quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Cientistas apresentam aparelho para detectar câncer de mama em casa

AFP
Em Tóquio
Cientistas japoneses apresentaram nesta quinta-feira (24 de outubro) um dispositivo para detectar o câncer de mama na casa da paciente, um aparelho que pode revolucionar a detecção da doença no estágio inicial.

O dispositivo, produzido após oito anos de pesquisas pelo laboratório de engenharia medica Newcat da Universidade Nihon, tem a forma de uma bola que cabe na palma da mão.

O aparelho possui um mecanismo captor de diodo emissor de luz LED e um fototransistor que, ao entrar em contato com o seio, detecta um eventual acúmulo de sangue, o que pode estar relacionada com um tumor cancerígeno, explicou o professor Mineyuki Haruta.

Este pequeno instrumento permite a detecção prematura do câncer de mama, um fator decisivo que aumenta as probabilidades de cura.

"O aparelho está pronto, mas somos uma universidade e não temos possibilidades de fabricá-lo e vendê-lo. Estamos buscando uma empresa que possa produzi-lo e comercializá-lo", disse Haruta.

"Esperamos que as mulheres possam utilizar algum dia este aparelho, a um preço inferior a 20.000 ienes (150 euros)", completou.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Mensagem de Boas Festas

O Vida com Câncer deseja a todos os amigos

Novos medicamentos podem romper "escudo protetor" de células cancerígenas

Gina Kolata
Do The New York Times
21/10/201307h00

Por mais de um século, os pesquisadores ficaram intrigados com a capacidade incrível das células cancerosas de escapar do sistema imunológico. Eles sabiam que as células cancerosas eram grotescamente anormais e deveriam ser mortas pelos glóbulos brancos do sangue. No laboratório, em placas de Petri, os glóbulos brancos do sangue atacavam as células cancerígenas. Por que, então, os cânceres conseguiam sobreviver no corpo?

A resposta, quando finalmente surgiu há poucos anos, chegou com um bônus: uma forma de impedir a estratégia do câncer. Os pesquisadores descobriram que os cânceres se envolvem em um escudo protetor invisível. E eles descobriram que podem quebrar esse escudo com as drogas certas.

Quando o sistema imunológico fica livre para atacar, os cânceres podem encolher, parar de crescer e até mesmo desaparecer nos pacientes felizardos com as melhores respostas.
Pode não importar que tipo de câncer a pessoa tem. O que importa é permitir que o sistema imunológico faça seu trabalho.

Até o momento, as drogas foram testadas e ajudaram pacientes com melanoma, câncer de rim e de pulmão. Em estudos preliminares, elas também parecem ser eficazes em câncer de mama, câncer de ovário e cânceres de cólon, estômago, cabeça e pescoço, mas não no de próstata.

Ainda é cedo, é claro, e restam dúvidas. Por que apenas alguns pacientes respondem às novas imunoterapias? Essas respostas podem ser previstas? Assim que repelidos pelo sistema imunológico, por quanto tempo os cânceres permanecem sob controle?

Ainda assim, os pesquisadores acham que estão vendo o início de uma nova era na medicina do câncer.

"Incrível", disse o dr. Drew Pardoll, o diretor de pesquisa de imunoterapia da Escola de Medicina Johns Hopkins. Este período será visto como o ponto de inflexão, ele disse, o momento na história da medicina em que tudo mudou.

Pesquisadores e empresas dizem que estão apenas começando a explorar as novas imunoterapias e a desenvolverem outras para atacar os cânceres, como o de próstata, que parece usar moléculas diferentes para escapar dos ataques imunológicos. Eles estão nos primeiros estágios de combinação de imunoterapias com outros tratamentos em uma tentativa de melhorar os resultados.

"Eu quero ser muito cuidadoso para não badalar em excesso e aumentarmos tanto as expectativas dos pacientes a ponto de não conseguirmos atendê-las", disse a dra. Alise Reicin, vice-presidente da Merck para pesquisa e desenvolvimento.

Mas as empresas têm um incentivo para acelerar o desenvolvimento dos medicamentos. Eles deverão ser caros e a demanda imensa. Adiamentos de até mesmo poucos meses significam uma perda enorme de receita potencial.

Baixando as defesas
A história dos novos tratamentos de câncer começou com a descoberta de como os cânceres evitam os ataques. Foi descoberto que eles usam os próprios freios do corpo, que normalmente desligam o sistema imunológico após ele concluir seu trabalho de matar as células infectadas por vírus.

Um sistema de freio, por exemplo, usa uma molécula, a PD-1, na superfície das células T do sistema imunológico. Se uma célula alvo tem moléculas conhecidas como PD-L1 ou PD-L2 em sua superfície, a célula T não pode atacá-la.

Assim, algumas células cancerosas se cobrem dessas moléculas. O efeito, quando as células T estão próximas, é como se desligasse um interruptor. As células T simplesmente se desativam.

Acredita-se que os cânceres que não usam PD-L1 ou PD-L2 utilizam outros sistemas semelhantes, que estão começando a ser explorados. Os sistemas do corpo contam com muita redundância para conter os ataques imunológicos. Mas por ora, o sistema PD mostrou aos pesquisadores como as células cancerosas podem escapar da destruição.

"Isso foi compreendido nos últimos anos", disse Ira Mellman, vice-presidente de pesquisa oncológica da Genentech. "As células de tumor estão fazendo uso desse freio."
A descoberta levou a uma ideia: talvez uma droga que cobrisse quaisquer uma dessas moléculas PD, nas células cancerosas ou nos glóbulos brancos do sangue, permitiria ao sistema imunológico realizar o seu trabalho.

O primeiro indício de que o escudo protetor do câncer poderia ser rompido ocorreu em 2010, depois de um teste da droga ipilimumab em pacientes com melanoma fora isso sem tratamento. A droga libera o sistema imunológico, permitindo que ataque os tumores mesmo se contarem com o escudo protetor.

Os pacientes que receberam a droga sobreviveram em média 10 meses, ou quatro meses a mais do que aqueles que receberam aleatoriamente um tratamento diferente. E aproximadamente 20% dos pacientes que responderam já sobreviveram até 10 anos. Ela foi a primeira droga a melhorar a sobrevivência de pacientes com melanoma metastático em um teste aleatório.

"Foi espetacular", disse o dr. Axel Hoos, vice-presidente de pesquisa oncológica e desenvolvimento da GlaxoSmithKline, que ajudou a desenvolver a droga quando estava na Bristol-Myers Squibb. "Até esse ponto de inflexão, a imunoterapia tinha má reputação. Ela não funcionava."

A droga foi aprovada para melanoma em março de 2011, com um preço caro –US$ 120 mil por todo o período de tratamento.

Ela também tinha outro revés. Ao liberar o sistema imunológico, isso às vezes levava a ataques às células normais. Em alguns casos, a reação era fatal. Mas o teste foi uma prova de conceito. Ele provou que os cânceres podem sucumbir ao ataque pelo sistema imunológico.

Emblemas de esperança
À medida que os pesquisadores continuam estudando novas drogas e perguntam se podem melhorar seus resultados ao combiná-las com outras terapias, eles são animados por alguns dos raros pacientes cujos cânceres foram detidos pelas drogas. Eles alertam que esses pacientes são incomuns; estudos críticos que revelam os efeitos das drogas sobre populações de pacientes de câncer ainda estão em curso.

"O que realmente queremos saber é, as pessoas estão vivendo mais tempo?" disse o dr. Roger M. Perlmutter, presidente do laboratório de pesquisa Merck. Para isso, "será preciso esperar", ele prosseguiu, acrescentando: "O que não quero fazer é dar falsa esperança às pessoas".

Mas alguns pacientes, como dois tratados na Hopkins, se transformaram em emblemas de esperança.

Em 2007, Dennis M. Sisolak, que tem 72 anos e é um engenheiro aposentado de Bel Air, Maryland, soube que tinha câncer de rim. O tumor era imenso e o câncer tinha se espalhado. Após tentar duas novas drogas sem sucesso, seu médico, o dr. Charles G. Drake, um especialista em câncer de rim da Johns Hopkins, o inscreveu em um teste clínico inicial do inibidor do PD-1. Seu câncer desapareceu nos exames e não retornou, apesar de não estar mais sob tratamento há um ano.

"Eu tenho muita gente rezando por mim", disse Sisolak.

Drake disse que três de seus pacientes apresentaram respostas semelhantes, incluindo um que foi tratado há cinco anos no primeiro estudo. Todos, com a doença em estágio avançado, já estariam mortos a esta altura, ele disse, acrescentando: "Pessoalmente, nunca vi nada assim".

David Gobin, 63, um policial aposentado de Baltimore, tem uma história semelhante. Ele soube que tinha câncer de pulmão em 2008. Ele passou por cirurgia para remoção dos lobos inferiores de seu pulmão direito, depois radioterapia e quimioterapia.

O tratamento foi penoso: ele perdeu 31 quilos. Dois anos depois, o câncer tinha voltado e se espalhou para a parede do peito. Ele passou por mais cirurgia, mais quimioterapia, mais radioterapia.

Em 2010, Gobin entrou em um teste clínico de uma droga experimental que interfere no crescimento celular, mas sem sucesso.

Então seu médico na Johns Hopkins sugeriu um teste em Fase 1 de uma droga anti-PD-1.

"Claro, eu participarei", Gobin lembrou ter dito. "O que tenho a perder?"

Seus tumores encolheram significativamente e não cresceram de novo, mesmo quando ele parou de tomar a droga há oito meses.

"Todo dia que meus pés pisam na grama é um bom dia", disse Gobin. "Eu estava no local certo, na hora certa. Eu sempre terei câncer, mas sabe de uma coisa, eu posso viver com isso."

"O Senhor queria que eu permanecesse vivo e eu estou vivo."

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Exame de sangue pode ajudar a detectar câncer de pulmão, afirma estudo

AFP 16/10/201320h17
Em Washington

Um exame de sangue experimental demonstrou ser promissor para a detecção do câncer de pulmão em estágio inicial e poderá ser um instrumento de diagnóstico mais preciso do que os escâneres e as biópsias invasivas, disseram pesquisadores nesta quarta-feira (16).

Só um a cada cinco pacientes submetidos a cirurgia ou biópsia de uma pequena massa pulmonar detectada durante escâner de tomografia computadorizada (TC) pode realmente ter câncer e os especialistas afirmam que há grande necessidade de uma tecnologia melhor.

"Levando em conta que os oncologistas recorrem frequentemente a biópsias e intervenções cirúrgicas que comportam riscos para determinar a natureza de uma lesão, há necessidade de (métodos de) diagnósticos que permitam evitar estes procedimentos", destacou o pneumonologista Kenneth Fang, responsável pela divisão médica da Integrated Diagnostics (Indi), laboratório americano que patenteou o teste e é co-autor do estudo.

O câncer de pulmão, o mais comum no mundo e um dos mais perigosos, mata 1,3 milhão de pessoas a cada ano segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O tabagismo é a causa principal.

A prova experimental, descrita em um estudo na revista Science Translational Medicine, foi aplicada em 143 pacientes em três lugares diferentes dos Estados Unidos.

Todos os pacientes tinham pequenas massas chamadas nódulos nos pulmões. Alguns apresentavam câncer em estágio 1, em outros casos tratou-se de tumores benignos.

A partir da identificação de 13 proteínas no plasma, o teste determinou de forma precisa se os nódulos eram benignos em 90% dos casos. A prova se apoia em bioinformática, que permite analisar simultaneamente 371 potenciais marcadores de câncer de pulmão.

"O estudo sugere ser possível detectar a assinatura molecular do câncer de pulmão ao medir a presença de múltiplas proteínas no sangue de um paciente", explica Paul Kerney, encarregado científico de Indi e um dos principais autores do estudo.

Os pesquisadores a cargo do projeto procedem do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York, a Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia e o Centro Médico da Universidade Vanderbilt.

"Os médicos que tratam estes casos têm com frequência muitas dificuldades em decidir os passos a seguir, após terem detectado um nódulo no pulmão de um paciente, vista a dificuldade de saber se esta lesão representa ou não risco de ser cancerosa", diz Fang.

Um porta-voz da companhia declarou à AFP que uma versão comercial do teste deve estar disponível nos Estados Unidos este ano. Seu preço ainda não foi determinado, disse.

Os nódulos de pulmão costumam ter entre 5 e 25 milímetros de comprimento. Os maiores têm mais possibilidades de ser cancerosos do que os menores.

O procedimento padrão de tratamento atual implica comparar os raios X do tórax com escâner de TC ao longo do tempo e fazer uma biópsia em caso de suspeita de câncer.

"Este trabalho não é mais que um começo, mas os princípios nos quais esta tecnologia de diagnóstico se baseia deveriam poder ser aplicados a outros cânceres e patologias", concluiu Fang, abrindo o caminho para aplicações potenciais no futuro.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cubanos: TCU quer contrato explicado

Ministério da Saúde tem 15 dias para responder porque pagou de forma antecipada seu convênio para o Mais Médicos.

O TCU (Tribunal de Contas da União) deu 15 dias para o governo federal explicar o pagamento antecipado (R$ 24,3 milhões) à Opas (Organização Panamericana de Saúde), intermediária na contratação de profissionais cubanos para o Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde.

O TCU pede que o governo explique quais medidas tomará caso o valor para reembolso de custos indiretos decorrentes da cooperação técnica não corresponda aos serviços prestados.

O maior questionamento, porém, é quanto ao tratamento diferente dados aos cubanos em relação aos brasileiros e médicos de demais nacionalidades.

O TCU questiona formalmente se os intercambistas cubanos receberão a bolsa máxima, que é de R$ 10 mil – o próprio Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já admitiu que a maior parte do dinheiro ficará com a ditadura que governa Cuba.

Um dos médicos cubanos que chegou para o programa em Belo Horizonte, disse que receberá R$ 1.260,00, pouco mais de 10% do total pago.

O TCU ainda pede que o governo explique a contratação de 20 assessores internacionais e de 20 consultorias especializadas por intermédio da Opas.

Fonte: Destak Brasil – 12/12/2013

Observação: Nós, do Vida com Câncer, tivemos oportunidade de ficar hospedados recentemente no Hotel Grand Bitar de Brasília, onde estão hospedados dezenas de médicos cubanos fazendo curso sobre termos médicos em português. Além da hospedagem, os cubanos recebem gratuitamente as refeições (almoço e jantar) do governo brasileiro, provavelmente porque o que recebem não dá para pagar nada. Uma coisa que chamou nossa atenção foi o aspecto de pobreza destes profissionais, considerando a roupa que usavam, falta de dentes, penteado e corte de cabelo das mulheres, o que nos levou até a duvidar da formação de alguns deles. Na realidade são verdadeiros escravos, cujos passaportes estão retidos pelo governo brasileiro para evitar a fuga ou pedido de asilo político. Por serem terceirizados não estão sujeitos às leis trabalhistas brasileiras, não descontando INSS ou fazendo jus ao recebimento de FGTS. Onde está a turma dos direitos humanos? Outra pergunta que gostaríamos de fazer é sobre quem pagará a hospedagem e as refeições deles no futuro? Com a mesada de pouco mais de R$ 1 mil, não terão recursos suficientes para viverem com um mínimo de dignidade em qualquer grande e média cidade brasileira.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Piora o atendimento médico por meio dos planos de saúde, indica Datafolha

http://economia.terra.com.br/piora-o-atendimento-medico-por-meio-dos-planos-de-saude-indica-datafolha,2edfff1ee56c1410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares

A maioria dos associados aos planos de saúde no estado de São Paulo enfrentou dificuldades na hora em que precisou dos serviços contratados. Os problemas ocorreram nos dois últimos anos, segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela Associação Paulista de Medicina. O levantamento mostra que a deterioração do atendimento levou 30% dos pacientes a pagar por serviços particulares ou a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS).
Em comparação a pesquisa anterior, cresceu em 50% a procura da rede pública, por falta de opção de atendimento por meio dos planos. O número de segurados que se sentiram obrigados a buscar atendimento particular cresceu entre 2012 e 2013. No ano passado, 9% declararam ter feito a opção ante 12%, neste ano de 2013. O grupo que recorreu ao sistema público passou de 15%, em 2012, para 22% neste ano.
O presidente da associação dos médicos e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Florisval Meinão, esclareceu que a 'questão está na estrutura da iniciativa privada e não na qualidade do atendimento médico'. Ele observou que a quantidade de leitos oferecidos no Brasil oscila entre dois a três a cada mil habitantes enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é três a cinco. 'Nos precisaríamos criar mais 16 mil leitos até 2016', defendeu.
A principal queixa ouvida pelos pesquisadores do Datafolha diz respeito à sala de espera lotada em prontos-socorros, e a demora no atendimento, apontada por 66% dos entrevistados. As dificuldades em agendar exames e obter diagnósticos atingiu 47% das citações. As reclamações de falhas no pronto-atendimento foram feitas por 80%. A demora em autorizar exames mais complexos ou mesmo a negativa foi citada por 16% dos entrevistados.
A pesquisa foi feita com 861 pessoas das quais 422 residentes na região metropolitana de São Paulo e 439, no interior. Na amostragem projetada, estimou-se que 79% de um universo de 10,4 milhões de usuários ou 8,2 milhões tiveram algum tipo de problema relacionado ao plano de saúde. Cada uma relatou, em média, 4,3 questões de conflito.
O levantamento mostrou também que a maioria dos associados faz a sua queixa diretamente às seguradoras, caso de 11% dos consultados. Apenas 2% recorrem ao Procon e 1% chegaram à Agência Nacional de Saúde.
Um terço dos usuários de planos de saúde recorre ao SUS ou paga consulta
Do UOL
Em São Paulo
17/10/201311h00 > Atualizada 17/10/201312h19

O levantamento indica que houve um aumento de 50% na procura de usuários de convênios por atendimento particular ou pelo SUS em relação à apuração anterior, feita no ano passado. Em 2013, 22% das pessoas que têm plano de saúde tiveram que recorrer ao sistema público, contra uma proporção de 15% registrada no ano passado. E 12% tiveram que arcar com o atendimento este ano, contra 9% em 2012.

O maior crescimento na procura por outras opções de atendimento ocorreu principalmente na capital, entre as mulheres e entre os usuários com idade entre 25 e 34 anos.

Metodologia
A pesquisa foi realizada junto à população adulta do Estado de São Paulo que utilizou planos de saúde dos últimos 24 meses. Foram consultados homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, que possuem plano ou seguro saúde como titulares ou dependentes.

A amostra total é de 861 entrevistas, feitas em setembro deste ano. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

Os entrevistados apontaram queixas como a dificuldade para marcar consultas e para realização de exames, cirurgias e procedimentos de maior custo, entre outros pontos.

Entre os usuários, 79% relataram problemas. A APM diz que, projetando-se a proporção para os 10,4 milhões de usuários, há 8,2 milhões de pessoas com queixas. Cada pesquisado apontou mais de quatro problemas referentes ao plano de saúde.

Queixas
Questionados sobre a utilização de serviços e a percepção de problemas, 66% dos entrevistados reclamaram de dificuldades em consultas médicas e 47%, na realização de exames. Já o pronto atendimento, terceiro em uso, é o serviço com maior índice de problemas: 80% dos usuários apresentaram queixas.

No item consultas médicas, demora na marcação (52%), médico que saiu do plano (28%), e demora na autorização da consulta (25%) são as queixas mais citadas pelos usuários.

Quando aos exames e diagnósticos, as queixas são recorrentes para demora para marcação (28%), poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas (27%), e tempo para autorização do exame ou procedimento (18%).

Local de espera lotado é o principal problema apontado pelos usuários do pronto atendimento (74%).  Demora para ser atendido também é um aspecto importante, mencionado por 55% dos usuários. Outras reclamações citadas são demora ou negativa para realização de procedimentos necessários (16%), locais inadequados para receber medicação (13%) e negativa de atendimento (9%).

Internações
Quarenta e um por cento dos usuários que precisaram ser internados relataram problemas, o que foi projetado para um total de 800 mil pessoas. Do total, 30% reclamaram da falta de opções de hospitais; 12% de dificuldade ou demora para o plano autorizar a internação; e 8% da falta de vaga no hospital procurado.

Dos 16% de usuários que passaram por cirurgia, um quarto relatou problemas como a demora na autorização (17%) e falta de cobertura para materiais especiais (9%).
Entre os entrevistados, 15% já fizeram alguma reclamação, recurso ou notificação contra o plano de saúde. A negativa para cirurgia foi o motivo mais apontado pelos beneficiários que recorreram à Justiça.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Poluição do ar está entre principais causas de câncer, diz OMS

17/10/2013
DA REUTERS
O ar que respiramos está repleto de substâncias cancerígenas e contribui com centenas de milhares de mortes por ano, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), subordinada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O relatório disse que 223 mil mortes por câncer de pulmão ocorridas em 2010 no mundo resultaram da poluição atmosférica, e que também há fortes indícios de que a contaminação do ar eleva o risco de câncer de bexiga.

Já era sabido que a poluição atmosférica, decorrente principalmente das emissões de gases no transporte, geração energética, indústria e agricultura, eleva os riscos de diversas doenças cardiorrespiratórias.

Algumas pesquisas sugerem que nos últimos anos a exposição à poluição cresceu significativamente em algumas partes do mundo, especialmente em países populosos e que passam por uma rápida industrialização, como a China.

"Agora sabemos que a poluição atmosférica externa é não só um grande risco à saúde em geral, mas também a principal causa ambiental das mortes por câncer", disse Kurt Straif, diretor da seção de monografias da AIPC, que tem a tarefa de classificar os agentes cancerígenos.

Em nota divulgada após uma semana de reuniões entre especialistas que revisaram a literatura científica mais recente, a AIPC disse que a poluição atmosférica ao ar livre e o material particulado --um importante componente da poluição-- devem passar a ser classificados como agentes carcinogênicos do Grupo 1.

Essa classificação abrange mais de cem outros agentes cancerígenos conhecidos, como o amianto, o plutônio, a poeira de sílica, a radiação ultravioleta e o cigarro.

A classificação já abrangia também muitas substâncias habitualmente encontradas no ar poluído, como a fumaça dos motores a diesel, solventes, metais e poeiras. Mas esta é a primeira vez que os especialistas classificam o próprio ar poluído dos ambientes externos como uma causa do câncer.

Nossa tarefa foi avaliar o ar que todos respiram, em vez de focar em poluentes específicos do ar", disse Dana Loomis, subdiretora da seção. "Os resultados dos estudos revistos apontam na mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão é significativamente maior em pessoas expostas à poluição atmosférica."

Embora os níveis e a composição da poluição atmosférica variem muito de um lugar para outro, a AIPC disse que suas conclusões se aplicam a todas as regiões do mundo.

Christopher Wild, diretor da agência, disse que a classificação da poluição atmosférica como um agente carcinogênico é um passo importante no sentido de alertar os governos sobre os perigos e os custos em potencial.

"Há formas muito eficientes de reduzir a poluição atmosférica e, dada a escala da exposição que afeta as pessoas no mundo todo, este relatório deveria passar um forte sinal à comunidade internacional para agir."

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Curada de câncer, Maria Melilo faz festa: 'Nunca pensei que fosse morrer'

Ex-BBB comemorou aniversário de 30 anos em São Paulo com os amigos Talula e Daniel.
Odara Gallo Do EGO, em São Paulo

Ex-BBB Maria Melilo em sua festa de aniversário em São Paulo (Foto: Iwi Onodera/ EGO)

Maria Melilo comemorou a chegada dos 30 anos com uma festa, em São Paulo, nesta segunda-feira, 25, com a presença dos amigos ex-BBBs Daniel e Talula. Depois da cirurgia para tratar um câncer, Maria revelou que esse ano a data tem um sabor especial. "Gosto de vitória. Esse é o aniversário que estou dando mais valor na vida, né? Um dos mais importantes. Não é só o dia de comemorar meu aniversário, mas de celebrar uma vitória, por conta de tudo que eu passei", disse.

Ex-BBB Maria Melilo (Foto: Iwi Onodera/ EGO)

Ela atribuiu a recuperação também ao otimismo que teve durante o tratamento e pretende dividir a experiência por meio de um livro que será lançado em janeiro. "Acho que 90% da cura é a cabeça, né? Ter um pensamento positivo, pensar que vai vencer. Nunca pensei que fosse morrer, sempre pensei na vitória, em estar bem, em vencer essa luta".

Diagnóstico
A ex-BBB lembrou a época em que descobriu a doença, em outubro de 2011, e revelou o motivo de não ter divulgado o diagnóstico. "Foi um choque, mas nunca pensei na morte. Sempre pensei que ia vencer, que seria mais uma batalha", contou.

"Naquela época eu nem sabia direito o que estava acontecendo comigo, então acabei guardando pra mim. Agora as pessoas estão sabendo e me senti amada pelo Brasil. É tanto carinho, tantas mensagens, e isso me ajudou muito na recuperação", comemora.

Maria negou que a demora de dois anos para a cirurgia tenha relação com algum contrato de trabalho. "Os médicos falaram que no momento eu não precisava parar o meu trabalho, então continuei trabalhando. Mas eu sempre falei para os médicos e para os meus trabalhos que quando eu tivesse que parar de trabalhar pra me tratar eu ia parar. Porque em primeiro lugar vem a saúde. Sem a saúde a gente não trabalha".

Vida que segue
Com a etapa mais difícil já superada, Maria segue em recuperação, mas já leva vida praticamente normal. "Academia só daqui dois ou três meses e bebida alcoólica vou ficar muitos meses sem poder", explicou sobre os cuidados para o futuro.

Agora, ela só quer saber de seguir a vida ao lado do namorado, o lutador Serginho, com quem pretente casar e ter filhos, mas só "mais pra frente". E comemorar o fim do período turbulento. "Esses dois anos foram difíceis, foi uma batalha, mas nada é impossível."

Maria Melilo completou 30 anos no último dia 22. Recuperando-se de uma cirurgia delicada para retirar tumores do fígado, ela vai passar o dia em casa, apenas com o namorado, o lutador Serginho Moraes, e amigos mais próximos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

27 de Novembro Dia Nacional de Combate ao Câncer

Brasil terá 576 mil novos casos de câncer em 2014, diz Ministério da Saúde
Edgard Matsuki
Do UOL, em Brasília
27/11/201314h54

Membros do Fenama fazem ato simbólico em Brasília no Dia Nacional de Combate ao Câncer

Em 2014, o Brasil deverá ter cerca de 576 mil novos casos de câncer diagnosticados. A estimativa é do Inca (Instituto Nacional do Câncer) e do Ministério da Saúde. Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2014 - Incidência de Câncer no Brasil e foram apresentados em Brasília nesta quarta-feira (27), Dia Nacional de Combate ao Câncer.

De acordo com o Ministério da Saúde, os tipos de câncer que mais atingirão brasileiros no ano que vem são os de pele (182 mil casos), de próstata (68,8 mil), de mama (57,1 mil), de intestino (33 mil) e de pulmão (27 mil).

O Ministério também aponta que mais homens vão ser atingidos pela doença em 2014. Aproximadamente 204 mil novos casos de câncer vão ocorrer entre eles. Já os casos entre as mulheres vão estar em torno de 190 mil.

"A incidência em homens deve ser maior por eles estarem mais expostos a fatores de risco como tabagismo, má alimentação e consumo de bebidas alcoólicas", aponta Cláudio Noronha, coordenador de vigilância do Inca.

Entre eles, as maiores incidências de câncer serão de pele (não melanoma), próstata, pulmão, cólon e estômago. Entre as mulheres, após o câncer de pele, vêm o câncer de mama, o de cólon e reto, o de colo do útero e o de pulmão.

Regiões
Em relação às regiões do país, a Sudeste é a que deve ter o maior número de casos (299,7 mil), seguida das regiões Sul (116,3 mil), Nordeste (99 mil), Centro-Oeste (41,4 mil) e Norte (20 mil). "Como o envelhecimento na região Sudeste é maior, o número de casos tem de ser maior na região", aponta Cláudio Noronha, coordenador de vigilância do Inca.  
Os dados do estudo vão ser utilizados como base para novas políticas públicas na área de oncologia no país. A estimativa do Inca acontece de dois em dois anos e, em 2012, a estimativa era de que o país teria 520 mil novos casos.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Após tratar câncer na garganta, Osmar Prado volta à TV


26/11/2013
Osmar Prado, 66 anos, que estava em tratamento de um câncer na garganta, vai voltar à televisão. O ator está escalado para um dos papeis principais de Meu Pedacinho de Chão, próxima novela das seis da Globo.
Ele será Pedro Galvão, um coronel que é grande inimigo de Epaminondas (Ney Latorraca). O restante do elenco da trama está sendo escalado em sigilo absoluto na TV Globo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Remédio para pressão alta pode ajudar a tratar câncer, diz pesquisa

BBC Brasil 02/10/201304h57

Um medicamento normalmente usado contra pressão alta pode ajudar a combater o câncer ao abrir os vasos sanguíneos em tumores sólidos, segundo um novo estudo.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, usada em conjunto com drogas convencionais de combate ao câncer, o medicamento losartan poderia elevar a expectativa de vida dos pacientes.

Após testar a técnica com sucesso em camundongos, os pesquisadores pretendem agora dar losartan a pacientes com câncer no pâncreas para ver se conseguem o mesmo resultado no combate a tumores de tratamento difícil.

Atualmente, só 5% dos pacientes com câncer no pâncreas sobrevivem mais de cinco anos após o diagnóstico. Isso ocorre porque somente um em cada dez pacientes com a doença tem um tumor capaz de ser operado.

Voluntários

Os pesquisadores do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, estão atualmente recrutando pacientes voluntários com tumores no pâncreas que não podem ser operados para testar a nova combinação de quimioterapia com losartan.

O tratamento não deve ser capaz de curá-los, mas os pesquisadores acreditam que a técnica poderia dar a eles mais meses ou anos a mais de vida.

O losartan vem sendo usado há mais de uma década como um medicamento seguro para tratar pressão alta.

Ele age relaxando ou dilatando os vasos sanguíneos para que possam suportar um fluxo maior de sangue, baixando a pressão.

A equipe de pesquisadores de Massachusetts descobriu que o medicamento era benéfico em camundongos com câncer de mama ou no pâncreas.

Ele melhora o fluxo sanguíneo dentro e no entorno dos tumores, permitindo que uma quantidade maior das drogas de quimioterapia atinjam seu alvo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Uma colonoscopia a cada 10 anos evita 40% dos casos de câncer colorretal

AFPEm Washington

Uma colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 50 anos de idade permitiria evitar 40% dos casos de câncer colorretal, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, que confirma a eficácia do exame para prevenir a doença.

A frequência da revisão deve ser maior no caso de antecedentes familiares de câncer, responsável por 1,2 milhão de mortes por ano em todo o mundo, informam os autores do estudo, publicado no New England Journal of Medicine.

Os resultados confirmam as atuais recomendações, que aconselham a realização de uma colonoscopia a cada 10 anos para os pacientes com risco moderado. Este exame é eficaz para prevenir o câncer da parte superior do cólon ou proximal.

"A colonoscopia é o exame de diagnóstico mais realizado nos Estados Unidos, mas até agora não havia evidência suficiente para determinar quanto reduz o risco de câncer de cólon proximal e a frequência com a qual este procedimento deve ser feito", explicou Shuji Ogino, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, principal patrocinador do estudo.

"Nosso estudo proporciona fortes evidências de que a colonoscopia é uma técnica eficaz para prevenir o câncer de colon distal - próximo do reto - e proximal, enquanto a proctosigmoidoscopia é insuficiente para prevenir o câncer de cólon proximal".


A proctosigmoidoscopia é um exame que se limita à parte inferior do cólon, enquanto a colonoscopia examina a totalidade, com ajuda de um tubo flexível munido com uma câmera e instrumentos que permitem remover cistos e tumores benignos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CIENTISTAS CRIAM MOLÉCULAS QUE ILUMINAM TUMORES CEREBRAIS POR MEIO DE BIOENGENHARIA

Pesquisadores da Universidade de Stanford criaram, por bioengenharia, um peptídeo que permita o imageamento de meduloblastomas (um dos mais agressivos tumores cerebrais infantis) em ratos de laboratório.

Como uma "lanterna molecular", a substância adere aos tumores e os distingue do tecido saudável, permitindo a detecção e remoção do tecido doente.

Como meduloblastomas são comumente tratados cirurgicamente e têm limites difíceis de identificar, a detecção precisa da abrangência do tumor é crucial para o prognóstico do paciente.

"Com tumores cerebrais, é fundamental remover o tumor por completo e deixar tanto tecido saudável intacto quanto possível", disse Jennifer Cochran, uma das autoras do estudo, divulgado nesta semana pela Universidade. "Se não forem removidos corretamente, podem voltar muito agressivos, e sua localização torna possíveis sequelas cognitivas.

A lanterna molecular carrega uma tintura infravermelha e reconhece biomarcadores em tumores humanos, aderindo ao tecido doente e permitindo sua detecção por ressonância magnética. O processo todo é muito rápido e, também por isso, oferece vantagens a outros métodos de detecção, já que o cérebro é plástico e se modifica entre o momento dos exames preliminares e a cirurgia.

Para criar a substância, os pesquisadores realizaram bioengenharia sobre cadeias de aminoácidos extraídas das sementes do pepino-bravo, ou pepino-de-São-Gregório, uma planta nativa da Europa e do norte da África. O resultado são peptídeos do tipo knottin, reconhecidos por serem altamente estáveis, suportando fervuras e químicos fortes. Além de iluminar tumores, os knottins podem ser usados para levar drogas a locais específicos no corpo, o que os torna valiosos para outras áreas da medicina molecular, inclusive no tratamento de outros tipos de tumores.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vírus pode combater o câncer, afirmam pesquisadores

Pesquisadores usaram adenovírus modificado e eliminaram tumores na pele e no pâncreas em ratos

BBC Brasil
A cura do câncer é o sonho de muitos pesquisadores e nos últimos anos uma técnica que pode revolucionar o tratamento da doença vem se aperfeiçoando: a virusterapia, o uso de vírus geneticamente modificados para atacar as células tumorais.
A Fundação Instituto Leloir, da Argentina, anunciou recentemente dois importantes avanços. Junto a colegas de Chile, Grã-Bretanha e Estados Unidos, os cientistas da instituição conseguiram adaptar um vírus que causa problemas respiratórios e conjuntivite, o adenovírus, para atacar com sucesso o câncer de pele e de pâncreas em camundongos.
O diretor da equipe do Leloir, Osvaldo Podhajcer, chefe do Laboratório de Terapia Celular e Molecular e pesquisador sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet), disse à BBC Mundo que foi possível reduzir ou eliminar tumores sem danificar outros tecidos.
Isso ocorreu porque os cientistas modificaram o DNA de modo que o vírus só possa se reproduzir em células cancerosas.
A técnica representa um grande avanço em relação aos tratamentos convencionais para o câncer, como a quimioterapia ou radioterapia, que deixam sequelas graves.
Além disso, o trabalho pode ter um enorme impacto sobre a cura do melanoma e do câncer de pâncreas, duas das doenças mais mortais.
"Esses dois tipos de câncer são os menos propensos a receber tratamento não-cirúrgico", disse à BBC o oncologista Eduardo Cazap, presidente da União Internacional de Controle do Câncer (UICC, na sigla em Inglês).
Riscos
Quando se fala de um vírus geneticamente modificado, há sempre o temor de que esses avanços científicos representem um grande risco no futuro, a possibilidade de causarem uma pandemia.
Essa é a premissa do filme de 2007 Eu Sou a Lenda, com Will Smith, em que um cientista consegue curar o câncer, modificando o vírus da varíola, mas a mutação do vírus acaba convertendo todos os seres humanos — menos o personagem de Smith — em zumbis.
Neste sentido, os especialistas do Instituto Leloir disseram à BBC que optaram por trabalhar com o adenovírus porque é um vírus pouco perigoso, muito estável, o que exclui qualquer risco de mutação.
Na verdade, Podhajcer explicou que trabalhou com essas duas formas de câncer pela falta de tratamentos conhecidos e pela alta incidência na população.
O trabalho sobre o câncer de pâncreas foi feito em parceria com duas universidades do Chile, Concepción e Andrés Bello, o que é raro na América Latina.
Os cientistas estabeleceram um marco ao compactarem o ADN para fazer com que o vírus se multiplique mais rápido.
O estudo foi publicado na revista Molecular Therapy , da Associação Americana de Terapias Celulares e Genéticas.
Enquanto isso, a pesquisa sobre o câncer de pele foi feita em conjunto com as universidades de Londres, Birmingham e St. Louis, onde também houve progresso.
"Pela primeira vez que conseguimos mudar geneticamente um vírus para tirar vantagem das características das células cancerosas e as atacar", disse Podhajcer.
Segundo o especialista, isto deu ao vírus 40% mais de eficácia.
O trabalho foi publicado no Journal of Investigative Dermatology.
Apesar da importância destes estudos, os autores ressaltaram que ainda é muito cedo para estabelecer se o impacto real será a cura para o câncer.
Primeiro, é preciso percorrer todas as etapas de testes pré-clínicos e clínicos, um longo processo que leva anos e exige grande financiamento.
Se tudo der certo, o Instituto Leloir estima que o tratamento estaria disponível em cerca de cinco anos.
No entanto, Cazap adverte que muitos casos de sucesso em roedores não funcionam em testes em humanos.
"O potencial dessas descobertas é muito interessante, mas você tem que ver se funcionam", disse ele.

Proteína extraída de planta inibe crescimento e migração de tumores

27/08
Uma proteína extraída da semente de árvores da espécie Enterolobium contortisiliquum – popularmente conhecida como tamboril ou orelha-de-macaco – demonstrou em ensaios pré-clínicos potente ação antitumoral, anti-inflamatória, anticoagulante e antitrombótica.

Os testes in vitro e em animais foram realizados no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e coordenado por Maria Luiza Vilela Oliva, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os resultados foram apresentados durante a 28ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Caxambu (MG) entre os dias 21 e 24 de agosto.

Nomeada de EcTI (Enterolobium contortisiliquum inibidor de tripsina, na sigla em inglês), a proteína foi isolada por Oliva ainda durante seu doutorado, no fim dos anos 1980.

“Estávamos buscando moléculas capazes de inibir a ação de proteases – enzimas cuja função é quebrar as ligações peptídicas de outras proteínas. Essas moléculas estão envolvidas em inúmeros processos fisiológicos e patológicos no organismo; um inibidor poderia ter efeitos terapêuticos interessantes”, explicou Oliva.

A ação antitumoral foi identificada no início dos anos 2000, durante outro projeto de pesquisa e em 2004 a molécula foi patenteada.

“Denominamos o EcTI como inibidor de tripsina porque essa foi a enzima modelo que começamos a estudar, por ser mais barata. Mas ele está patenteado como inibidor de várias proteases. Também patenteamos sua ação contra o câncer”, contou Oliva.

O efeito antitumoral do EcTI já foi testado em linhagens celulares de câncer de mama, próstata, colorretal, leucemia e melanoma (pele). Em todos os modelos, a molécula inibiu in vitro a proliferação celular. Parte dos resultados foi divulgada em artigo publicado na revista Biological Chemistry.

Em uma linhagem de células de câncer gástrico, os pesquisadores verificaram que o EcTI impediu a adesão da célula cancerosa ao tecido conjuntivo e, consequentemente, bloqueou a invasão e a migração celular. Os resultados foram publicados no The Journal of Biological Chemistry.

“Antes de migrar para outros tecidos, a célula tumoral precisa aderir ao tecido conjuntivo que lhe dá suporte. O EcTI bloqueia proteases presentes na matriz extracelular e a via de sinalização usada pelo tumor nesse processo sem afetar os fibroblastos, que são as células sadias desse tecido conjuntivo”, explicou Oliva.

Em uma linhagem celular de melanoma, os pesquisadores testaram um tratamento que associava o EcTI ao quimioterápico 5-Fluoracil. “A dose de quimioterápico necessária para matar a célula cancerígena foi cem vezes menor quando associado ao EcTI. Caso esse efeito seja comprovado também in vivo, vai representar uma enorme redução dos efeitos colaterais do tratamento do câncer”, disse a pesquisadora.

Nos testes feitos com camundongos, os pesquisadores induziram o desenvolvimento de um melanoma e, paralelamente, trataram os animais com injeções subcutâneas de EcTI durante 20 dias.

O grupo controle, que recebeu apenas placebo, desenvolveu tumores. Já no grupo tratado com EcTI, o crescimento do tumor foi inibido em pelo menos 90%. “Alguns animais nem chegaram a desenvolver o tumor”, contou Oliva.

No mesmo modelo animal de melanoma, acrescentou a pesquisadora, o EcTI se mostrou capaz de impedir a metástase pulmonar.

Antitrombótico

Também em testes com roedores, os pesquisadores observaram que o EcTI bloqueou o processo de trombose – uma complicação comum entre pacientes com câncer submetidos à quimioterapia.

“Essa proteína inibe a ação da calicreína, enzima que desencadeia o processo de coagulação sanguínea e também ativa a agregação plaquetária. O efeito foi verificado tanto em um modelo de trombose arterial, em ratos, como de trombose venosa, em camundongos”, contou Oliva.

Em um projeto coordenado pela pesquisadora Iolanda de Fátima Lopes Calvo Tibério, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a ação do EcTI sobre a inflamação pulmonar vem sendo testada com resultados animadores em modelos animais de asma e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

“Agora estamos estudando diversos peptídeos derivados dessa proteína para ver se eles mantêm a ação inibidora de protease e se têm outros efeitos ainda não conhecidos. Um desses peptídeos mostrou em testes in vitro a capacidade de impedir que o parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, invada as células do hospedeiro. Agora pretendemos testar esse efeito em animais”, disse a professora da Unifesp.

Segundo a pesquisadora, até o momento, o EcTI não apresentou nenhum efeito tóxico nos roedores, que receberam doses em torno de 4 miligramas por quilo. Mas ainda precisam ser feitos estudos toxicológicos mais aprofundados antes de testar a proteína em humanos.

“Para fazer estudos de toxicidade são necessárias grandes quantidades da proteína, além de muitos recursos financeiros. Um ensaio clínico só seria possível por meio de uma parceria com a indústria farmacêutica”, disse Oliva.

Enquanto isso não ocorre, o grupo estuda diversas estratégias de obtenção do EcTI em larga escala e de administração da molécula às cobaias. “Precisamos avaliar, por exemplo, se é mais vantajoso cultivar a planta e isolar a proteína ou produzi-la na forma recombinante (usando bactérias ou outros microrganismos como vetores) em laboratório.

Também estamos firmando uma parceria para que seja possível inserir a proteína em
nanocápsulas e testar sua administração via oral ou por gavagem (diretamente no esôfago) aos roedores”, contou.

Outros inibidores

Outros dois inibidores de proteases foram identificados pelo grupo de Oliva – durante um Projeto Temático FAPESP – em uma planta popularmente conhecida como pata-de-vaca (Bauhinia bauhinioides).

“São duas proteínas diferentes extraídas da mesma planta e batizadas de BbCI (Bauhinia bauhinoides inibidor de cruzipaína) e BbKI (Bauhinia bauhinioides inibidor de calicreína). Elas atuam por vias diferentes e estamos comprovando efeitos terapêuticos em modelos animais de câncer, trombose, inflamação e diabetes”, contou. 

Agência Fapesp