Program

Oncologistas do Instituto Vencer o Câncer falam dos principais destaques do maior congresso de Oncologia do mundo

A edição de 2020 do Encontro Anual da American Society of Clinical Oncology trouxe novidades para o tratamento de diversos tumores. Neste ano, o maior congresso mundial de oncologia foi virtual e reuniu 40 mil especialistas para discutir novos avanços na prevenção, diagnóstico e terapias contra o câncer.

A Oncologia brasileira teve um destaque inédito: uma pesquisa coordenada pelo oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC) foi um dos destaques da sessão oral de próstata. Este é o primeiro estudo realizado e conduzido integralmente na América Latina a receber esta distinção, pela importância dos resultados para milhares de pacientes com câncer de próstata, o tumor mais prevalente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não-melanoma.

A pesquisa avaliou um tratamento hormonal que não diminui a testosterona nos pacientes com câncer de próstata metastático, na maioria das vezes envolvendo ossos, gânglios, fígado ou pulmões. Os médicos brasileiros estudaram a hipótese de alternativas livres de ADT (sigla em inglês para androgen-deprivation therapy ou castração hormonal, que diminui os níveis de testosterona para patamares baixíssimos, o tratamento mais tradicional para o câncer de próstata avançado resistente à castração), com a utilização de medicamentos inibidores de sinalização de andrógenos (apalutamida e abiratraterona) que podem fornecer alta eficácia, com um perfil de segurança favorável e efeitos colaterais menores.

“Este estudo brasileiro é a primeira pesquisa mundial que compara formas novas de hormonioterapia que não levam à diminuição dos níveis testosterona versus a clássica castração, que causa uma série de efeitos colaterais tão indesejáveis”, afirma Maluf.

O comerciante José Carlos Oliveira, de 73 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata em 2018, quando seu médico explicou que ele poderia participar do estudo clínico brasileiro. “Este protocolo permitiu que eu continuasse trabalhando, seguindo minha vida com poucas alterações. Sinto uma felicidade muito grande de poder participar da pesquisa e ter um resultado muito positivo. Espero que, no futuro, represente um benefício para mais pacientes”, destaca Oliveira.

“É um resultado inédito e agora precisa de um patamar maior, com maior número de pacientes, para termos resultados com mais certeza”, ressalta Maluf.

Ainda para câncer de próstata, Fernando Maluf cita dois estudos promissores. O primeiro avaliou em 200 pacientes o uso de uma nova droga, inteligente, que liga uma molécula de radioterapia a uma proteína de membrana presente na célula prostática. A droga é injetada por via endovenosa; quando ela gruda na célula tumoral, a radiação é liberada de forma intensa no tumor. A análise comparativa desse medicamento versus quimioterapia mostrou que esse tratamento dobrou as chances de resposta do PSA e reduziu o risco de progressão da doença em quase 40% a mais dos pacientes. Segundo o oncologista, é uma opção para os pacientes com doença avançada que falharam os primeiros tratamentos hormonais e quimioterápicos.

O outro estudo, com 936 pacientes, avaliou novo papel da hormonioterapia para diminuir testosterona, só que diferentemente dos hormônios já usados, que eram injeções, esse é um remédio oral. “O resultado demonstrou que esse medicamento oral consegue diminuir a testosterona (que alimenta esse tumor) de forma mais impactante que as injeções, além de reduzir o risco de complicações cardiovasculares mais de 60% comparado com as injeções. A droga oral aparentemente é mais eficaz para diminuir a testosterona, pelo menos na marca de um ano, no qual o estudo foi desenhado, e também é mais segura do ponto de vista cardiovascular”, explica Maluf. O aspecto negativo é que esse medicamento ainda não está disponível em nenhum país, mas deve em breve ser submetido para aprovação.

No câncer de bexiga, o oncologista aponta um estudo com pacientes em estágio avançado, com doença metastática, premiado como um dos cinco mais importantes entre mais de 10 mil trabalhos submetidos no congresso. “Participaram 700 pacientes tratados com quimioterapia e aqueles que tiveram resposta ou pelo menos controle da doença, foram divididos em dois grupos: um recebeu imunoterápico e outro, placebo. O estudo que recebeu imunoterapia teve resultados muito bons”, informa Maluf.

Em câncer de mama, o oncologista Antonio Buzaid, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer, ressalta que o encontro da ASCO apresentou a atualização de um estudo que avaliou o papel das assinaturas genéticas – genes avaliados na célula cancerosa para verificar se é possível evitar uso de quimioterapia em uma mulher que já operou. “O teste MammaPrint, que é aplicado em certas situações, foi atualizado com oito anos de seguimento. O resultado foi bem, mas não tão bem na mulher mais jovem. Nas mulheres acima de 50 anos, confirmou que não valia a pena dar quimioterapia, mas nas mais jovens, quando o teste apontou que o uso da quimio poderia não ser uma boa ideia, o resultado indicou que o grupo que recebeu quimioterapia teve 5% melhor evolução do que o grupo que não recebeu. Isso incomodou muitos de nós, médicos, que usamos esse teste e teremos que pensar em outras opções, talvez voltar ao Oncotype. Não há teste perfeito, mas teremos que rediscutir com nossas pacientes as opções”, avalia.

O oncologista cita também um importante estudo sobre sequência de remédios na doença avançada, com um novo medicamento aprovado no Brasil para câncer de mama, para quem tem alteração no gene PIK three CA, que ocorre em 40% dos casos desses tumores.

“Pacientes que recebem outro grupo de remédios, chamados inibidores de CDK4/6, quando usados na primeira linha com anti-hormônio, aumentam a sobrevida das pacientes em casos de câncer de mama avançado com essa mutação, aparecendo como boa estratégia”.

Buzaid esclareceu ainda outro estudo com um medicamento que inibe uma enzima especial em quem tem tumor com alteração genética de nascença. O remédio, aprovado para pacientes com mutação BRCA1/2 que desenvolvem câncer de mama, também demonstrou ser eficiente em pacientes que não têm esse defeito genético do nascimento, mas a célula cancerosa apresenta essa mutação genética. “Funcionou muito bem nesses casos e também para outro tipo de mutação, em pessoas que nascem com o PALB2”, afirma Buzaid.

 

Apesar de não ser o tipo mais comum, o câncer de pulmão é o que mais provoca mortalidades, tanto no Brasil quanto em outros países. O oncologista William William, diretor médico de Oncologia Clínica e Hematologia do Centro Oncológico da BP e integrante do Comitê Científico do IVOC avisa que o tratamento para esse tumor está sofrendo uma grande revolução nos últimos cinco a dez anos, com uma maneira de tratar completamente diferente do que era há uma década. “Os pacientes estão vivendo com mais qualidade de vida, por maior tempo e aumentando as chances de cura”, avalia.

O médico afirma que um conceito bastante desenvolvido em câncer de pulmão é o da medicina personalizada. “Hoje entendemos esse tumor não como uma doença única, mas várias. Cada tumor tem um defeito em suas moléculas, que faz com que se torne mais ou menos agressivo. Aprendemos que se identificarmos esse tipo de alteração em cada paciente, podem ser usadas medicações que atuarão especificamente em cada uma dessas alterações. Se junto o medicamento correto para o paciente com alteração específica, tenho uma eficácia bastante grande. A isso chamamos terapia-alvo, a personalização do tratamento”, explica William, destacando que uma novidade no encontro da ASCO deste ano foi a identificação de algumas alterações moleculares mais raras, que adequadamente tratadas levam a um grande controle da doença. “São alterações que podem acontecer em 1% a 2% dos pacientes com câncer de pulmão”.

Uma das vantagens desses resultados, aponta, é que com tratamento eficaz da doença avançada, essas estratégias também começam a ser usadas em casos em que o tumor não está tão avançado. “Antigamente nós operávamos e eventualmente dávamos alguma quimioterapia preventiva depois, e o tratamento parava por aí. No congresso vimos que se operarmos, dermos a quimioterapia, identificarmos o alvo correto e fizermos a terapia-alvo no pós-operatório, aumentamos as chances de cura do paciente”.

William cita ainda outra importante novidade em câncer de pulmão, com relação à imunoterapia, que aumenta o sistema de defesa do organismo. “Vimos combinações de duas imunoterapias diferentes mais quimioterapia sendo muito eficazes. Essas estratégias estão sendo refinadas e suas combinações podem levar ao controle da doença por anos; o câncer de pulmão passa a ser uma doença crônica como diabetes ou pressão alta”.

Buzaid salienta que a imunoterapia para câncer de pulmão avançado está cada vez mais presente e demonstra sinais de eficácia, até mesmo de cura numa fração de pacientes seguidos vários anos.

Comentando as apresentações no congresso voltadas ao câncer de ovário, o mais perigoso dos tumores femininos, Fernando Maluf citou um estudo importante que avaliou, em pacientes com recidiva da doença, o papel de uma nova cirurgia, além da quimioterapia. “Um estudo europeu, com 407 pacientes, mostrou que além da quimioterapia de resgate, para quem a doença infelizmente voltou, uma cirurgia de resgate tem papel importantíssimo de aumentar a chance de sobrevida das pacientes. A cirurgia deve ser feita em grandes centros, com ótimos cirurgiões”.

O oncologista ressalta outra pesquisa importante, com um inibidor de PARP responsável por evitar que o tumor reconstitua seu DNA quando está sendo atacado. “O estudo foi feito somente em mulheres com mutação BRCA1 e 2, responsável por 20% dos tumores de ovário. Para esse grupo em que a doença voltou, após novo tratamento com quimioterapia, essa droga conseguiu manter a doença controlável em boa parte das pacientes, em comparação com o placebo”.

Um terceiro estudo sobre câncer de ovário trouxe uma droga com ação de cavalo de tróia – já usada em outros tumores – que se liga a um receptor da célula do tumor, liberando dentro dela uma substância bastante tóxica, que não poderia ser liberada no sangue; ela atua como inibidor, evitando que a célula tumoral se prolifere. A análise envolveu 60 pacientes com esse tumor que já tinham falhados múltiplos tratamentos. Maluf explica que a droga proveu resposta de até 64% em pacientes cujas chances de respostas para medicações normais eram abaixo de 10%.

Sobre câncer de intestino, o oncologista Fábio Kater admite que “fazia tempo que não tínhamos novidades que pudessem mudar nossa prática diária e esse ano tivemos, em especial no tumor mais importante do sistema digestivo e um dos mais frequentes da população”. O trabalho foi realizado com pacientes que têm uma marcação chamada instabilidade de microssatélite, defeito que faz com que o organismo reconheça de forma errada a célula maligna, presente em 4% a 5% desses pacientes. “Os pacientes de câncer colorretal com instabilidade de microssatélite têm uma resposta bastante diferente; tumores com esse defeito de reparo talvez respondam menos à quimioterapia”, destacou Kater. O estudo resolveu considerar a resposta inflamatória que essa alteração provoca e utilizar imunoterapia ao invés de quimioterapia – até então havia resultados com uso de imunoterápicos para pacientes com câncer metastático em que havia falhado o tratamento padrão de quimioterapia. O resultado indicou que a imunoterapia foi melhor que a quimio nesses casos, com demora maior para o retorno do tumor e maior chance de resposta. Kater avisa que ainda não é possível definir se haverá aumento na sobrevida, porque o trabalho não está maduro suficiente. “Podemos concluir que para pacientes com câncer de intestino avançado que têm a marca da instabilidade do microssatélite a imunoterapia é uma ótima opção como primeira abordagem do tratamento. Esse tratamento não invalida o uso de quimioterapia subsequente, se porventura o paciente não responder”.

O uso de terapia-alvo em câncer de intestino foi objeto de um estudo com pacientes com mutação BRAF dentro da célula tumoral, que cria um cenário menos responsivo aos tratamentos. “Sabíamos que para essa população o bloqueio de alguns alvos específicos, inclusive BRAF, proporciona respostas melhores do que a quimioterapia. Mas não sabíamos se isso poderia repercutir em um ganho de expectativa de vida dos pacientes”, diz Kater, acrescentando que acompanhamentos mais longos demonstraram que para tumores BRAF com falha de uma linha de tratamento prévio o bloqueio com drogas-alvo específicas, associadas ou não a uma terceira droga, era melhor do que o tratamento padrão de quimioterapia. Segundo o oncologista, como essa opção é mais efetiva e tem menos efeitos colaterais, deve se tornar a melhor escolha.

 

No canal do Vencer o Câncer no Youtube você encontra mais informações sobre o Encontro Anual da ASCO 2020.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Câncer na pandemia: FEMAMA aponta os aprendizados de 2020 que devemos ampliar em 2021

Equipe Oncoguia- Data de cadastro: 21/12/2020 - Data de atualização: 21/12/2020

 

Que 2020 foi um ano desafiador para toda população mundial, não é novidade. Mas pacientes com câncer tiveram algumas razões a mais para se preocupar. O câncer é uma doença que não espera, pode ter uma evolução rápida e o diagnóstico precoce é a melhor forma de combate – oferecendo até 95% de chance de cura. Então, como agir quando a principal recomendação das autoridades mundiais de saúde foi para ficar em casa?

 

A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) acompanhou de perto essa movimentação e compilou os principais desafios que esse ano tão difícil trouxe e pontos de atenção e cuidados que pacientes oncológicos devem ter em 2021.

 

Os duros ensinamentos de 2020

 

Logo no início de abril, pouco mais de um mês após o primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil, a Dra. Maira Caleffi, mastologista e presidente voluntária da FEMAMA, pontuou o impacto da pandemia no câncer: “Devemos procurar as melhores soluções locais, alinhadas às orientações do Ministério da Saúde, para garantir o atendimento aos casos urgentes e não deixar desassistidos os demais casos”, disse. Mas, já em maio, a entidade notou falta de compromisso do sistema de saúde com pacientes oncológicos e sua incapacidade de responder às demandas.

 

Sem direcionamentos claros, com trocas de ministros da saúde e uma gestão descoordenada, o que se viu foi o aumento de cancelamento de consultas e cirurgias agravando ainda mais a situação da oncologia no país. Em levantamento com sua rede de 70 ONGs associadas, a FEMAMA identificou que o cancelamento de consultas e cirurgias era a principal reclamação de quase 55% de pacientes. A principal dúvida, de mais de 74%, era justamente quando os tratamentos retornariam à normalidade.

 

Na época, Caleffi alertou: “Vamos ver um aumento significativo de casos de tumores palpáveis e tratamentos mais agressivos, com maior custo e morbidade. É uma necessidade urgente que se abram caminhos ‘livres de corona’ para que as pessoas encontrem ajuda e informações”. Os hospitais e unidades de saúde começaram a preparar, de fato, essas áreas.

 

Mas a preocupação das entidades e pacientes parecia não ser a mesma do Governo Federal. No fim de junho, já completávamos 45 dias sem um ministro da saúde, em plena pandemia – e que se estendeu para além de 120 dias – e a FEMAMA, junto a outras instituições, pediu publicamente atitudes do inerte órgão que é a autoridade máxima de saúde do país. A entidade também cobrou, formalmente, a falta de ação que já vinha ocorrendo desde 2019 com a Lei dos 30 Dias e a Lei de Notificação Compulsória do Câncer, tão importantes para pacientes oncológicos, mas que foi justificada, pelas autoridades, usando a pandemia. Não houve resposta satisfatória.

 

2020 nos mostrou quão deficitária está a atenção oncológica em todas as etapas da doença. Os pacientes não sabiam o que fazer ou a quem procurar para obter respostas sobre o câncer. Todo o sistema público se voltou para o coronavírus.

 

Cuidados com o câncer em 2021

 

Com o novo aumento de casos de covid-19, pode-se concluir que é uma situação que se arrastará por algum tempo, mesmo se a vacina começar a ser aplicada, já que somente alguns grupos serão preferenciais e nem toda população terá acesso.

 

As entidades do terceiro setor continuam exercendo seu papel de lutar pelos direitos de pacientes. Durante 2020, a FEMAMA intensificou seus canais de comunicação com os pacientes por meio de suas ONGs associadas e promoveu, além de seu fórum anual, diversas lives em seu canal, com temas que trataram de fatores de risco do câncer de mama a direitos de pacientes oncológicos. E são essas orientações que pautarão os cuidados que devemos manter e ampliar em 2021:

 

Manter as consultas com mastologista e oncologista: O diagnóstico precoce ainda é a melhor forma de lutar contra o câncer, já que para alguns tipos, como o câncer de mama, não há prevenção. Por isso, é importante o acompanhamento médico, seguindo também todos os novos protocolos sanitários;

 

Continuar o tratamento para o câncer: Quem já teve o diagnóstico, deve continuar com o tratamento, sempre tomando todos os cuidados, para que a doença não avance até um estágio em que haja menos possibilidade de cura ou que o tratamento seja mais agressivo.

 

Atualizar a caderneta de vacinação: Por ficarem mais vulneráveis a contrair infecções devido ao sistema imunológico mais frágil, é importante que pacientes oncológicos mantenham sua caderneta de vacinação atualizada. Para isso, com a prescrição médica, basta procurar os Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) de cada estado. A FEMAMA responde, em seu site, dúvidas sobre vacinas para pacientes com câncer.

 

Fazer as 3 perguntas que salvam: A campanha de Outubro Rosa da FEMAMA em 2020, propôs que homens e jovens se juntassem às mulheres e fizessem três perguntas que podem salvar as mulheres de sua vida. Incentivar quem se ama a se cuidar é uma prática diária que não deve ficar restrita ao mês de outubro. As três perguntas são:

 

Você tem observado suas mamas?

Você já marcou seus exames anuais?

Você conhece seus fatores de risco?

 

Assim como toda a população mundial, a FEMAMA espera que em 2021 todos possam fazer sua parte para que o ano seja mais leve, principalmente as autoridades de saúde brasileiras. E, com tudo que aconteceu, 2020 deixa algumas lições importantes para trilharmos esse caminho com menos obstáculos e mais conhecimento e solidariedade, especialmente para com pacientes oncológicos. O nosso normal mudou, mas o câncer, não

 

http://www.oncoguia.org.br/conteudo/cancer-na-pandemia-femama-aponta-os-aprendizados-de-2020-que-devemos-ampliar-em-2021/14111/7/