segunda-feira, 6 de março de 2017

Mulher lista 50 desejos após descobrir câncer de mama graças a post na web

Roberta é fisioterapeuta em Santos (SP) e descobriu câncer aos 27 anos.
Post de amiga que havia descoberto a doença fez ela procurar um médico.
Orion Pires Do G1 Santos (g1.globo.com)

Mesmo no hospital, Roberta não deixou de sorrir (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma postagem por meio de uma rede social ajudou a fisioterapeuta Roberta Baraçal Perez, de 27 anos, a descobrir que estava com câncer de mama. Um texto de uma amiga, que falava do próprio diagnóstico sobre a doença, fez Roberta procurar um médico e, por coincidência, descobrir que também estava com câncer. A princípio, com medo do que viria pela frente, ela resolveu fazer uma lista com 50 sonhos que gostaria de realizar. Boa parte dos desejos já foram concretizados e, agora, ao saber que está curada, ela não vê a hora de continuar realizando cada uma das metas propostas durante a doença.

"O câncer de mama não é uma sentença de morte. Quando você conta que está com a doença, a maioria das pessoas pensa que você é um fantasma ou já está morta e não é assim. O mais importante é você lembrar que está viva. Claro que no início foi difícil me acostumar com a ideia de ter câncer aos 27 anos, mas isso não é uma sentença de morte. Como tudo na vida, há riscos. A doença me fez lembrar, por exemplo, que eu morava em Santos, no litoral de São Paulo, e não tomava água de coco”, afirmou a fisioterapeuta em entrevista ao G1.


Roberta ao lado do marido antes e depois do tratamento (Foto: Arquivo Pessoal)

Durante as sessões de quimioterapia, Roberta resolveu colocar em um caderno uma lista com cerca de 50 desejos. Alguns já estão concluídos, mas a "lista", na verdade, é uma maneira que ela encontrou para não deixar de valorizar o que parece simples e fácil. "Antes do câncer eu tinha uma rotina de muito trabalho e deixava de fazer pequenas coisas", conta.

Os desejos de Roberta envolvem viagens, observar a aurora boreal, mergulhar e até conhecer o apresentador Jô Soares, objetivo realizado durante o ano passado. Ela afirma que, apesar de tudo que foi colocado no papel, não há uma ordem para que cada ponto seja cumprido. "Posso dizer que estou mais feliz agora do que antes. Estou me dando tempo de realizar a lista. Estou vivendo", reforça.

A descoberta
A fisioterapeuta faz questão de destacar que, além da força de vontade e da ajuda do marido no dia a dia, a postagem de uma colega da época de escola no Facebook foi o ponto chave para que ela descobrisse a doença.
"Uma menina que estudou comigo teve câncer de mama aos 26 anos. Foi em 2015. Eu fiquei chocada na época. Ela fez uma post público falando e eu contei para a minha irmã. Assustada, eu resolvi marcar médicos e fazer exames. Foi quando, no 'meio de 2016', senti um nódulo na mama esquerda", lembra a jovem, que afirma ter ficado assustada só de pensar na possibilidade de ter câncer.

Pouco tempo depois dos primeiros sintomas, veio o resultado do exame confirmando o diagnóstico de câncer de mama. "Foi no dia 7 de julho de 2016, um mês depois de eu completar um ano de casada. No dia que descobri, fui procurar essa menina, porque possivelmente ela salvou a minha vida. Ficamos mais próximas, trocamos figurinhas, mas eu ainda não tinha externado para ninguém porque não sabia como fazer. Aos poucos tomei coragem e comecei a contar a minha história nas redes sociais", lembra.

Força compartilhada
A ideia de Roberta era manter o ciclo informativo que a alertou sobre a doença e continuar passando a mensagem de que é possível conviver com o câncer. Com postagens quase que diárias, ela mostra o "outro lado" do tratamento e conta que, apesar de gostar do próprio cabelo, se sentiu bem careca.

Roberta usa lenço e diz que continua se sentindo atraente (Foto: Arquivo Pessoal)

"Eu descobri que poderia estar doente por causa da internet. Tinha que continuar esse ciclo e ajudar de graça. Nunca ia imaginar que saltaria dos 300 seguidores para mais de 4 mil. As pessoas mandam mensagens perguntando o que fazer e como fazer. Até marido de mulher diagnosticada me procurou. Nessa hora, é muito importante a presença do companheiro. Eu poderia ter descoberto aos 50 anos que tinha um parceiro fantástico, mas tudo isso foi antes, porque ele nunca ficou inseguro ou se lamentou na minha frente", disse.

"Apesar da mudança na aparência, ficar sem cabelo ou sem os seios, que são pontos que dizem muito para a mulher sobre feminilidade, eu não tive medo de ser menos mulher, de ficar menos atraente ou não ser reconhecida. Você aprende a lidar com as transformações físicas do corpo. Eu sei meus limites, mas continuo fazendo minhas caminhadas, me exercitando e me alimentando mesmo durante a químioterapia, que já terminei", diz.

Próximo desejo
Praticamente sete meses após ser diagnosticada com câncer de mama, Roberta está curada. Ela comemorou não precisar fazer radioterapia, mas optou por retirar as duas mamas e fazer a reconstrução, além de colocar silicone. A jovem sabe que a rotina nos próximos anos será de alerta e muitos exames para que a doença não volte. Mais importante que isso, é não parar de sonhar e realizar cada desejo da lista que ela mesma criou.

"Serei uma paciente oncológica pelo menos pelos próximos cinco anos. Tenho que continuar me adaptando. Antes do câncer eu trabalhava em uma UTI pediátrica e tinha sonhos. Meus planos mudaram e a prioridade dos desejos também. Quero conhecer as sete maravilhas do mundo. O próximo da lista é conhecer o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e agradecer a cura", finaliza.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Morte por câncer de pulmão cai entre homens, mas sobe entre mulheres

Pesquisa mostra necessidade de continuar combate ao cigarro no Brasil
  
POR O GLOBO 29/08/2016 16:35 / atualizado 29/08/2016 16:57


Filmes com consumo de cigarro devem ser restritos a adultos, segundo orientação da OMS - Reprodução/ Independent

RIO - A mortalidade por câncer de pulmão vem caindo em os homens, mas subindo entre as mulheres. Esta é a constatação de um estudo inédito divulgado nesta segunda-feira, feito com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.

Segundo o Ministério, o hábito de fumar gera cerca de 200 mil mortes por ano no Brasil, em decorrência de doenças vasculares e/ou respiratórias, entre outros males. E 90% dos homens com câncer de pulmão fumaram em algum momento da vida .

De acordo com o levantamento, após décadas de elevação, a taxa padronizada (que elimina os efeitos do envelhecimento populacional) de óbitos por câncer de pulmão entre homens caiu de 18,5 por 100 mil habitantes em 2005 para 16,3 por 100 mil habitantes em 2014. Já entre as mulheres, o número subiu de 7,7 para cada 100 mil em 2005, passando a 8,8 por cada 100 mil em 2014.

- No Brasil, as mulheres começaram a fumar depois dos homens, com a popularização de marcas de cigarros para o público feminino nas décadas de 70 e 80. A taxa de mortalidade entre as mulheres continua subindo, mas nossa previsão é que, futuramente, comece a cair, se mantivermos a tendência de queda no uso do tabaco no país - analisa a médica, epidemiologista e gerente da Divisão de Pesquisa Populacional do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Liz Almeida.

Os números foram divulgados durante um evento nesta segunda para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Realizado na Casa Brasil, no Pier Mauá, no Rio, o evento lançou também a campanha "#MostreAtitude: sem o cigarro, sua vida ganha mais saúde", para incentivar as pessoas a abandonar o hábito de fumar.

Números dão conta de que os brasileiros estão deixando o cigarro de lado. Na população em geral, a taxa de fumantes caiu consideravelmente. Em 2006, 15,7% dos brasileiros fumavam. Já em 2014, a parcela era de 10,4%. Entre os homens, a porcentagem de fumantes nesse período passou de 20,3% para 12,8%. Enquanto, entre as mulheres, caiu de 12,8% para 8,3%.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Anvisa determina suspensão de propaganda de suplemento de fosfoetanolamina

Suspensão diz respeito a produtos das marcas New Life e Quality Medical Line. Legislação sanitária não permite que suplemento alegue propriedades terapêuticas.



Por G1
21/02/2017 10h25  Atualizado há 7 horas
Publicidade dos suplementos de fosfoetanolamina foi proibida pela Anvisa (Foto: Reprodução)

A Agência Nacional de vigilância sanitária determinou a suspensão das propagandas de duas marcas de suplementos alimentares que contêm fosfoetanolamina. Segundo a Anvisa, a publicidade dos produtos das marcas Quality Medical Line (do Laboratório Frederico Diaz) e New Life sugerem propriedades terapêuticas, o que é proibido pela legislação sanitária brasileira.
Nenhum desses produtos tem registro de suplemento alimentar pela Anvisa. Ambos têm autorização de produção nos Estados Unidos e devem ser fabricados por laboratórios naquele país.

De acordo com a agência, ainda que os suplementos não sejam produzidos no Brasil, estão sujeitos às regras da Anvisa no que diz respeito às propagandas. Isso porque a publicidade dos produtos é voltada para o público brasileiro.

As resoluções que determinam a suspensão - publicadas nesta terça-feira (21) no Diário Oficial da União - citam especificamente as propagandas divulgadas nas páginas das marcas no Facebook. As medidas já entraram em vigor.

"Propagandas nas redes sociais que: induzam o consumidor a crer que a fosfoetanolamina, como suplemento alimentar, combata o câncer - ou qualquer outra doença - e atribuam propriedades funcionais e/ou de saúde são irregulares", afirma a nota divulgada pela Anvisa.

A Anvisa observa que a importação desses produtos por consumidores brasileiros é permitida.

De remédio irregular a suplemento
A fosfoetanolamina é um composto sem registro na Anvisa que era distribuído irregularmente pelo químico Gilberto Chierice no Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) como tratamento de câncer. Este ano, o biólogo Marcos Vinícius de Almeida e o médico Renato Meneguelo anunciaram que lançariam o composto como suplemento alimentar. Os dois esquisadores faziam parte do grupo de Chierice, mas romperam com o químico. Eles são os responsáveis pelo suplemento da Quality Medical Line.

Na página da Quality Medical Line, a fosfoetanolamina é apresentada como um suplemento que “fortalece seu sistema imunológico e inibe disfunções celulares e metabólicas”. A suposta propriedade anti-câncer não é diretamente mencionada, mas a descrição do produto afirma que o suplemento “ativa a eliminação das células defeituosas de forma controlada”.

Já o suplemento da New Life é produzido por um grupo diferente, que alega que desenvolveu o produto com base nos estudos de uma cientista canadense. A embalagem desse produto afirma que ele é "recomendado para apoiar o tratamento de câncer, diabetes, Alzheimer, esclerose múltipla e outros".


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Por que os casos de câncer de mama em mulheres jovens estão aumentando?

Por: Antônio Frasson  24/11/2016 às 12:00 (Veja.com)
 
Consideramos câncer de mama em mulheres jovens os tumores diagnosticados antes dos 50 anos, com incidência mundial de 5 a 7%. Nos últimos anos parece haver um aumento do diagnóstico em mulheres com menos de 40 anos.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam para um acréscimo de 2,6% na porcentagem de aparecimento do câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos entre 2010 -2015. Outro estudo, da Associação de Combate ao Câncer de Goiás, correlacionou o aumento da expectativa de vida das mulheres com o acréscimo do número de casos novos, entre os anos de 1988-2003 no estado. Nesse contexto, observa-se um aumento na incidência do câncer de mama na faixa etária dos 40-60 anos sem afetar as mulheres mais jovens, que corresponde a uma média de 5,3% do total. Ainda segundo os dados de Goiás, 38% dos casos ocorreram antes dos 50 anos, sendo 26% entre os 40 e 50 anos.
Por que isso vem acontecendo?
Podemos apontar quatro razões importantes:
Melhora nos métodos de imagem e diagnóstico de câncer de mama
O avanço tecnológico dos exames de imagem tem proporcionado o diagnóstico de lesões precoces, caracterizando o que podemos chamar de antecipação diagnóstica. Nos locais onde é possivel e os exames estão sendo feitos, diagnostica-se mais câncer, de forma precoce.
Perfil obstétrico
Mulheres com a primeira gestação após os 30 anos de idade, ou que não têm filhos, ou que não amamentaram, apresentam risco maior para câncer de mama. Hoje, elas têm adiado a maternidade, muitas vezes tendo filhos após os 40 anos.
Sedentarismo
O estilo de vida moderno tem tornado as mulheres sedentárias. Alguns estudos sugerem que quatro a sete horas de exercícios físicos semanais podem reduzir o aparecimento de neoplasia mamária em até 20%.
Ingestão de álcool
O consumo de álcool está associado com o aumento do risco de câncer de mama. Estudos demonstram um aumento de 10% nos casos a cada 10 gramas de álcool (1 taça de vinho tem em média 14 gramas de álcool).
Faltam estudos nacionais mais abrangentes e, no entanto, sabe-se que o número de casos vem aumentando no Brasil e que o risco é maior em países em desenvolvimento, com diferentes condições sociais, em pessoas obesas e com menor acesso aos programas de saúde.
Para interromper essas estatísticas é importante manter hábitos de vida saudáveis, relacionados com alimentação e estilo de vida, que podem contribuir com uma redução em até 28% no risco de desenvolver a neoplasia.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Jovem com câncer é acusada de apropriação por usar turbante e desabafa nas redes sociais

Thuane Cordeiro fez um post questionando o conceito após relatar que foi repreendida por mulheres negras no metrô por estar usando um turbante; caso acendeu debate
Publicado em 14/02/2017, às 16h02
 
Publicação da jovem paranaense já conta com quase 40 mil compartilhamentos
Foto: Reprodução/Facebook
JC Online
O relato de uma jovem paranaense em tratamento contra leucemia gerou discussões nas redes sociais sobre o conceito de apropriação cultural - adoção de elementos de uma cultura por um grupo cultural diferente. Thauane Cordeiro, 19, que é branca e está careca devido a quimioterapia, foi criticada pelo uso de um turbante, peça vista como símbolo de luta do movimento negro e ícone de empoderamento. No Brasil, as escravas utilizavam o adereço nos cabelos; as africanas, para proteger a cabeça do sol. 

Ela conta que foi abordada por uma mulher negra em uma estação do metrô que a acusou de estar se apropriando da cultura negra e que, por isso, não poderia usar o acessório. A jovem afirma que utiliza o pano para disfarçar a queda de cabelo e narrou o episódio em um post no Facebook. A publicação, que teve cerca de 136 mil curtidas e quase 40 mil compartilhamentos, recebeu milhares de comentários divergentes sobre o assunto.

Ao final do post, Thauane criou a hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim, que foi utilizada por outras mulheres em postagens com fotos utilizando turbantes.

Vou contar o que houve ontem, pra entenderem o porquê de eu estar brava com esse lance de apropriação cultural:

Eu estava na estação com o turbante toda linda, me sentindo diva. E eu comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo " olha lá a branquinha se apropriando dá nossa cultura", enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca. Tirei o turbante e falei "tá vendo essa careca, isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus.", Peguei e sai e ela ficou com cara de tacho. E sinceramente, não vejo qual o PROBLEMA dessa nossa sociedade em, meu Deus!



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Nova polêmica da fosfo, a ‘pílula do câncer’: agora é suplemento

O CHARLATANISMO NÃO TERMINA.

Dois ex-colaboradores do químico paulista Gilberto Chierice anunciaram a venda de fosfoetanolamina sintética na forma de suplemento alimentar, pela internet
Por Natalia Cuminale


A substância, que ficou conhecida no Brasil como "pílula do câncer", está sendo produzida na Flórida (EUA) e será comercializada como suplemento alimentar em março (Divulgação)
A fosfoetanolamina, substância popularmente conhecida como ‘pílula do câncer’, deverá ser lançada em março no país na forma de suplemento alimentar. O anúncio foi feito pela internet no fim da semana passada pelo biólogo Marcos Vinícius de Almeida e pelo médico Renato Meneguelo, que faziam parte do grupo de pesquisa do químico Gilberto Chierice, o criador da fórmula.

“A fosfoetanolamina como suplemento pode atrapalhar a pesquisa que está em curso. Vai tirar a credibilidade dela como um remédio potencial para tratar o câncer”, disse o químico Salvador Claro Neto, um dos principais parceiros de Chierice. “Ela vai virar cogumelo do sol. Qual médico receita isso?”, questiona. Para Neto, a venda como suplemento pode “queimar duas décadas de estudos sobre a substância”. Apesar de discordar da postura dos ex-colegas, o químico disse que não houve briga. “Foi só uma questão de ponto de vista”.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sentia meu corpo morrer durante a químio

Sabrina Parlatore, 42, ex-VJ da MTV, superou o câncer de mama e dá palestras sobre o assunto

27 jan 2017, 20h00

Uma noite de 2015, eu estava assistindo à televisão e, distraída, passei a mão no colo. Senti uma bolinha no meu peito, que não doía, mas fui dormir preocupada. Na manhã seguinte, liguei para minha médica, que me pediu exames e me encaminhou ao mastologista. De cara, ele me disse que as chances de ser câncer eram 40%, mas precisávamos esperar o resultado da biópsia. Tentei me acostumar com a ideia, mas a verdade é que nunca estamos preparados para um diagnóstico de câncer.
Seis dias depois, recebi o resultado: câncer de mama. Fui sozinha à consulta e não acreditava no que estava acontecendo. Eu me lembrava da minha mãe dizendo que jamais teria algo do gênero porque não tínhamos histórico na família. O tumor estava em estágio inicial e dava para tratar. Saí do consultório aos prantos. Procurei outros médicos, mas o parecer era sempre o mesmo. Optei pelo primeiro especialista, que não indicava a mastectomia, o método de retirar a mama de uma vez. Segundo ele, poderíamos retirar só o local onde estava o tumor e uma pequena área em volta, sem sofrer qualquer alteração estética.
Fiz a cirurgia menos de um mês depois do diagnóstico, e me senti mais saudável com aquilo fora de mim – na prática, não tinha mais câncer. Foi a melhor parte do tratamento, apenas um corte pequeno na auréola, nem ficou cicatriz. Tomei anestesia geral pela primeira vez na vida, fechei os olhos e, quando acordei, estava resolvido. Fisicamente eu estava igual. A quimioterapia, em compensação, foi arrasadora. Eu sentia meu corpo morrer, em vários momentos achei que não aguentaria. Não respirava direito, tinha arritmia, tontura, enxaqueca e insônia, além de um cansaço descomunal. Fiquei exposta a infecções, tomava remédio para o estômago todas as manhãs e enxaguava a boca dez vezes por dia com bicarbonato de sódio para evitar aftas. Às vezes, minha língua queimava e eu não conseguia engolir. A quimioterapia me tirou o direito de viver, tive mais medo das consequências dela do que do câncer em si.
Durante esse período, recebia muito carinho e me senti muito amada por minha família. Minha mãe havia pesquisado sobre o que era bom comer durante a quimioterapia, aprendeu as receitas e fazia lancheiras que eu levava ao hospital. Parentes distantes estreitaram o contato – criei até um grupo de whatsapp com todo mundo, chamado ''Contagem regressiva'' para o final do tratamento. Eu mandava vídeos da quimioterapia, áudios e fotos e o retorno deles era um apoio a mais. O ambiente onde eu fazia o tratamento era maravilhoso, o que também ajudou muito.
"O câncer de mama ainda é cercado de falta de informação"

Foram dezesseis sessões e, durante o tratamento, perdi os pelos do corpo, menos o cabelo. Usei uma touca que fecha os vasos sanguíneos do bulbo capilar para que a química não penetre totalmente no couro cabeludo. Mesmo assim, cerca de 30% a 40% do meu cabelo caiu e cresceu encaracolado depois. Perdi as sobrancelhas e os cílios, estávamos no verão e o suor caía direto nos olhos. Quando passei para a radioterapia, pouco mais de sete meses depois do diagnóstico inicial, a médica me garantiu que o pior já tinha passado. Foram 33 sessões de radiação, mas como são diárias e duram só dez minutos, parecem ser rápidas. Com o tempo, a pele fica queimada, como uma exposição ao Sol.
Ao longo do tratamento, percebi que poderia ser uma voz para o combate e prevenção do câncer de mama. Hoje, após encarar um dos momentos mais difíceis da minha vida, me encontro muito feliz com o aqui e o agora. Minha mãe me diz que nunca me viu tão bem na vida.
A gente não precisa passar por uma dor para aprender algo, podemos aprender com a história de outras pessoas. Eu, por exemplo, deixei de ser uma pessoa tão ansiosa, preocupada com o futuro. Minha fé está mais forte. Quero compartilhar isso com outras pessoas. Ajudar mulheres a buscarem informação e tratamento.
O câncer me fez enxergar a vida de uma forma diferente. Revi minha vida afetiva, social e profissional. Assim que terminei o tratamento, eu me separei, mas até hoje, meu ex-marido e eu somos muito amigos. Eu estou me sentindo mais segura, mais tranquila, vivendo o presente e aproveitando mais a vida. Dizem que a felicidade é um estado de espírito, e eu estou realmente muito feliz com o presente.
Depoimento colhido por Mabi Barros
Foto por Felipe Cotrim