segunda-feira, 24 de abril de 2017

Unicamp revela poder da atemoia em prevenir câncer e outras doenças


Segundo pesquisa feita em Campinas, fruta doce pode atuar na prevenção.
Alimento ainda é antioxidante e contém compostos anti-inflamatórios.
Do G1 Campinas e Região

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, em Campinas (SP), descobriu que a atemoia, uma fruta híbrida, que é produzida a partir do cruzamento entre a fruta-do-conde (Annona Squamosa, L.) e a cherimoia (Annona cherimola), tem alto poder de antioxidantes e compostos anti-inflamatórios, que previnem doenças como o câncer, aterosclerose, inflamações, artrite e artrose.

Os pesquisadores analisaram a fruta desidratada e o estudo revelou que a polpa tem tanto potássio quanto a banana. Segundo a Unicamp, a ingestão de 300 gramas é o mesmo que consumir 20% do potássio diário de que os seres humanos precisam.

Ômegas 3 e 6
A semente tem ácidos graxos, ômegas 3 e 6, nutrientes encontrados em alimentos como o azeite.

“Eles diminuem o colesterol ruim, sem alterar o colesterol bom, e acabam prevenindo algumas doenças cardiovasculares”, destaca a pesquisadora Maria Rosa de Moraes.
Durante a pesquisa, os profissionais da FEA descobriram que a casca é a que contém mais nutrientes que fazem bem para a saúde. Ela possui dez vezes mais nutrientes do que a polpa. Os chamados compostos bioativos podem ser usados na indústria farmacêutica, de cosméticos e alimentícia.      

A atemoia é pouco conhecida e a principal forma de consumo é in natura. Mas, a fruta, considerada cara, pode ser consumida na forma de suco, geleias, compotas e purês. Ela é muito doce, suculenta e contém poucos caroços.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cientistas brasileiros participam de desafio para descobrir fatores ambientais relacionados ao câncer

Inca, A.C.Camargo e Hospital do Câncer de Barretos fazem parte de grupo internacional que recebeu 20 milhões de libras da organização Cancer Research UK.



Por Mariana Lenharo, G1
15/02/2017
No ano passado, a organização Cancer Research UK selecionou sete grandes desafios a serem superados em relação ao câncer no mundo, em uma iniciativa chamada Grand Challenge. Nesta semana, a entidade britânica anunciou a escolha de quatro grupos de pesquisadores que se lançarão numa grande corrida científica para resolver esses problemas pelos próximos cinco anos. Cada equipe receberá um prêmio de 20 milhões de libras para conduzir a pesquisa.

Instituições brasileiras fazem parte de um dos grupos selecionados: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) , o Hospital de Câncer de Barretos e o A.C. Camargo Cancer Center trabalharão no projeto “identificando causas do câncer que podem ser prevenidas”.

Já se sabe que tabaco, álcool, HPV e exposição excessiva à luz solar, por exemplo, aumentam o risco de câncer: essas são algumas causas de câncer passíveis de prevenção já conhecidas. Esses agentes cancerígenos danificam o DNA das células, levando a mutações que seguem padrões distintos de acordo com cada agente. Ou seja, a célula do câncer que é associado à exposição solar tem um perfil mutacional diferente da célula do câncer associado ao tabaco.

Atualmente, cientistas já identificaram cerca de 50 perfis mutacionais associados ao câncer. O problema é que eles não sabem quais fatores externos causam a metade dessas mutações. O objetivo do projeto é justamente identificar quais fatores ambientais e comportamentais estão levando a esses perfis mutacionais que, por enquanto, têm causas desconhecidas.

O projeto que envolve as três instituições brasileiras é liderado pelo cientista Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute, instituição focada no estudo do genoma para a melhora da saúde humana.

5 mil pacientes
Para atingir seu objetivo, o estudo fará o sequenciamento do DNA dos tumores de 5 mil pacientes com câncer de pâncreas, rim, esôfago e intestino de todos os cinco continentes. Além disso, os pacientes responderão a questionários epidemiológicos, que abordarão hábitos alimentares, se viveram em áreas com exposição a carcinógenos, se já foram contaminados por algum vírus, entre outras questões.

No Brasil, 900 pacientes serão recrutados e terão amostras e informações coletadas por A.C Camargo Cancer Center, Hospital de Câncer de Barretos e Inca.

A cientista Vilma Regina Martins, superintendente de pesquisa do A.C.Camargo, explica que os tumores avaliados pelo estudo têm incidência diferente em locais diferentes do planeta. “Quando se tem um tumor com esse perfil, entende-se que há alguma coisa naquele local associada com o aumento ou a diminuição de risco. Entende-se que podem haver causas genéticas na população e também fatores ambientais de cada uma das regiões”, afirma.

"Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer"
Mike Stratton, diretor do Wellcome Trust Sanger Institute

Associando-se a análise genética à análise de hábitos e fatores externos aos quais os pacientes são expostos, os cientistas esperam ligar cada perfil mutacional à sua respectiva causa. "O principal objetivo de nosso Grand Challenge é entender as causas do câncer. Cada câncer detém um vestígio arqueológico, um registro em seu DNA do que o causou. É este registro que queremos explorar para descobrir o que causou aquele câncer", afirmou Mike Stratton em comunicado.

Vilma observa que a principal meta do estudo é possibilitar novas formas de prevenção, mas que, dependendo dos resultados, também podem surgir pesquisas que resultem em novos tratamentos para a doença.

Os sete desafios selecionados pela Cancer Research UK são:
  
1.            Desenvolvimento de vacinas para prevenir cânceres não relacionados a vírus
2.            Erradicar cânceres relacionados ao vírus Epstein-Barr do mundo
3.            Descobrir como perfis mutacionais incomuns são induzidos por diferentes eventos relacionados ao câncer
4.            Fazer a distinção entre cânceres letais que precisam de tratamento e cânceres não-letais que não precisam
5.            Descobrir um modo de mapear tumores em nível molecular e celular
6.            Desenvolver métodos que tenham como alvo o gene Myc, que é mutado na maioria dos cânceres humanos
7.            Descobrir como liberar macromoléculas biologicamente ativas em qualquer célula do corpo humano para tratar o câncer de forma efetiva

8.         A pesquisa do qual o Brasil faz parte se enquadra principalmente no desafio 3. As outras três equipes de pesquisa selecionadas para receberem os 20 milhões de libras focarão em criar mapas de realidade virtual de tumores; desenvolver estratégias para evitar tratamentos de câncer de mama desnecessários e estudar o metabolismo do tumor a partir de diversos ângulos.
   

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A evolução do câncer de mama e as terapias mais assertivas


Como a ciência tem evoluído para proporcionar os melhores tratamentos às pacientes

Assim como uma mulher nunca é igual a outra, por mais parecida que seja aos nossos olhos, o câncer de mama não é uma doença única. Com a evolução da oncologia, sabemos hoje que existem diferentes subtipos de câncer de mama que se comportam de maneiras distintas, com prognósticos e tratamentos diversos.

O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre as mulheres em todo mundo. Para este ano, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), serão 57.960 novos casos.  A incidência do câncer de mama é ainda crescente no Brasil por dois motivos: o envelhecimento da nossa população e o desenvolvimento de novas técnicas diagnósticas. Em contra partida, enquanto em países desenvolvidos como os EUA a mortalidade por câncer de mama vem caindo ao longo dos anos, devido aos novos tratamentos e ao diagnóstico precoce, no Brasil, pelo acesso restrito a saúde, a mortalidade ainda vem aumentando.

O mais importante no tratamento do câncer de mama hoje é a abordagem multidisciplinar e individualizada para cada paciente. Antes de programar o melhor tratamento, o oncologista deve avaliar qual é o subtipo molecular de câncer de mama daquela paciente, pois somente assim poderá saber se determinado remédio ou procedimento será eficaz em combater a doença. “Esse momento é crucial para termos sucesso no combate a doença, tanto no tratamento curativo, que é a maioria dos casos, quanto no controle da doença avançada, que possibilita a paciente não só viver mais, mas também viver melhor. O entendimento da biologia tumoral e das novas terapias alvo são fundamentais para obter sucesso, e é isso que vai orientar a escolha do tratamento de forma individual para cada caso.”, diz a doutora Maíra Tavares, Oncologista do Grupo da Oncologia Mamária da Clínica AMO - Assistência Multidisciplinar em Oncologia.

A quimioterapia, tratamento mais conhecido e mais temido contra o câncer, pode não ser a opção mais assertiva para todas as pacientes. “No câncer de mama metastático receptor hormonal positivo, por exemplo, o principal tratamento é a hormonioterapia, que  é uma terapia alvo muito eficiente, em forma de comprimidos e com poucos efeitos colaterais”, afirma a especialista.

A heterogeneidade tumoral tem testado a ciência a todo tempo. A genética vem sendo a maior aliada dos pacientes com câncer, já que identificando as mutações responsáveis pelo crescimento tumoral, ela possibilita o desenvolvimento de novas drogas direcionadas. “A avaliação do DNA tumoral hoje já pode ser feita até por uma amostra de sangue do paciente com câncer metastático, é o que chamamos de "biopsia líquida". Através desta técnica, podemos avaliar quais as mutações presentes naquele tumor e qual a melhor terapia disponível para aquela alteração.”, conclui Dra. Maira.




terça-feira, 4 de abril de 2017

Após 'retorno' de câncer, jovem de 22 anos se casa em hospital no DF

Estudante foi diagnosticada com leucemia pela segunda vez e, logo em seguida, recebeu o pedido de casamento. Agora, casal aguarda novo doador e sonha com lua de mel no Chile.


Por Wellington Hanna*, G1 DF
28/01/2017 09h50  Atualizado há 40 minutos

Após diagnóstico de câncer, jovem de 22 anos se casa em hospital no DF

Um intervalo de apenas três dias separou os piores e os melhores momentos da vida da universitária Nathália Freire, de 22 anos. No dia 18 de janeiro, a jovem ouviu do médico que a leucemia, "curada" seis meses antes, havia retornado. No dia 21, em uma cerimônia improvisada, Nathália se casou no quarto do hospital particular no Lago Sul, em Brasília

"O que tinha tudo para ser uma singela união, ficou uma cerimônia muito bonita por conta do nosso amor", disse ao G1 o marido, Junior Oliveira. A entrevista foi dada nesta sexta (27), enquanto Nathália passava por uma sessão de quimioterapia no quarto ao lado.

Oliveira diz que o pedido de casamento veio à cabeça imediatamente, assim que o casal descobriu que teria de enfrentar a luta contra o câncer pela segunda vez. A leucemia atinge os glóbulos brancos do sangue, e faz com que eles percam a capacidade de defender o organismo.

"Tive medo de não ter outra oportunidade. A gente não sabe o dia de amanhã. Então, não pensei duas vezes e fiz o pedido. Assim, de última hora"

Os preparativos para a cerimônia foram rápidos, e foram cumpridos em meio ao turbilhão do retorno ao tratamento. Júnior conta que tudo foi feito sem muito planejamento, "mas com muito amor".

"Eu planejava que iríamos nos casar daqui a um ano, ou dois. Então, foi tudo de repente. Corri para comprar o vestido, a aliança, achar o pastor, fazer a decoração."

Com o apoio da equipe do hospital Daher, um quarto foi especialmente decorado para a cerimônia dos dois. No sábado à tarde, acompanhada de dez testemunhas – entre amigos próximos e familiares – e vestida com um longo vestido branco e com uma coroa de flores, Nathália Freire se casou com Junior Oliveira. "Nos tornamos um só", diz ele.

Luta antiga

O diagnóstico recebido no dia 18 por Nathália representa o "segundo episódio" da batalha contra a leucemia. Em julho de 2016, após seis meses de tratamentos agressivos, a jovem ouviu dos médicos que estava "sem sinais" da doença. Um transplante de medula que ela recebeu da irmã, que era 100% compatível, ajudou na recuperação.

"Na época, pensamos que tinha dado tudo certo. Que eu estava livre. Mas o médico viu meus exames alterados e constatou que o câncer voltou."

O médico de Nathália, Rafael Vasconcellos, conta que as chances de a doença retornar após um transplante desse tipo são relativamente baixas. “A leucemia costuma aparecer de novo em apenas 30% dos casos. Geralmente, em casos muito mais agressivos. Agora, a Nathália precisa de outro doador”, diz o médico

Juntos há nove anos, o casal diz manter a fé recuperação de Nathália, e já faz planos para celebrar a união recente. “Nosso sonho é comemorar a lua de mel no Chile”, diz Júnior.

Cadastro de doadores
A medula óssea é uma estrutura que fica dentro dos ossos do corpo, responsável pela produção das células do sangue e das células de defesa. Ela abriga um tipo específico de células-tronco, similar ao do cordão umbilical, que pode ajudar na produção do sangue.

No Brasil, mais de 4 milhões de pessoas estão cadastradas no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando um paciente precisa desse tipo de transplante, os dados são cruzados com todas essas amostras em busca da maior compatibilidade.

Para "entrar" no Redome, o voluntário precisa ter de 18 a 55 anos de idade, bom estado de saúde, e não ter doença infecciosa ou histórico de câncer. Outras condições são avaliadas caso a caso. A inscrição é simples, e requer apenas uma amostra de 10 ml de sangue.

Quando houver um paciente com possível compatibilidade, o doador voluntário será comunicado e poderá decidir quanto à doação. Exames adicionais são feitos para confirmar a viabilidade do procedimento.

Após se casar em hospital no DF, jovem com câncer pede doação de medula

Doação
Diferentemente dos transplantes de coração e pulmão, a doação de medula óssea não envolve uma cirurgia. Apesar de mais simples, o procedimento também é feito em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação mínima de 24 horas.

Durante o procedimento cirúrgico, o médico faz várias punções com uma seringa, e retira parte da medula óssea estocada na bacia do doador. A operação dura cerca de 90 minutos, e pode gerar dor localizada por alguns dias. Neste caso, o uso de analgésicos pode amenizar o desconforto.

Há um segundo método de retirada, menos invasivo, chamado "aférese". Neste caso, o doador toma medicação por cinco dias para ampliar a circulação de células-tronco no corpo. Em seguida, uma máquina "filtra" o sangue e retira esse material, que será doado. O procedimento não requer internação e nem anestesia, mas a escolha do método deve ser feita pelos médicos assistentes.

Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana, e a medula óssea se recompõe em cerca de 15 dias. No receptor, a medula é injetada pela veia, como se fosse uma transfusão de sangue.

*sob supervisão de Helena Martinho