Extraído do Jornal do Brasil 25/11/2009
DA REDAÇÃO - Quarenta por cento dos 500 mil novos casos de câncer previstos no país em 2010 poderiam ser evitados com mudanças no comportamento dos brasileiros, tais como parar de fumar, praticar atividades físicas regulares, proteger melhor a pele do excesso de exposição ao sol e ter uma alimentação saudável, priorizando o consumo de frutas, legumes e verduras e reduzindo o de gorduras.
Além disso, exames como toque retal para os homens e mamografia para as mulheres são aliados na prevenção do câncer de próstata e mama. Os dois tipos doença são os de maior incidência depois do câncer de pele do tipo não-melanoma,
A mamografia anual é indicada para mulheres a partir dos 40 anos e de dois em dois anos dos 50 aos 69 anos. Para pessoas com histórico da doença na família, no entanto, é recomendado que os exames comecem aos 35. Para os homens, o exame do toque retal é recomendado a partir dos 40 anos.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Brasil terá quase meio milhão de novos casos de câncer em 2010
Do UOL Ciência e Saúde
O país terá mais de 489 mil novos casos de câncer em 2010, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro. Os tipos de câncer mais frequentes na população serão o de pele não melanoma, o de próstata e o de mama feminina.
O levantamento mostra que o câncer será mais prevalente nas mulheres (52%) do que nos homens (48%). Apesar de homens adoecerem e morrerem mais do que as mulheres, a população feminina é mais numerosa, especialmente nas faixas etárias mais avançadas, o que explica o resultado.
O tipo de câncer mais comum, em ambos os sexos, é o de pele não melanoma, que soma aproximadamente 114 mil casos novos, ou 23% do total de casos estimados para 2010. Esse levantamento é separado dos outros, na estimativa, por se tratar de uma doença com bom prognóstico e que implica baixíssimo risco de morte.
Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o tipo mais comum de tumor nos homens é o de próstata, seguido de pulmão, cólon e reto, estômago, oral, esôfago, leucemias e pele melanoma. Entre as mulheres, os cânceres mais frequentes são os de mama, colo de útero, cólon e reto, pulmão, estômago, leucemias, oral, pele melanoma e esôfago.
Os dados utilizados para o cálculo têm como base o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP). O Inca esclarece que a estimativa atual não pode ser comparada com as anteriores, porque reflete um contexto que se modifica ao longo do tempo.
Diferenças entre regiões
Exceto no caso do câncer de próstata, que é o mais comum em homens em todas as regiões do país, cada região possui perfil diferente em relação à prevalência de câncer masculino. Nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o tumor mais comum é o de pulmão. Já no Norte e no Nordeste, é o de estômago.
Em relação às mulheres, o câncer de mama só não é o mais comum no Norte, região em que o tumor de colo de útero é o mais prevalente. No Sul e no Sudeste, o câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente. No Centro-Oeste e no Nordeste, o segundo câncer mais comum é o de colo de útero.
O país terá mais de 489 mil novos casos de câncer em 2010, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) nesta terça-feira (24), no Rio de Janeiro. Os tipos de câncer mais frequentes na população serão o de pele não melanoma, o de próstata e o de mama feminina.
O levantamento mostra que o câncer será mais prevalente nas mulheres (52%) do que nos homens (48%). Apesar de homens adoecerem e morrerem mais do que as mulheres, a população feminina é mais numerosa, especialmente nas faixas etárias mais avançadas, o que explica o resultado.
O tipo de câncer mais comum, em ambos os sexos, é o de pele não melanoma, que soma aproximadamente 114 mil casos novos, ou 23% do total de casos estimados para 2010. Esse levantamento é separado dos outros, na estimativa, por se tratar de uma doença com bom prognóstico e que implica baixíssimo risco de morte.
Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o tipo mais comum de tumor nos homens é o de próstata, seguido de pulmão, cólon e reto, estômago, oral, esôfago, leucemias e pele melanoma. Entre as mulheres, os cânceres mais frequentes são os de mama, colo de útero, cólon e reto, pulmão, estômago, leucemias, oral, pele melanoma e esôfago.
Os dados utilizados para o cálculo têm como base o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e os Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP). O Inca esclarece que a estimativa atual não pode ser comparada com as anteriores, porque reflete um contexto que se modifica ao longo do tempo.
Diferenças entre regiões
Exceto no caso do câncer de próstata, que é o mais comum em homens em todas as regiões do país, cada região possui perfil diferente em relação à prevalência de câncer masculino. Nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o tumor mais comum é o de pulmão. Já no Norte e no Nordeste, é o de estômago.
Em relação às mulheres, o câncer de mama só não é o mais comum no Norte, região em que o tumor de colo de útero é o mais prevalente. No Sul e no Sudeste, o câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente. No Centro-Oeste e no Nordeste, o segundo câncer mais comum é o de colo de útero.
Alguns vírus que constituem fatores de risco para o câncer
Fonte: National Cancer Institute (www.cancer.gov)
Papillomavirus Humano
Certas estirpes do papilomavírus humano (HPV), que são sexualmente transmissíveis, são as principais causas do câncer do colo do útero e anal. Mulheres que começaram a ter relações sexuais antes da idade de 17 anos, ou que tenham tido múltiplos parceiros sexuais, são o grupo que apresenta maior risco de infecção por HPV.
O HPV pode também ser responsável por alguns tipos de câncer da cabeça e do pescoço.
É importante observar que a maioria das pessoas infectadas por HPV não terão câncer. Além disso, está disponível uma vacina que pode impedir a infecção com as estirpes de HPV que causam câncer do colo do útero.
Hepatite B e C.
Os vírus da hepatite B e hepatite C são as principais causas de câncer do fígado em todo o mundo. Os vírus são transmitidos através de transfusões de sangue, uso de drogas injetáveis e sexo sem proteção. A vacinação pode proteger contra a hepatite B, mas não existe ainda uma vacina para a hepatite C.
Epstein - Barr
Causa Mononucleose. Em pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, pode levar a alguns tipos de Linfoma.
Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, como no caso das infectadas pelo HIV (AIDS), apresentam também risco de contrair um câncer chamado de sarcoma de Kaposi
Papillomavirus Humano
Certas estirpes do papilomavírus humano (HPV), que são sexualmente transmissíveis, são as principais causas do câncer do colo do útero e anal. Mulheres que começaram a ter relações sexuais antes da idade de 17 anos, ou que tenham tido múltiplos parceiros sexuais, são o grupo que apresenta maior risco de infecção por HPV.
O HPV pode também ser responsável por alguns tipos de câncer da cabeça e do pescoço.
É importante observar que a maioria das pessoas infectadas por HPV não terão câncer. Além disso, está disponível uma vacina que pode impedir a infecção com as estirpes de HPV que causam câncer do colo do útero.
Hepatite B e C.
Os vírus da hepatite B e hepatite C são as principais causas de câncer do fígado em todo o mundo. Os vírus são transmitidos através de transfusões de sangue, uso de drogas injetáveis e sexo sem proteção. A vacinação pode proteger contra a hepatite B, mas não existe ainda uma vacina para a hepatite C.
Epstein - Barr
Causa Mononucleose. Em pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, pode levar a alguns tipos de Linfoma.
Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, como no caso das infectadas pelo HIV (AIDS), apresentam também risco de contrair um câncer chamado de sarcoma de Kaposi
terça-feira, 17 de novembro de 2009
SUS muda regra para tratar doenças graves
11/11/2009 - 07h57
Fonte: Folha online e http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2009/11/11/sus-muda-regra-para-tratar-doencas-graves.jhtm
O Ministério da Saúde atualizará a forma como os médicos da rede pública tratam 53 doenças graves e criará orientações para o tratamento de 33. O SUS (Sistema Único de Saúde) ficará obrigado a dar aos doentes todos os remédios previstos nas novas orientações.
Antes de fazer as mudanças, o ministério realizará consultas públicas de um mês para ouvir sugestões de entidades de médicos e de doentes.
Serão atualizados tratamentos de asma grave, deficiência do hormônio do crescimento, Alzheimer, osteoporose e até acne. Os médicos hoje seguem tratamentos de quase dez anos atrás, quando os remédios não eram tão avançados e se sabia menos sobre as doenças.
Entre as doenças que passarão a ter orientações de tratamento estão hipertensão arterial pulmonar, puberdade precoce e síndrome do ovário policístico. Cada médico hoje prescreve um tratamento distinto.
Ainda não se sabe quanto o SUS gastará com as mudanças. Para o secretário nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, elas são importantes pois garantem tratamentos seguros e modernos e levam o médico a se atualizar.
Beltrame também crê que as novas diretrizes orientarão juízes diante de ações em que pacientes exigem medicamentos do governo. A tendência é que a Justiça negue os pedidos caso os remédios não façam parte das orientações do SUS.
O "Diário Oficial" da União de hoje já publica as orientações revistas para o tratamento de espasticidade e distonia, doenças musculares que atingem mais de 1,8 milhões de novas pessoas por ano no país. E abre consulta pública para rever o tratamento de oito doenças, como hipotireoidismo congênito, doença falciforme e esclerose lateral amiotrófica.
As consultas para as demais doenças serão abertas ao longo das próximas semanas. As informações estarão no site www.saude.gov.br.
Dos 190 milhões de brasileiros, 150 milhões dependem exclusivamente do SUS.
Fonte: Folha online e http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2009/11/11/sus-muda-regra-para-tratar-doencas-graves.jhtm
O Ministério da Saúde atualizará a forma como os médicos da rede pública tratam 53 doenças graves e criará orientações para o tratamento de 33. O SUS (Sistema Único de Saúde) ficará obrigado a dar aos doentes todos os remédios previstos nas novas orientações.
Antes de fazer as mudanças, o ministério realizará consultas públicas de um mês para ouvir sugestões de entidades de médicos e de doentes.
Serão atualizados tratamentos de asma grave, deficiência do hormônio do crescimento, Alzheimer, osteoporose e até acne. Os médicos hoje seguem tratamentos de quase dez anos atrás, quando os remédios não eram tão avançados e se sabia menos sobre as doenças.
Entre as doenças que passarão a ter orientações de tratamento estão hipertensão arterial pulmonar, puberdade precoce e síndrome do ovário policístico. Cada médico hoje prescreve um tratamento distinto.
Ainda não se sabe quanto o SUS gastará com as mudanças. Para o secretário nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, elas são importantes pois garantem tratamentos seguros e modernos e levam o médico a se atualizar.
Beltrame também crê que as novas diretrizes orientarão juízes diante de ações em que pacientes exigem medicamentos do governo. A tendência é que a Justiça negue os pedidos caso os remédios não façam parte das orientações do SUS.
O "Diário Oficial" da União de hoje já publica as orientações revistas para o tratamento de espasticidade e distonia, doenças musculares que atingem mais de 1,8 milhões de novas pessoas por ano no país. E abre consulta pública para rever o tratamento de oito doenças, como hipotireoidismo congênito, doença falciforme e esclerose lateral amiotrófica.
As consultas para as demais doenças serão abertas ao longo das próximas semanas. As informações estarão no site www.saude.gov.br.
Dos 190 milhões de brasileiros, 150 milhões dependem exclusivamente do SUS.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Emergências em Pacientes com Câncer
Fonte: Instituto Oncológio de Ribeirão Preto – INORP (http://www.inorp.com.br/)
Triagem: Paciente verifica que sua temperatura começou a subir uma hora atrás e agora o termômetro acusa 38ºC. No momento, paciente está em tratamento quimioterápico. O que este(a) paciente deve fazer?
a) Esperar e ligar para seu médico para marcar uma consulta, se a temperatura ainda estiver elevada no dia seguinte? Ou
b) Se dirigir ao setor de emergência mais próximo?
Para a maioria das pessoas, febre não é uma emergência, e por isto não deve ser tratada de imediato. Mas para pacientes com câncer - que freqüentemente apresentam sua imunidade comprometida - a história é muito diferente. Para pacientes em tratamento quimioterápico, FEBRE pode ser um sinal de uma quadro chamado NEUTROPENIA FEBRIL (do inglês “neutropenic fever”). Neutropenia febril pode ser um sinal de uma infecção séria e de rápido desenvolvimento de bactérias ou fungos que REQUER TRATAMENTO AGRESSIVO E IMEDIATO. O(a) paciente do exemplo acima, deve se dirigir ao setor de emergência mais próximo (resposta b), se estiver a uma distância superior a 30 minutos dos hospitais de referência abaixo especificados.
O ideal é que o(a)s pacientes prefiram ser tratados(as) onde sua doença é conhecida e onde seu tratamento também seja conhecido. Isto, nem sempre é possível.
Razões para se consultar no Setor de Emergência dos hospitais abaixo especificados
Muitos pacientes com câncer irão necessitar de algum tipo de cuidado emergencial durante seu tratamento ou mesmo durante o seguimento de sua doença. Febre no paciente neutropênico (queda dos glóbulos brancos denominados neutrófilos que são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra bactérias e fungos) é uma das razões mais comuns para se dirigir ao setor de emergência dos hospitais, mas existem outras situações que estão especificadas abaixo.
Emergências oncológicas podem ter as seguintes naturezas: obstrutiva, metabólica ou alterações sanguineas (alterações de glóbulos vermelhos e/ou brancos e/ou plaquetas).
· Complicações obstrutivas ou compressivas podem aparecer quando tumores – primário ou metástase – comprimem órgão ou estruturas vizinhas. Tumores cerebrais ou metástases no cérebro podem causar: convulsões, dor de cabeça, “derrames cerebrais” e uma variedade de sinais e sintomas neurológicos, por comprimir o cérebro e/ou outras estruturas nervosas. Outros exemplos de sinais e sintomas relacionados a compressão extrínsica: trombose venosa profunda e embolia pulmonar, paralisia ou perda de sensibilidade em membros inferiores, embolia pulmonar, Síndrome da Cava Superior, obstrução dos ureteres impedindo saída de urina, compressão de vias aéreas, etc. Alguns destes sinais e sintomas, bem como derrames pericárdicos (coleções liquidas ao redor do coração) e derrame pleural (coleção liquida entre as pleuras que são películas que revestem os pulmões) podem ser resultado dos tratamentos recebidos pelos (as) pacientes, principalmente a radioterapia.
· Emergências metabólicas: são exemplos a hiperuricemia (aumento da ureia no sangue) e a hipercalcemia (aumento dos níveis de cálcio no sangue) podem surgir quando os tumores secretam substâncias (peptideos) semelhantes a hormônios que podem romper o balanço eletrolítico. A Síndrome de Lise Tumoral é um distúrbio metabólico causado pela destruição de células tumorais. Assim que as células tumorais morrem em resposta à terapia, seu conteúdo é jogado na circulação, causando hiperuricemia e, potencialmente, distúrbios severos em todos os eletrólitos mais significativos.
· Crises de citopenias (queda do número de uma ou várias células do sangue): pacientes com câncer podem se apresentar na “Emergência 24 horas” com sangramento por queda das plaquetas (denominada trombocitopenia), por febre neutropênica e Sindrome Hemolítico-urêmica aguda (destruição aguda de elementos celulares do sangue com repercussão da função renal). A febre neutropênica (ou neutropenia febril) é o mais comum, usualmente relacionada com os efeitos imunosupressores da quimioterapia, o que deixa os (as) pacientes altamente suceptíveis às infecções potencialmente de alto risco. 8 em cada 10 pacientes, aproximadamente, vão se apresentar com algum tipo de intercorrência: urgência ou condição emergente.
Nem todas condições são relacionadas ao câncer, quando falamos “emergências oncológicas” queremos dizer qualquer cuidado emergencial ou de urgência necessitado por um(a) paciente com câncer que esteja ou não sob tratamento. Pacientes com câncer não são imunes às condições que levam pessoas não afetadas por esta doença, ao setor de urgência de um hospital (Emergência 24 horas). Podem também sofrer de uma doença cardíaca ou diabetes. Nestes casos o câncer ativo pode ser um fator complicador, aumentando a complexidade da situação.
Estes setores hospitalares que atendem emergências possuem médicos plantonistas não-oncologistas, médicos plantonistas com especialização em medicina interna ou emergencial. A diferença entre estes especialistas e os oncologistas, é que estes últimos estabelecem relacionamentos de longo têrmo com seus pacientes, o que usualmente não acontece no setor de “Emergência 24 horas” de um hospital. Emergência 24 horas Raramente você vai ver no setor de emergências pacientes obstétricas (pacientes grávidas) ou mesmo traumas. Por exemplo: um(a) paciente com fratura pode ser transferido(a) rapidamente para o setor de ortopedia para receber os cuidados necessários, já para um paciente afetado pelo câncer e que se apresenta com uma fratura – possivelmente um tipo de fratura que os médicos denominam “fratura patológica” – a história é diferente. Sua avaliação não é um processo tão rápido, os cuidados necessários são mais holísticos e por isto dispendem maior tempo.
O fato é que os tratamentos estão se tornando mais agressivos e por isto os oncologistas devem estar preparados para estas situações, para poder dar suporte aos médicos que trabalham no setor de emergência. Um grande número de pacientes vão ser atendidos em “Emergências” de outras cidades. Nós sempre nos colocamos a disposição dos médicos que prestarem o primeiro atendimento aos nossos pacientes para informações adicionais e dados que permitam melhor atendimento de nossos pacientes. Algumas situações envolvem somente discussões médicas, mas outras necessitam de maior envolvimento para ajudar nossos colegas, como conversar com familiares e/ou oferecer suporte emocional nestes momentos difíceis.
Triagem: Paciente verifica que sua temperatura começou a subir uma hora atrás e agora o termômetro acusa 38ºC. No momento, paciente está em tratamento quimioterápico. O que este(a) paciente deve fazer?
a) Esperar e ligar para seu médico para marcar uma consulta, se a temperatura ainda estiver elevada no dia seguinte? Ou
b) Se dirigir ao setor de emergência mais próximo?
Para a maioria das pessoas, febre não é uma emergência, e por isto não deve ser tratada de imediato. Mas para pacientes com câncer - que freqüentemente apresentam sua imunidade comprometida - a história é muito diferente. Para pacientes em tratamento quimioterápico, FEBRE pode ser um sinal de uma quadro chamado NEUTROPENIA FEBRIL (do inglês “neutropenic fever”). Neutropenia febril pode ser um sinal de uma infecção séria e de rápido desenvolvimento de bactérias ou fungos que REQUER TRATAMENTO AGRESSIVO E IMEDIATO. O(a) paciente do exemplo acima, deve se dirigir ao setor de emergência mais próximo (resposta b), se estiver a uma distância superior a 30 minutos dos hospitais de referência abaixo especificados.
O ideal é que o(a)s pacientes prefiram ser tratados(as) onde sua doença é conhecida e onde seu tratamento também seja conhecido. Isto, nem sempre é possível.
Razões para se consultar no Setor de Emergência dos hospitais abaixo especificados
Muitos pacientes com câncer irão necessitar de algum tipo de cuidado emergencial durante seu tratamento ou mesmo durante o seguimento de sua doença. Febre no paciente neutropênico (queda dos glóbulos brancos denominados neutrófilos que são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra bactérias e fungos) é uma das razões mais comuns para se dirigir ao setor de emergência dos hospitais, mas existem outras situações que estão especificadas abaixo.
Emergências oncológicas podem ter as seguintes naturezas: obstrutiva, metabólica ou alterações sanguineas (alterações de glóbulos vermelhos e/ou brancos e/ou plaquetas).
· Complicações obstrutivas ou compressivas podem aparecer quando tumores – primário ou metástase – comprimem órgão ou estruturas vizinhas. Tumores cerebrais ou metástases no cérebro podem causar: convulsões, dor de cabeça, “derrames cerebrais” e uma variedade de sinais e sintomas neurológicos, por comprimir o cérebro e/ou outras estruturas nervosas. Outros exemplos de sinais e sintomas relacionados a compressão extrínsica: trombose venosa profunda e embolia pulmonar, paralisia ou perda de sensibilidade em membros inferiores, embolia pulmonar, Síndrome da Cava Superior, obstrução dos ureteres impedindo saída de urina, compressão de vias aéreas, etc. Alguns destes sinais e sintomas, bem como derrames pericárdicos (coleções liquidas ao redor do coração) e derrame pleural (coleção liquida entre as pleuras que são películas que revestem os pulmões) podem ser resultado dos tratamentos recebidos pelos (as) pacientes, principalmente a radioterapia.
· Emergências metabólicas: são exemplos a hiperuricemia (aumento da ureia no sangue) e a hipercalcemia (aumento dos níveis de cálcio no sangue) podem surgir quando os tumores secretam substâncias (peptideos) semelhantes a hormônios que podem romper o balanço eletrolítico. A Síndrome de Lise Tumoral é um distúrbio metabólico causado pela destruição de células tumorais. Assim que as células tumorais morrem em resposta à terapia, seu conteúdo é jogado na circulação, causando hiperuricemia e, potencialmente, distúrbios severos em todos os eletrólitos mais significativos.
· Crises de citopenias (queda do número de uma ou várias células do sangue): pacientes com câncer podem se apresentar na “Emergência 24 horas” com sangramento por queda das plaquetas (denominada trombocitopenia), por febre neutropênica e Sindrome Hemolítico-urêmica aguda (destruição aguda de elementos celulares do sangue com repercussão da função renal). A febre neutropênica (ou neutropenia febril) é o mais comum, usualmente relacionada com os efeitos imunosupressores da quimioterapia, o que deixa os (as) pacientes altamente suceptíveis às infecções potencialmente de alto risco. 8 em cada 10 pacientes, aproximadamente, vão se apresentar com algum tipo de intercorrência: urgência ou condição emergente.
Nem todas condições são relacionadas ao câncer, quando falamos “emergências oncológicas” queremos dizer qualquer cuidado emergencial ou de urgência necessitado por um(a) paciente com câncer que esteja ou não sob tratamento. Pacientes com câncer não são imunes às condições que levam pessoas não afetadas por esta doença, ao setor de urgência de um hospital (Emergência 24 horas). Podem também sofrer de uma doença cardíaca ou diabetes. Nestes casos o câncer ativo pode ser um fator complicador, aumentando a complexidade da situação.
Estes setores hospitalares que atendem emergências possuem médicos plantonistas não-oncologistas, médicos plantonistas com especialização em medicina interna ou emergencial. A diferença entre estes especialistas e os oncologistas, é que estes últimos estabelecem relacionamentos de longo têrmo com seus pacientes, o que usualmente não acontece no setor de “Emergência 24 horas” de um hospital. Emergência 24 horas Raramente você vai ver no setor de emergências pacientes obstétricas (pacientes grávidas) ou mesmo traumas. Por exemplo: um(a) paciente com fratura pode ser transferido(a) rapidamente para o setor de ortopedia para receber os cuidados necessários, já para um paciente afetado pelo câncer e que se apresenta com uma fratura – possivelmente um tipo de fratura que os médicos denominam “fratura patológica” – a história é diferente. Sua avaliação não é um processo tão rápido, os cuidados necessários são mais holísticos e por isto dispendem maior tempo.
O fato é que os tratamentos estão se tornando mais agressivos e por isto os oncologistas devem estar preparados para estas situações, para poder dar suporte aos médicos que trabalham no setor de emergência. Um grande número de pacientes vão ser atendidos em “Emergências” de outras cidades. Nós sempre nos colocamos a disposição dos médicos que prestarem o primeiro atendimento aos nossos pacientes para informações adicionais e dados que permitam melhor atendimento de nossos pacientes. Algumas situações envolvem somente discussões médicas, mas outras necessitam de maior envolvimento para ajudar nossos colegas, como conversar com familiares e/ou oferecer suporte emocional nestes momentos difíceis.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Lula diz que vai sugerir para Obama criar um SUS nos EUA
03 de novembro de 2009 • 22h24 • atualizado em 04 de novembro de 2009 às 09h06
Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/
Não vou fazer comentários pois coloquei no final os comentários que acompanham a notícia, que acho que expressam o sentimento do povo brasileiro esclarecido.
"Lula pretende fazer a sugestão na próxima conversa que tiver com Obama."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, durante o 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que vai sugerir ao colega americano, Barack Obama, que crie um Sistema Único de Saúde (SUS), como no Brasil. Obama tenta realizar uma reforma na saúde dos Estados Unidos, que não possui um serviço universal de saúde.
"Na próxima conversa que eu tiver com o Obama, vou dizer: faça o SUS. Custa mais barato e é de qualidade, é universal", disse.
Em seu discurso, Lula também cobrou rapidez nas obras da fábrica de hemoderivados do País, localizada em Goiana, a mais de 60 km de Recife (PE), anunciada em 2005. Segundo o presidente, as obras estão atrasadas e fez cobranças ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
"É preciso ver quem está cuidando disso e dar um puxão de orelha. Você vai colocando dinheiro à disposição, depois as coisas não acontecem. É preciso saber porque atrasou tanto", afirmou Lula, durante o evento em Olinda (PE).
Comentários:
Lusana
postado:04/11/2009 - 09h31
presidente você é mesmo um analfabeto! em sugerir essa porcaria 'SUS' que não funciona, onde as pessoas morrem humilhadas na fila desse seu SUS. Os norte americanos são alfabetizados e conhecem perfeitamente seus direitos advindos dos impostos, diferente de nós brasileiros analfabetos que não reclamamos nossos impostos que vocês comem na farra do boi em Brasília, nos Estados e nos Municipios.
habiba
postado:04/11/2009 - 09h31
Aproveita e pede pro querido Obama vir conhecer tb ao vivo nosso SUS, mas leva ele nas cidadezinhas dos cafundós do nordeste, que é lá que está a parte de maior sucesso do programa, excelentes médicos, atendimento nota 10, mortalidade infantil 0, todo mundo feliz e doente, ops contente!
Isso é uma PIADA
postado:04/11/2009 - 09h31
Na verdade, esse MOLUSCO é uma piada ambulante.
Gostaria de vê-lo, juntamente com a sua família, enfrentando a FILA do SUS e recebendo um atendimento precário, isso caso conseguisse ser atendido.
MARCELO
postado:04/11/2009 - 09h31
Eles não querem nada que seja do sistema corrupto brasileiro. Gente , o mundo inteiro ri dele pelas costas. LULA PORQUE NÃO TE CALAS
SUS e Lula
postado:04/11/2009 - 09h30
Qualquer analista de negócios americano, pode ser de início de carreira, faz uma investigação, desmonta esse SUS brasileiro e o joga na lata de lixo.E aí Lulinha, com que cara depois vc vai aparecer nos holofotes da mídia?
LALÁ
postado:04/11/2009 - 09h30
ESSE CALHORDA ESTÁ SUGERINDO PARA O OBAMA CRIAR UM SUS SÓ PARA VER AMERICANO MORRER NAS FILAS DE PESSIMO ATENDIMENTO MÉDIDO. ELE ACHA QUE LÁ O POVO É IGUIAL A ESTE POVINHO DAQUI QUE DÁ OUVIDOS A QUALQUER IDIOTICE.
LI
postado:04/11/2009 - 09h30
TRODFÉU ÓLEO DE PEROBA!!!!!!!!!!!!PUTS!!!!!!!!!!!!!!
PORQUE A GUERRILHEIRA, ALENCAR ETC ETC NÃO TRATAM DAS ENFERMIDADES NO
SUS???
postado:04/11/2009 - 09h29
ALGUEM SABE PORQUE ESTE BANDO DECORUPTOS E LADRÕES DO DINHEIRO DO POVO BRASILEIRO NÃO FAZEM O TRATAMENTO PELO SUS??? PORQUE OU VÃO PARA OUTROS PAÍSES OU O FAZEM EM HOSPITAIS PARTICULARES QUE CUSTAM UMA FORTUNA E QUE O DINHEIRO PÚBLICO PAGA??? A RESPOSTA É SIMPLES, PORQUE NÃO QUERTEM MORRER NAS FILAS SEM SEQUER TEREM A POSSIBILIDADE DE SEREM ATENDIDOS.BANDO DE HIPÓCRITAS!!!!!!
EITA
postado:04/11/2009 - 09h29
SÓ FALTA A MUDINHA FAZ NADA AÍ DO LADO DELE!!!
golbery
postado:04/11/2009 - 09h29
O ´´GRIMLYN``ensandeceu, ou realmente é sincero quando afirma que nada sabe, que tudo ignora...
Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/
Não vou fazer comentários pois coloquei no final os comentários que acompanham a notícia, que acho que expressam o sentimento do povo brasileiro esclarecido.
"Lula pretende fazer a sugestão na próxima conversa que tiver com Obama."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, durante o 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que vai sugerir ao colega americano, Barack Obama, que crie um Sistema Único de Saúde (SUS), como no Brasil. Obama tenta realizar uma reforma na saúde dos Estados Unidos, que não possui um serviço universal de saúde.
"Na próxima conversa que eu tiver com o Obama, vou dizer: faça o SUS. Custa mais barato e é de qualidade, é universal", disse.
Em seu discurso, Lula também cobrou rapidez nas obras da fábrica de hemoderivados do País, localizada em Goiana, a mais de 60 km de Recife (PE), anunciada em 2005. Segundo o presidente, as obras estão atrasadas e fez cobranças ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
"É preciso ver quem está cuidando disso e dar um puxão de orelha. Você vai colocando dinheiro à disposição, depois as coisas não acontecem. É preciso saber porque atrasou tanto", afirmou Lula, durante o evento em Olinda (PE).
Comentários:
Lusana
postado:04/11/2009 - 09h31
presidente você é mesmo um analfabeto! em sugerir essa porcaria 'SUS' que não funciona, onde as pessoas morrem humilhadas na fila desse seu SUS. Os norte americanos são alfabetizados e conhecem perfeitamente seus direitos advindos dos impostos, diferente de nós brasileiros analfabetos que não reclamamos nossos impostos que vocês comem na farra do boi em Brasília, nos Estados e nos Municipios.
habiba
postado:04/11/2009 - 09h31
Aproveita e pede pro querido Obama vir conhecer tb ao vivo nosso SUS, mas leva ele nas cidadezinhas dos cafundós do nordeste, que é lá que está a parte de maior sucesso do programa, excelentes médicos, atendimento nota 10, mortalidade infantil 0, todo mundo feliz e doente, ops contente!
Isso é uma PIADA
postado:04/11/2009 - 09h31
Na verdade, esse MOLUSCO é uma piada ambulante.
Gostaria de vê-lo, juntamente com a sua família, enfrentando a FILA do SUS e recebendo um atendimento precário, isso caso conseguisse ser atendido.
MARCELO
postado:04/11/2009 - 09h31
Eles não querem nada que seja do sistema corrupto brasileiro. Gente , o mundo inteiro ri dele pelas costas. LULA PORQUE NÃO TE CALAS
SUS e Lula
postado:04/11/2009 - 09h30
Qualquer analista de negócios americano, pode ser de início de carreira, faz uma investigação, desmonta esse SUS brasileiro e o joga na lata de lixo.E aí Lulinha, com que cara depois vc vai aparecer nos holofotes da mídia?
LALÁ
postado:04/11/2009 - 09h30
ESSE CALHORDA ESTÁ SUGERINDO PARA O OBAMA CRIAR UM SUS SÓ PARA VER AMERICANO MORRER NAS FILAS DE PESSIMO ATENDIMENTO MÉDIDO. ELE ACHA QUE LÁ O POVO É IGUIAL A ESTE POVINHO DAQUI QUE DÁ OUVIDOS A QUALQUER IDIOTICE.
LI
postado:04/11/2009 - 09h30
TRODFÉU ÓLEO DE PEROBA!!!!!!!!!!!!PUTS!!!!!!!!!!!!!!
PORQUE A GUERRILHEIRA, ALENCAR ETC ETC NÃO TRATAM DAS ENFERMIDADES NO
SUS???
postado:04/11/2009 - 09h29
ALGUEM SABE PORQUE ESTE BANDO DECORUPTOS E LADRÕES DO DINHEIRO DO POVO BRASILEIRO NÃO FAZEM O TRATAMENTO PELO SUS??? PORQUE OU VÃO PARA OUTROS PAÍSES OU O FAZEM EM HOSPITAIS PARTICULARES QUE CUSTAM UMA FORTUNA E QUE O DINHEIRO PÚBLICO PAGA??? A RESPOSTA É SIMPLES, PORQUE NÃO QUERTEM MORRER NAS FILAS SEM SEQUER TEREM A POSSIBILIDADE DE SEREM ATENDIDOS.BANDO DE HIPÓCRITAS!!!!!!
EITA
postado:04/11/2009 - 09h29
SÓ FALTA A MUDINHA FAZ NADA AÍ DO LADO DELE!!!
golbery
postado:04/11/2009 - 09h29
O ´´GRIMLYN``ensandeceu, ou realmente é sincero quando afirma que nada sabe, que tudo ignora...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A vida depois do câncer
Resumo de um artigo da Revista Super Interessante – Edição 76 de jan. 1994 (Editora Abril)
1. Como é a vida de pessoas que já tiveram câncer e conseguiram se curar e o preconceito enfrentado.
Em cerca de metade dos cancerosos, o tumor maligno desaparece para sempre, após o tratamento. Mas o ex-paciente pode ser prejudicado pelo medo de a cura não ser completa e pela discriminação, já que muita gente ainda encara a doença como sentença de morte.
Por Lúcia Helena de Oliveira, com Thereza Venturoli
Quando escreveu para a equipe do Hospital do Câncer, em São Paulo, o garoto estava realmente zangado. Era um desabafo. Tinha feito uma malcriação qualquer e a mãe, em vez de colocá-lo de castigo como fazia com os irmãos, deixou passar barato. Ele ficou frustrado. Quando se trata de um ex-paciente de câncer, é comum um menino gostar de bronca, garante o oncologista Sidney Epelman, um dos responsáveis pelo atendimento das crianças, no hospital. Segundo o médico, o desejo número um dessa garotada é, na medida do possível, esquecer a doença, levando uma vida normal, com direito até a eventuais puxões de orelha paternos. Mas os pais, com medo da volta do câncer, superprotegem o filho. O que só aumenta a insegurança do paciente em relação à sua cura.
Em média, seis em cada dez crianças cancerosas conseguem vencer a doença a incidência pode ser maior, dependendo do tipo de tumor maligno. Em adultos, as chances de cura crescem com o aparecimento de novas técnicas de diagnóstico e tratamento (veja quadro). No entanto, quando se põe um ponto final na história do câncer, outra história está apenas começando. O medo que envolve a doença pode dobrar justamente no dia da alta médica, diz a psicóloga Maura Camargo. É como se, abandonando a quimio e radioterapia, a pessoa estivesse sendo devolvida à fera do câncer. Além de ser ex-paciente, Maura participa, em São Paulo, do Centro Oncológico de Recuperação e Apoio (CORA), um grupo de médicos e psicólogos que orientam quem está passando pela doença e quem já se curou.
O receio dos pacientes fora de tratamento é justificável: afinal, de tempos em tempos, eles têm de fazer exames de controle. Alguma célula cancerosa pode ter escapado do órgão de origem, instalando-se em outro canto do corpo, para ali recomeçar a sua reprodução desenfreada, típica da doença. Os médicos sabem, porém, que se um câncer não voltar em três anos, as chances de recidivas serão muito pequenas e, depois de cinco anos, poderá se falar em cura. Esse período costuma ser vivido de maneira estressante.
Nas vésperas dos exames, a tensão é impressionante, conta David Capistrano, prefeito de Santos, no litoral de São Paulo. Vítima de uma leucemia, há onze anos, ele acabou fazendo um transplante autólogo. A medula óssea produtora das células malignas foi arrasada por potentes medicamentos. Em seu lugar, os médicos deixaram um pedaço de medula supostamente são, retirado do próprio paciente. É, mas poderia haver uma célula doente ali também, temia o político, que também é médico e sabia o que estava enfrentando. Por isso, só nos últimos anos passou a comparecer tranqüilamente aos exames de sangue, feitos para controlar a sua saúde, a cada semestre. O que me ajudou é que evitei parar de trabalhar. Nem sempre, porém, isso é possível. Infelizmente, é comum ex-pacientes ou porque o tratamento os obrigou a faltar ao trabalho ou porque são vistos como condenados à morte perderem emprego ou ficarem encostados na empresa, sem esperança de promoção.
No caso das crianças, os serviços médicos costumam fazer de tudo para que não percam o ano letivo: Os professores nos entregam as provas e as lições, enquanto a criança está internada, conta o oncologista Sérgio Petrilli, da Escola Paulista de Medicina. Mais tarde, as escolas são orientadas no sentido de não discriminarem essas crianças, até porque não há motivos. Em populações mais carentes, um problema difícil de lidar é o do emprego dos pais. Explica-se: é aconselhável que alguém da família permaneça ao lado do paciente, nas penosas sessões de quimioterapia. Muitas vezes, a mãe não pode deixar os outros filhos sozinhos em casa, conta Petrilli. O pai, então, falta ao serviço. Depois, muitas vezes, a criança se torna uma paciente bissexta, porque o pai teme o desemprego. Sem tratamento adequado, ela perde as chances de cura.
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Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer com 2 940 pessoas ex-pacientes ou parentes de ex-pacientes revela que um terço delas tem alguma seqüela da doença na vida profissional. A pesquisa levou em consideração o caso de pessoas que preferem esconder no ambiente de trabalho que foram doentes de câncer.
A gente sabe que, no caso das crianças, a cura pode ser absoluta, diz a pediatra Sílvia Brandalise. Mesmo assim, quando se tornam adultos competentes e saudáveis, essas pessoas muitas vezes omitem que tiveram câncer, nos testes de seleção, porque senão costumam ser preteridas. O estigma da palavra câncer ainda é terrível, lamenta a médica. Por isso, em junho do ano passado, ela organizou uma comemoração, reunindo mais de 800 pacientes que passaram pelo Centro Boldrini, em Campinas, interior paulista.
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Talvez sejam necessárias mil festas como essa para convencer o pessoal das agências de seguro, por exemplo. Porque nenhum tipo de seguro, seja de vida ou de saúde, aceita quem declara ser ex-paciente canceroso. Só não aceitamos os de cânceres incuráveis, corrige Júlio Oscar Mozes, gerente da área médica da Itaú Seguros, uma das cinco maiores empresas do setor, no país. Mas há um detalhe: as seguradoras só excluem desse rol, isto é, só consideram câncer curável certos tumores de pele. O tratamento quimioterápico no Brasil ainda tem pouco tempo de experimentação para garantir seus resultados, tenta justificar Mozes. Outro detalhe: as drogas usadas aqui são as mesmas utilizadas no Exterior, em combinações determinadas por protocolos internacionais. Quem expõe dúvidas desse jeito ou é mal-informado ou está agindo de má-fé, contra-ataca o pediatra Gabriel Oselka, ex-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). E eu não acredito, no caso das seguradoras, que seja falta de conhecimento.
Problemas como esse induzem ex-pacientes a calar sobre o seu passado. O médico Petrilli, da E.P.M., reconhece que nem sempre é fácil comentar que se teve câncer: A pessoa costuma ouvir um comentário piedoso ou é tratada com atenções especiais. Nada é pior para baixar o astral. O ser humano detesta ser subestimado. Além disso, a palavra câncer passa a ser predicativo do ex-paciente nos cochichos, ele é o fulano que aliás teve câncer.
A psicóloga paulista Lúcia Rosemberg compreende esse espanto geral: A morte é um conceito cercado de mistérios. E, quando se está diante de alguém que teve câncer, estamos de frente a uma pessoa que já experimentou a morte, analisa. A psicóloga, no caso, não se refere à morte física: Morre com o tumor uma série de manias, conceitos, convicções. Todos saem transformados, de um jeito ou de outro. Existem pessoas, segundo Lúcia, que parecem fazer um pacto com a vida olham para os lucros da experiência, ficam mais animadas do que antes, passam a valorizar mais o cotidiano e seus sonhos. Outras, porém, amargam as perdas e danos da doença. Estas, de certo modo, acabam derrotadas pelo câncer, mesmo que se curem.
2. As estatísticas da cura
Veja as possibilidades de recuperação nos dez tipos mais comuns de câncer em adultos nos Estados Unidos:
· Pulmão: No total, apenas 13% dos doentes se curam, porque a doença costuma ser diagnosticada quando já está avançada. Se é detectada no início, as chances de sobreviver sobem para 46%.
· Intestino: Diagnosticado cedo, as possibilidades de se curar são de 91% para pacientes com câncer de cólon e 85% para doentes com tumor no reto. Se a doença já se espalhou para órgãos vizinhos, as chances passam a ser 60% e 51%, respectivamente.
· Mama: A incidência de cura está em torno de 93%, quando não há metástase.
· Gânglio linfático: Órgão afetado por linfomas; 77% dos casos de tumores de Hodgkin são resolvidos, contra 31% a 51% de outros.
· Pâncreas: Apenas três em cada 100 pacientes conseguem ficar completamente curados.
· Útero: Na média, 66% das pacientes se recuperam; nos estágios iniciais, a probabilidade de cura chega a 94%.
· Medula óssea: São as leucemias. Calcula-se que 37 em cada 100 pacientes ficam recuperados. A taxa é relativamente baixa devido à queda das defesas imunológicas. Em geral, o paciente não morre por causa do câncer em si , mas de infecções oportunistas.
· Próstata: As chances de plena recuperação aumentaram de 50% para 76% na última década.
· Pele: Na maioria dos tumores, a cura é total. Nos melanomas, a remição é de 83%, quando não há metástase o que ocorre na maioria dos casos.
· Ovário: Cerca de 89% das vítimas sobreviveriam, se a doença fosse percebida nos primeiros estágios o que só acontece em 23% dos casos. Daí, o índice de cura fica em 18%, somente.
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1. Como é a vida de pessoas que já tiveram câncer e conseguiram se curar e o preconceito enfrentado.
Em cerca de metade dos cancerosos, o tumor maligno desaparece para sempre, após o tratamento. Mas o ex-paciente pode ser prejudicado pelo medo de a cura não ser completa e pela discriminação, já que muita gente ainda encara a doença como sentença de morte.
Por Lúcia Helena de Oliveira, com Thereza Venturoli
Quando escreveu para a equipe do Hospital do Câncer, em São Paulo, o garoto estava realmente zangado. Era um desabafo. Tinha feito uma malcriação qualquer e a mãe, em vez de colocá-lo de castigo como fazia com os irmãos, deixou passar barato. Ele ficou frustrado. Quando se trata de um ex-paciente de câncer, é comum um menino gostar de bronca, garante o oncologista Sidney Epelman, um dos responsáveis pelo atendimento das crianças, no hospital. Segundo o médico, o desejo número um dessa garotada é, na medida do possível, esquecer a doença, levando uma vida normal, com direito até a eventuais puxões de orelha paternos. Mas os pais, com medo da volta do câncer, superprotegem o filho. O que só aumenta a insegurança do paciente em relação à sua cura.
Em média, seis em cada dez crianças cancerosas conseguem vencer a doença a incidência pode ser maior, dependendo do tipo de tumor maligno. Em adultos, as chances de cura crescem com o aparecimento de novas técnicas de diagnóstico e tratamento (veja quadro). No entanto, quando se põe um ponto final na história do câncer, outra história está apenas começando. O medo que envolve a doença pode dobrar justamente no dia da alta médica, diz a psicóloga Maura Camargo. É como se, abandonando a quimio e radioterapia, a pessoa estivesse sendo devolvida à fera do câncer. Além de ser ex-paciente, Maura participa, em São Paulo, do Centro Oncológico de Recuperação e Apoio (CORA), um grupo de médicos e psicólogos que orientam quem está passando pela doença e quem já se curou.
O receio dos pacientes fora de tratamento é justificável: afinal, de tempos em tempos, eles têm de fazer exames de controle. Alguma célula cancerosa pode ter escapado do órgão de origem, instalando-se em outro canto do corpo, para ali recomeçar a sua reprodução desenfreada, típica da doença. Os médicos sabem, porém, que se um câncer não voltar em três anos, as chances de recidivas serão muito pequenas e, depois de cinco anos, poderá se falar em cura. Esse período costuma ser vivido de maneira estressante.
Nas vésperas dos exames, a tensão é impressionante, conta David Capistrano, prefeito de Santos, no litoral de São Paulo. Vítima de uma leucemia, há onze anos, ele acabou fazendo um transplante autólogo. A medula óssea produtora das células malignas foi arrasada por potentes medicamentos. Em seu lugar, os médicos deixaram um pedaço de medula supostamente são, retirado do próprio paciente. É, mas poderia haver uma célula doente ali também, temia o político, que também é médico e sabia o que estava enfrentando. Por isso, só nos últimos anos passou a comparecer tranqüilamente aos exames de sangue, feitos para controlar a sua saúde, a cada semestre. O que me ajudou é que evitei parar de trabalhar. Nem sempre, porém, isso é possível. Infelizmente, é comum ex-pacientes ou porque o tratamento os obrigou a faltar ao trabalho ou porque são vistos como condenados à morte perderem emprego ou ficarem encostados na empresa, sem esperança de promoção.
No caso das crianças, os serviços médicos costumam fazer de tudo para que não percam o ano letivo: Os professores nos entregam as provas e as lições, enquanto a criança está internada, conta o oncologista Sérgio Petrilli, da Escola Paulista de Medicina. Mais tarde, as escolas são orientadas no sentido de não discriminarem essas crianças, até porque não há motivos. Em populações mais carentes, um problema difícil de lidar é o do emprego dos pais. Explica-se: é aconselhável que alguém da família permaneça ao lado do paciente, nas penosas sessões de quimioterapia. Muitas vezes, a mãe não pode deixar os outros filhos sozinhos em casa, conta Petrilli. O pai, então, falta ao serviço. Depois, muitas vezes, a criança se torna uma paciente bissexta, porque o pai teme o desemprego. Sem tratamento adequado, ela perde as chances de cura.
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Um estudo feito pelo Instituto Nacional do Câncer com 2 940 pessoas ex-pacientes ou parentes de ex-pacientes revela que um terço delas tem alguma seqüela da doença na vida profissional. A pesquisa levou em consideração o caso de pessoas que preferem esconder no ambiente de trabalho que foram doentes de câncer.
A gente sabe que, no caso das crianças, a cura pode ser absoluta, diz a pediatra Sílvia Brandalise. Mesmo assim, quando se tornam adultos competentes e saudáveis, essas pessoas muitas vezes omitem que tiveram câncer, nos testes de seleção, porque senão costumam ser preteridas. O estigma da palavra câncer ainda é terrível, lamenta a médica. Por isso, em junho do ano passado, ela organizou uma comemoração, reunindo mais de 800 pacientes que passaram pelo Centro Boldrini, em Campinas, interior paulista.
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Talvez sejam necessárias mil festas como essa para convencer o pessoal das agências de seguro, por exemplo. Porque nenhum tipo de seguro, seja de vida ou de saúde, aceita quem declara ser ex-paciente canceroso. Só não aceitamos os de cânceres incuráveis, corrige Júlio Oscar Mozes, gerente da área médica da Itaú Seguros, uma das cinco maiores empresas do setor, no país. Mas há um detalhe: as seguradoras só excluem desse rol, isto é, só consideram câncer curável certos tumores de pele. O tratamento quimioterápico no Brasil ainda tem pouco tempo de experimentação para garantir seus resultados, tenta justificar Mozes. Outro detalhe: as drogas usadas aqui são as mesmas utilizadas no Exterior, em combinações determinadas por protocolos internacionais. Quem expõe dúvidas desse jeito ou é mal-informado ou está agindo de má-fé, contra-ataca o pediatra Gabriel Oselka, ex-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). E eu não acredito, no caso das seguradoras, que seja falta de conhecimento.
Problemas como esse induzem ex-pacientes a calar sobre o seu passado. O médico Petrilli, da E.P.M., reconhece que nem sempre é fácil comentar que se teve câncer: A pessoa costuma ouvir um comentário piedoso ou é tratada com atenções especiais. Nada é pior para baixar o astral. O ser humano detesta ser subestimado. Além disso, a palavra câncer passa a ser predicativo do ex-paciente nos cochichos, ele é o fulano que aliás teve câncer.
A psicóloga paulista Lúcia Rosemberg compreende esse espanto geral: A morte é um conceito cercado de mistérios. E, quando se está diante de alguém que teve câncer, estamos de frente a uma pessoa que já experimentou a morte, analisa. A psicóloga, no caso, não se refere à morte física: Morre com o tumor uma série de manias, conceitos, convicções. Todos saem transformados, de um jeito ou de outro. Existem pessoas, segundo Lúcia, que parecem fazer um pacto com a vida olham para os lucros da experiência, ficam mais animadas do que antes, passam a valorizar mais o cotidiano e seus sonhos. Outras, porém, amargam as perdas e danos da doença. Estas, de certo modo, acabam derrotadas pelo câncer, mesmo que se curem.
2. As estatísticas da cura
Veja as possibilidades de recuperação nos dez tipos mais comuns de câncer em adultos nos Estados Unidos:
· Pulmão: No total, apenas 13% dos doentes se curam, porque a doença costuma ser diagnosticada quando já está avançada. Se é detectada no início, as chances de sobreviver sobem para 46%.
· Intestino: Diagnosticado cedo, as possibilidades de se curar são de 91% para pacientes com câncer de cólon e 85% para doentes com tumor no reto. Se a doença já se espalhou para órgãos vizinhos, as chances passam a ser 60% e 51%, respectivamente.
· Mama: A incidência de cura está em torno de 93%, quando não há metástase.
· Gânglio linfático: Órgão afetado por linfomas; 77% dos casos de tumores de Hodgkin são resolvidos, contra 31% a 51% de outros.
· Pâncreas: Apenas três em cada 100 pacientes conseguem ficar completamente curados.
· Útero: Na média, 66% das pacientes se recuperam; nos estágios iniciais, a probabilidade de cura chega a 94%.
· Medula óssea: São as leucemias. Calcula-se que 37 em cada 100 pacientes ficam recuperados. A taxa é relativamente baixa devido à queda das defesas imunológicas. Em geral, o paciente não morre por causa do câncer em si , mas de infecções oportunistas.
· Próstata: As chances de plena recuperação aumentaram de 50% para 76% na última década.
· Pele: Na maioria dos tumores, a cura é total. Nos melanomas, a remição é de 83%, quando não há metástase o que ocorre na maioria dos casos.
· Ovário: Cerca de 89% das vítimas sobreviveriam, se a doença fosse percebida nos primeiros estágios o que só acontece em 23% dos casos. Daí, o índice de cura fica em 18%, somente.
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