quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Emergências em Pacientes com Câncer

Fonte: Instituto Oncológio de Ribeirão Preto – INORP (http://www.inorp.com.br/)

Triagem: Paciente verifica que sua temperatura começou a subir uma hora atrás e agora o termômetro acusa 38ºC. No momento, paciente está em tratamento quimioterápico. O que este(a) paciente deve fazer?

a) Esperar e ligar para seu médico para marcar uma consulta, se a temperatura ainda estiver elevada no dia seguinte? Ou
b) Se dirigir ao setor de emergência mais próximo?

Para a maioria das pessoas, febre não é uma emergência, e por isto não deve ser tratada de imediato. Mas para pacientes com câncer - que freqüentemente apresentam sua imunidade comprometida - a história é muito diferente. Para pacientes em tratamento quimioterápico, FEBRE pode ser um sinal de uma quadro chamado NEUTROPENIA FEBRIL (do inglês “neutropenic fever”). Neutropenia febril pode ser um sinal de uma infecção séria e de rápido desenvolvimento de bactérias ou fungos que REQUER TRATAMENTO AGRESSIVO E IMEDIATO. O(a) paciente do exemplo acima, deve se dirigir ao setor de emergência mais próximo (resposta b), se estiver a uma distância superior a 30 minutos dos hospitais de referência abaixo especificados.

O ideal é que o(a)s pacientes prefiram ser tratados(as) onde sua doença é conhecida e onde seu tratamento também seja conhecido. Isto, nem sempre é possível.

Razões para se consultar no Setor de Emergência dos hospitais abaixo especificados

Muitos pacientes com câncer irão necessitar de algum tipo de cuidado emergencial durante seu tratamento ou mesmo durante o seguimento de sua doença. Febre no paciente neutropênico (queda dos glóbulos brancos denominados neutrófilos que são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra bactérias e fungos) é uma das razões mais comuns para se dirigir ao setor de emergência dos hospitais, mas existem outras situações que estão especificadas abaixo.

Emergências oncológicas podem ter as seguintes naturezas: obstrutiva, metabólica ou alterações sanguineas (alterações de glóbulos vermelhos e/ou brancos e/ou plaquetas).

· Complicações obstrutivas ou compressivas podem aparecer quando tumores – primário ou metástase – comprimem órgão ou estruturas vizinhas. Tumores cerebrais ou metástases no cérebro podem causar: convulsões, dor de cabeça, “derrames cerebrais” e uma variedade de sinais e sintomas neurológicos, por comprimir o cérebro e/ou outras estruturas nervosas. Outros exemplos de sinais e sintomas relacionados a compressão extrínsica: trombose venosa profunda e embolia pulmonar, paralisia ou perda de sensibilidade em membros inferiores, embolia pulmonar, Síndrome da Cava Superior, obstrução dos ureteres impedindo saída de urina, compressão de vias aéreas, etc. Alguns destes sinais e sintomas, bem como derrames pericárdicos (coleções liquidas ao redor do coração) e derrame pleural (coleção liquida entre as pleuras que são películas que revestem os pulmões) podem ser resultado dos tratamentos recebidos pelos (as) pacientes, principalmente a radioterapia.

· Emergências metabólicas: são exemplos a hiperuricemia (aumento da ureia no sangue) e a hipercalcemia (aumento dos níveis de cálcio no sangue) podem surgir quando os tumores secretam substâncias (peptideos) semelhantes a hormônios que podem romper o balanço eletrolítico. A Síndrome de Lise Tumoral é um distúrbio metabólico causado pela destruição de células tumorais. Assim que as células tumorais morrem em resposta à terapia, seu conteúdo é jogado na circulação, causando hiperuricemia e, potencialmente, distúrbios severos em todos os eletrólitos mais significativos.

· Crises de citopenias (queda do número de uma ou várias células do sangue): pacientes com câncer podem se apresentar na “Emergência 24 horas” com sangramento por queda das plaquetas (denominada trombocitopenia), por febre neutropênica e Sindrome Hemolítico-urêmica aguda (destruição aguda de elementos celulares do sangue com repercussão da função renal). A febre neutropênica (ou neutropenia febril) é o mais comum, usualmente relacionada com os efeitos imunosupressores da quimioterapia, o que deixa os (as) pacientes altamente suceptíveis às infecções potencialmente de alto risco. 8 em cada 10 pacientes, aproximadamente, vão se apresentar com algum tipo de intercorrência: urgência ou condição emergente.

Nem todas condições são relacionadas ao câncer, quando falamos “emergências oncológicas” queremos dizer qualquer cuidado emergencial ou de urgência necessitado por um(a) paciente com câncer que esteja ou não sob tratamento. Pacientes com câncer não são imunes às condições que levam pessoas não afetadas por esta doença, ao setor de urgência de um hospital (Emergência 24 horas). Podem também sofrer de uma doença cardíaca ou diabetes. Nestes casos o câncer ativo pode ser um fator complicador, aumentando a complexidade da situação.

Estes setores hospitalares que atendem emergências possuem médicos plantonistas não-oncologistas, médicos plantonistas com especialização em medicina interna ou emergencial. A diferença entre estes especialistas e os oncologistas, é que estes últimos estabelecem relacionamentos de longo têrmo com seus pacientes, o que usualmente não acontece no setor de “Emergência 24 horas” de um hospital. Emergência 24 horas Raramente você vai ver no setor de emergências pacientes obstétricas (pacientes grávidas) ou mesmo traumas. Por exemplo: um(a) paciente com fratura pode ser transferido(a) rapidamente para o setor de ortopedia para receber os cuidados necessários, já para um paciente afetado pelo câncer e que se apresenta com uma fratura – possivelmente um tipo de fratura que os médicos denominam “fratura patológica” – a história é diferente. Sua avaliação não é um processo tão rápido, os cuidados necessários são mais holísticos e por isto dispendem maior tempo.

O fato é que os tratamentos estão se tornando mais agressivos e por isto os oncologistas devem estar preparados para estas situações, para poder dar suporte aos médicos que trabalham no setor de emergência. Um grande número de pacientes vão ser atendidos em “Emergências” de outras cidades. Nós sempre nos colocamos a disposição dos médicos que prestarem o primeiro atendimento aos nossos pacientes para informações adicionais e dados que permitam melhor atendimento de nossos pacientes. Algumas situações envolvem somente discussões médicas, mas outras necessitam de maior envolvimento para ajudar nossos colegas, como conversar com familiares e/ou oferecer suporte emocional nestes momentos difíceis.

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