segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

 


Terapia inovadora faz leucemia agressiva entrar em remissão em jovem de 13 anos

11 de dezembro de 2022 - 

Por Rinaldo de Oliveira

Que notícia sensacional! Uma terapia inovadora aplicada em Londres fez a leucemia entrar em remissão em uma jovem de 13 anos. A doença no sangue dela era agressiva e considerada “incurável” pelos médicos.

Mas a garota britânica recebeu células T de doador saudável modificadas geneticamente e um novo horizonte se abriu. A notícia do tratamento pioneiro e vencedor foi dada neste domingo, 11, pelo o Great Ormond Street Hospital for Children (GOSH) de Londres durante a reunião anual da Sociedade Americana de Hematologia.

O hospital informou que Alyssa foi a primeira paciente no mundo a receber essa terapia celular e disse que ela está em casa, se recuperando do tratamento.

“Depois que eu fizer isso, as pessoas saberão o que precisam fazer, de uma forma ou de outra, então fazer isso ajudará as pessoas”, disse Alyssa.

O vídeo

O hospital divulgou um vídeo contando a história da adolescente, identificada como Alyssa, e a sua batalha contra a leucemia linfoblástica aguda de células T – uma forma agressiva de câncer de sangue.

De acordo com o hospital, Alyssa foi diagnosticada com a doença em 2021 e recebeu todas as terapias convencionais atuais, incluindo quimioterapia e um transplante de medula óssea.

Nenhum dos tratamentos funcionou e não havia outros disponíveis sob os protocolos convencionais.

Participou do teste

Alyssa tornou-se então o primeiro paciente a participar de um ensaio clínico em maio deste ano para receber células imunes “geneticamente modificadas” de um doador saudável.

Após 28 dias, Alyssa estava em remissão e recebeu um segundo transplante de medula óssea para ajudar a restaurar seu sistema imunológico, disse o hospital.

Sem este tratamento experimental, a única opção da Alyssa seria o tratamento paliativo.

Robert Chiesa, um consultor do GOSH, disse que embora a reviravolta do seu estado de saúde era “bastante notável”, os resultados ainda precisam ser monitorados e confirmados nos próximos meses.

Como é o tratamento

As equipes médicas do hospital usaram uma técnica de edição de genoma chamada base-editing – método que modifica partes do código DNA das células T de um doador saudável.

As células T são glóbulos brancos e parte crítica do sistema imunológico.

As células T editadas são então aplicadas no paciente, que em seguida atacam e destroem as células T cancerígenas do corpo, sem se destruírem umas às outras.

“É nossa engenharia celular mais sofisticada até agora e abre caminho para outros novos tratamentos e, em última instância, para melhores futuros para as crianças doentes”, disse Waseem Qasim, professor de terapia celular e genética da GOSH.

Novos pacientes

Os médicos agora procuram outros dez pacientes que também esgotaram as opções de tratamento disponíveis, e esperam que esse tratamento possa ser oferecido mais rapidamente às crianças e se tornar uma opção para tratar também outros tipos de leucemia.

O hospital disse que o estudo só aceitaria pacientes elegíveis pelo NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido.

domingo, 6 de novembro de 2022

Câncer de intestino: como evitar o 3º tumor mais comum nos brasileiros?

Cerca de 90% dos casos ocorrem devido a fatores externos como obesidade, sedentarismo e dieta rica em alimentos industrializados

Por Antonio Carlos Buzaid Atualizado em 3 Maio 2022, 10h12 - Publicado em 2 Maio 2022, 16h56

O câncer de intestino é o tumor maligno que acomete o intestino grosso (cólon) e o reto (parte final do intestino, imediatamente antes do ânus), também conhecido como câncer colorretal. De acordo com a última estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são diagnosticados mais de 41 mil novos casos por ano em nosso país. É o terceiro câncer mais comum entre os brasileiros, perdendo apenas para o câncer de próstata nos homens e de mama nas mulheres. Estima-se que o risco de uma pessoa desenvolver esse câncer é de 4% ao longo da vida. Na maioria das vezes, o diagnóstico acontece antes de a doença se espalhar para outros órgãos. A cura é possível para a maioria dos pacientes.

É comum no imaginário da população achar que os principais fatores de risco para o câncer são as doenças genéticas e hereditárias. Entretanto, esse é um mito que precisa ser combatido. Estima-se que cerca de 90% dos casos de câncer de intestino ocorram devido a fatores externos e ambientais, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo exagerado de álcool, dieta rica em alimentos industrializados, principalmente carnes processadas e carnes vermelhas, e dieta pobre em legumes, vegetais, fibras e frutas. Por meio de mudanças simples em nossos hábitos de vida, podemos reduzir bastante o risco desse câncer.

A colonoscopia é fundamental na estratégia de redução do risco de desenvolver o câncer colorretal. Esse exame possibilita a identificação e o tratamento (através da remoção) de lesões iniciais, como os pólipos, que podem evoluir para câncer. Embora a idade média de diagnóstico do câncer de intestino seja aos 67 anos, estudos recentes têm demonstrado um aumento no número de casos novos e de morte por esse tumor entre os jovens (idade inferior a 45 anos).

Por esse motivo, sociedades médicas passaram a recomendar que todas as pessoas realizem uma colonoscopia aos 45 anos, podendo ser necessário realizá-la antes dessa idade a depender do histórico familiar de câncer colorretal. A frequência com que o exame precisará ser repetido vai depender dos achados no exame anterior, podendo ser a cada 5-10 anos (se exame normal) até a intervalos menores (diante do achado de fatores de alto risco). A maioria das sociedades médicas recomendam interromper a realização de colonoscopia aos 75 anos. Após essa idade, ela poderá ser indicada em situações específicas.

Portanto, se você quer reduzir ao risco de desenvolver câncer de intestino, pratique exercícios físicos regulares (30 minutos por dia), combata a obesidade, evite bebidas alcoólicas em excesso, consuma menos carnes vermelhas, evite os alimentos processados, embutidos e enlatados, coma mais frutas, legumes e fibras e realize uma colonoscopia aos 45 anos.

A prevenção e a informação ainda são as melhores armas na luta contra o câncer.

Com a colaboração de Dr. Ricardo Carvalho – oncologista clínico

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Estudo promissor melhora tratamento para certos tipos de câncer de mama

 


Cientistas constataram que a descoberta precoce de uma mutação genética nos tumores pode facilitar a adaptação da terapia

30/09/2022 - 11H43 (ATUALIZADO EM 30/09/2022 - 13H00)

Tratamentos podem ser adaptados a partir de uma mutação genética dos tumores

REPRODUÇÃO

Um estudo publicado nesta sexta-feira (30) mostrou que é possível frear a progressão de certos tipos de câncer de mama com a descoberta precoce da mutação genética no centro dos tumores e, a partir disso, adaptar o tratamento.

O relatório, publicado no Lancet Oncology, uma das principais revistas sobre o câncer, é o primeiro do tipo "a mostrar um benefício clínico significativo depois de, anteriormente, direcionar a mutação bESR1", resumem os autores.

Em um câncer de mama, as células do tumor evoluem com o tempo e, dependendo de certas mutações, podem se tornar resistentes aos tratamentos utilizados.

Os autores desse estudo, organizado em dezenas de hospitais franceses pelo oncologista François Clément Bidard, avaliaram que é importante detectar a mutação bESR1 a tempo e agir em conformidade.

Para detectar essa mutação, utilizaram uma técnica que vem sendo promissora nos últimos anos dentro dos estudos de câncer: a "biópsia líquida".

Diferentemente da biópsia clássica, uma operação potencialmente complexa e com consequências para a paciente, o objetivo é estudar o conteúdo dos tumores sem precisar extrair tecido da própria mama.

Em seu lugar, basta uma simples coleta de sangue. O sangue das pacientes contém uma pequena parte do DNA vindo das células cancerígenas. Isso torna cada vez mais fácil isolar e estudar a doença.

Formaram-se dois grupos de aproximadamente 80 pacientes com essa mutação. Uma parte seguiu recebendo o tratamento original, já a outra mudou para o medicamento fulvestrant.

No segundo grupo, a progressão do câncer foi interrompida por uma duração média maior, por vários meses.

 

Além da mutação única do bESR1, os autores consideram que o uso da biópsia líquida e a rápida troca de tratamento poderia servir de modelo para futuras estratégias terapêuticas.

 

No entanto, esse estudo tem várias limitações. Em primeiro lugar, não avalia se essa mudança de tratamento realmente melhora a sobrevivência da paciente. Por outro lado, a pesquisa só examina um tipo específico de câncer de mama, no qual o tumor é receptivo ao estrogênio.

 

Essa condição é a que permite o funcionamento dos tratamentos hormonais utilizados no estudo. Isso não inclui, por exemplo, os chamados cânceres "triplo negativos", que são os mais mortais porque são os mais difíceis de tratar.

 

https://noticias.r7.com/saude/estudo-promissor-melhora-tratamento-para-certos-tipos-de-cancer-de-mama-30092022

Outubro Rosa


MÊS DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE MAMA

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Guia traz análises e orientações sobre alimentação, nutrição, atividade física e câncer

O Instituto Nacional de Câncer divulgou, recentemente, a publicação “Dieta, nutrição, atividade física e câncer: uma perspectiva global – um resumo do terceiro relatório de especialistas com uma perspectiva brasileira”. Com o material, o INCA pretende “fornecer subsídios técnicos para fundamentar intervenções individuais e coletivas promotoras de práticas alimentares saudáveis e de atividade física, contribuindo, dessa forma, para o reconhecimento social da relação entre alimentação, nutrição, atividade física e câncer e para a prevenção e o controle do câncer no Brasil”.

O documento é uma tradução adaptada e ampliada do resumo do III Relatório de Especialistas do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF – World Cancer Research Fund) e do Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR –  American Institute for Cancer Research). Traz o posfácio “Alimentação, nutrição, atividade física e câncer: uma análise do Brasil e as recomendações do INCA”, com dados epidemiológicos e recomendações que consideram a realidade nacional, com base no Guia Alimentar para a População Brasileira.

O texto do guia considera que as mudanças no padrão alimentar e no perfil nutricional dos brasileiros têm gerado um cenário preocupante. “O aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, frente aos alimentos frescos, às refeições e às preparações tradicionais, vem sendo acompanhado pelo aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade”, ressalta o material.

As recomendações do INCA listam uma série de hábitos que devem ser adotados para a prevenção do câncer no Brasil, entre eles: a manutenção do peso corporal saudável; ser fisicamente ativo como parte da rotina diária; fazer dos alimentos de origem vegetal a base da dieta; evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e fast food; evitar o consumo de carnes processadas; evitar o consumo de bebidas alcoólicas e não usar suplementos alimentares para prevenção do câncer. 

As orientações também incentivam a amamentação, que protege as mães do câncer de mama e os bebês do sobrepeso e da obesidade ao longo da vida. Uma observação especial é direcionada ao consumo de chimarrão, que não deve ocorrer em temperaturas superiores a 60 °C.

O texto do guia ressalta que “após o diagnóstico de câncer, sempre que possível, o paciente deve seguir as recomendações de prevenção. Durante o tratamento, avaliar, junto ao profissional de saúde responsável, o que é aconselhável”.

Outro apontamento importante chama atenção para o risco de exposição ao tabaco e ao excesso de sol. “Embora cada recomendação individual ofereça benefícios para a proteção contra o câncer, a maior parte do benefício é obtida ao tratar todas as recomendações como um padrão integrado de comportamentos relacionados à alimentação, à atividade física e a outros fatores associados ao modo de vida”, afirma o documento do INCA.

A nutricionista Luísa Nunes, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, concorda que o conjunto de hábitos e comportamentos saudáveis ajudam a prevenir os tumores. “Falamos de estilo de vida e este conceito engloba sono, atividade física, alimentação, controle do estresse, vida social e afetiva, equilíbrio psicológico e saúde mental.

O câncer tem suas preferências e se pode instalar mais facilmente quando encontra, reunido, o maior número possível de fatores de risco, como predisposição genética, obesidade e vida sedentária, alimentação inadequada, excesso de álcool, exposição à radiação e a agentes químicos, consumo de tabaco, estresse e exposição a plásticos, agrotóxicos e aditivos químicos nos alimentos”, completa Luísa. 

“A alimentação tanto pode ajudar quanto atrapalhar a vida de uma pessoa. Uma nutrição bem feita, com alimentos integrais, orgânicos, ricos em polifenóis, fitoquímicos e nutrientes antioxidantes e anti-inflamatórios, é a chave para longevidade. Longevidade é envelhecer com saúde mantendo a capacidade funcional física e cognitiva do indivíduo”, afirma Luísa. A nutricionista exemplifica o impacto da obesidade e vida sedentária sobre o aumento da incidência de câncer de mama, carcinomas de endométrio, tumores malignos de cólon e de adenocarcinoma de esôfago.

 

https://vencerocancer.org.br/cancer/prevencao/analises-sobre-alimentacao-nutricao-atividade-fisica-e-cancer/?catsel=cancer

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Congresso derruba rol taxativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar

Projeto de lei determina que operadoras de saúde terão de pagar tratamentos que não constam na lista da ANS; texto foi aprovado na Câmara, no Senado e agora segue para sanção presidencial

·         Por Jovem Pan

 https://jovempan.com.br/noticias/brasil/congresso-derruba-rol-taxativo-da-agencia-nacional-de-saude-suplementar.html

·         29/08/2022 17h40

Senado Federal votou e aprovou nesta segunda-feira, 29, o projeto de lei que derruba o rol taxativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com isso, o texto tira dos planos de saúde a obrigatoriedade de custear apenas os tratamentos que constam na sua lista de coberturas. Com a relatoria do senador Romário (PL-RJ), o parlamentar posicionou-se de maneira contrária ao rol taxativo. “Todos vocês sabem da nossa luta antiga quanto ao rol taxativo, o rol que mata, o rol que assassina. […] Quem me conhece sabe do meu compromisso antigo e da minha luta histórica pela saúde, pelas pessoas com deficiência e doenças raras”, disse. No projeto aprovado, o principal artigo determina que os planos de saúde deverão cobrir tratamentos prescritos por médicos ou profissionais odontológicos, ainda que não estejam na lista definida pela ANS, caso a solicitação seja comprovadamente eficaz ou recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Em junho, os planos de saúde venceram uma disputa no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, desde então, as operadoras passaram a ser obrigadas a custear apenas os tratamentos que integram o rol da ANS, ou seja, a lista seria taxativa. Após a tramitação do projeto no Congresso, o novo entendimento do rol será exemplificativo. O texto agora segue para sanção presidencial.

 

domingo, 28 de agosto de 2022

Cientistas descobrem mecanismo que pode impedir a metástase do câncer de pâncreas

 

Câncer no pâncreas tem comportamento violento e é de difícil detecção

Estudo mostrou que o aumento de uma proteína nas células cancerígenas estimula a regressão dos tumores e diminui a sua periculosidade

  • SAÚDE Do R7
  • 14/07/2022 - 02H00 (ATUALIZADO EM 14/07/2022 - 08H15)

RESUMINDO A NOTÍCIA

  • Proteína chave ajuda a transformar as células cancerígenas do pâncreas em uma forma menos agressiva
  • Composto orgânico impede a metástase
  • Estudo mostra que é possível mudar estado da célula para um mais fácil de tratar
  • Pesquisa pode ser porta para novos medicamentos e tratamentos contra o câncer de pâncreas

 

Estudo recente publicado na Nature mostrou que o aumento dos níveis da proteína GREM1 nas células tumorais do câncer de pâncreas pode impedir que elas cresçam e causem metástase (espalhamento pelo corpo). 

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de pâncreas tem um comportamento violento e é de difícil detecção. Por essa razão, é diagnosticado tardiamente e acumula uma alta taxa de mortalidade. No Brasil, o câncer nesse órgão é responsável por cerca de 2% de todos os diagnósticos da doença e por 4% de todas as mortes.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, combinaram esforços para estudar o câncer de pâncreas em camundongos e em “minitumores” pancreáticos, chamados de organoides, para detalhar o gene que desativa a proteína GREM1 e, consequentemente, possibilita a metástase da doença.

https://noticias.r7.com/saude/cientistas-descobrem-mecanismo-que-pode-impedir-a-metastase-do-cancer-de-pancreas-14072022

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Conheça a luta de Anne Carrari contra o câncer e a desinformação

 

Aos 40 anos, Anne Carrari se assustou ao saber que apenas 20% das mulheres diagnosticadas com câncer de ovário vivem mais que cinco anos

Gabriela Marçal

12/08/2022 2:00,atualizado 15/08/2022 16:41

Reprodução

São Paulo – Anne Carrari recebeu aos 40 anos, em 2015, o diagnóstico de câncer de ovário metastático, ou seja, a doença estava em estágio avançado e já tinha atingido outros órgãos. A única queixa que ela tinha era um inchaço constante na barriga.

“Eu sabia que aquele inchaço não era normal para mim, as minhas calças não fechavam. Eu acabei sendo diagnosticada em um pronto-atendimento, já em estágio avançado com metástase no peritônio, no fígado, no baço, na bexiga, na vesícula”, disse Anne.

Ela já tinha passado por três partos vaginais, fazia acompanhamento com um ginecologista e estava com os exames preventivos em dia. A paciente passou por três médicos que não encontraram a doença e, segundo ela, sinalizaram que os sintomas seriam apenas gases.

Há sete anos ela está em tratamento e criou o perfil no Instagram Sobrevivi ao câncer de ovárioReprodução

Anne Carrari recebeu aos 40 anos, em 2015, o diagnóstico de câncer de ovário metastáticoReprodução

Além do ovário, o câncer já tinha atingido o peritônio, o fígado, o baço, a bexiga e a vesículaReprodução

Publicidade do parceiro Metrópoles

Aos 40 anos, Anne Carrari se assustou ao saber que 20% das mulheres diagnosticadas com a doença vivem mais que cinco anosReprodução

Há sete anos ela está em tratamento e criou o perfil no Instagram Sobrevivi ao câncer de ovárioReprodução

Dificuldade para diagnosticar

“Fiquei muito indignada porque eu não sabia nada sobre esse câncer e eu me achava super esclarecida sobre a minha saúde. Sempre me cuidei muito e eu me senti até culpada. Fui acometida por um câncer que ninguém fala, não tem exame de rastreamento, nunca foi motivo de conversa nas minhas consultas médicas”, contou a paciente.

Segundo o oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer (Ivoc), o câncer de ovário é o sétimo câncer que atinge as mulheres no Brasil. O médico explicou que ainda não existe um exame específico para encontrar a doença, como uma mamografia ou um papanicolau.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

O que pode causar câncer? Veja 35 hábitos associados a essa doença

Na luta contra o câncer no Brasil, mais de 220 mil pessoas vieram a óbito em decorrência da doença, somente em 2018, segundo os dados registrados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer). Embora se use normalmente o nome no singular, é preciso lembrar que "o câncer" representa um conjunto de mais de 100 doenças diferentes que têm em comum, apenas, o crescimento descontrolado de células, invadindo tecidos, formando tumores e alterando o nosso DNA.

Para a ciência, as diferenças entre os tipos de câncer correspondem às diferentes células do corpo humano que elas afetam. Por exemplo, se as células tumorais se desenvolvem na pele ou em tecidos que recobrem órgãos, ossos e glândulas, são chamadas de carcinomas. Outro ponto que os diferencia é a velocidade com a qual se multiplicam e formam metástases — as lesões tumorais que se espalham pelo corpo.

Em um cenário que mais se parece com uma guerra, alguns casos de câncer, realmente, estão fora do controle humano, seja por fatores genéticos ou mudanças genéticas que sofremos ao longo da vida. Entretanto, evidências apontam que alguns comportamentos de risco ou uso de determinadas substâncias podem, sim, aumentar as chances de desenvolvimento de um câncer.

A seguir, você confere 35 agentes cancerígenos já conhecidos pela medicina e alguns suspeitos de causarem essas alterações, que podem ser fatais, no organismo humano.

35 fatores ligados ao aumento do risco de câncer

1. Açúcar: mais do que casos de diabetes, o consumo excessivo de açúcar pode danificar as células do organismo e aumentar o risco de câncer. Pior ainda, estudos recentes apontam que o açúcar pode estimular o crescimento de um tumor, porque as células tumorais usam essa substância como combustível. "O consumo hiperativo de açúcar pelas células cancerosas leva a um ciclo vicioso de estimulação contínua do desenvolvimento e crescimento do câncer", afirma o biólogo molecular Johan Thevelein.

2. Alimentos processados: segundo cientistas na França, há uma ligação entre as pessoas que consomem mais alimentos processados ​com os indivíduos que desenvolvem câncer. Entretanto, não se sabe qual é a origem dessa relação. Poderia ser, por exemplo, a embalagem utilizada ou ainda substâncias que prolonguem sua validade.

3. Fumar: pesquisa apontam há anos que a fumaça do tabaco contém cerca de 70 substâncias químicas cancerígenas. Infelizmente, isso também vale para os fumantes passivos — grupo que não fuma, mas acaba inalando a fumaça pelo ambiente. De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, "os não fumantes expostos ao fumo passivo, em casa ou no trabalho, aumentam o risco de desenvolver câncer de pulmão em 20%-30%".

4. Talvez, o uso de vapes: mesmo que pesquisas nessa área ainda sejam recentes, há alguns sinais de que podem causar complicações no sistema respiratório. "Penso que existe um consenso emergente de que as células imunológicas do pulmão ficam um pouco perturbadas com a vaporização", explica o professor Robert Tarran, que estuda o tema na Universidade da Carolina do Norte.

5. Bronzeamento artificial: o consenso aqui é bastante “popular”. De acordo com a Fundação do Câncer de Pele (SCF), fundado nos EUA, indivíduos que realizam sessões de bronzeamento artificial antes dos 35 anos, aumentam o risco de desenvolver melanoma em 75%.

6. Esquecer o protetor solar: a exposição ao Sol, sem proteção, pode causar riscos para a saúde, como o câncer de pele por causa dos raios UV. Por isso, o Inca recomenda que "durante a exposição ao Sol sejam usados filtros com FPS 15 ou mais e que protejam também contra os raios UV-A".

7. Contato com produtos tóxicos no trabalho: no dia a dia, algumas pessoas lidam com substâncias cancerígenas para a realização de suas atividades profissionais, como pintores, fabricantes de borracha e, eventualmente, cabeleireiros. Dependendo do nível de exposição, da qualidade dos produtos usados e das condições de proteção, o risco de desenvolvimento de um câncer cresce.

8. Turno da noite: segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), parte da OMS, o trabalho noturno pode ser "provavelmente" cancerígeno para os funcionários. Isso porque os cientistas entendem que trabalhar fora do horário considerado normal pode afetar os ciclos circadianos naturais de sono e vigília do corpo.

9. Carvão: ainda nos riscos associados ao trabalho, há maiores chances do aparecimento da doença entre os mineradores de carvão. Entre os tipos mais comuns, estão: câncer nos pulmões; bexiga; e estômago. Uma das possíveis ideias é que isso ocorra por causa do pó de carvão inalado.

10. Arsênico: parte natural da crosta da Terra, é uma substância tóxica em sua forma inorgânica. Nessa formação pode ser encontrado até na água potável contaminada de alguns lugares como Bangladesh, na Ásia, ou em outras regiões onde os sistemas de irrigação para plantações utilizam água com arsênico.

11. Churrasco: carnes assadas em altas temperaturas favorecem a liberação de produtos químicos, como as aminas heterocíclicas (AHCs) e hidrocarbonos policíclicos aromáticos (HPAs). Segundo experimentos feitos em laboratório, esses produtos conseguem desencadear alterações no DNA que, por sua vez, podem aumentar o risco de câncer.

12. Álcool: segundo o Instituto Nacional do Câncer, nos EUA, "o risco de desenvolver câncer aumenta com a quantidade de álcool que uma pessoa ingere" e alguns dos tipos podem ser o de garganta e o de fígado, por exemplo. Nesse caso, é preciso observar a frequência e a regularidade do hábito, também.

13. Escapamento de motor à diesel: isso porque o óleo diesel é composto por mais de 30 componentes potencialmente cancerígenos, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Um dos riscos está em inalar partículas desse produto, após a combustão.

14. Sal e alimentos em conserva: o consumo excessivo de alimentos em conserva pode aumentar o risco de câncer de estômago, de acordo com a American Cancer Society. Por exemplo, um prato bastante popular na China, o peixe curado com sal, é rico em nitratos e nitritos, conhecidos carcinógenos em animais e que também aumentam o risco em humanos, já que podem danificar o DNA.

15. Carnes processadas: são potencialmente perigosos os alimentos como presunto, bacon e salsicha, segundo a OMS. Inclusive, um levantamento de 15 estudos sobre câncer de mama verificou que pessoas que consomem, com maior frequência, carnes processadas têm um maior risco em desenvolver câncer de mama. Em comparação com quem não consome, o risco está calculado em 9%, de acordo com artigo do International Journal of Cancer.

16. Poeira de madeira: o risco é potencializado para trabalhadores de serrarias e marceneiros, porque respiram com muita frequência essa poeira durante as etapas do trabalho. De acordo com o Inca, “há associação entre exposição a poeira de madeira e câncer de cavidade nasal, seios paranasais, laringe, pulmão, estômago, cólon e reto, leucemia, linfomas e mieloma múltiplo”.

17. Produtos usados no fraturamento hidráulico: pode parecer algo completamente distante, mas este é um método muito comum para a extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo. É potencialmente perigoso para a saúde, porque nesse procedimento produtos químicos usados (como benzeno e formaldeído), conhecidamente causadores de câncer, podem ser liberados no ar e nas águas, contaminando a região.

18. Amianto: por muitos anos, o amianto foi utilizado na indústria pela sua abundância e baixo custo, inclusive na indústria da construção civil (como em telhas). Entretanto, passou a ser é classificado como um material reconhecidamente cancerígeno para os seres humanos, segundo o Inca. Atualmente, seu uso está proibido em uma série de países.

19. Alguns herbicidas usados na agricultura: com a diversa gama de produtos usada nas plantações, cada caso precisa ser analisado em suas particularidades. Entretanto, cada vez mais pesquisas sugerem que determinados produtos químicos, usados na agricultura, podem aumentar as chances do aparecimento de câncer em trabalhadores rurais. Recentemente, houve uma grande disputa judicial nos EUA entre agricultores e a produtora do herbicida glifosato.

20. Estrogênios: o câncer de mama, por exemplo, não tem uma causa única, mas alguns fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, como o estímulo de estrogênio, tanto de dentro do corpo quanto de fora, de maneira não controlada. Vale lembrar que esse é um nome para uma série de hormônios relacionados à ovulação e desenvolvimento de características femininas.

21. Vírus: ser infectado por alguns tipos específicos de vírus podem aumentar, de forma indireta, as chances de um câncer, já que podem desencadear alterações genéticas nas células humanas. São os casos dos vírus da Hepatite B e C, por exemplo.

22. Genética: dessa vez, não adianta fugir. Isso porque o risco de determinados cânceres podem ser transmitidos de uma geração para a outra. Nese sentido, alguns tipos de câncer de mama podem ser considerados genéticos. Para esses casos, o importante é o acompanhamento rotineiro do estado de saúde da pessoa.

23. Obesidade: pessoas com obesidade podem ter um aumento significativo no risco de desenvolverem alguns tipos de câncer, como os de reto, esôfago, mama, tireoide, rim e pâncreas. No total, são 13 tipos de câncer associados a essa condição, segundo o Inca.

24. Formaldeído: conhecido também pelo nome de formol, o formaldeído é potencialmente cancerígeno. Isso porque o formol evapora em condições normais de temperatura e o contato direto com grandes concentrações é altamente perigoso à saúde humana. Inclusive, no Brasil, a Anvisa propõe a substituição desse agente por vários produtos.

25. Impantes: introduzir objetos estranhos em seu corpo, como um implante mamário de silicone, pode elevar os riscos de câncer, segundo a IARC. Inclusive, pacientes norte-americanas já iniciaram uma ação coletiva contra uma empresa de próteses, após desenvolveram câncer supostamente ligado a operação de implante.

26. Gases tóxicos: respirar um ar contaminado com gases tóxicos durante anos pode levar ao desenvolvimento de um câncer. Isso porque podem contaminar, gradualmente, o sistema respiratório das pessoas e outros órgãos.

27. Fuligem: o mais perigoso nessa questão é a inalação de fuligem e outras partículas poluentes vindas de queimadas, associada a alguns tipos de câncer, como de pulmão, esôfago e bexiga. O risco, no entanto, é maior para aqueles que têm contato diário com esse ar contaminado, como limpadores de chaminé.

28. Sílica: esse mineral é natural e pode ser encontrado na composição de pedras e da areia, por exemplo. Entretanto, o problema é quando trabalhadores da construção civil e de mineradores inalam partículas de sílica cortando, serrando ou perfurando uma rocha. De acordo com o Inca, "trabalhadores expostos à sílica, quando comparados com a população em geral, possui risco 2 a 3 vezes maior a câncer de pulmão".

29. Radiação: os raios X e os raios gama são conhecidos por sua capacidade cancerígena. Essa ligação entre radiação e risco de câncer fica ainda mais clara, quando se pensa nas pessoas que foram expostas a altas doses de radiação em um acidente nuclear, como o Chernobyl. Por outro lado, há tratamentos contra cânceres usando altas doses de radiação. Aqui, tudo depende da forma e da exposição.

30. Inflamações crônicas: infecções de longo prazo e doenças intestinais que se prolongam para longos períodos, por exemplo, podem danificar, de forma singnificativa, o DNA de uma pessoa e, consequentemente, elevar as chances desse paciente desenvolver algum tipo de câncer.

31. Alguns plásticos: eles realmente são perigosos, especialmente, quando aquecidos com alimentos. Isso porque esse aquecimento pode liberar substâncias nocivas e, potencialmente, cancerígenas, como a dioxina, o bisfenol A (BPA) e os ftalatos. Como é difícil ter segurança quanto à presença ou não dessas substâncias nos plásticos, a recomendação, por exemplo, é nunca aquecer alimentos neles, muito menos fazer mamadeiras para crianças em recipientes com BPA. Muitos fabricantes já colocam nas embalagens de vasilhas, copos, garrafas e mamadeiras a inscrição "BPA Free", associando-a ao uso seguro do utensílio.

32. HPV: entre as infecções virais, o papilomavírus humano é uma família comum de vírus sexualmente transmissíveis e pode colaborar com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o peniano, o vaginal e o anal. Por esse motivo o CDC, nos EUA, recomend a vacinação contra o HPV para os jovens.

33. Refrigerantes: embora sejam um produto muito consumido, especialmente por crianças, alguns refrigerantes podem representar riscos para saúde. Isso porque contêm a substância 4-MI, classificada como possivelmente cancerígena pela IARC. É encontrada no corante Caramelo IV, muito usado nos processos de fabricação dessas bebidas.

34. Bebidas quentes: mais do que queimar a língua de uma pessoa, o consumo intenso de bebidas quentes pode elevar os riscos de câncer na garganta. Pesquisas realizadas na América do Sul e no Irã avaliaram os riscos desse consumo e confirmaram a hipótese. Entretanto, esse é um risco relativamente pequeno e bem simples de contornar.

35. Acrilamida: é uma substância que se forma quando alguns alimentos (como pães, biscoitos, batatas e café) são fritos, grelhados ou torrados em altas temperaturas. Ainda se discute se a substância e esses produtos, após passarem por esse processo, são realmente cancerígenos. De acordo com a IARC, são "carcinógenos prováveis".

 

Nem tudo está acabado

Embora haja uma lista consideravelmente grande de hábitos que possam se relacionar com o aparecimento do câncer, a boa notícia é que as taxas de sobrevivência ao câncer estão aumentando anualmente. Isso porque a detecção ocorre de forma muito mais precoce, há mais esforços de prevenção e melhores tratamentos disponíveis.

Nesse cenário, companhas contra o uso de tabaco e a favor do uso do protetor solar, incluindo uma série de exames preventivos, como o autoexame para câncer de mama, são eficazes para reduzir o número de casos fatais da doença. Além disso, acompanhamento médico regular é um importante fator para melhorar as chances de sobrevivência.

Mesmo que hábitos diários, como consumo de alimentos e comportamentos, possam contribuir para o desenvolvimento de determinados tipos de câncer, vale lembrar que os cientistas vivem uma busca constante por novas terapias e tratamentos contra uma das pelo menos 100 variações de câncer conhecidas.

Fonte: Business InsiderBBCCDCSCFIARCIncaAmerican Cancer Society     

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