quarta-feira, 10 de julho de 2019

Novo tratamento para câncer de pâncreas começa a ser testado em humanos nos EUA


O câncer de pâncreas tem uma das mais altas taxas de mortalidade entre todos os tipos da doença. — Foto: Pixabay

Pesquisadores da Universidade de Utah combinaram dois medicamentos que tiveram efeito promissor contra a doença em testes de laboratório. O tumor no órgão é um dos mais letais: apenas 1 a cada 5 pacientes sobrevivem um ano depois do diagnóstico.
Por Lara Pinheiro, G1
05/03/2019 11h05  Atualizado há 2 meses

Cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, descobriram uma nova estratégia para tratar o câncer de pâncreas que já está sendo testada em humanos. O estudo sobre o tratamento, que é uma combinação de duas drogas ingeridas por via oral, foi publicado nesta segunda (4) na revista ‘Nature Medicine’.
As medicações agem de duas formas:
·         Elas impedem a ação anormal de um gene, o Kras, que ocorre em tumores no pâncreas. Os cientistas já sabiam que, quando ele tem uma mutação, acaba promovendo o crescimento e a divisão das células de forma anormal. Assim, o tumor cresce.
·         Os remédios atrapalham o processo de autofagia das células do tumor. A autofagia é um mecanismo no qual a célula “come” a si mesma para obter energia.
Os cientistas já sabiam que esses fatores ajudavam o tumor a crescer. Por isso, ambos os tipos de medicamento já haviam sido usados, individualmente, para combater o câncer de pâncreas, mas sem resultado. A novidade é que os pesquisadores perceberam que, quando combinados, eles têm efeito para combater o tumor.
“Nós conseguimos observar que a combinação dessas duas drogas — que, quando usadas individualmente, não têm muito impacto na doença — parece ter um impacto muito potente no crescimento do tumor. Nós observamos isso em culturas de células no laboratório, em modelos com ratos e, agora, em um paciente com câncer de pâncreas — em menos de dois anos. É uma linha do tempo raramente vista na medicina”, afirmou o pesquisador Martin McMahon, um dos autores do estudo.
O primeiro paciente que testou os medicamentos acabou não resistindo à doença, mas respondeu bem ao tratamento, segundo outro cientista que participou da pesquisa.
“O paciente tinha feito cirurgia e várias doses de quimioterapia antes dessa combinação. Apesar de ter falecido, respondeu de forma notável a essas drogas por vários meses”, explicou Conan Kinsey. Ele disse, ainda, que os resultados da combinação precisam ser avaliados em estudos clínicos (em humanos) para descobrir se é possível conseguir bons resultados em outras pessoas.
Os testes desse tipo já estão sendo conduzidos na Universidade do Texas e têm previsão de acontecer na Universidade da Califórnia em San Francisco e na Universidade de Columbia, em Nova York.
Alta mortalidade
O câncer de pâncreas é uma das formas mais letais da doença. Apenas 20 a cada 100 (ou 1 a cada 5) pacientes com o tumor continuam vivos um ano depois do diagnóstico. Cinco anos depois da detecção da doença, esse número cai para 7 a cada 100, segundo a Sociedade Americana do Câncer.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), essa alta taxa de mortalidade acontece por conta do diagnóstico tardio.
Para Axel Behrens, que estuda a relação entre câncer e células-tronco no Instituto Francis Crick, em Londres, esse atraso na detecção se dá por alguns fatores, como a facilidade de metástase da doença, a ausência de sintomas iniciais e a falta de marcadores no sangue — como há no câncer de próstata, por exemplo.
"O problema é que, muito frequentemente, no momento do diagnóstico o paciente apresenta metástase. O pâncreas é um órgão muito vascularizado, então é muito fácil para o câncer ir para o fígado, porque existem muitos dutos que levam até lá — e aí há metástase. Além disso, o câncer é, por um longo tempo, assintomático: a pessoa tem o tumor, mas se sente bem. Só quando ele fica muito grande a pessoa começa a se sentir mal e sentir dor. E não existe um marcador diagnóstico que pode ser usado para detectar uma doença assintomática", explica Behrens, que não participou do estudo.
O Inca também não recomenda o rastreamento rotineiro da doença, por não haver evidência de que ele traz benefícios, mas recomenda investigar sintomas como pele amarela (icterícia), urina escura, cansaço, perda de apetite e peso e dor em abdômen superior e costas.
Reforço
A pesquisa na Universidade de Utah foi reforçada por um outro estudo, separado, também publicado nesta segunda (4) na mesma revista. Cientistas da Universidade da Carolina do Norte chegaram a conclusões semelhantes sobre o papel do gene Kras e da autofagia no crescimento do adenocarcinoma, tipo mais comum do câncer do pâncreas.
Primeiro, descobriram que bloquear a ação anormal do gene aumentava a dependência da célula na autofagia — ou seja, com o Kras bloqueado, ela passava a “comer a si mesma” mais do que o normal. Depois, eles bloquearam a própria autofagia.
“A autofagia é um processo no qual células do câncer reciclam materiais, em vez de se livrar deles. O que nós descobrimos foi que, se você bloquear o caminho mais importante para a energia — a glicólise — a célula cancerígena começa a sofrer e começa a autofagia. Assim, o câncer se torna mais dependente da autofagia e mais sensível ao inibidor dela”, explicou Channing Der, um dos autores do estudo.
Os testes foram realizados tanto em células de camundongo quanto humanas, e devem começar a ser feitos em humanos, combinando dois medicamentos, na Universidade do Texas.
Marcadores genéticos
Um terceiro estudo, não relacionado e também publicado nesta segunda (4) em outra revista, por cientistas da Universidade de Pittsburgh, mostrou que, em 17% dos casos da doença, há um marcador genético que indica se o tumor pode ser tratado com quimioterapia que já existe.
Os pesquisadores caracterizaram o código genético de 3.594 amostras de tumor no órgão vindas de pacientes ao redor do mundo. Eles descobriram que há genes que predispõem uma família inteira a desenvolver a doença, como no caso do câncer de ovário.
Determinar o perfil de cada tumor pode ajudar a escolher a melhor forma de tratamento para cada caso. “As pessoas têm buscado esses marcadores por um longo tempo, e o nosso estudo mostra que é possível dividir os pacientes com câncer de pâncreas em categorias de tratamento diferentes”, explicou um dos autores da pesquisa, Nathan Bahary.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

Novo medicamento contra câncer de mama aumenta taxas de sobrevivência


Pesquisa realizada com mulheres jovens mostra aumento na sobrevivência de mulheres com câncer de mama — Foto: Pixabay

Sobrevivência de mulheres jovens chegou a 70% das pacientes contra 46% das que receberam o tratamento padrão.
Por France Presse
01/06/2019 19h44  Atualizado há um dia

Um novo medicamento melhora drasticamente as taxas de sobrevivência de mulheres jovens com a forma mais comum de câncer de mama, afirmaram cientistas neste sábado (1), citando os resultados de um teste clínico internacional.
As descobertas, apresentadas na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica em Chicago, mostraram que a adição de um medicamento conhecido como inibidor de ciclinas no tratamento elevou as taxas de sobrevivência a 70% contra 46% das mulheres que receberam o tratamento padrão.
A taxa de mortalidade foi 29% menor do que quando as pacientes receberam um placebo.
A autora principal do estudo, Sara Hurvitz, disse à AFP que o estudo se centrou no câncer de mama com receptores hormonais positivos, que representa dois terços de todos os casos de câncer de mama entre as mulheres mais jovens e que no passado foi geralmente tratado com terapias que bloqueiam a produção de estrogênio.
"Realmente, pode-se obter uma sinergia ou uma resposta melhor, uma eliminação melhor do câncer, ao acrescentar um destes inibidores no ciclo celular", além da supressão hormonal, disse Hurvitz.
O tratamento é menos tóxico do que a quimioterapia tradicional porque ataca de forma mais seletiva as células cancerosas, bloqueando sua capacidade de se multiplicar.
O teste, que analisou mais de 670 casos, incluiu apenas mulheres com menos de 59 anos, que tinham câncer avançado (na etapa 4), para os quais não tinham recebido tratamento de bloqueio hormonal prévio.
"Estas são pacientes que tendem a ser diagnosticadas mais tarde, em uma etapa posterior de sua doença porque não temos grandes modalidades de detecção para as mulheres jovens", disse Hurvitz.
"Isso é o que nos emociona tanto, porque é uma terapia que afeta muitas pacientes com a doença avançada", acrescentou.
O oncologista Harold Burstein, do Instituto de Câncer Dana-Farber, em Boston, e que não participou da pesquisa, disse que este é "um estudo importante", que estabeleceu que o uso de inibidores de ciclinas "se traduz em um benefício significativo para a sobrevivência das mulheres".
A pesquisa recebeu recursos da farmacêutica Novartis.
"Esperamos que estes dados permitam o acesso deste produto a mais mulheres em todo o mundo", acrescentou Burstein.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

67% dos brasileiros acreditam que terapias alternativas ajudam a vencer o câncer


Levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica mediu conhecimento do brasileiro sobre o câncer. Apenas 26% dizem entender profundamente sobre o tema.

Por Monique Oliveira, G1
24/10/2017


Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e Cláudio Ferrari, diretor da entidade, apresentam estudo (Foto: Monique Oliveira/G1)

Dois terços dos brasileiros (67%) acreditam que as terapias alternativas são importantes para curar o câncer, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica realizado em julho desse ano e divulgado nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro. A pesquisa também mostra que 26% acreditam que apenas a estimulação do próprio corpo aumenta as chances de cura, como o uso de terapias de transferência de energia com as mãos.
A entidade entrevistou 1,5 mil pessoas nos 26 estados do Brasil e no Distrito Federal com o objetivo de investigar o conhecimento, os hábitos, e estilo de vida dos brasileiros em relação ao câncer.
Sobre a crença nas terapias alternativas, especialistas ligados à entidade se dividem entre a resignação e a preocupação em relação ao dado – enquanto acreditam que a informação é importante e que é preciso fortalecer a ciência, também dizem que de nada adianta ter uma postura de enfrentamento em relação à fé.
"Os dados mostram uma tendência ao risco e uma predileção por escolhas não científicas", diz Cláudio Ferrari, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
"Entendemos que pode ser que a pessoa fique mais feliz, mas isso não pode justificar o abandono de terapias comprovadamente eficazes".
"Já me resignei em relação a isso. Você pode ter duas posturas: uma delas é de acolhimento, que vai reconhecer a importância da escolha, mas tentar estabelecer um diálogo que explique a importância do tratamento", diz Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
O especialista cita experiências ruins que teve em relação à fosfoetanolamina, mais conhecida como "pílula do câncer", que acabou não tendo resultados satisfatórios contra a doença em estudos clínicos.
"Tive duas situações muito ruins com o caso da fosfoetanolamina, porque teve uma hora que eu perdi a paciência, dizia para os pacientes que era um lixo mesmo, e a resposta dos pacientes a isso não foi boa."
Informação não chega e há desconhecimento
A entidade também identificou que o brasileiro não está profundamente familiarizado com o tema câncer. Quatro em cada dez afirmaram ter conhecimento mediano; e 26% afirmaram entender profundamente sobre o assunto.
O levantamento mostrou desinformação em relação a fatores de risco – mais de um em cada quatro brasileiros (27%) dizem não identificar relação entre câncer e sobrepeso, 26% não relacionam o câncer com Doença Sexualmente Transmissível (DST) e 21% acreditam que fumar de vez em quando não aumenta o risco de câncer.
"Não está chegando informação para uma parcela significativa da população", diz Cláudio Ferrari, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. "Isso é o o que nós identificamos."
Os especialistas explicam que doenças sexualmente transmissíveis, como a hepatite B, podem levar ao câncer de fígado. O mesmo ocorre com o HIV, que aumenta a chance de cânceres do tipo linfoma. Também o HPV, alvo de campanhas de vacinação recentes, aumenta muito a chance de câncer de colo de útero. "A relação é quase causal", explica Fernandes.
Sobre a obesidade, eles apontam que a gordura gera fatores de crescimento de tumores, que podem contribuir para o aumento da incidência. A obesidade também deflagra um estado inflamatório crônico que também aumenta a chance de surgimento de células cancerígenas – o câncer de endométrio é um exemplo de condição associada à obesidade.
Em relação ao cigarro, não há uma dose segura para o consumo, apontam. "Não existe a possibilidade de fumar e ter zero dano", diz Fernandes.
"Quando você fuma, você se expõe a 200 substâncias cancerígenas. Claro, que a frequência dessa exposição é importante, mas tem a especificidade de cada indivíduo, não se sabe o quanto pode ser seguro", diz. "O que se sabe é que 95% dos cânceres de pulmão estão relacionados ao cigarro", completa.
Ter conhecimento não significa agir, pontua o estudo
Os dados também mostram uma disparidade entre conhecimento e prática – como também demonstram que, mesmo o conhecimento prático é falho e superficial, carecendo de informações mais precisas.
Por exemplo, embora 21% afirmem que fumar ocasionalmente não leva ao câncer, 93% disseram que o tabagismo é o principal vilão do câncer.
Ainda, 23% da população desconhece que urinar sangue pode ser um sinal de câncer e 21% desconhece que sangue na urina também é um sinal. "É inacreditável que indivíduos com alto poder aquisitivo passem um ano urinando sangue para procurar um médico. E tem casos assim", diz Fernandes.
A disparidade entre teoria e prática se repete quando o assunto é adoção de exames preventivos. De acordo com o estudo, 80% dos entrevistados afirmaram que deveriam fazer check-ups, mas apenas 49% realmente o fazem. Outro dado que chamou a atenção da entidade é que 24% não faz nenhum tipo de exame preventivo.
"A primeira pessoa que tem que cuidar de você é você mesmo. E isso é importante que seja dito", diz Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
Os brasileiros também supervalorizam o peso da herança genética no surgimento do câncer – índice que foi registrado em 84% dos entrevistados.
Medo da doença, mas há otimismo
O brasileiro também tem medo do câncer, mas esse medo não necessariamente vira ação preventiva: 41% dos entrevistados disseram ter muito medo na doença. Desse grupo, 21% não faz nenhum tipo de exame preventivo. "Nós vimos que o medo não mobiliza as pessoas. Ele é um mau conselheiro", avalia Ferrari.
Apesar do medo, os brasileiros acreditam na possibilidade de cura – 80% das respostas disseram ser possível vencer a doença. Também 79% relataram acreditar na junção de tratamentos já existentes para superar a condição, enquanto 78% citaram o poder da fé.
O estudo também mostrou que há grande desconfiança do brasileiro em relação à atuação dos governos nos serviços de saúde: 73% relataram que não confiam na atuação do governo.


quarta-feira, 20 de março de 2019

Cientistas descobrem composto que imobiliza célula do câncer e impede metástase


O cientista Raymond Bergan e equipe em laboratório no Instituto OHSU Knight Cancer, no estado de Óregon (EUA) (Foto: Kristyna Wentz-Graff/OHSU)

Estudo testou nova estratégia contra o espalhamento de tumores pelo organismo; em vez de matar a célula, pesquisadores primeiro impediram que elas se movimentassem.


Por G1
22/06/2018 11h50  Atualizado há 18 horas

Uma nova pesquisa publicada na revista "Nature Communications" nesta sexta-feira (22) abre novos caminhos para impedir que o câncer se espalhe para outras áreas do organismo. Em estratégia inédita, cientistas "congelaram" a célula cancerígena para que ela não se movimentasse.
Trata-se de uma mudança de perspectiva na luta contra o câncer, dizem os cientistas. Isso porque, na maior parte das pesquisas em oncologia, os esforços se concentram mais em matar o tumor.
Os testes foram feitos com a molécula KBU2046, composto que inibiu o movimento de células do câncer em quatro diferentes tipos de células do câncer humanas: câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão.

"O movimento é a chave. Se as células cancerígenas se espalharem por todo o seu corpo, elas vão tirar sua vida. Podemos tratar, mas esse movimento vai tirar sua vida", diz em nota Raymond Bergan, professor de oncologia médica no Instituto OHSU Knight Cancer (EUA).
"Estamos estudando uma maneira completamente diferente de tratar o câncer", conclui Bergan.

O cientista explica que ele e a sua equipe fizeram diversos estudos na química para pensar um composto que só inibiria o movimento de células do câncer -- e não tivesse nenhum outro efeito em células saudáveis.


Terapia tem o objetivo de imobilizar a célula para que ela seja incapaz de atingir outros órgãos no organismo (Foto: Pixabay/Creative Commons/Qimono)

Substância bloqueia proteína associada ao movimento
Bergan cita ainda que o laboratório de Karl Scheidt, professor de química e farmacologia da Universidade de Northwestern, foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade de tumores. O desafio era encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.

"Começamos com uma substância química que impedia as células de se moverem. Depois, sintetizamos o composto várias vezes para que ele fizesse um trabalho perfeito de parar as células sem efeitos colaterais", diz Karl Scheidt, em nota.

Scheidt explica que o KBU2046 se liga a proteínas das células de forma específica para somente impedir o movimento. Não há uma outra ação sobre as estruturas celulares, o que diminui os efeitos colaterais e a toxicidade. "Levamos anos para descobrir", comemora, em nota.
Pesquisadores almejam que a droga possa ser administrada em cânceres iniciais para diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo e o paciente tenha um tumor intratável no futuro.
Cientistas estimam que serão necessários dois anos e US$ 5 milhões para que os primeiros testes sejam realizados em seres humanos.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Nova vacina contra câncer de ovário prolonga a vida de pacientes



Participantes que receberam a vacina apresentaram maiores taxas de sobrevivência. (iStock/Getty Images)
Tratamento em fase de testes usa parte do tumor das mulheres diagnosticadas. A ideia é estimular a resposta do sistema imunológico
Por Da Redação
access_time12 abr 2018, 18h10 - Publicado em 12 abr 2018, 17h25
Mais um tratamento contra o câncer está em fase de testes clínicos. Desta vez, o alvo do estudo é o câncer de ovário. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine, explica como os resultados de uma vacina personalizada podem prolongar a vida de pacientes com a doença. Segundo o estudo, no período de dois anos os participantes que foram vacinados mostraram melhores resultados de “sobrevida global” – tempo entre o diagnóstico e a morte – quando comparados aos que não receberam a dose.

Câncer de ovário
O câncer de ovário, também conhecido como “assassino silencioso”, costuma ser diagnosticado nos estágios avançados da doença (cerca de 80% dos casos). No momento do diagnóstico, 60% dos cânceres de ovário já se espalharam para outras partes do corpo, reduzindo a taxa sobrevivência para 30% nos primeiros cinco anos. De acordo com o médico Ronny Drapkin, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a razão do diagnóstico acontecer tardiamente é a sua localização. “A pelve é como uma tigela, então um tumor pode crescer bastante antes de se tornar perceptível”, disse Drapkin ao Daily Mail Online.

Normalmente, os primeiros sintomas do câncer de ovário são gastrointestinais porque os tumores começam a fazer pressão na área acima de sua localização. No entanto, quando um indivíduo se queixa de desconforto gastrointestinal, os médicos costumam priorizar uma mudança alimentar, desconsiderando a possibilidade da doença.
Apenas quando os sintomas se tornam persistentes o paciente passa por uma triagem que revela o câncer. A doença é tratada com cirurgia e quimioterapia, mas por causa da demora no diagnóstico – e consequentemente no tratamento -, 85% dos pacientes têm recaídas e acabam desenvolvendo resistência à quimioterapia, deixando-os sem opções de tratamento.
Vacina
A médica Lana Kandalaft, principal autora do estudo, acredita que a vacina pode ser capaz de impulsionar o sistema imunológico e aumentar as taxas de sobrevivência dos pacientes. De acordo com a American Cancer Society, a equipe de pesquisadores analisou os resultados de 25 mulheres com câncer de ovário epitelial avançado, que tem taxa de sobrevida média de 17% dentro do período de cinco anos.

A vacina personalizada criada pelos cientistas consiste em usar o tumor do paciente (armazenado e preservado antes da cirurgia) e as células do sangue. Essas células têm a missão de identificar e capturar invasores e levá-los até os nódulos linfáticos, onde as células T são acionadas e iniciam um ataque na tentativa de destruir os invasores. “Os pacientes que receberam a vacina criaram uma resposta imune contra seus próprios tumores”, disse Lana em comunicado. Ainda segundo ela, os resultados são significativos porque o corpo aumentou o número de células T específicas capazes de destruir os tumores em pacientes cujo sistema imunológico não consegue reagir  sozinho.
A taxa de sobrevivência no período de dois anos avaliados pela equipe entre as mulheres que receberam a vacina foi de 78% contra 44% para as que não foram vacinadas.
Precauções
O diretor médico da American Cancer Society, Otis Brawley, afirmou-se esperançoso com a ideia da imunoterapia ser usada como tratamento para o câncer de ovário. Apesar de não estar envolvido na pesquisa, ele se disse cauteloso com as vacinas personalizadas. “A análise de sobrevivência é propensa a alguns preconceitos que podem induzir ao erro até mesmo em avaliadores clínicos mais experientes”, disse ao Daily Mail Online.
Os pesquisadores garantem que pretendem fazer mais estudos com a vacina. A pesquisa atual focou na segurança do tratamento.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Exame de sangue identifica indivíduos com chance de desenvolver câncer de pulmão, diz OMS



Teste detecta proteínas cancerígenas que vão parar na corrente sanguínea e é mais preciso que tomografia, segundo a Organização Mundial de Saúde.


Por G1
16/07/2018 09h55  Atualizado há 1 hora

Raio-x do peito mostra alteração no tamanho dos dois pulmões, o que poderia indicar câncer. Foto: Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (Foto: Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos)
Um exame de sangue em estudo aumenta a precisão de detecção precoce do câncer de pulmão, diz a Organização Mundial de Saúde. O teste identifica cinco proteínas específicas, chamadas de "biomarcadores", que podem ser encontradas antes da formação dos tumores.
O estudo foi desenvolvido pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer, braço da Organização Mundial de Saúde para pesquisas na área de oncologia.
Uma detecção se faz urgente, afirma o estudo, porque o rastreamento atual de câncer de pulmão não diagnostica uma grande fração dos tumores.
Enquanto o teste fez a previsão de 63% de futuros pacientes com câncer, a tomografia conseguiu prever o câncer de pulmão em 42% dos pacientes.
“Esse é o primeiro estudo que demonstra que marcadores melhoram a identificação de casos futuros de câncer de pulmão”, diz Paul Brennan, chefe do departamento de genética da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer.
O estudo também foi publicado no "JAMA Oncology" e mostrou que o teste foi capaz de prever com mais precisão que tomografia cânceres em estágio inicial.
Além da agência da OMS, o estudo teve a colaboração da Universidade do Texas e do MD Anderson Cancer Center, ambos nos Estados Unidos.
Câncer de pulmão no Brasil
O Inca (Instituto Nacional do Câncer) no Brasil diz que, em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco.
No Brasil, esse tipo de câncer foi responsável por 24.490 mortes em 2013. Pacientes com câncer de 


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Câncer de mama: fase inicial pode não precisar de quimio, indica estudo


Em 70% dos casos, o índice de sobrevivência de mulheres tratadas sem quimioterapia chega a mais de 90%
Por Da Redação  https://veja.abril.com.br/saude/cancer-de-mama-fase-nao-precisa-de-quimioterapia-afirma-estudo/
access_time4 jun 2018, 20h53 - Publicado em 4 jun 2018, 18h05

Exame de rotina: a mamografia pode reduzir o número de mortes em mulheres com câncer de mama (Thinkstock/VEJA/VEJA)
Cerca de 70% das mulheres diagnosticadas nos estágios iniciais do câncer de mama podem não precisar de quimioterapia, de acordo com estudo publicado no New England Journal of Medicine. Segundo os pesquisadores, o tratamento hormonal atinge um percentual de sobrevivência de mais de 90%, sendo tão eficiente quanto a quimioterapia na maioria dos casos de tumores mamários que ainda não se espalharam pelo corpo.
O estudo foi apresentado neste fim de semana, em encontro da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), que aconteceu nos Estados Unidos. “Poderemos poupar centenas de milhares de mulheres de um tratamento tóxico e agressivo que, na realidade, não as beneficia”, disse Ingrid A. Mayer, autora do estudo, ao The New York Times.

Muitas mulheres que passam pela quimioterapia convivem com efeitos colaterais, como anemia, enfraquecimento do sistema imunológico, perda de cabelo, diarreia, fadiga e perda de memória. Além disso, outros sintomas menos comuns — porém mais graves — podem acontecer, como perda óssea, osteoporose, problemas cardíacos e visuais.

Câncer de mama
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelou que o câncer de mama é relativamente raro antes dos 35 anos, mas acima desta faixa etária a incidência aumenta progressivamente, especialmente após os 50 anos.
Segundo o Fundo Internacional para Pesquisa do Câncer Mundial, este é o tipo de câncer mais comum em mulheres, representando cerca de 12% de todos os novos casos de câncer e 25% de todos os cânceres no grupo feminino, além de ser a quinta causa mais comum de morte por câncer em mulheres no mundo. No Brasil, é o tumor que mais leva a óbito as pessoas do sexo feminino.
O Grupo de Estudos do Câncer de Mama revelou que cerca de 52.680 novos casos de tumor de mama são diagnosticados anualmente; e 13.000 pacientes morrem por ano. Outro dado mostra que 52 mulheres em cada 100.000
Tratamentos: estágios do câncer
O uso da quimioterapia é geralmente determinado por testes genéticos realizados em amostras de tumores da mama — retirados na cirurgia — que identificam o nível de risco do câncer. “O que esse teste faz é olhar para 21 genes diferentes para ver se cada um está ligado ou desligado e, em seguida, se é sobre-expressa ou não. Então, temos duas respostas sim-não para cada gene. Ele examina todas as 21 respostas e dá a esse câncer uma pontuação recorrente entre 0 e 100”, explicou Otis Brawley, diretor médico e científico da American Cancer Society, à CNN.
As mulheres com baixo risco podem utilizar apenas drogas que bloqueiam a produção de estrogênio como forma de tratamento. Já as que recebem nota alta precisam passar pela quimioterapia, por se tratar de tumores mais agressivos. Para a maioria das pacientes com resultados intermediários recomenda-se a quimioterapia — associada ao tratamento hormonal — como forma de precaução.
No entanto, de acordo com o novo estudo, chamado de TAILORx, essas mulheres têm a mesma chance de sobrevivência, independente do tratamento utilizado: depois de nove anos, o percentual de sobrevivência é de 93,9% sem quimioterapia e de 93,8% com quimioterapia.
Recomendação: estágio inicial
O resultado do estudo indica a opção de tratamento com terapia hormonal somente para os casos de câncer de mama no estágio inicial. Isso porque nesse período os tumores geralmente não atingiram os nódulos linfáticos e não houve mutação no gene HER2, que causa crescimento acelerado do tumor. Além disso, as pacientes precisam ter recebido nota entre 11 e 25 em teste que mede a atividade dos genes presentes no tumor.
“Todos os dias, mulheres com câncer de mama se veem diante do terrível dilema de decidir se vão ou não fazer a quimioterapia, sem ter dados suficientes e assertivos sobre os resultados. [Essa pesquisa] é transformadora e uma ótima notícia, já que poderá liberar milhares de mulheres da agonia da quimioterapia”, comentou Rachel Rawson, da ONG Breast Cancer Care, voltada a pesquisas e tratamentos de câncer.
No entanto, é importante ressaltar, por exemplo, que dados sobre mulheres na pré-menopausa e com menos de 50 anos que pontuaram na faixa mais alta de risco intermediário (16 a 25) foram analisados separadamente. Os resultados mostraram que há pequenos benefícios no uso quimioterapia. “Os tumores crescem de forma mais agressiva em mulheres na pré-menopausa, não apenas em mulheres com menos de 50 anos”, disse Brawley, da American Cancer Society.
Por isso é necessário examinar cada caso com cuidado para indicar o melhor tratamento e não colocar em risco a vida das pacientes.