quarta-feira, 15 de março de 2017

Defensoria pede inquérito para investigar descaso em tratamento oncológico


Segundo Cremerj, 19 hospitais estão com falta de remédios, equipamentos e até de profissionais especializados na área

14/03/2017 14:54:50
O DIA

Rio - Pacientes oncológicos que precisam receber tratamento contra o câncer encontram falta de remédios, equipamentos e até de profissionais em 19 hospitais do Rio. A informação foi divulgada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj) na manhã desta terça-feira. Ainda de acordo com os dados, os exames e tratamentos, que por lei devem começar em até 60 dias, estão levando até 4 meses para ter início. A Defensoria Pública da União (DPU) também acompanhou as vistorias do órgão e pediu a abertura de um inquérito para investigar a omissão das unidades.

De acordo com o presidente do Cremerj, Nelson Nahon, o Hospital Geral de Bonsucesso, na Zona Norte, é a unidade hospitalar em pior situação. No local não existem remédios básicos para o tratamento do câncer, como morfina. "Estamos perdendo o tempo ideal para o tratamento, acabando com a chance de cura e comprometendo a qualidade de vida do paciente", afirmou. Segundo Nahon, os pacientes que são tratados no Hospital Geral de Bonsucesso, por conta dos problemas, terão apenas 30% de cura.

Segundo o promotor Daniel Macedo, a DPU vai pedir à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar a omissão dessas unidades e de seus gestores pelos crimes exposição da vida ou saúde de terceiros em perigo. Ele também encaminhou ofício ao Ministério Público para que se investigue a improbidade administrativa nos hospitais federais de Bonsucesso, Andaraí, na Zona Norte, Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

"Os recursos recebidos por esses hospitais seriam perto do ideal se eles tivessem uma gestão qualificada. Mas o que a gente percebe é que há indícios de fraude licitatória na aquisição de medicamentos quimioterápicos". Além de uma investigação pelo MP, a defensoria pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) "faça uma varredura nas licitações" dos hospitais federais do Estado.


Reportagem do estagiário Rafael Nascimento

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